29 de maio de 2011

Palestra para catequistas – A Revelação Divina e sua transmissão (A doutrina apresentada pela Dei Verbum) Parte 1


O Revelador e o Conteúdo Revelado
São Paulo afirma em sua carta aos Efésios que Deus desejou se revelar ao ser humano, e também quis dar a conhecer o mistério de sua vontade (c.f. Ef 1,9). Já no Antigo Testamento, desde a criação, mas ao longo da história da salvação (com os patriarcas, Moisés e os 10 mandamentos, os profetas), Deus foi se apresentando ao homem gradativamente, como uma sementinha lançada à terra, inicialmente em estado germinal e que foi se desenvolvendo até que, na plenitude dos tempos, se tornou uma frondosa árvore. Isso se deu com a Encarnação de Jesus (c.f. DV 3 e 14).
Realmente, antes de Jesus, a ligação que se tinha com Deus era restrita, limitada, de certa forma nebulosa. São João mesmo afirma que “a Deus nunca ninguém viu, foi o Filho que no-lo deu a conhecer” (c.f. Jo 1, 18). Com a Encarnação do Verbo na história, com suas palavras e obras, Deus se manifestou de maneira única e máxima para o homem. Jesus veio mostrar o rosto de Deus à humanidade, em suas próprias palavras, quem o vê, vê o Pai (c.f. Jo 14, 9). Ele é o revelador do Pai e, ao mesmo tempo, o conteúdo da Revelação, já que Ele e o Pai são um só (c.f. Jo 10, 30).
Para entender essa realidade (na qual Jesus é simultaneamente o revelador e o conteúdo revelado), basta imaginar a seguinte cena: pessoas num auditório e à frente, um palco com as cortinas se encontram fechadas, impossibilitando que se veja o que está naquele local. Vários “apresentadores” aparecem como porta-vozes, falando de variadas formas sobre o que e sobre quem se encontra atrás das cortinas. Já vão dando algumas dicas do que esteja lá, daquela pessoa que ainda não é possível ver, tudo ainda de maneira limitada.
De repente uma voz diferente é ouvida, anunciando um discurso do mais alto interesse, cujo assunto se refere justamente àquilo que está atrás das cortinas e que não é possível ver, já antes mencionado pelos apresentadores de forma parcial e preliminar. Em seguida, as cortinas são abertas, possibilitando para os expectadores, além de ouvir, também ver “o dono da voz” que anunciava àquelas palavras e que, mais que simplesmente falar em nome de outro ou de coisas exteriores a Si, na verdade materializa tudo aquilo que estava sendo proclamado apenas de forma audível, mas agora também de maneira visível e viva. Ultrapassando a simples visão, este “dono da voz” desce do palco e vem até o auditório, estabelecendo de maneira única um contato com os expectadores, realizando um encontro, iniciando uma relação pessoal. Assim Deus deu-nos acesso a Ele mesmo e aos seus mistérios de maneira plena, por meio de Jesus Cristo.
Para ilustrar que Cristo é, então, o sujeito e o objeto da Revelação [1], vê-se:

SUJEITO
OBJETO
·         Aquele que realiza a ação de revelar
·         O Próprio conteúdo da Revelação
·         O Deus que revela
·         O Deus que é revelado
·         O que revela as verdades divinas
·         A própria Verdade Encarnada
·         O Mediador da revelação
·         A Plenitude da Revelação