13 de julho de 2016

A formação do cânon católico e protestante das Sagradas Escrituras


            A Bíblia se formou muitos séculos antes de Cristo, num processo histórico da relação do povo hebreu (posteriormente judeu) com Deus que se revelava. Neste desenvolvimento gradativo, certos episódios e pronunciamentos tomavam expressão de destaque e iam sendo transmitidos de geração em geração em primeiro lugar oralmente, depois foi sendo feito o registro de maneira flexível, com variações, adaptações, cortes e acréscimos, sem que houvesse um peso de canonicidade.
Só a partir da época do exílio da Babilônia a ideia de cânon começou a se delinear e, mais precisamente em 621 a.C., com a descoberta do “Livro da Lei” no Templo de Jerusalém no reinado de Josias, ela foi começando a se estruturar de fato. O Pentateuco (os “5 rolos”, a famosa Torah: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio) já estava composto mas não tinha um caráter normativo, tanto que não foi citado nas mensagens proféticas deste período, fato que só ocorreu a partir do século IV com a leitura do Livro da Lei e sua estipulação de obrigatoriedade pelo sacerdote Esdras (Ne 8).
Os livros que chamamos de históricos (mas que povo hebreu denominava como “profetas anteriores”: Josué, Juízes, Samuel e Reis) só foram lavrados no tempo do Exílio, contudo, apenas receberam status de canônicos pelo século III a.C. quando começaram a ser lidos nas sinagogas juntamente com os “Profetas”, ou Nebiim (“Profetas posteriores”: Isaías, Jeremias, Ezequiel e os doze menores). Assim, uma Bíblia Hebraica com duas grandes partes (a “Lei” e os “Profetas”) já era conhecida neste tempo.
Por fim, o terceiro bloco, que nomeamos hoje em dia por “livros didáticos” ou “sapienciais” (cognominado “Escritos” pelos judeus, ou Ketubim), teve delimitação mais vagarosa do ponto de vista da canonicidade. Nele temos os Salmos (que já eram consagrados pelo uso litúrgico muito antes de serem recompilados), escritos atribuídos a Salomão (Provérbios e Cânticos), Daniel e a obra cronística (Crônicas, Esdras e Neemias). Outros escritos variados eram venerados e lidos e foram incluídos (Jó, Rute, Lamentações, Eclesiastes, parte de Ester), mas outros com o tempo foram sendo excluídos do cânon judaico.
Existiu também uma versão traduzida para o grego desse documento, a conhecida Septuaginta (LXX) ou Cânon Alexandrino, que era lida e venerada por judeus que não moravam na Palestina, os judeus da Diáspora. Nesta versão foram incluídos os chamados livros “deuterocanônicos” (segundo cânon: Sirácida ou Eclesiástico, Sabedoria, Tobias, Judite, Baruc e 1-2 Macabeus, além de anexos aos textos de Ester e Daniel). Contudo, essa versão não perdurou entre os judeus e nunca foi reconhecida como canônica pelo judaísmo oficial (rabínico), logo caiu em desuso, optando eles por outras compilações gregas.
Assim se formou o Cânon Judaico das Escrituras, que só foi encerrado no final do primeiro século da nossa era (no sínodo dos rabinos de Yabné) e vigora até hoje no judaísmo, sendo tradicionalmente reportado pelo acrônimo TaNaK, que advém das sílabas iniciais da Torah (Lei), Nebiim (Profetas) e Ketubim (Escritos).
Porém, se a Septuaginta não “vingou” entre os judeus, foi amplamente adotada pelo cristianismo nascente como “sua Escritura” (o chamado Antigo Testamento), crescente e em franca expansão pelo mundo helenizado da época, lida em suas reuniões, usadas nas pregações e nas catequeses, fato facilmente demonstrável no Novo Testamento e nos escritos Patrísticos. Por este motivo a Bíblia Católica (traduzida posteriormente para o latim e denominada Vulgata) é regida pela tradução dos Setenta, pois era a tradução utilizada pelos primeiros cristãos. Esta tradução é formada, como se pôde ver pelo relato acima, pela Bíblia Judaica acrescida dos 7 livros intitulados deuterocanônicos dispensados pelos judeus na constituição de seu cânon. Aliás, um dos motivos para que estes tenham dispensado os escritos deuterocanônicos foi justamente o fato de a Tradução dos LXX ter sido uma versão reconhecidamente identificada com o cristianismo.
Já na época da Reforma (século XVI), Lutero retornou ao uso da Bíblia Hebraica (que não inclui a lista dos 7 deuterocanônicos, os quais ele chamava de “apócrifos”: úteis e bons para leitura mas, não canônicos) enquanto formativa do Antigo Testamento da Bíblia Cristã, sob o argumento de que esta teria sido a “Bíblia do tempo de Jesus”. A questão que ele ignorou é que, no tempo de Jesus, não havia uma Bíblia Hebraica fechada, definida, com cânon já fixado, fato que só aconteceu um século depois de Cristo! Para tal entendimento ele havia se apoiado no fato do próprio São Jerônimo, o responsável pela Tradução Vulgata, ter a princípio se pronunciado a favor da Septuaginta, mas depois ter defendido o Cânon Palestinense como único autêntico. Porém o venerável santo também não tinha exata ciência deste detalhe importantíssimo: na época de Jesus ainda não havia uma “Bíblia do tempo de Jesus” estabelecida e por isso mesmo a Igreja Primitiva usava a Versão Septuaginta em sua vida comunitária e em suas atividades missionárias (como atesta o Novo Testamento).
Em resposta a toda a ambiguidade gerada no meio cristão por conta desse episódio, o Concílio de Trento determinou definitivamente o Cânon Católico no ano de 1546 como sendo o da Vulgata, ou seja, o que contém 46 livros no Antigo Testamento, incluindo a Bíblia Hebraica mais os 7 deuterocanônicos. Desta forma e por estes motivos, é que as Bíblias Católicas tem 73 livros em seu cânon e as Evangélicas, 66. O Novo Testamento de ambas contém os mesmos 27 livros, mas existe essa divergência quanto aos livros do Antigo Testamento, divergência que tem origem na constituição do Cânon Judaico das Escrituras e no retorno a ele sugerido pela Reforma Protestante. Esta dissensão perdura ainda hoje entre os cristãos, embora alguns exegetas protestantes, cientes desses equívocos, propuseram reconsiderar a inclusão dos deuterocanônicos como parte de suas Escrituras e algumas edições de Bíblias protestantes já os tragam em blocos à parte.


6 de junho de 2016

Grandes histórias de amor


Amor não é preguiça. Amor é vencer a preguiça. Com filhos ou com esposa. É trocar a paz pela dedicação. É sair do conforto para atender alguém. É abdicar do calor das cobertas em nome do cuidado, é se antecipar em gentilezas e enfrentar o frio do inverno e dos pés descalços na cozinha.
Quem deseja dormir passando do meio-dia como fosse um eterno adolescente, ficar assistindo a séries ou futebol sem ser incomodado, deixar a bagunça se acumular para a chegada da faxineira, não lavar a louça até não encontrar mais copos e pratos limpos, permaneça solteiro. Não se case, não seja pai. Não gozará do luxo de duas horas de tranquilidade para ler ou boiar com os pensamentos. O intervalo de distração é de três minutos.
Família é perder o controle dos próprios horários. É madrugadão. É o equivalente a trabalhar como vigia ou segurança noite adentro, é assumir a condição de taxista nos momentos vagos.
Quando o filho é bebê, você terá que atender às cólicas, usará o gogó para desfiar as canções de ninar da época da vó e dar colo de um lado para o outro, incessantemente, com os faróis dos carros iluminando as janelas da sala. Quando o filho é criança, é acudir os pesadelos e de repente levar o pequeno para a cama de casal. Quando o filho é adolescente, é esperar o chamado para buscá-lo de carro nas festas.
Não conhecerá trégua. Não conhecerá moleza. O sono vem aos surtos, aos goles, aos poucos, em curvas, não ocorre em linha reta. O alarme do celular é o melhor amigo do homem de família. Há décadas que não sei o que é me espreguiçar lentamente, com os braços esticados para cima, ronronando, treinando posição de yoga e saudando o sol. Eu acordo de susto, com o coração aos pulos, determinado a cumprir tarefas. Nem penso muito, faço para depois pensar.
Tenho consciência de que amar é nunca mais ser egoísta, é renunciar ao individualismo e ao prazer de estar sozinho.
Foi uma decisão de uma vida feita na maior insignificância. Defini a minha paternidade e o meu casamento durante a segunda noite com a minha mulher. Ela estava com sede e pediu um copo d’água. Poderia fingir que não ouvi, poderia fingir sono profundo, poderia fingir que não era comigo, afinal a temperatura beirava os cinco graus. Mas empurrei o meu corpo para fora da cama, concluindo que ela merecia o meu esforço e que não custava nada oferecer um pouco de ternura.

Não duvide da banalidade. Levantar ou não para buscar o copo de água para a sua namorada é sempre onde começam grandes histórias de amor.
Autor: Carpinejar
Fonte: http://revistadonna.clicrbs.com.br/coluna/carpinejar-grandes-historias-de-amor/

30 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 31



Desde que nasci me acostumei às imagens do Sagrado Coração de Jesus e o do Imaculado Coração de Maria, pois desde que me entendo por gente nos corredores da nossa casa minha mãe mantinha aqueles tradicionais quadros nos quais Jesus e Maria eram apresentados cada um com um coração adornado e respectivamente envolvidos em espinhos e em flores sob uma chama de amor. Achava interessante e me cativava e desde a mais tenra infância me sentia atraída por esses corações.


Cresci vendo a devoção de minha mãe ao Sagrado Coração e ao Imaculado Coração e fui aprendendo mais sobre eles nas escolas católicas em que estudei. Lembro-me de uma professora de religião que tive no Instituto São José (Sobradinho-DF), uma freira chamada Irmã Maria Amélia, devotíssima, que nos ensinava constantemente a oração do terço e a devoção aos Sagrado e Imaculado Corações de Nosso Senhor e Nossa Senhora! Quando tínhamos aula com ela eu passava o dia inteirinho cantarolando “Imaculado Coração de Mariaaaa... Imaculado Coração de Mariiiiaaa!... És luz e guia, és luz e guia, és luz e guia dos teus filhos aquiiiii!!”
Quando estudei em Recife, o nome da nossa escola era justamente Salesiano Sagrado Coração, e mais uma vez observava com respeito a devoção dos padres aos Sagrado e Imaculado Corações. Nesta época estava afastada da fé católica, mas a Basílica Sagrado Coração de Jesus, situada dentro dos muros do colégio e para a qual éramos levados constantemente para atividades pastorais, sempre me impressionou e inspirou respeito pela imponência e beleza! Mesmo afastada da Igreja Católica, o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria nunca se ausentaram do meu coração!



Ao me converter ao catolicismo em minha juventude pelo encontro do grupo jovem Imago Dei e pelo contato com a RCC esta devoção aflorou com toda intensidade novamente em minha alma! Era constantemente levada ao amor e entrega filial aos Amados e Santos Corações pela participação em Cenáculos de Oração e pela leitura do famoso “Livro Azul” do Padre Goobi, por meio das apresentações do ministério de dança, as formações, leituras e tudo o mais que a Providência colocava à minha disposição!



Em minha amizade, namoro, noivado e matrimônio, Juliano e eu sempre nos consagramos a Jesus e a Maria pela devoção ao Sagrado e Imaculado Corações. Em nossa noite de núpcias, meu amado esposo me preparou uma linda surpresa da qual nunca me esqueci pela delicadeza e unção! Em nosso quarto, na nossa simples casinha preparada com antecedência para nossa nova vida em família, Juliano preparou nosso quarto lindamente enfeitado com muitas rosas vermelhas e com pétalas espalhadas por todo lado.
Diante do nosso leito conjugal, ele ajeitou um pequeno altar com velas, mais rosas, a Bíblia, nossos terços e duas imagens, colocadas em cada lado da mesinha que cobriu com uma formosa toalha branca: o Sagrado Coração de Jesus e o Imaculado Coração de Maria! Coisa mais linda que encheu meu coração de amor e felicidade pelo esposo que o Senhor e a Senhora tinham me dado! E tal como Sara e Tobias, oramos mais um pouco depois da linda celebração sacramental e da cerimônia organizada pelos familiares e amigos para nós e nos entregamos de novo a Jesus e Maria, nos colocando dentro de seus amados Corações, no início de nossa vida como uma só carne! Guardo até hoje essa imagens com carinho especial! 

Assim nossa família sempre foi sensível a esta devoção, em todos os desafios que enfrentamos, nos momentos de dor, nos de alegria, sempre depositávamos tudo nesses Corações Santos! Cada trabalho que fazemos na Igreja, cada missão que assumimos, entendemos que precisam sempre ser consagrados ao Sagrado Coração de Nosso Senhor e ao Imaculado Coração de Nossa Senhora! É deste modo que o Espírito tem nos conduzido e procuramos ser fiéis a esta condução.
Tudo encerramos no Sagrado Coração como num Templo Santo que adentramos quando em oração ofertamos nossa vida, e dentro deste, no mais profundo deste, depositamos no Imaculado Coração, como num cofre, num sacrário especial da contemplação no contexto desta experiência mística particular.
Este desafio inspirado pelo Espírito Santo, “No mês de Maria, um testemunho por dia” que encerro hoje, foi também gerado em meu coração e logo fui confiando aos Sagrado e Imaculado Corações! A princípio pensei que seria para o bem dos que porventura viessem a ler esse singelos testemunhos, mas logo fui percebendo que o alvo era eu mesma! Jesus e Maria queriam em primeiríssimo lugar me atingir e avivar minha devoção, meu comprometimento, minha adesão, minha fidelidade, minha consciência à bondade divina, minha gratidão a Jesus e a Maria por tanto bem realizado em minha história! Missão cumprida, Espírito Santo! Obrigada, Jesus! Obrigada, Maria! Eu vos amo com todo meu ser e afirmo e reafirmo: sou vossa! Eu e tudo o que tenho e sou! Amém!


No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 30


Sempre fui uma pessoa estudiosa. Sempre gostei muito de ler (influenciada por meu pai), sempre fui organizada e dedicada aos trabalhos escolares (influenciada por minha mãe). Devo admitir que não sou uma pessoa brilhante em termos de inteligência ou cognição e durante a vida escolar constantemente me deparava com dificuldades em certas matérias (como matemática, física e química), mas buscava compensar isso com muito esforço e disciplina. Às vezes funcionava, às vezes não. Mas no geral, fui e sou uma boa aluna.
Desde pequena aprendi com minha mãe Socorro a unir os estudos à oração. Ela sempre me ensinou a orar diante das minhas responsabilidades e pedir ajuda à Nossa Senhora quando sentisse que não estava fácil (em especial nas aulas de matemática, dificuldade de toda uma vida!). Sempre rezava antes das tarefas, antes das aulas, antes das provas e apresentações de trabalhos. 
Já na juventude, vivendo uma espiritualidade carismática, aprendi a clamar pelo Espírito Santo em meus estudos universitários e pedir, pela intercessão de Maria, que o Senhor me abençoasse não só com inteligência, mas com sabedoria, para que toda aprendizagem tivesse mais que um significado meramente acadêmico ou profissional, mas que tivesse humanidade, que transcendesse ao pragmatismo e pudesse ser útil também ao meu próximo, ao Reino de Deus. 
Sou muito grata de ter vivido os primeiros momentos de uma conversão mais séria e comprometida justamente na época da faculdade, pois assim pude experimentar um aprofundamento no conhecimento com uma outra visão. Lembro-me com saudades daquela época em que a pesquisa na biblioteca era logo após a Santa Missa na UnB, em que os livros e apostilas se misturavam com os terços e Bíblias, em que a formação espiritual tinha o mesmo peso da urgência das avaliações e prazos de entrega de trabalhos!... Como Deus foi providente em tudo na minha história! Minha companhia naqueles tantos caminhos que trilhava pra cima e pra baixo naquele campus era sempre minha Mãe Maria, me protegendo dos perigos, me livrando de experiências totalmente dispensáveis desta época de descobertas que podem ser de acordo com a santidade ou com a carne!...
Aprendi a consagrar meus estudos a Virgem Maria de maneira mais formal nesta época e cada etapa dedicava a ela. No meio do meu curso, em meio a um fase de discernimento vocacional, entrei em crise sobre qual caminho tomar, pensei em desistir daquela graduação. Meu pai Luiz, com firmeza, nem me deu essa opção! Exigiu que eu terminasse aquela licenciatura em Educação Física e entregasse o diploma na mão dele, após isso, que eu fizesse o que eu quisesse. Essa atitude, hoje eu sei, foi movida por Deus. Na hora me ressenti com o que achava ser uma falta de compreensão e apoio, mas fui vendo que o Espírito estava tomando as rédeas ali e consagrei o final desses estudos à Nossa Senhora. Quando me formei, entreguei meu diploma simbolicamente nas mãos do meu pai, mas interiormente estava ofertando a Jesus, por Maria. Essa experiência também me ensinou a não desistir de nada pela metade: ainda que sejam necessárias pausas e paradas estratégicas, sempre tenho em mente uma retomada num momento mais adequado e finalizo tudo que inicio (e nem começo nada que penso que não poderei ir até o fim!). Pois Jesus e Maria foram até o fim em todas as suas missões e eles são meus exemplos supremos!
Assim, fui consagrando cada novo desafio de estudo aos cuidados da Virgem: a pós-graduação, todos os cursos, as formações que a Providência foi colocando em minha vida e, posteriormente, o chamado a estudar Teologia. Percebi que era mais que uma mera curiosidade, entendi que se tratava de verdadeira vocação! De modo que, se os meus outros estudos sempre foram ofertados a Mãe do Céu, quanto mais este! Já iniciei por 3 vezes esses estudos e precisei interromper por variados motivos. Recentemente recomecei essa caminhada e num momento em que fui envolvida também no Ministério de Formação da RCC! Realmente uma fase de mergulho em leituras, escritos, pesquisa: tudo o que eu mais amo e numa área que é uma das que mais me interessa e atrai! É muita bênção de Jesus e de Maria para mim!
Louvo e agradeço a Jesus, meu grande professor, Mestre dos Mestres, por essa possibilidade de estar sempre estudando algo, de alguma forma! Agradeço a Maria Santíssima, Mãe e Mestra, e novamente consagro todo empreendimento nessa área aos seus cuidados! Tenho planos de avançar ainda muito mais em meus estudos! Tenho a pretensão de ainda chegar a entender matemática nesta vida! rsrsrs... Peço a graça de até o fim da vida estar aprendendo, ensinando, crescendo em sabedoria, até que venha o momento em que veremos tudo face a face, e entenderemos tudo o que nossa razão busca e nosso espírito anseia! É o que peço em nome de Jesus, por intercessão da dona dos meus estudos, minha Mãe Celeste, a Virgem Maria! Amém!

29 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 29


A gestação e o parto são momentos especiais para toda mãe. Muitas vezes, eles se convertem em momentos de tensão e preocupação, pois embora seja um processo natural, sabemos que muitas coisas podem acontecer. Mas não podemos passar por eles com sentimentos negativos, com pessimismo, pois são etapas inigualáveis na vida da mulher! Não podemos permitir que essa fase tão especial nos traga depois lembranças amargas! No que depender de nós, nossas memórias das gestações com que o Senhor nos abençoar e dos nossos partos serão momentos de muito amor, de alegria, vividos na consciência da gratidão que devemos ter a Deus por tão grande graça!  Precisamos viver cada momento com simplicidade, com calma, com todos os cuidados necessários, mas com felicidade, com otimismo, com paz, na presença de Jesus e de Maria! 
Desde a gravidez da Clarinha, foi assim que o Espírito Santo foi me conduzindo: para ser leve, confiante, aberta, paciente, serena, feliz com o momento! E assim cada uma das outras também! Tive minhas dificuldades em determinados episódios, mas não me deixei abater nem durante as gestações, nem nos momentos dos partos. Esperava desde a 1ª vez e tinha me preparado para um parto normal, sonhava em experienciar o rompimento da bolsa, as contrações e tudo o mais que vemos nos filmes e novelas. Infelizmente, nunca soube o que é nada disso: minha bolsa nunca rompeu, os ossos dos meus quadris nunca se moveram, nunca dilatei nenhum centímetro, nunca senti nenhuma contração, (mesmo esperando até a 42ªsemana no caso da Clarinha), em nenhum dos meus filhos! 
Existe toda uma discussão hoje em dia sobre as cesárias desnecessárias e o parto humanizado, mas eu, infelizmente nunca pude vivenciar um momento como esse. Ao invés de me entristecer e mortificar, louvo a Deus por todos os profissionais que me acompanharam em meus pré-natais, esperando comigo, analisando minha situação e a do bebê, agindo com profissionalismo e prudência para que tudo acontecesse da melhor maneira possível para que meus tesouros viessem ao mundo com saúde e segurança e eu também estivesse bem para cuidar deles.  Louvado seja Deus pela medicina que ajuda mulheres como eu no sonho de ser mãe! 
É impossível não me recordar da gestação de Nossa Senhora quando estou vivendo minhas próprias gestações. Toda sua entrega em meio a tantas pressões, toda sua confiança em Deus, a providência divina agindo em seu favor, sua simplicidade e pobreza... Sempre me vem tudo isso à mente quando penso em fazer grandes coisas, projetos "megalomãeníacos": badalados chás de fraldas, enxovais luxuosos, decorações exageradas para o quartinho... tudo isso perde o sentido quando contraponho com o modelo de Maria e José! Acabo sempre optando pelo "menos é mais", inspirada na Sagrada Família, buscando a eles como exemplo! 
E é incrível como experimento a providência divina nestes períodos! Quantas doações, presentes, dos pequenos detalhes até as grandes coisas: tudo envolvido por uma graça especial mesmo de fraternidade com meus familiares que me ajudam, com meus amigos que me cercam de orações e cuidados, com a comunidade da Igreja que nunca deixa de estar presente nesses momentos! Somos sim abertos à vida, abertos aos filhos que o Senhor quiser nos mandar, pois experimentamos na concretude do cotidiano que Ele é nosso PASTOR e nunca nos deixa faltar nada! Do desejo de comer canjica que a irmã da RCC faz deliciosamente como ninguém, às fraldas que ganhamos sempre dos amigos, até o berço novinho que chega da comadre! Nada, nada nos falta! Ele nos manda seus filhos, nós o acolhemos honrados e fiéis, e Ele providencia, junto ao nosso trabalho e sacrifícios e à caridade dos irmãos, tudo para sua chegada! 
Sempre, SEMPRE louvo e agradeço imensamente quando trago à minha mente o quanto sou favorecida por poder fazer tudo o que faço e ter minhas gestações e partos da maneira como tenho tido, pois ainda que com toda simplicidade, é sempre tão mais confortável do que o que Maria e José dispuseram! A possibilidade do plano de saúde, do acompanhamento médico hospitalar com uma equipe sempre tão competente, em espaços tão limpinhos e organizados! É um contraste enorme com a gruta de Belém, a manjedoura e as faixinhas que envolveram o bebê Jesus! Sempre me emociono com isso, agradeço e peço perdão a Sagrada Família, por tantas mães e bebês que ainda hoje repetem as faltas de condições experimentadas em nosso sistemas de saúde, vítimas da injustiça social, produtos das corrupções políticas! Clamo misericórdia para as tantas Marias, Josés e Jesuzinhos que nascem ainda em situações piores que as de Belém naquela ocasião sublime! Ó, Senhor, misericórdia... Mas sei que, mesmo em situações difíceis, o Senhor não está ausente, e a graça surge, sempre surge, assim como surgiu para José e Maria, como surge para mim e, através dos projetos que ajudamos sempre que podemos, surgem também para essas mãezinhas necessitadas...
Todas as minhas gestações foram fonte de bênção na minha história, até as que não foram adiante! Não existem palavras que possam agradecer a Deus pela permissão que nos deu de sermos co-criadores com Ele! Cada desconforto é uma bênção, cada peculiaridade desse período é vivida numa perspectiva que jamais pode se limitar a um entendimento somente humano, pois é um verdadeiro milagre sobrenatural! Um ser humano completo e perfeito, se desenvolvendo dentro de mim sem que eu tenha controle nenhum sobre sua evolução?! É uma graça muito grande! É um mistério que nos ultrapassa para além de toda cognição, de toda psicologia, de todo entendimento biológico, ou emocional, ou até mesmo antropológico, filosófico ou teológico: é divino! É obra divina! 
Todos os meus partos foram momentos especialíssimos, cercados de cuidados, amor, ajuda, orações, presenças amigas... Sabe quando alguém te pergunta sobre os momentos mais felizes de sua vida? Eu me lembro das minhas gestações e dos meus partos! Foram até o momento quatro cesarianas e não tive nunca do que me queixar! Até quando algo aparentemente não "dava certo", estávamos sempre tão envolvidos num clima de paz, de proteção divina, que na memória ficou só a sensação de tempos de aconchego, de intimidade, uma sensação morninha em tom pastel, como se fosse um sonho bom... Não estou romanceando, é a verdade do meu coração. Felicidade não é sinônimo de perfeição segundo nossos planos particulares, felicidade não é ausência de dores ou sofrimentos! Felicidade, que possamos entender de uma vez por todas, não é tudo acontecer exatamente do jeito que queremos! Felicidade é a paz que vem da presença de Jesus e de Maria junto a nós, seja esses momentos como forem, esta é a verdadeira felicidade! 
Tenho visto muitas mulheres bem à vontade ultimamente (especialmente pelas redes sociais) a reclamar destes períodos, se queixar da gravidez, do parto, do puerpério, da amamentação, fazendo uma amargurada "denúncia" de que não é tudo um mar-de-rosas, que é sofrido, que é horrível, que ninguém comenta o quanto é difícil, mimimi etc e tal. Tenho pena destas! Em seu auto-centrismo estão na busca hedonista de serem servidas, de serem poupadas, de terem aquela visão tão negativa própria de quem é mimado e nunca está satisfeito mesmo recebendo tudo na mão e se ressente estando agora no lugar de quem tem que oferecer e não de quem recebe!  Vivem de suas faltas de experiência em se doar e da incapacidade de se alegrar mais em dar do que em receber! Que contrassenso: se auto-intitular "empoderada" por arrogante pseudo-sinceridade e se comportar de maneira tão miseravelmente fraca, se vitimizando pelas vicissitudes do que são simplesmente ossos do ofício! Alô-ôu, mulherada! Pára, que tá feio! Empoderada mesmo é quem sabe ser feliz, mesmo nas adversidades! Quanto mais mimimi, menos poder: vamos ser felizes! Vamos olhar com visão positiva, com a força, com a garra, com o otimismo que só as mães  de verdade, as "mãe-leoas" conseguem ter nas batalhas da vida! 
Não me refiro àquelas mulheres que realmente têm problemas sérios nestas etapas, mas à essas que acham que ser mãe é continuar sendo o centro de sua existência (Ô, coitadas!). Lamento por essas! Quando nos tornamos mães, nunca mais estaremos em primeiro lugar! As que buscam isso, de duas uma: ou serão eternamente infelizes tentado ser o centro de suas existências de novo, ou serão sempre amargas pelo lugar privilegiado que perderam de suas antigas vidas antes da maternidade, com grande chance de cobrarem de seus filhos (que não pediram para nascer) pela "felicidade perdida"! Pobres filhos dessas tristes mães! 
A receita da felicidade na maternidade é a consciência de que uma vida de doação se inicia logo na concepção e esta vida é boa, nos completa, é nossa vocação, nossa missão maior, a realização da nossa existência! Nunca mais será sobre mim somente, mas sobre nós, sobre a família, para sempre! Se entendermos isso, e formos capazes de ver a beleza disso: toda amargura vai embora! Toda dificuldade se transforma em desafio a ser superado com amor e por amor! Todo egoísmo se modifica em doação! Quem tiver dificuldade em viver isso, deve refletir seriamente ANTES de se tornar mãe... Ou você acha que estas (gestação e parto) são as fases mais difíceis da maternidade? Amaaaddaaa!!! Estas são talvez as fases mais trabalhosas, os primeiros meses, as madrugadas, cólicas e amamentação mas é bem provável que nem sejam as que mais vão exigir de nós como mães, exigir nossa força, nossos sacrifícios, nosso empenho! Seremos mães por toda a vida!! Isto é só o começo! É como os jogos de video game: cada fase é mais desafiadora que a anterior!
Pois eu não vou nem mentir, eu amei e amo cada etapa, 100%! Para mim é tão bom, tão especial, que até o que é ruim é bom! kkkkkkk Os enjôos são chatos? Óbvio que sim! Mas vou ficar lamentando? Ah, véi, pára com isso! Curta o momento! É hora de comer uva azeda, chupar picolé de limão, comer bala de gengibre! Aproveita! O inchaço incomoda? Coloca as pernas pra cima, faz hidroginástica, drenagem linfática, peça massagem ao maridão: aproveita como puder! Querida, isso é natural, vai rolar: sossega seu coração e procure soluções que amenizem! Tira da sua boca as reclamações inúteis! Você vai ganhar peso? Sim, óbvio! Faça de tudo para cuidar da alimentação, reze, medite, respire, faça suas receitas preferidas, peça às pessoas que te mimem, peça à mamãe os quitutes da infância: aproveita! Retire da sua gravidez toda reclamação, toda murmuração, todo mimimi: tenha em sua mente Nossa Senhora, a gestação dela, tudo o que ela passou, o parto que ela teve e SEJA GRATA, SEJA MULHER DE LOUVOR! Louve a Deus, seja uma mulher positiva, otimista, de oração, de louvor e depois poderá testemunhar o impacto que isso tudo teve na personalidade do seu bebê! Mamãe de louvor: bebê calmo, alegre, que se alimenta bem, que dorme bem! Faça o teste! 
Consagre sua gestação e seu parto a Maria Santíssima! Dialogue muito com o pai do bebê, orem juntos e peça a proteção de São José para ele! Converse, cante para seu bebê: é a vez dele agora! Não foque tanto em você, pense no seu milagrezinho aí, dentro de você! Encha seu dia a dia de coisas boas e bonitas, na simplicidade de suas possibilidades, ainda que tudo esteja difícil, que nada tenha acontecido como você tinha planejado, LEMBRE-SE DE MARIA! Ela se abriu, disse sim, confiou e valeu a pena. Vai valer a pena pra mim também, CADA VEZ QUE EU FOR ABENÇOADA COM UM NOVO FILHO, eu creio! E vai valer a pena pra você também, acredite! 
Repita constantemente: eu sou abençoada por esta gravidez, OBRIGADA, JESUS! Eu serei abençoada em meu parto, ME ABENÇOE, NOSSA SENHORA DO BOM PARTO! Minha recuperação será muito feliz! A amamentação será cheia da graça de Deus! Serão momentos de paz, na presença de Jesus e de Maria! Minha família se completará em graças e bênçãos com esse bebê! Eu abençoo o meu ventre! Eu abençoo o meu filho, os irmãozinhos, o meu marido, o meu casamento, a nossa família! Eu te entrego, Senhor, o meu médico(a) toda a equipe! Eu te consagro, Maria, o momento do parto, cada detalhe, cada medicamento, cada instrumento! 
Ore! Ore muito, clame, louve! Abençoando sempre, nunca murmurando, pois a reclamação atrai a maldição! Abençoe, não amaldiçoe! Seja grata, seja otimista, seja mulher de louvor, seja corajosa como Maria! Você foi escolhida para viver um milagre! Fique honrada! Se alegre! Encare, como Maria! Deixa Deus cumprir os desígnios Dele em sua história, como fez com Maria! Sua gestação terá impacto na humanidade inteira: cada filho de Deus que nasce nesta terra tem uma promessa divina vinculada a ele, tem uma missão nesta terra! E você e o pai dele foram escolhidos por Deus para serem os guardiões desse tesouro, desse mistério de amor! Tenha uma postura digna da sublimidade do momento! 
Não pare nas dificuldades, erga a cabeça, sobe no salto (ou melhor, na sapatilha ou rasteirinha, mais adequadas para o nosso estado!), CONFIA EM DEUS! Ele é nosso PASTOR, não vai nos abandonar! Maria sabe o que é estar grávida, o que é dar à luz, ela estará sempre conosco! Abra a mente para a alegria que vem de Deus, abra o coração para o amor que o Espírito Santo faz brotar desse momento! Não passe esses momentos especiais com medo, com raiva, deprimida: deixa Deus fazer deles os mais felizes da sua vida! Pois esta é a vontade Dele para você e para mim, nestes tempos especiais! 
Que Deus nos abençoe! Que Maria nos proteja! 

28 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 28



As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital. (...)Também e-mails, sms, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor. As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos. O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral. Rezo para que o Ano Jubilar, vivido na misericórdia, «nos torne mais abertos ao diálogo, para melhor nos conhecermos e compreendermos; elimine todas as formas de fechamento e desprezo e expulse todas as formas de violência e discriminação» (Misericordiae Vultus, 23). Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha. (Papa Francisco, Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 24 de Janeiro de 2016) 
Já há algum tempo o Espírito tem me conduzido a estar a seu serviço também através dos meios de comunicação. Por meio do telefone e da internet (por este Blog, por exemplo, mas também pelas redes sociais) são muitas as vezes em que sou colocada na situação de estar servindo a Deus, à Igreja, ao próximo. Desde os cuidados com perfis de páginas que administro dentro dos trabalhos missionários na comunidade eclesial, quanto escuta, atendimento, orações e partilhas que mantenho com irmãos de caminhada que me procuram pelo Facebook, Twitter, email, whatsapp e telefonemas.
Como bem disse o Papa, não é o meio que determina a qualidade da comunicação, mas a maneira como esta é conduzida. Se é verdade que a polarização e divisão é algo possível dentro deste contexto, com sabedoria e unção é possível fazer muito bem por meio das novas tecnologias! Eu sou testemunha disso! 
É óbvio que os meios de comunicação nunca devem substituir e eliminar o contato direto e pessoal com as pessoas, mas na impossibilidade deste, é perfeitamente lícito e benéfico a comunicação por esses meios. Quem as rejeita normalmente são deficientes em comunicação por outros meios também, e se colocam obstáculos para manter contato por telefone ou rede social, quase sempre tem dificuldades pessoais para conviver com as pessoas em outras áreas também, por exemplo nas áreas da afetividade, sociabilidade, área psicológica ou até mesmo espiritual. Não podemos nos fechar para o contato com os irmãos pelas vias que o Senhor nos disponibiliza, sejam virtuais ou presenciais! Quem se fecha, precisa de fato repensar suas posições, ter conhecimento das orientações do Vaticano neste sentido, procurar a cura de suas feridas e vulnerabilidades pessoais neste campo da integração social pela via do mass media e avançar para águas mais profundas, para o anúncio de cima dos telhados! Isso também é cultura do encontro, tão insistentemente proposta pelo Papa Francisco! Mas quem não a implementa de forma presencial, quanto menos por meio digital o fará... Pena! Quem perde é quem se fecha! 
Tantas vezes mantive longos diálogos e partilhas com irmãos que precisam muito de um ombro amigo para desabafar, alguém com um pouco de disponibilidade e empatia por sua dor para dividir seus fardos e que só poderiam fazer (ou por impossibilidade física do encontro presencial, ou por que se sentiam mais à vontade) por esses meios eletrônicos! Pessoas conhecidas e outras que nunca cheguei a conhecer pessoalmente (pois vinham a mim por sugestão de algum amigo em comum)... 
A todos procurei tratar como a Virgem Maria os trataria, com caridade e verdade, como ela ensinou a Jesus e como muitas vezes vemos ilustrado nos evangelhos. Espero e peço a Deus que tenha sido útil em minha imperfeição e boa vontade... Sei que a muitos desagradei por passar a voz da Bíblia e da Igreja sobre o que tinham dúvidas, quando queriam um tapinha nas costas! Sei que muitas vezes falei o que não queriam ouvir, mas jamais poderia dizer algo que não fosse embasado na Palavra Divina! Meu compromisso é sempre prioritariamente com Deus, com a Verdade, e nisso não posso ficar preocupada em agradar os homens... Minha receita, sob orientação do meu esposo Juliano, é sempre "empatia com suas dores e a resposta católica para a questão apresentada". Não dá para fugir disso... Oxalá tenha agradado realmente a Jesus e à Virgem em meus esforços!...
Comecei a perceber que se tratava de verdadeiro apostolado (que nomeei de apostolado do email, apostolado das redes sociais, em suma, a "Pastoral da internet!) pois de fato é algo corriqueiro, concreto, para o qual notei que precisava me preparar com estudos e oração pois o Espírito estava se utilizando de mim para um propósito. Foi o que fiz! Comecei a jejuar, orar especificamente para este serviço, interceder pelas pessoas que me procuravam por esses meios, estudar e pesquisar para os temas que apresentavam dúvidas, etc. Tudo cercado de grande batalhas espirituais, mas sob a proteção amorosa de Nossa Senhora, Rainha do Universo!
E chegou o tempo em que Nossa Senhora me solicitou uma consagração especial do meu celular e notebook para a causa do Evangelho, da escuta, do pastoreio que vinha realizando por meio deles. Não tive dúvidas nem receio: os consagrei totalmente para esse fim! São meros objetos, mas são consagrados a Nossa Senhora para a causa do Evangelho de Seu Filho Jesus. De fato os coloquei aos pés de uma imagem de Nossa Senhora das Graças e os entreguei a ela, clamando pelo nome de Jesus para que fossem instrumentos de serviço evangélico, de escuta e de anúncio, conforme a condução do Espírito Santo. 
Peço perdão ao Senhor pelas vezes em que não consigo ser fiel a esse chamado, que falho ou não atendo às Suas expectativas, pela falta de formação específica para esta atuação, mas confio que nesta missão a maior atingida sou eu mesma! Sou eu que aprendo servindo, que amadureço nos sacrifícios do trabalho solitário e tantas vezes não valorizado, que aprendo a humildade sendo inúmeras vezes como uma voz clamando no deserto... Por isso clamo ao Espírito que me dê sempre a perseverança e a sabedoria para continuar comunicando Deus e suas obras da melhor forma que puder, para acolher aos irmãos que me procuram da melhor forma possível, com misericórdia e fundamentação na Palavra Bíblica que ilumina e liberta! Que Nossa Senhora continue a ser a dona desses objetos confiados a mim, para que eu os possa utilizar para o bem, para o amor, para ser instrumento de paz para quem precise, para que continue a estudar e me formar por meio deles e assim, mesmo em meio às minhas misérias e dificuldades, continue a crescer e servir. 
Por isso, Mãe Amada, reafirmo que meu celular e meu notebook, e todos os outros meios de comunicação que a Divina Providência colocar ao meu alcance são teus! Toma-os, Mãe Celeste, pois sei que sendo teus, a senhora os colocará aos meus cuidados para a divulgação da Palavra de Deus, para a propagação dos ensinamentos da Igreja, para a disseminação da Cultura de Pentecostes, para o testemunho da verdadeira devoção à Senhora, para o acolhimento misericordioso de todos os que por eles me procurarem. Perdoa-me, Virgem Santíssima, se às vezes fracasso nesses propósitos, a senhora sabe que nunca é por má fé mas por fraqueza, ajuda-me com suas bênçãos e graças! Tudo o que sou e tenho, querida Mãe do Céu, desejo que a vós pertença, pois tenho confiança de que sendo toda vossa, serei toda Dele, serei simplesmente feliz e terei paz. Assim, tudo consagro a Jesus, meu Mestre e Senhor, por vossa mãos, Mãezinha, hoje e sempre, AMÉM! 

27 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 27


A experiência de estar doente pode ser um grande aprendizado! Nesta vida, neste mundo, estamos suscetíveis a sofrer todas as situações que o pecado original trouxe à criação, incluindo as doenças e a morte. E creio que, se entregamos com toda sinceridade e fé a nossa vida ao Senhor Jesus, especialmente pelas mãos imaculadas da Virgem Maria, tudo o que nos acontece tem Sua permissão com algum propósito! 
De todas as vivências que a Divina Providência me proporcionou, a de estar doente foi uma das que mais me ensinou sobre humildade, abandono, dependência, solidariedade... Felizmente nunca tive graves problemas de saúde, mas já experimentei o que é estar internada, a base de remédios, sentindo dor, dependente dos outros para tudo e posso atestar, é uma experiência que desejo a todos, pois sei que só nos identificamos, só entendemos o que é estar nesta situação quando sentimos na própria carne. Só quem já esteve doente é capaz de se sensibilizar de toda alma como o bom samaritano (Lc 10, 30-37) e colocar em prática Mt 25, 36: "Estive doente e foste me visitar". 
Uma das vezes em que me vi nesta especial situação foi, recentemente, numa crise de cálculo renal. Não foi a 1ª vez que passei por isso e vários fatores contribuem para que eu seja, como me explicou o médico, "uma fábrica de pedras"! Hoje em dia já pude fazer uma pesquisa mais detalhada com uma equipe de urologistas e nefrologistas e descobrimos a causa deste fenômeno, mas nesta ocasião fui acometida das piores dores que já senti na vida. Ainda não tinha passado pela situação de gritar de dor até então. Eu, que sou tímida, nem me importei do "papelão" pois não havia mais nada na minha consciência além daquelas dores quase insuportáveis!
Quem cuidou de mim na ocasião foi meu esposo Juliano e ele mesmo disse que estava constrangido com a situação, mas muito mais penalizado pois nunca tinha ajudado alguém daquele jeito. Ele, que me conhece, sabe que normalmente tenho uma grande resistência para dor e, se eu estava berrando daquele jeito, é porque a coisa estava feia! 
Posteriormente ele me contou que eu só gritava: "Mãããããeee!! Mãããããeeee, me ajudaaaa!!!" E ele tentava me perguntar: "Você quer que eu peça pro seu pai trazer sua mãe aqui?", achando que se tratava da minha mãe Socorro. Mas se tem uma coisa que me tranquiliza nessas horas é que a vovó fica com as crianças e eu não preciso me preocupar com meus filhos pois com ela tenho certeza de que estarão bem cuidados. A mãe que eu chamava era a Outra! Era a Virgem Maria! Sem pudor nenhum eu gritei por minha Mãe Celeste e só parei de gritar quando me doparam de medicamentos. 
Passei por procedimento cirúrgico para retirada dos cálculos e quem já passou por isso sabe que as dores nos acompanham antes, durante e depois! Fortes analgésicos são nossos companheiros em todo a evolução do quadro até o nosso restabelecimento pois as dores fazem hora extra, nos brindam com sua presença de manhã, de tarde, de noite, de madrugada! Nesta última ocasião, o Espírito me suscitava o Salmo 120: "Para os montes levanto os olhos: de onde me virá socorro? O meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra. Ele não permitirá que teus pés resvalem; não dormirá aquele que te guarda. Não, não há de dormir, nem adormecer o guarda de Israel. O Senhor é teu guarda, o Senhor é teu abrigo, sempre ao teu lado. De dia, o sol não te fará mal; nem a lua durante a noite. O Senhor te resguardará de todo o mal; ele velará sobre tua alma. O Senhor guardará os teus passos, agora e para todo o sempre." Eu o chamo carinhosamente de "o Salmo do Cálculo" pois repetia constantemente "de onde me virá meu socorro? Oi? De onde me virá o socorro?! Eiii! Socorro, gente! Jesuuusss!! Mariaaa!! Socorro, gente!" 
E como diz aquele outro Salmo 33, 7: "Esta infeliz gritou a Deus e foi ouvida e de todas as angústias me livrou"! Eu incomodei mesmo o Senhor Jesus, pois sabia que Ele podia me tirar daquela situação, mas não antes do tempo necessário. Eu fui inconveniente com Nossa Senhora, gritei por ela como Mãe e ela esteve comigo em cada segundo, com enfermeira, psicóloga, amiga, verdadeira Mãe. Esta era a única oração que conseguia fazer: "Socorro, gente! Mãããããeeee!! Jesuuuusss!!" E foi uma oração válida, na hora de Deus, fui atendida! Glória e louvores a Ti, Senhor! Obrigada, Mãe do Céu! 
Já comentei aqui neste Blog que nem sempre a resposta do Senhor é "sim" para nós e de como eu já recebi "nãos" como resposta às minhas súplicas. Isso é possível, pois assim como nós somos livres em nossas respostas a Deus, mais ainda é o Senhor Onipotente em Suas repostas a nós! Especialmente por Ele saber de todas as coisas que muitas vezes ignoramos, por Ele ter seus desígnios misteriosos que só conheceremos na glória. 
Mas uma coisa é certa: Jesus nunca é indiferente à nossa situação e Nossa Senhora nunca está ausente diante das dores dos seus filhos! Recorramos a Ele com fé, invocando seu Santo Nome, ao qual todo joelho se dobra e tenhamos visão espiritual para esse curso intensivo de humanidade, de virtudes, de espiritualidade que é a experiência da enfermidade e do sofrimento. É a escola mais eficaz de misericórdia na qual podemos estudar! Quando percebemos que nós mesmos temos necessidade que os outros tenham misericórdia de nós, nos visitem quando estamos sozinhos presos em nossos repousos, nos mandem palavras de conforto quando nos sentimos abandonados e fracos em nossas camas, aprendemos a nos colocar no lugar dos outros irmãos que passam pelas mesmas situações! Só quando precisamos de misericórdia para nós mesmos aprendemos a detectar quando os outros também estão precisando da nossa misericórdia! Só quem já passou pela miséria da doença sabe o quanto é importante a misericórdia dos sadios!
Contemos igualmente sempre com Nossa Senhora e gritemos por nossa Mãe Celeste mesmo, como crianças dependentes as quais o Mestre garantiu que estava destinado o Reino dos Céus! Peçamos suas mãos nas nossas mãos, seu beijo nos nossos machucados como as mães fazem quando os filhos se ferem e saem correndo em nossa direção querendo proteção! Supliquemos seu abraço, seu colo, sua intercessão! Ela virá em nosso auxílio, SEMPRE! E, sob sua proteção, peçamos ao Espírito, que nos ensina todas as coisas, o educador das almas, a calma para passar por esse difícil "curso da enfermidade" com nota 10, sendo aprovados pelo Mestre Jesus como pessoas mais fortes, mais humildes, mais sábios, restaurados no corpo e na alma!
ORAÇÃO: Virgem Puríssima, que sois a Saúde dos Enfermos, o Refúgio dos Pecadores, a Consoladora dos Aflitos e a Despenseira de todas as graças, na minha fraqueza e no meu desânimo apelo hoje, para os tesouros da vossa divina misericórdia e bondade e atrevo-me a chamar-vos pelo doce nome de Mãe. Sim, ó Mãe, atendei-me em minha enfermidade, (fazer o pedido) dai-me a saúde do corpo para que possa cumprir os meus deveres com ânimo e alegria, e com a mesma disposição sirva a vosso Filho Jesus e agradeça a vós, Saúde dos Enfermos. Nossa Senhora da Saúde, rogai por nós. Amém.

26 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 26


Todos nós deveríamos ter uma "rota de fuga" para momentos em que a solidão é a única possibilidade de pacificação, de colocar os pensamentos em ordem, respirar, rezar, se acalmar, silenciar. Jesus tinha a montanha (Mt 14, 23)! Era a sua rota de fuga, mas não fuga no sentido de escapar, se livrar, desistir e sim uma parada estratégica de descanso. E assim ensinou aos seus discípulos (Mc 6, 31): "Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco." 
Assim, imitando o Mestre, a divina Providência separou para mim também a minha montanha, meu deserto, para descansar um pouco e silenciar, refletir, me acalmar em momentos de muita tensão. Este lugar é o Santuário da Mãe Peregrina aqui em Sobradinho-DF, o "Tabor da Esperança", da responsabilidade do Movimento de Schoenstatt, aquele que propaga a amabilíssima devoção à Mãe, Rainha e Vencedora, Três vezes Admirável de Schoenstatt, aquela da Capelinha que visita as casas!


Já há algum tempo aprendi a "fugir" para este refúgio que considero particular, ainda que público, pois me sinto como na Casa da Mãe mesmo! Quantas e quantas vezes precisei desesperadamente de silêncio, de um espaço para respirar, para pensar e foi justamente ali que consegui a paz que sempre quis, no silêncio que estava difícil de realizar! Muitas vezes cheguei ali chorando, com taquicardia, em crise, com sentimentos tão intensos que chegavam a me doer no corpo! E naquela capelinha minha respiração voltou a se tranquilizar, minhas lágrimas foram cessando, minha raiva foi se tornando oração... Só na presença eucarística, no colo da Mãe Peregrina, isso foi e é possível pela minha experiência! 
Eu sou uma pessoa extremamente ansiosa, de fato tenho um diagnóstico psicológico deste mal que precisava tratar com mais cuidado... Infelizmente, por diversos fatores, ainda não pude dedicar essa atenção com um profissional gabaritado em terapia específica. Minha única saída é a via da racionalização dos acontecimentos, alguns exercícios de respiração, algumas atividades que já percebi que me acalmam (como fazer faxina ou uma longa caminhada) e, principalmente, a oração! Quem sofre de ansiedade sabe que, sem que a gente possa controlar, os sentimentos de aflição vem, influenciam a respiração, interferem nos batimentos cardíacos, nos fazem tremer e suar, aceleram os pensamentos num pessimismo e irritação que, por mais que tentemos ponderar racionalmente, não conseguimos refrear. Quando esses sintomas me atingem, preciso desesperadamente da presença do Mestre, no colo da Mãe. Tem horas que só uma abraço de amor pode serenar nosso corpo, nossa alma, nossos pensamentos, nosso coração. 
No colo da Mãe, em seu Santuário, ela me expõe a seu Filho Jesus e um milagre acontece em 100% das vezes que precisei deste socorro: a paz de Cristo me alcança! É como a tempestade acalmada! Na presença eucarística, o mar revolto dos meus sentimentos e os ventos fortes que atingem minhas emoções se amansam quase que imediatamente diante da autoridade de Jesus. Os dragões que me atormentam se detêm diante da Mulher do Apocalipse 12. Ela, por licença especial Dele, pisa as cabeças das serpentes que me perseguem querendo me perder e nestes instantes místicos e de intimidade, me sinto absolutamente protegida, pacificada, salva. 
Basta uns minutos naqueles bancos para que eu retorne à consciência de que não estou só: Jesus e Maria estão sempre comigo! Nunca, NUNCA saí do Santuário da Mãe Peregrina decepcionada, com a mesma agitação com que cheguei! Sempre recebi a benção da iluminação interior, de um banho de amor, o carinho espiritual, a consolação que ultrapassa qualquer palavra que eu consiga utilizar aqui na tentativa de descrever essa grande bênção. Só experimentando mesmo para ter a noção! De fato, é uma sensação de estar em casa depois de enfrentar uma longa viagem pelos caminhos atribulados deste mundo tenebroso, as guerras cotidianas das pressões sociais, das lutas contra o pecado, das batalhas espirituais, do peso das responsabilidades das missões que assumimos. 
Louvo a Deus pela minha montanha, meu "Tabor da Esperança"! Agradeço a Mãe Peregrina por me acolher sempre em sua morada e me dar o colo que preciso para prosseguir! Peço a Jesus que você, que lê esse testemunho agora, que ainda não tem uma "rota de fuga" para seus momentos de necessidade, que você possa ser encaminhado para um lugar especial assim. Que a Virgem Santíssima possa abrir portas e portões e providenciar um local de deserto, onde ela possa te acolher e te mostrar a Jesus, bendito fruto de seu ventre! Que neste local você possa viver essa experiência tão bonita de ser curado pelo silêncio, de ser banhado pela graça, de ser reconstituído em sua humanidade cansada e ferida, sempre na presença de Jesus e de Maria, nossa família celeste! Pelo nome de Jesus, peço essa graça em sua vida, assim como eu tenho na minha, AMÉM! 


25 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 25


Quando me casei com meu esposo Juliano, com muito esforço e sacrifício, compramos um Chevette 79 para darmos conta de todos os nossos compromissos. Este carro foi responsável pelas maiores raivas que passei nesses primeiros tempos de casamento! Ele sempre nos deixava na mão! Sempre era um problema aqui, outro acolá, nos momentos mais inconvenientes e acho que gastamos mais dinheiro com consertos nele do que se tivéssemos comprado um carro mais novo. Mas fomos ficando com ele e dividíamos esse carro da melhor maneira que podíamos, um sempre esperando o outro, organizando os horários, traçando os itinerários, etc...
Nesta realidade, Juliano estudava e trabalhava no Plano Piloto, e eu trabalhava em Sobradinho e fazia estágio e ainda estudava no Plano em dias alternados. Os dias que ficava em Sobradinho, tinha carona no início da manhã e no final do dia apenas. Nos dias em que ia para o Plano Piloto, eu deixava Juliano no trabalho e ficava com o carro para ir ao estágio e às minhas aulas. Às 16hs estava liberada, então precisava esperar meu esposo até pelo menos 18hs, no final de seu expediente. Ele trabalhava num local meio afastado, o almoxarifado do Ministério Público Militar. A solução que eu encontrava era escolher alguma sombra de árvore por ali por perto e aguardar essas 2 horas (que muitas vezes se tornava 3 ou 4hs, dependendo das demandas do trabalho dele...
Lembro-me que aproveitava esse período para fazer todas as minhas tarefas, leituras, pesquisas e estudos da faculdade. Já comprava um lanchinho na saída da UnB, e me colocava a estudar e adiantar o que poderia ser adiantado por ali mesmo. Ligava o rádio na Nova Aliança, a emissora da Arquidiocese de Brasília, única Rádio Católica da época, e ia ouvindo os programas, as músicas enquanto fazia minhas atividades. Quando terminava as coisas da faculdade, colocava em dia os planejamentos dos trabalhos. Quando terminava, já fazia meu estudo da Palavra. Depois de tudo isso, muitas vezes olhava no relógio e ainda faltava muito tempo para pegar Juliano! 
Então era o momento de ficar quietinha, aproveitando da presença de Maria naquele "carro-casa"! Sim, a Mãe era a minha companhia nessas tardes de espera pelo Juliano. Ela me inspirava uma ligeira faxina no carro, nas inúmera sacolas e mochilas que mantínhamos nele (pois realmente muitas vezes vivíamos mais tempo nele do que em nossa casa!), organizava os livros que ficavam nele, os materiais da Igreja que carregávamos para cima e para baixo no pequeno porta-malas... Então, juntas, contemplávamos os mistérios do Terço... e muitas vezes do Rosário inteiro! E depois cantava para ela o Ofício inteirinho enquanto não dava a hora. 
Quando às vezes terminava e tinha dado a hora combinada com meu esposo, me dirigia ao estacionamento de seu serviço (que era fechado, mas o porteiro já me conhecia e me deixava entrar) e ficava esperando sua chegada para podermos ir embora para casa. Algumas vezes ele vinha me avisar que ia precisar demorar mais um pouco, então eu começava o "consagraço". Explico do que se trata: espontaneamente começava uma grande oração de consagração a Nossa Senhora de tudo o que o Espírito me trouxesse à mente! Eu digo "tudo", tudo mesmo que me viesse à mente. Começava por mim mesma e todas as "minhas coisas" (responsabilidades, missões, preocupações, estudos, trabalhos, saúde, coração, espiritualidade, etc), passava pro Ju e "suas coisas", meu pais, irmão, familiares, amigos, conhecidos, as pessoas e situações que haviam me pedido orações, Sobradinho, o Distrito Federal, Brasil, a Igreja, a humanidade, os jovens, as famílias, o clero, etc, etc, etc... Ia rezando, intercedendo, entregando tudo a Jesus, pelas mãos de Maria... Isso podia durar horas em oferta e súplicas! 
Quantas vezes até chegava a orar em línguas em meio ao "consagraço": era um verdadeiro combate de oração pelo qual eu  posso testemunhar que alcancei inúmeras graças, bênçãos especiais, restaurações, milagres... Eram momentos fortes de oração esses dias de espera! Nossa Senhora, a que sempre está envolvida com as sombras do Espírito (Lc 1, 35), era realmente um "canal especial de graça" para mim. Quem me conhece sabe que não há nada mais difícil para mim do que esperar! Mas naquela época eu não podia me dar ao luxo de ficar rodando com o carro (para não gastar gasolina!) fazendo outras coisas. Acredito, porém, que era a divina Providência me encaminhando para o "treino da espera", uma constante de Deus para mim, pela vivência desses momentos fortes de oração dentro daquele Chevette 79! 
Aquele carro foi para mim, naquela época, mais que um posto avançado de casa, mais que um escritório-biblioteca, ele  foi muitas tardes, verdadeira Capela! E todas as raivas que passamos com ele, hoje já fomos curados interiormente e o perdoamos, de todo coração! Lamentamos muito o dia em que ele foi roubado da frente da casa da minha mãe, uma lástima... E o "consagraço" se tornou um hábito que cultivo até os dias de hoje, em outras circunstâncias e momentos (adorações, nas caminhadas e corridas, etc), cuja eficácia ainda experimento e testemunho todo cuidado de Jesus e proteção de Maria Santíssima. Agradeço a Deus essa "escola de oração" pouco convencional que o Espírito providenciou em minha história, sempre na companhia de minha Mãe amada, a Virgem Santíssima! 

24 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 24


Comecei a estudar numa escola de freiras quando fiz 11 anos: o Instituto São José. Esta escola é de responsabilidade da Congregação das Irmãs Auxiliares de Nossa Senhora da Piedade. Então desde cedo fui sendo catequizada e formada sobre essa devoção mariana especial que, de fato, sempre me tocou o coração. A realidade dos sofrimentos de Maria sempre me sensibilizaram, realmente me compadecia daquela pobre mulher que sentia todas as dores do Filho, embora, na minha imaturidade, não conseguia penetrar a profundidade deste mistério. 
Até que num dia assisti a um noticiário que informava sobre uma rebelião num presídio. Até aí, infelizmente, nada de novo, pois é um episódio que acontece com alguma regularidade em nosso país. Mas algo tocou profundamente meu coração, minhas entranhas, minha alma. Em determinado momento da reportagem o cinegrafista mostrou uma pobre mãe que, do lado de fora do muro do presídio, se desesperava ao assistir seu filho no telhado do prédio sendo alvejado e caindo. Ela gritava pelo nome dele e, em sua impotência, se descabelava e implorava em nome de Deus por socorro. 
Já se passaram mais de 20 anos que vi essa reportagem e ainda me vem lágrimas aos olhos quando me lembro disso. Imediatamente fiz a relação com Maria aos pés da Cruz, assistindo o martírio do amado Filho, ressalvando as óbvias diferenças: o sentimento de dor era similar. O peito materno se rasga de dor assistindo os sofrimentos dos filhos, não importa quem é a Mãe, não importa quem é o filho. Nunca mais vi Nossa Senhora da Piedade com os mesmos olhos. Sempre acompanho as Vias Sacras encenadas pela minha comunidade e seguro bem a onda. Só não dá pra segurar na hora de Maria aos pés da Cruz. Não dá pra segurar...
Assim, aquela imagem de Nossa Senhora recebendo o corpo do Filho morto tem um forte impacto sobre mim desde muito nova, e mais ainda depois que me tornei mãe! Infelizmente não pude colher os corpinhos dos dois bebês que perdi ainda em gestação, mas me identifico com as dores de Maria assim mesmo. Partilhei a dor de amigas amadas que viveram na carne a experiência da Pietá e chorei com toda a minha essência de mãe junto com elas, unida a Maria. Só quem experimentou a espada de dor transpassando a alma como foi predito pelo velho Simeão (Lc 2, 35) entende esse sentimento. 
A primeira viagem que fiz sozinha na minha vida foi uma viagem de trabalho. Na ocasião estava justamente trabalhando na escola em que estudei, junto com as irmãs de Nossa Senhora da Piedade. E o que era para ser uma viagem de formação profissional se tornou para mim numa verdadeira peregrinação espiritual. Viajamos para Lavras-MG, para um Congresso de Educação, mas para mim, foi um encontro com a Mãe da Piedade. Minas Gerais tem justamente como Padroeira Nossa Senhora da Piedade (eu amo Minas!!!!). Fomos muitíssimo bem acolhidas num convento que tinha uma capela maravilhosa, toda azul como o manto de Maria e, próximo ao sacrário, lá estava ela, a Mãe Piedosa. 
Depois dessa experiência iniciei uma jornada vocacional para discernimento: sentia-me profundamente envolvida pela vontade de servir a Deus e os irmãos neste carisma da piedade e da educação que essas irmãs traçavam. Trocamos cartas, marcamos encontros, mas o Espírito Santo foi me conduzindo para minha verdadeira missão: o matrimônio e a maternidade. De qualquer forma, fui selada com a devoção a Nossa Senhora da Piedade de maneira perpétua. 
Lembro-me de que em missão pelo ministério de dança Bailando no Espírito, numa ocasião, a graça divina nos inspirou uma coreografia profundamente complexa sobre a Santíssima Trindade, onde três bailarinas faziam as vezes das três pessoas da Santíssima Trindade. Todas as três vestiam a mesma roupa branca e ficavam unidas pelos braços por lenços brancos, numa tentativa de simbolizar a união das três pessoas na verdade da unicidade divina. Porém cada uma tinha um adereço de cor específica: a quem representava o Pai (no caso era eu) vestia vermelho; a que representava o Filho (a Karla Martins) vestia azul e a que representava o Espírito Santo (Fabiana Ferreira Lima) vestia dourado, e Maria era representada pela Daniele Amaro (na primeira versão dessa apresentação, pois a apresentamos diversas vezes depois, com outras participantes como a Ana Paula Lamounier, a Thaise Ribeiro, Luciana Farias do Nascimento, Tauana Rolim e nem me lembro mais quantas irmãs!...). 


Com absoluta certeza foi a coreografia mais sofisticadas que preparamos e a mais solicitada de toda a história do ministério! Apresentamos essa dança em quase todas as cidades do DF, inúmeros eventos da RCC e da Arquidiocese de Brasília, múltiplas vezes em Sobradinho-DF (a das fotos acima foi no Anuncia-me, no Ginásio Agostinho Lima), mas também apresentamos na paróquia Bom Jesus, na Capela São Vicente, em quase todas as Igrejas de Sobradinho, Teatro de Sobradinho e sei lá quantos outros lugares, por alguns anos. 
Lembro-me que muitas e muitas vezes as pessoas nos procuravam com lágrimas nos olhos e a menção principal era a da cena final, na qual Maria adentrava e finalizávamos montando a cena da Pietá, com Maria segurando a "Pessoa do Filho" nos braços, a "Pessoa do Pai" abençoando por um lado e a "Pessoa do Espírito Santo" acima de todos com os braços abertos, abarcando toda a cena. Vários padres e diáconos, quando dançávamos durante as Missas, na homilia faziam verdadeiras análises teológicas ilustrando com os movimentos da coreografia as verdades da Fé católica, especialmente sobre Maria e sua imersão no seio da Trindade Santa. Realmente obra do Espírito Santo!
Quando tive a oportunidade de, no Vaticano, na Basílica de São Pedro, poder estar alguns minutos em contemplação a obra original da Pietá do grande Michelangelo, não contive mesmo as lágrimas. Em todas as capelas e partes da Basílica a bagunça era grande dos turistas, muitos católicos, muitos não, com conversas, risadas, fotos e flashes... exceto diante da Pietá. Ali havia um silêncio reverencial, uma empatia da parte de todos pelo que aquela imagem representava, a dor da Mãe era um pouco mais respeitada. 
Peço então a Mãe da Piedade que nos ensine a estar de pé diante das nossas Cruzes e das cruzes das pessoas que amamos! Que nos dê a dignidade e a fé nos momentos de nossa vida de maior sofrimento, pacificados pela esperança e confiança em seu Filho Jesus, que venceu a morte e nos promete a vitória! Amém!