19 de junho de 2013

E o Senhor, no curso da História?



As manifestações que estão acontecendo em nosso país são um retrato da nossa sociedade. Nesse movimento social que temos presenciado, entrevejo alguns personagens que participam direta ou indiretamente: 

  •  Artistas*, atletas*, semi-celebridades e pseudo-intelectuais, os executores do “Circo” do “Pão e Circo”, apressados em emitir suas superficiais opiniões formadas sobre tudo, tendo estas sido solicitadas ou não (embora sempre ouvidas com reverência deslumbrada por muitos), diretamente das redomas distantes e protegidas de seus mundinhos fantasiosos. (*Obviamente, não são todos, mas possivelmente, quase todos.).
  • Uma imprensa* imatura, despreparada, parcial, tendenciosa, sempre destacando o que dá mais IBOPE ( o que na prática significa explorar ao máximo a notícia em sua faceta mais negativa). (*Não consigo ver exceção aqui, além da TV Canção Nova, embora concorde que ainda possa melhorar muito).
  • Sindicatos, partidos e políticos* que se aproveitam da situação para tentar levar alguma vantagem se arvorando patética e oportunisticamente como líderes do movimento. (*Nós já sabemos quais são, aliás, são sempre os mesmos!).
  • Governantes* que não se furtam em desqualificar e desvalorizar as iniciativas populares, afirmando sempre que nada é possível, que estão sempre fazendo o que podem, pisando em ovos para continuarem com sua dinâmica de não apoiar nem discordar de nenhuma das partes envolvidas (muito pelo contrário!) para assim não correrem o risco de perderem o poder político que tanto lutaram para alcançar (muitas vezes vendendo as almas para grupos e empresários com interesses que precisam de retornos por parte de seus ‘protegidos’). (*Os que estão atualmente em mandato mas também e, principalmente, os que querem chegar, ou voltar).
  • Pessoas violentas, envolvidas e sustentadas por práticas criminosas, que roubam, agridem, vandalizam, que tratam os outros seres humanos, o ambiente e a propriedade (pública ou privada) com desrespeito cruel e animalesco, beirando a psicopatia mais extrema, sempre presentes em tudo o que se faz nesse país, seja em grandes eventos comunitários (populares, esportivos, culturais ou até mesmo religiosos), seja mesmo invadindo espaços menores ou particulares (casas, fazendas, escritórios, consultórios, shoppings, praias). Esses participam e se manifestam sempre! (São a minoria da população, é o que queremos crer).
  • Militares que, sem o preparo técnico e a inteligência estratégica necessárias são obrigados a se colocar no olho do furacão por dever de ofício, aguentando o que a maioria dos brasileiros jamais aguentariam (especialmente se levarmos em conta o salário que recebem para tal), relutando em sobre quem devem obedecer, ora sendo perseguidos como inimigos nacionais, ora sendo carrascos de uma liberdade que centrifuga diante de seus olhos a falta de respeito de cidadãos “pacíficos e apenas bem humorados” e criminosos disfarçados de “radicais”, que não hesitariam (e não tem hesitado) em torturarem e tirar-lhes a vida se puderem.
  • Pessoas que se consideram com um alto nível de consciência crítica, bem informados, bem posicionados em suas convicções sociais (características advindas da educação que puderam receber, muitas vezes não sem dificuldades próprias ou dos pais), que afirmam querer o bem comum, que gritam até mesmo ter fome e sede de justiça, que exigem participar democraticamente de tudo (até de esferas que não pensam em tomar parte, como por exemplo, as orientações e dogmas das instituições religiosas), organizando inúmeras manifestações para tudo e qualquer coisa, que afirmam se preocupar verdadeiramente com o próximo, com o povo que luta, sofre e paga altos impostos sem verem o retorno disso, que querem concretamente interferir nos rumos do país, que se expressam (pelo menos em teoria) pacificamente, com criatividade e, se tudo estiver calmo, também com irreverência, que se revoltam com a corrupção mas que não estão isentos de cometerem suas pequenas corrupções diárias apelidadas carinhosamente de “jeitinho”, que criticam mas usam e abusam dos meios de comunicação fazendo da TV uma espécie de altar religioso doméstico, que se utilizam da internet para fomentar, organizar e dar maior destaque às suas lutas e ideologias e, PRINCIPALMENTE, que tem disponibilidade (de tempo e de dinheiro) para se fazerem presentes em acontecimentos sociais de massa. (São provavelmente a maioria dos manifestantes que temos visto "mobilizados"); 
  • Por fim, as pessoas que continuam à margem dos protestos, prosseguindo em sua rotina normal, talvez alienados, talvez desinformados, provavelmente menos conscientes socialmente, pois não tiveram acesso à educação de qualidade para se tornarem esse cidadão crítico e/ou consciente idealizado, aqueles que não vivem, mas sobrevivem, e não podem se dar ao luxo de perder o dia de trabalho sem serem despedidos, pois ninguém vai pagar por suas despesas e compromissos. (Esses são a grande maioria da população, que assistem de longe, ora apoiando ora criticando, dependendo do noticiário de preferência ou das postagens que tiveram acesso pelo Facebook, que pagarão R$ 0,20 e até mais para usar um péssimo meio de transporte diariamente pois não tem outra opção para se locomover e que não deixarão de acompanhar e torcer pela seleção nos jogos da Copa do Mundo).
Como o restante desse texto, somente compartilho minhas análises íntimas e questionamentos pessoais, pois não consegui me encaixar totalmente em nenhuma categoria acima explicitada: vejo essas manifestações e não tenho certeza do seu significado e propósito; sinto-me insegura pela violência frequente, sempre de “um pequeno grupo” e desconfiada da aparente falta de liderança e amplitude (ou ausência) de reinvindicações. Ainda não consigo interpretar tudo isso. Nem tenho participado ativamente, nem tenho me omitido de, mesmo indiretamente, tomar parte.

Nesse panorama, numa terra que ufana para o mundo a nacionalidade divina, eu me pergunto: onde entra Deus? Onde se insere o Reino de Deus? Como se manifesta o Evangelho e a pessoa de Jesus? Existe lugar para a dimensão espiritual nessas ondas de protestos e passeatas? O Estado é laico, alguém poderia responder. Mas e o povo, é laico? O povo brasileiro é ateu ou somos uma nação formada por pessoas religiosas? O povo de Deus também terá espaço para se manifestar? Terá iniciativa e coragem para tal? Se manifestará somente a favor daquilo que passa ou também do que é eterno?

Por mais que tentem, não poderão retirar o Senhor do curso da História, até que o arranquem do coração humano. Ele está presente, Ele tudo vê, Ele tem agido. Não podemos ter a clareza de como é essa Sua presença e atuação, mas temos a certeza de que não está ausente nem muito menos indiferente a tudo o que está se passando no Brasil por esses dias. Está atento, em especial, às atitudes, posicionamentos e manifestações dos que se dizem seus filhos e servos, daqueles que Ele separou.

Voltemos nosso olhar para o alto nesses dias. Oremos, oremos ininterruptamente por cada irmão(a) brasileiro(a) que talvez se encaixe numa dessas categorias acima descritas a título de exemplificação, ou que, como eu, está se sentindo inseguro e sem conseguir decifrar o que se passa. Oremos por nós mesmos, por aqueles que amamos, por esta terra na qual a Providência nos fez nascer. Sem sombra de dúvidas vivenciamos um momento histórico. Que seja manifestado por ele a Misericórdia do Senhor por esta nação, acima de Sua Justiça pelo qual não poderemos esperar muito além de Sua ira por tantas mazelas, blasfêmias e profanações ao seu Santo Nome que ocorrem nos últimos tempos (mas também ao longo dos séculos) em nosso país.