11 de maio de 2011

Estudo: Oração, encontro e diálogo divino-humano (Parte 5)


O combate da Oração

           
O Catecismo da Igreja Católica mais uma vez lança luz sobre a questão, no capítulo 3 da quarta parte, mais especificamente no artigo 2, intitulado “O combate da Oração”. Neste trecho, explica-se que de fato se estabelece uma verdadeira batalha do homem contra si mesmo (pois a carne não quer se conformar ao Espírito) e contra o Tentador (que faz tudo para impedir a união do homem com Deus) (§2725). Nesse contexto, dificuldades podem se manifestar, como a distração (que provoca a verbalização mecânica desconectada da Pessoa do Divino interlocutor), a tirania do eu (que força o monólogo egoísta com prejuízo da escuta filial) e a aridez (quando a falta de gosto e o desânimo influenciam na comunicação humano-divina); ou mesmo tentações, como a falta de fé (que questiona as prioridades e preferências humanas) e a preguiça (já alertada pelo próprio Cristo em Mt 26, 41, que explanava que o espírito poderia até estar pronto, mas que a carne é fraca).

Todavia, diante da possibilidade das mencionadas dificuldades e tentações, é imprescindível não perder de vista que a oração, sendo resposta do homem, pressupõe sempre um esforço deste para adequar seu interior a essa dinâmica de receber em si essa presença que, sendo infinita e eterna, ainda pretende preenchê-lo. O papa Bento XVI (2007, §33), citando mais uma vez Santo Agostinho, descreve esse aspecto:
“(…) Agostinho usa uma imagem muito bela para descrever este processo de dilatação e preparação do coração humano. ‘Supõe que Deus queira encher-te de mel (símbolo da ternura de Deus e da sua bondade). Se tu, porém, estás cheio de vinagre, onde vais pôr o mel?’ O vaso, ou seja o coração, deve primeiro ser dilatado e depois limpo: livre do vinagre e do seu sabor. Isto requer trabalho, faz sofrer, mas só assim se realiza o ajustamento àquilo para que somos destinados. Apesar de Agostinho falar diretamente só da receptividade para Deus, resulta claro, no entanto, que o homem neste esforço, com que se livra do vinagre e do seu sabor amargo, não se torna livre só para Deus, mas abre-se também para os outros.”

CATECISMO da Igreja Católica – Edição Típica Vaticana. São Paulo: Loyola, 1999.
BENTO XVI, Spe Salvi. 2007. Santa Sé. Disponível em http://migre.me/NUVi, acesso em 11/06/2010.

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