8 de abril de 2013

Oração na enfermidade




O Catecismo da Igreja Católica explica em seu parágrafo 1508 sobre cura e doença:

O Espírito Santo dá a algumas pessoas um carisma especial de cura para manifestar a força da graça do ressuscitado. Todavia, mesmo as orações mais intensas não conseguem obter a cura de todas as doenças. Por isso, São Paulo deve aprender do Senhor que "basta-te a minha graça, pois é na fraqueza que minha força manifesta todo o seu poder" (2Cor 12,9), e que os sofrimentos que temos de suportar podem ter como sentido "completar na minha carne o que falta às tribulações de Cristo por seu corpo, que é a Igreja" (Cl 1,24).

Jesus disse: “Eu vim para que todos tenham vida, e vida plena” (Jo 10,10). A Palavra ensina (Mt 8, 17) que a profecia de Isaías 53, 4 que diz “Ele tomou sobre si as nossas enfermidades e carregou nossas doenças” se aplica a Jesus. Ainda assim Jesus não curou (e não cura) todos os doentes. O Catecismo, nos parágrafos 1505-1506, esclarece ainda:

Suas curas eram sinais da vinda do Reino de Deus. Anunciavam uma cura mais radical: a vitória sobre o pecado e a morte por sua Páscoa. Na cruz, Cristo tomou sobre si todo o peso do mal e tirou o "pecado do mundo" (Jo 1,29). A enfermidade não é mais do que uma conseqüência do pecado. Por sua paixão e morte na cruz, Cristo deu um novo sentido ao sofrimento, que doravante pode configurar-nos com Ele e unir-nos à sua paixão redentora. Cristo convida seus discípulos a segui-lo, tomando cada um sua cruz. Seguindo-o, adquirem uma nova visão da doença e dos doentes.

Essa configuração do doente e de Cristo é tão radical que em Mt 25, 36. 39-40 Jesus afirma que o que fizermos a um enfermo, estaremos fazendo a Ele próprio. Acho que Deus “sabe o que faz” quando permite que experimentemos em nossa história os dois lados: o do doente e o do que cuida/convive com um doente. 

Uma vez um médico me esclareceu em tom de brincadeira, mas baseado na sua experiência profissional, parafraseando Euclides da Cunha (que escreveu a célebre frase “O sertanejo é, antes de tudo, um forte”): “O doente é, antes de tudo, um chato.”
Quando estamos sem saúde, com dores, mal-estar, fracos, debilitados, nosso ânimo, nossa disposição emocional e psicológica automaticamente se abalam. Nossa tendência é reduzir toda a existência a essa nossa realidade. Toda e qualquer conversa, por mais simples que seja, pode passar de uma mera reclamação a um drama em um piscar de olhos. Nem todo mundo tem a paciência e a solidariedade suficiente para aguentar o doente, para visitá-lo, para consolá-lo, para buscar entender tanta “chatice, reclamação, drama”. Se você tem um doente na família, sabe bem do que estou dizendo: não é fácil!

Por outro lado eu afirmo, da pequenez da minha experiência pessoal, só sabe a tristeza, a vulnerabilidade e a solidão que experimenta uma pessoa enferma quem já passou pela mesma experiência. Nos dias de hoje, raríssimas pessoas tem a iniciativa e a disponibilidade de ir ao encontro do enfermo. Nem mesmos dos próprios familiares! Essa é a realidade. Triste é não ter saúde, some-se a isso a solidão de quem tenta se restabelecer enquanto as pessoas que formam sua rede de convivência estão muito ocupadas simplesmente por seguir suas vidas, ocupações e responsabilidades. Por um lado entendemos que o mundo não para, por outro estamos frágeis, necessitados de amor tanto quanto do tratamento. Se você está doente atualmente, talvez num hospital sozinho ou mesmo em casa, passando pelas agruras dos efeitos colaterais, sintomas, desconfortos de cateteres, sondas, amargura... talvez até mesmo medo da morte! Só quem já esteve (ou está) nessa situação entende esse sentimento de abandono descrito na Bíblia com exatidão no Salmo 87 e ao longo do livro de Jó.

Seja qual lado estejamos no momento, seja no do enfermo, seja no lado do que é chamado a ser o bom samaritano para o próximo, aprendamos o valor da ORAÇÃO nesse contexto. “A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o restabelecerá” (Tg 5, 15). E mesmo que não seja ainda a vontade do Senhor a cura, pela oração, nos colocando em contato com Ele, nos predispomos à fé, à paz, a uma abundância de graças e bênçãos que ultrapassam aquele momento, aquela necessidade. Só pela oração podemos conseguir a graça da paciência, da compreensão, da sensibilização pela dor alheia. Só pela oração poderemos também nessa circunstância tão dura fazer a experiência de ser forte quando somos fracos (2 Cor 12, 10), de mesmo enfermos, sermos guerreiro (Joel 4, 10).

Assim sendo, compartilho com vocês essas duas orações do Pe. Alberto Gambarini (adaptadas do livro “Orações de Cura e Libertação) para que sejam um incentivo para que nós nos voltemos a Deus em oração nessa situação de doença, nossa ou de quem assistimos. Estejamos com o Senhor sempre, na saúde ou na doença! 


ORAÇÃO DA MANHÃ DE UM ENFERMO
Obrigado, Senhor, por mais este dia em que me concedes a graça de viver.
Acompanha-me com a tua luz e com o teu amor. Faze que eu cumpra a tua vontade e viva no teu amor.
Dá-me força e resignação para suportar as minhas dores e minhas dificuldades.
Que eu saiba ser compreensivo e bondoso com todas as pessoas que me cercam. Livra-me do desânimo, da impaciência e de todo mal.
Que eu chegue ao fim desse dia com o coração agradecido e cheio de paz e minha boca cante os teus louvores.
Virgem Maria, fica comigo, eu me consagro todo a ti! Tu és minha mãe e eu confio na tua intercessão.
Amém!


ORAÇÃO DA NOITE DE UM ENFERMO
Obrigado, Senhor, por mais esse dia que acabo de viver. Procurei vive-lo no teu amor e nada me faltou. Na tua companhia suportei os meus sofrimentos e não me senti inútil.
Confiei em ti e aceitei tua vontade. Não fui perfeito, mas procurei ser bom. Perdoa as minhas faltas, Senhor, e acolhe-me.
Dá-me uma noite tranquila e que, por tua graça, o descanso restaure as minhas forças. Diminui as minhas dores e restaura a minha saúde.
Faze que amanhã eu esteja pronto para cumprir a tua vontade e acolher todos os meus irmãos com amor.
Virgem Maria, fica comigo e vela sobre mim essa noite. Tu és minha mãe e eu confio em teu amor.
Amém.