21 de março de 2011

QUANDO O AMOR LIBERTA OU ESCRAVIZA (parte 3)

O fato esta aí. Melhor dizendo: os fatos estão aí. A proposta cristã de que o sexo seja usado apenas no contexto de responsabilidade total de um pelo outro é incomoda. E poucos rapazes estão disposto a ouvi-la. Poucas moças ou mulheres desquitadas ou em condições semelhantes admitem esta exigência. Não querem, não podem e não estão dispostos a esperar.  Sentem necessidade de afeto e te de relação sexual de vez em quando e não admitem que haja hora para isso. Podem até admitir que seja feito com uma pessoa responsável, mas não querem prazo para poder fazê-lo. Convencionaram que é bonito, mesmo quando não há compromisso de vida em comum.
Fonte de muitas alegrias, a sexualidade pode também ser fonte de muito sofrimento. Pode vir com a pureza de quem não vê sujeira nem tabu no corpo humano e se troca abraços, beijos e carinhos que elevam e que não contém erotismo nem visa o prazer. Pode vir também com a fome de possuir alguém fisicamente até o prazer total do sexo, sem assumir a responsabilidade com a pessoa com quem se troca um momento de prazer.
No primeiro caso faz bem porque eleva. No segundo faz mal porque tira, mais do que põe em termos de humanidade.
O corpo não é um objeto. Se está vivo é porque esta ligado a uma pessoa e dela faz parte inalienável. Usá-lo, pois, como se não envolvesse a pessoa é um erro de cálculo. Querer o corpo ou o órgão sexual sem querer também a pessoa e assumir com ela a responsabilidade de um diálogo permanente é agressão. E todos os que praticam sexo como aventura, sem querer compromisso, agridem um ser humano ou a si mesmos. A prostituta agride todas as vezes que vende o seu corpo, agride o seu comprador. E é agredida por ele que, em troca, também se agride ao comprar um prazer que não conseguiu por amor. Prostituir o corpo é isso: dar carinho sem pureza. Buscar carinho sem pureza. Procurar no outro ou na outra o prazer sexual ao invés da alegria de amar e ser amado integralmente como pessoa inteira.
Há um exército cada vez maior de pessoas machucadas e oprimidas pela liberdade sexual de nossos dias. E talvez seja bem maior do que o outro exército de pessoas machucadas e oprimidas pela repressão, pelas proibições e pelos tabus de hoje.
Entre os dois exércitos há um número bem menor, mas não menos significativos, de felizardos que conseguiram canalizar a sua sexualidade para um matrimônio feliz ou para uma espera consciente, sem medo e sem neuroses. Para tais pessoas, a relação sexual, se existe, não é por medo e sim por escolha de amar sem querer necessariamente o prazer sexual como retribuição por este amor.
Jesus diria a coisa com bem maior simplicidade: “Há pessoas que não fazem uso do sexo porque não podem, por razões físicas. Há quem dele se abstenha por razões morais e por amor a Deus e a pessoa humana. E há quem, diante de Deus, é marido e mulher e dele faz uso por graça do Pai que os fez um para o outro”. E diria aos incrédulos: “Quem conseguir entender, entenda”.
Há coisas que só se entende com a vida. Não adianta, pois, liberar ou reprimir o sexo. Nenhum dos dois gestos traz felicidade às pessoas. O que é preciso é que as pessoas aprendam a assumir abertamente todas as conseqüências de sua sexualidade. E só é livre quem consegue entender o porquê, quando,  a quem e para quê se entregar.
Quem não consegue esperar e não tem paciência de procurar a pessoa certa que também consinta em esperar até que haja certeza de que poderiam assumir tudo, não é livre! E não será feliz enquanto não entender que há renúncias que doem, mas libertam;  e que há liberdades que escravizam a curto e longo prazo. A liberdade sexual é uma delas.... Melhor não aderir!


Um coração que seja puro – Jovens adultos 4
José Fernandes de Oliveira (Pe. Zezinho SCJ)
Edições Paulinas