4 de março de 2013

Frutifiquemos


O Evangelho do 3º Domingo da Quaresma (Ano C), Lucas 13, 1-9, traz a Parábola da Figueira. Ao meditar sobre ela, uma expressão me vem à cabeça: "É preciso mostrar serviço!" Como insiste o sempre bem-humorado, porém sempre ungido, Diácono Nelsinho Corrêa da Comunidade Canção Nova, o cristianismo não é feito de "geladeiras consagradas", anjos voadores com harpas e cabecinha inclinada, ou "sentimentalóides" apaixonados por um "Cristo-pessoal-intransfirível", desconectado de tudo o que estiver além do meu mundinho particular. Não, meus irmãos, o cristianismo não é isso! Ele é constituído de pessoas de carne e osso num mundo material, num dado momento histórico, numa comunidade concreta, que tiveram um encontro verdadeiro com esse Mestre e por causa disso, buscam multiplicar todo o conteúdo referente a Ele, com amor e verdade, com fé, mas também com obras! São Tiago no capítulo 2 de sua carta, a partir do versículo 13 e seguintes, expressa de maneira ultra objetiva a indissolubilidade da realidade "fé-obras", de modo que eu entendo que, quando o dono da vinha espera frutos de sua figueira, quando o Pai Celeste espera que eu frutifique pela ação do Espírito Santo, Ele quer muito mais do que ideias, sentimentos, emoções ou opiniões: Ele quer ver serviço. Ele quer anúncio, quer evangelização, quer missão, mas também quer uma conversão sincera, uma busca constante de santidade, a caridade em obras e verdade. 
Frutifiquemos, irmãos! Frutifiquemos, pois o tempo está passando e não sabemos quando nosso prazo findará. A Banda Dom tem uma música que eu gosto muito, chamada "Quanto tempo você tem" (Veja no link letra e vídeo http://letras.mus.br/banda-dom/205476/), cujo refrão fica martelando na minha cabeça: "Quanto tempo você tem? Será que você sabe quanto dura a vida? Tem que aproveitar o dom pra fazer o bem!"
O texto do Evangelho afirma que, antes de "reclamar" de qualquer coisa, o dono da vinha deixou o "barco correr" por três anos. Há quanto tempo estamos inutilizando a terra do Senhor sem mostrar serviço, seja Fé, seja Obras, ou seja ambos, como deveria ser? Ainda mais um ano é dado à figueira para que mostre "a que veio" e penso que, se estamos aqui, eu e você, eu digitando essas reflexões e você as lendo, é que nosso ano extra de "lambuja misericordosa" do Senhor começa a contar de agora. Eu tenho percebido isso em minha vida, quero que você perceba na sua também: o Senhor quer ver serviço. Isso, obviamente não podemos empreender só na carne, só na base da nossa disciplina ou força de vontade. Sem a abertura ao Espírito, o doador dos dons, os frutos não podem frutificar, não os frutos espirituais! Outros frutos, talvez...
Nos abramos à ação do Espírito e frutifiquemos com urgência! Não motivados a priori pelo medo de sermos cortados e excluídos da vinha do Senhor, simplesmente. Mas antes de mais nada para não decepcionarmos Aquele que nos criou, amou, cuidou, adubou, nos destinou e capacitou a darmos inúmeros frutos para nossa própria vida e para o mundo, nos deu infinitas chances para frutificarmos sem que lhe déssemos nenhum prova de gratidão e retribuição em contrapartida. Sim, pois se Ele nos exige os frutos, sendo Justo como é, é por que sabe que nunca nos faltou Sua ajuda para que o fizéssemos. Frutifiquemos! Por uma questão de justiça à graça que nunca nos falta: frutifiquemos! 
Na Missa, quando o Corpo sacrificado de Nosso Senhor se eleva nas mãos do Sacerdote dizemos: "Creio, Senhor, mas aumentai minha fé!" Possamos dizer e cumprir a partir de hoje: "Creio, Senhor, mas aumentai minha fé e também as minhas obras!"
A Virgem Maria, que em sua Virgindade pôde ser fecunda pela graça de Deus seja nossa advogada e protetora, amém!