20 de março de 2013

Oito dicas para ensinar seus filhos a ter vida de oração




Você reza com seus filhos? Com que frequência? Por que motivo? Rezar deve ser uma atividade cotidiana, que englobe toda a família. Assim como se alimentar bem, dormir bem e respirar ar puro são essenciais para o desenvolvimento físico das crianças, a oração é fundamental para seu crescimento espiritual. Penso que não criaremos adultos completos se negligenciarmos a formação espiritual daqueles pelos quais somos responsáveis. Eu acredito que tudo se aprende nessa vida e que muitas coisas, se não forem ensinadas e praticadas com supervisão de alguém competente, não serão assimiladas. Nisso eu incluo não só as práticas ligadas às tarefas cotidianas (como organização, pontualidade, etc) mas também traços de caráter (como ser agradecido, ser solidário, etc) e o aprimoramento das virtudes (cardeais e morais). Não podemos supor que nossas crianças desenvolverão essas características espontaneamente: elas precisam ser ensinadas! Também a piedade, que eu entendo como esse amor às coisas espirituais, essa amizade com Deus, no Espírito,  que nos desperta a vontade para estarmos em oração, precisa ser ensina desde cedo! Temos vários testemunhos de quão indispensável foi na vida de muitos santos e tantos homens e mulheres de Deus a pedagogia de seus pais no ensino da oração. Existem muitas maneiras de incentivar as crianças a rezar! Então disponibilizo essas 8 dicas abaixo (uma adaptação de uma matéria da Revista Ave Maria) para que nós pais, tios, professores e catequistas, possamos colocar as mãos na massa! E que isso possa nos motivar a desenvolver a vida de oração e o dom da piedade em nós mesmos, amém!


1. Leve seus filhos para a Igreja. Mesmo que seja difícil, mesmo que te atrapalhe ou atrapalhe os outros, mesmo que termine tarde, mesmo que eles não gostem: leve-os! Nós não nos eximimos de levá-los a restaurantes, cinemas, reuniões familiares, enfim, a todo tipo de lugares e situações por esses mesmo motivos (ou outros): por que nos esquivarmos de levá-los à Igreja? Eles precisam se acostumar com a Casa de Deus! Arranje ferramentas que possa ajudá-los a se sentirem “em casa” e seja paciente. Ensine-os a maneira adequada de se comportar no Templo de Deus da mesma forma que você os ensina como devem se comportar nos diversos locais que a família frequenta mas tenha calma. Persevere sabendo que haverá dias em que tudo será ótimo e outros dias que serão mais difíceis.

2. Fale de Deus de modo positivo. Não apresente Deus às crianças como Aquele que “vai castigar se fizer algo errado”, mas exalte a misericórdia e bondade divina! Comente sobre Jesus durante conversas do dia a dia. Por exemplo, pergunte: “Você sabia que Jesus tinha papai e mamãe, como você?”. É mais fácil para a criança entender sobre Jesus do que sobre Deus, que é muito abstrato. Traga a figura de Maria e de José para as conversas do dia-a-dia: as crianças tem uma ligação forte e especial com a relação filial. “Apresente-os” aos anjinhos da guarda como a amiguinhos espirituais.

3. Comece de forma simples. Não force seus filhos a rezar um rosário inteiro ou a participar de uma Adoração do Santíssimo de uma hora. Dependendo da idade, reze com simplicidade. Comece com uma ave-maria. Toda noite e vá aumentando, gradualmente, até um mistério do Rosário (uma dezena). Simplifique a Via Sacra, adapte as leituras bíblicas à linguagem deles, procure Missas mais simples (às vezes a "Missa das Crianças" mais longa e cheia de “apêndices litúrgicos” é mais difícil para os pequenos do que uma outra mais sóbria e breve), colabore com a graça de Deus! 

4. Use os cinco sentidos. Os católicos costumam rezar, usando elementos como velas, água-benta, imagens, música. É importante trabalhar esses símbolos concretos. Prepare um altarzinho em sua casa com a Bíblia, o Terço, um crucifixo, uma imagem da Sagrada Família ou santo de devoção, flores perfumadas, talvez incenso e acostume-os a terem reverência. Adquira Cds e Dvds católicos e permita que eles tenham acesso músicas com mensagens espirituais. Caprichem no abraço da paz (dentro ou fora da Missa) e utilize-o sempre nos momentos de reconciliação. Organizem diversas atividades de acordo com a época do ano. Durante o Advento, prepare a Coroa ou ao menos acenda uma vela à noite (na Páscoa pode ser o Círio). Na Quinta-Feira Santa, que tal lavar os pés uns dos outros para lembrar o lava-pés? Deixe o Espírito Santo te inspirar.

5. Torne a oração parte da rotina. A hora de comer e de dormir parecem ser as melhores para a família rezar junto. Cante músicas curtas de bênção antes das refeições ou de colocar os filhos na cama. Isso pode fazer com que a hora das refeições e de dormir se torne naturalmente um momento de oração quando as crianças cresceram. O pedir a “bênção” aos pais, avós, tios, padrinhos deve ser “automático” e podemos crer na eficácia do “Deus te abençoe” daqueles que amam.

6. Seja flexível. Ainda que você queira ensinar a seus filhos uma postura adequada à oração, lembre-se de que eles ainda estão aprendendo. É melhor que eles rezem sentados no sofá, deitados no chão ou brincando na porta da Igreja do que tentar mantê-los ajoelhados à força, criando resistência à oração, principalmente na adolescência. Essa flexibilidade pode inclusive estimular a criatividade de seus filhos. Estimule-os a rezar de várias maneiras: dançando, escrevendo, desenhando...

7. Aproveite momentos especiais para rezar. Os pais devem incentivar orações espontâneas, sempre que houver oportunidade. Uma pequena oração quando se ouve uma ambulância passando ou quando se percebe que um dos filhos está com medo faz com que as crianças adquiram a consciência de que Jesus está próximo, mesmo quando a mãe ou o pai não estiverem por perto. Os pais podem comentar coisas como “Que lindo dia! Obrigado, Senhor!”, quando estiverem passeando com as crianças; podem igualmente rezar em momentos tristes, como ao visitar o túmulo de algum ente querido ou ao ver alguém ferido na televisão. Não exclua o Senhor dos aniversários, formaturas, churrascos, momentos de doenças, acidentes ou até mesmo das discussões, inclua-O em tudo, mesmo que seja com a simplicidade de um Pai Nosso rezado de mãos dadas. Isso ajuda as crianças a perceberem que Deus está sempre presente, na alegria e na dor.

8. Procure usar orações simples que já existam (ou criar as suas próprias orações familiares) para serem feitas frequentemente. Isto pode facilitar para se criar o hábito da oração em nosso lar, criando tradições familiares. A oração dos 5 dedos da imagem acima fica como uma sugestão, mas podemos contar com a riqueza devocional de nossa Igreja e encontrar opções que mais se ajustem à nossa realidade e às preferências das crianças.  



*Texto adaptado da matéria da Revista Ave-Maria, Ano 113, Março 2012, pág. 18 e 19, de autoria de Julie McCarty (fonte: catolicos.vialumina.com.br).