21 de março de 2011

QUANDO O AMOR LIBERTA OU ESCRAVIZA (parte 2)

A época em que vivemos, especialmente a sociedade em que atuamos, é cruel para com uma pessoa no tocante a sexualidade. Ou proíbe demais e reprime sem canalizar de maneira positiva e realizadora, ou prega uma liberdade que machuca terrivelmente os incautos que dela fazem uso. Vivem machucados os que tiveram que apresentar um casamento por causa do sexo, vivem machucados os que já estão no terceiro ou quarto companheiro, vivem machucados os filhos, vivem feridas as mulheres que acreditaram que estavam sendo amadas plenamente e para sempre; e foram, depois, preteridas por outra. O sexo virou artigo de consumo bem embalado e agradavelmente oferecido nas telas do cinema, nos teatros, nas bancas e livrarias e na televisão.
É bastante difícil para o apetite do homem e da mulher de hoje deixar de comprar tal artigo. A pressão é tanta que chega a oprimir quem não quer entrar no sistema. Não são poucas as mulheres que resistiram até a crise. Acabaram entrando no esquema para sobreviver no grupo... O sexo hoje já não está sendo uma escolha; para muita gente já se tornou uma agressão, tal a violência com que ele é empurrado em sua direção.
Manter o equilíbrio numa época como a nossa e em ambientes perfumados e odorizados de sexo, é qualquer coisa de heróico. Daí por que se torna difícil de falar em liberação sexual. O que se chama de liberdade não passa de um sistema de opressão às avessas. Em muitíssimos ambientes a mulher, sobretudo a mulher bonita, é livre para fazer sexo com quem quiser, mas descobre, com o tempo, que não é livre  para não fazer. A pressão contra ela, que não quer isso, é tão grande que acaba descontrolando-se interiormente. No fim, já não crê nem mais em si mesma e já não sabe o que é certo e o que é errado.
E não se pense que só as mulheres sofrem tal repressão. Os homens também. Solteiros e casados. São livres par falar das aventuras que tiveram e aplaudidos quando falado do sucesso que conseguiram com as mulheres. Sobretudo se forem mulheres conhecidas pelo grupo. Mas não são livres para afirmar que não fizeram nada e que são virgens ou que tem um compromisso com a pessoa amada a quem não desejam trair. Aí ouvem o impublicável e sofrem tamanha pressão, que mais cedo ou mais tarde acabam sentindo que talvez estejam errados em ser fiéis a presente ou futura mulher da sua vida.
O fato merece uma reflexão inteligente. O que significa hoje ser uma pessoa liberada? Fazer sexo sem remorso? Existe liberdade para não se entregar ao sexo tanto quanto existe para buscá-lo? O que é repressão sexual? Quem é mais marginalizado? O que se reserva para uma pessoa amada que espera o momento de fazer sexo apenas com ela? Ou será o que faz sempre, não importa com quem, desde que pinte uma chance? Sabemos qual a resposta. Hoje os jovens dizem que esta mais difícil não fazer do que fazer. E respeita-se muito mais quem faz do que quem faz e não quer fazer... A isso chegamos.
A repressão sexual está vindo ao inverso. Em alguns ambientes o proibido é não fazer sexo. Louvável é  fazê-lo sem compromisso... Chegou-se a este ponto. E não é apenas nas capitais e universidades liberais. Também em cidades pequenas ou médias, e até em certas áreas agrícolas, os professores, os médicos, os sacerdotes e os próprios jovens atestam que passam menos vexame os rapazes que admitem ter tido experiência do que os que afirmam não haver tentado.
Amar, nessas circunstancias, é uma atitude que exige muito mais maturidade que ontem. A mulher que consegue não fazer por escolha pessoal e sem tabus ou medo da opinião alheia, é muito mais mulher do que se imagina. Esta nadando contra a corrente e ainda assim mantendo equilíbrio e força. O rapaz que enfrenta ironia e pressão dos colegas e das colegas, mas ergue a cabeça e sustenta que esta se guardando para a garota que ama, é um doido varrido ou um tremendo caráter que não age por ditadura de grupo de sim por convicção pessoal.
A força de se sentirem reprimidas em casa, na igreja, no trabalho e em outros ambientes, muitas moças acabam soltando as rédeas. Dos quinze aos vinte e poucos anos conseguiram não necessitar de sexo a ponto de se entregar. Depois não acharam que valesse a pena tanto sacrifício. E elas, que ontem mesmo, jamais consentiriam ir além de um carinho bonito, sem essa de motel e cama, acabam achando que agora estão  mais livres porque não há mais censura nem remorso. Fazem sexo quando gostam, com quem gostam da maneira que gostam e ninguém tem nada com isso... Idem os rapazes que hoje não sentem mais escrúpulos em sair com suas garotas ou com as de outros; inclusive a do amigo...
 O que houve com elas e com eles? O conceito cristão da sexualidade e do seu uso com responsabilidade estaria ultrapassado? Causa menos neurose? Liberta mais? Dá mais estabilidade emocional e mais segurança afetiva? Gera amores mais maduros e mais duradouros? E há estatísticas e provas de que isso seja verdade? Onde estão? Merecem crédito?

Um coração que seja puro – Jovens adultos 4
José Fernandes de Oliveira (Pe. Zezinho SCJ)
Edições Paulinas