21 de março de 2011

QUANDO O AMOR LIBERTA OU ESCRAVIZA (parte 1)

Existem atitudes que libertam e atitudes que escravizam. Se escravizam, amor é que não são...
Concordo com você em muitos aspectos. Você diz: A religião mais proíbe do que orienta sobre a sexualidade. De que adiantaria negar?
Infelizmente muitos pregadores se limitam a proibir os prazeres do sexo e a enumerar os pecados que se pode cometer com a mente ou com os órgãos sexuais. Tais fanáticos existem! E você talvez conheça alguns que gastam mais tempo dizendo o que não se deve fazer com o sexo do que o que se pode alcançar de construtivo com ele, seja ao renunciá-lo, seja ao usá-lo de maneira digna e correta, sem egoísmo e com a pessoa certa.
Uma verdade que ninguém em sã consciência e no reto uso da razão pode negar é que o sexo existe, o impulso sexual está no ser humano e o homem e a mulher sentem, em determinados momentos ou situações, o desejo de dar o corpo e encontrar prazer nisso.
O problema não está em admitir que o sexo é uma força da natureza. O problema começa quando se simplifica demais a coisa.
Há quem ache que, por ser uma força da natureza, deve ser satisfeita, não importa quando, com quem e em que circunstâncias.
Há quem ache que não se deve usá-la senão para procriar filhos. Se não for para isso que não se use!
E há quem ache que ela, a força da sexualidade, é bonita, eleva o homem e a mulher que a utilizam com respeito pela personalidade um do outro e, sem egoísmo, a partilham com plena responsabilidade de assumir qualquer conseqüência que advenha desse ato.
Quem reprime o sexo sem motivar adequadamente, na realidade, age como o engenheiro que faz barragem sem saber por que a fez. Ou, pior ainda, age como um doido que barra o riacho pela única razão de que um riacho não deve correr....
Até prova em contrário, Deus fez o sexo para ser usado. Isto não quer dizer que Deus obrigue o ser humano a usá-lo ou que fique zangado com aquele que não faz uso dessa força. Também não quer dizer que o sexo “precisa ser usado de qualquer jeito”, contanto que as mulheres o usem e todos os homens o façam funcionar ao menos uma vez na vida.....
Perceba a ironia de minha colocação! Está certo que temos boca para comer e que a lei da natureza exige que a usemos se não quisermos morrer de fome. Está certo que temos necessidade imprescindível de beber água, de dormir, de respirar. São funções vitais que ninguém pode suprimir ou evitar. Por bem ou por mal o homem acaba bebendo, comendo ou dormindo. O corpo exige e se vinga se não o atendemos nisso! Mas o instinto sexual não está nessa categoria. Não é possível viver sem matar a fome, a sede e o sono, mas é possível viver sem ter relação sexual. E a realidade da vida não melhora nem piora só por isso. É a maneira como escolhemos fazer ou não fazer uso do sexo, que deteriora a mente de uma pessoa.
Quem, pois, reprime o sexo de maneira doentia, só pode sofrer um retrocesso com isso. Quem lhe dá vazão de maneira irresponsável, também acaba pagando o preço da força descontrolada que gerou.
No seu estado natural, a sexualidade é uma força selvagem. Quando transborda, faz maior mal do que bem. Se lhe pusermos limites inteligentes, dificilmente transbordará. Ao contrário, canalizada, pode até se tornar uma força permanente de crescimento humano. Os casais que conseguem harmonia sexual são muito felizes. Os que não a conseguem, e praticam o sexo porque sentem necessidade de se aliviar e querer as conseqüências físicas, espirituais e morais dessa entrega de corpos podem sentir realização momentânea, mas não podem honestamente dizer que são felizes e realizados. Mentem se o dizem. Ninguém usa impunemente uma pessoa. E é impossível usar apenas o corpo dela. Mesmo que ela concorde, ainda é errado. Fica sempre o vazio de ser objeto por alguns instantes ou ter feito alguém de objeto de prazer por alguns momentos. Pode até descarregar a tensão, mas não põe conteúdo nem na mulher e nem no homem. A pessoa humana é alguém mais do que depósito de esperma anônimo, sem entrega de pessoa e sem compromisso de ficar juntos para o que der e vier.


Um coração que seja puro – Jovens adultos 4
José Fernandes de Oliveira (Pe. Zezinho SCJ)
Edições Paulinas

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