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4 de março de 2015

Quaresma também é tempo de leitura


Estou passando essa Quaresma, mais uma Quaresma e no entanto sempre nova no dinamismo do Espírito Santo, na companhia de três livros que gostaria de indicar: o Retiro Popular de Dom Alberto Taveira (este ano de 2015 com o instigante título "A Arte do Perdão*); Sabedoria do Coração - Para uma pedagogia da Oração**, de Manuel J. Fernández Márquez; Crime e Castigo, de Dostoiévsk***. 

O primeiro é companheiro de muitos anos e sugere um retiro inserido na vida. Nesta obra Dom Alberto nos faz refletir em primeiro lugar sobre nossa condição de imperfeição na tentativa de nos incentivar a sermos misericordiosos (já que precisamos tanto da misericórdia de Deus e dos outros) confrontando-nos com citações bíblicas e da Igreja. Sugere-nos além das reflexões, todo um "cronograma" de orações e práticas devocionais que, tendo por centro a liturgia diária e a lectio divina, nos ajuda a nos manter conscientes desse riquíssimo tempo litúrgico que é a Quaresma para que possamos sair da superfície da nossa existência, perdida nas correrias cotidianas, e nos aprofundar na vivência de nossa fé.

A segunda obra pretende esmiuçar o tema da Oração numa perspectiva mais integrada com a vida, mais madura e centrada em Deus. Com uma abordagem direta nos insere numa profunda reflexão sobre como temos levado nossa vida de oração, o que é oração e o que não é, provocando-nos com listas de perguntas sobre a vida de oração além de nos sugerir exercícios que nos ajudam nos obstáculos que dificultam a nossa experiência nessa área. Para o autor a oração é o exercício da amizade que podemos ter com Deus e essa vivência embarca a vida inteira! A oração modifica nossa vida e a nossa vida modifica nossa oração.  

No terceiro livro, célebre obra da literatura universal, temos numa prosa aclamada por séculos pela crítica, a história de um homem que, levado pela situação de extrema miséria em que vive, sucumbe a tentação de cometer um crime cruel. O que me admira nessa obra e gosto sempre de meditar é o processo do homem do momento em que sente a tentação até o ponto em que ele consente nela e, mais funesto ainda, as consequências de se cair na tentação. Vemos a degradação do personagem principal em pecado, seu sofrimento, sua loucura, a corrosão do remorso e nos identificamos em maior ou menor grau com ele. 

Penso que Quaresma é também tempo de reflexão, de introspecção, de entrarmos em nossos próprios corações onde habita o Espírito de Deus, fechar a porta e avançar pelo corredor até o encontro com Ele e conosco mesmos. E essas três obras tem me ajudado muito nesse movimento! Oxalá essas indicações sejam úteis a mais alguém! 

* A Arte do Perdão - Retiro Popular 2015, de Dom Alberto Taveira Corrêa, Editora Canção Nova.
** Sabedoria do Coração - Para uma Pedagogia da Oração, de Manuel J. Fernández Márquez, Editora Paulus.
*** Crime e Castigo, de Dostoiévski, Série Ouro - Coleção Obra-Prima de cada Autor, Editora Martin Claret.

4 de março de 2013

Frutifiquemos


O Evangelho do 3º Domingo da Quaresma (Ano C), Lucas 13, 1-9, traz a Parábola da Figueira. Ao meditar sobre ela, uma expressão me vem à cabeça: "É preciso mostrar serviço!" Como insiste o sempre bem-humorado, porém sempre ungido, Diácono Nelsinho Corrêa da Comunidade Canção Nova, o cristianismo não é feito de "geladeiras consagradas", anjos voadores com harpas e cabecinha inclinada, ou "sentimentalóides" apaixonados por um "Cristo-pessoal-intransfirível", desconectado de tudo o que estiver além do meu mundinho particular. Não, meus irmãos, o cristianismo não é isso! Ele é constituído de pessoas de carne e osso num mundo material, num dado momento histórico, numa comunidade concreta, que tiveram um encontro verdadeiro com esse Mestre e por causa disso, buscam multiplicar todo o conteúdo referente a Ele, com amor e verdade, com fé, mas também com obras! São Tiago no capítulo 2 de sua carta, a partir do versículo 13 e seguintes, expressa de maneira ultra objetiva a indissolubilidade da realidade "fé-obras", de modo que eu entendo que, quando o dono da vinha espera frutos de sua figueira, quando o Pai Celeste espera que eu frutifique pela ação do Espírito Santo, Ele quer muito mais do que ideias, sentimentos, emoções ou opiniões: Ele quer ver serviço. Ele quer anúncio, quer evangelização, quer missão, mas também quer uma conversão sincera, uma busca constante de santidade, a caridade em obras e verdade. 
Frutifiquemos, irmãos! Frutifiquemos, pois o tempo está passando e não sabemos quando nosso prazo findará. A Banda Dom tem uma música que eu gosto muito, chamada "Quanto tempo você tem" (Veja no link letra e vídeo http://letras.mus.br/banda-dom/205476/), cujo refrão fica martelando na minha cabeça: "Quanto tempo você tem? Será que você sabe quanto dura a vida? Tem que aproveitar o dom pra fazer o bem!"
O texto do Evangelho afirma que, antes de "reclamar" de qualquer coisa, o dono da vinha deixou o "barco correr" por três anos. Há quanto tempo estamos inutilizando a terra do Senhor sem mostrar serviço, seja Fé, seja Obras, ou seja ambos, como deveria ser? Ainda mais um ano é dado à figueira para que mostre "a que veio" e penso que, se estamos aqui, eu e você, eu digitando essas reflexões e você as lendo, é que nosso ano extra de "lambuja misericordosa" do Senhor começa a contar de agora. Eu tenho percebido isso em minha vida, quero que você perceba na sua também: o Senhor quer ver serviço. Isso, obviamente não podemos empreender só na carne, só na base da nossa disciplina ou força de vontade. Sem a abertura ao Espírito, o doador dos dons, os frutos não podem frutificar, não os frutos espirituais! Outros frutos, talvez...
Nos abramos à ação do Espírito e frutifiquemos com urgência! Não motivados a priori pelo medo de sermos cortados e excluídos da vinha do Senhor, simplesmente. Mas antes de mais nada para não decepcionarmos Aquele que nos criou, amou, cuidou, adubou, nos destinou e capacitou a darmos inúmeros frutos para nossa própria vida e para o mundo, nos deu infinitas chances para frutificarmos sem que lhe déssemos nenhum prova de gratidão e retribuição em contrapartida. Sim, pois se Ele nos exige os frutos, sendo Justo como é, é por que sabe que nunca nos faltou Sua ajuda para que o fizéssemos. Frutifiquemos! Por uma questão de justiça à graça que nunca nos falta: frutifiquemos! 
Na Missa, quando o Corpo sacrificado de Nosso Senhor se eleva nas mãos do Sacerdote dizemos: "Creio, Senhor, mas aumentai minha fé!" Possamos dizer e cumprir a partir de hoje: "Creio, Senhor, mas aumentai minha fé e também as minhas obras!"
A Virgem Maria, que em sua Virgindade pôde ser fecunda pela graça de Deus seja nossa advogada e protetora, amém!

3 de março de 2013

Atualizar a Conversão


Quaresma: tempo de penitência, de purificação, de conversão. Não é fácil tarefa. O cristianismo não é um caminho cômodo; não basta estar na Igreja e deixar que os anos passem. Na nossa vida, na vida dos cristãos, a primeira conversão - esse momento único, que cada um de nós recorda, em que advertimos claramente tudo o que o Senhor nos pede - é importante; mas ainda mais importantes e mais difíceis são as conversões sucessivas. É preciso manter a alma jovem, invocar o Senhor, saber ouvir, descobrir o que corre mal, pedir perdão.
São Josemaria Escrivá

1 de março de 2013

O Jejum na Quaresma


De quanto disse sobressai com grande clareza que o jejum representa uma prática ascética importante, uma arma espiritual para lutar contra qualquer eventual apego desordenado a nós mesmos. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos e de outros bens materiais, ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa da origem, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Exorta oportunamente um antigo hino litúrgico quaresmal: "Utamur ergo parcius, / verbis, cibis et potibus, / somno, iocis et arcitius / perstemus in custodia – Usemos de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas, sono e jogos, e permaneçamos mais atentamente vigilantes". Queridos irmãos e irmãos, considerando bem, o jejum tem como sua finalidade última ajudar cada um de nós, como escrevia o Servo de Deus Papa João Paulo II, a fazer dom total de si a Deus (cf. Enc. Veritatis splendor, 21). A Quaresma seja portanto valorizada em cada família e em cada comunidade cristã para afastar tudo o que distrai o espírito e para intensificar o que alimenta a alma abrindo-a ao amor de Deus e do próximo” (Bento XVI, Mensagem, 3 de fevereiro de 2009).

22 de fevereiro de 2013

Via Sacra para Crianças


Disponibilizei num álbum da nossa página no Facebook uma proposta de Via Sacra simplificada para ser meditada com as crianças nas sextas-feiras da Quaresma. 
Explicamos espontâneamente cada estação, conduzimos as breves orações e cantamos para eles.
Momento mais sóbrio mas que, na simplicidade, tenho certeza, vai infundindo nos coraçõezinhos a piedade, o amor a Jesus e a compreensão do grande amor do Senhor por nós!
Acesse por este link logo a seguir e curta nossa página no Facebook!
https://www.facebook.com/pages/Blog-cat%C3%B3lico-EU-TENHO-DEUS-E-DEUS-ME-TEM/261286340579304

19 de fevereiro de 2013

Dica de conteúdo para formação pessoal na Quaresma



Minha sugestão para o dia de hoje para nosso aprofundamento da vivência da Quaresma é o Canal Especial para a Semana Santa do Portal do Santuário Nacional de  Aparecida.
Com o título de "Semana Santa", a aba Home oferece entretanto primeiramente um link sobre a Quaresma! Muito conteúdo de excelente qualidade para nossa formação pessoal, além de um design belíssimo. 
Destacaria os textos dos bispos na aba Artigos: A Quaresma no Ano da Fé, de Dom Odilo Scherer; Apelos da Quaresma, de Dom Walmor Azevedo, entre outros. São breves, didáticos, bem escritos e muito esclarecedores.
Na aba Notícias, a matéria Internautas da Mãe Aparecida buscam espiritualidade no Portal A12 disponibiliza um link para a Via Sacra Virtual: maravilhoso!. 
Para quem ama aquela santa Casa da Mãe Aparecida como eu, também pode curtir muito a aba Fotos, tudo muito bem organizado, lindas imagens... 
A aba Vídeos traz um ótimo material também, entre sermões, palestras, mensagens diversas. 
Vale a pena navegar nesse link: www.a12.com/semanasanta
#ficaadica   ;)

Quaresma no Ano da Fé




Com a Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a Quaresma e nossa preparação para a Páscoa. É tempo de ouvir e acolher com atenção renovada a Palavra de Deus, que nos chama ao encontro e à comunhão com o Deus misericordioso e salvador. É tempo de revisão, para avaliarmos como anda a nossa vida cristã e se cumprimos nossos compromissos batismais com Deus e com a Igreja, observando seus mandamentos.

Na Quaresma deste Ano da Fé, faço um convite especial para nos confrontarmos com a fé que recebemos e professamos com a Igreja.

1. Temos uma fé firme? Procuremos o encontro pessoal com Deus, na leitura da Palavra de Deus, nos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação? Peçamos a Deus, como os Apóstolos: “Senhor, aumenta a nossa fé!”. Dá-nos uma fé viva, que frutifique na esperança, na caridade e em toda obra boa!

2. Temos uma fé esclarecida, capaz de explicar a nós e aos outros o que cremos, enquanto católicos? Procuremos ler e estudar o Catecismo da Igreja Católica, que nos explica a fé da Igreja. A fé pouco esclarecida e que não tem raízes profundas e fortes, pode facilmente ser desviada ou perdida.

3. Abandonamos a fé, ou negamos alguma parte da fé da Igreja? Façamos penitência e peçamos o perdão de Deus. A infidelidade na fé é pecado contra Deus. É fechar as portas a Deus e afastar-se dele. Peçamos perdão a Deus pelos pecados contra a fé.

Em todo o caso, procuremos e peçamos a fé, pois é ela que nos possibilita entrar em comunhão com Deus e receber dele a vida. Deus não deixa de dar a fé a quem a pede.

Durante a Quaresma, preparemo-nos para fazer a renovação alegre e convicta de nossa fé, no Sábado Santo, durante a celebração da Vigília Pascal.

Para a Quaresma, aconselho a ler novamente minha Carta Pastoral – Senhor, aumentai a nossa fé – escrita para toda a Arquidiocese de São Paulo em vista do Ano da Fé. Se ainda não a tem em mãos, procurar no site da Arquidiocese de São Paulo (http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/node/185010).
Boa Quaresma de 2013 a todos! Boa preparação para a Páscoa!

Cardeal Odilo Pedro Scherer

Arcebispo de São Paulo




Fonte: http://www.arquidiocesedesaopaulo.org.br/quaresma-no-ano-da-f%C3%A9

17 de fevereiro de 2013

Catequese Familiar: Meditação dos Evangelhos da Quaresma com as crianças



Pela graça do sacramento do matrimônio, os pais receberam a responsabilidade e o privilégio de evangelizar os filhos. Desde tenra idade devem iniciá-los nos mistérios da fé, de que são os "primeiros arautos". (...)  A educação da fé por parte dos pais deve começar desde a mais tenra infância. Faz-se já quando os membros da família se ajudam mutuamente a crescer na fé pelo testemunho duma vida cristã, de acordo com o Evangelho. A catequese familiar precede, acompanha e enriquece as outras formas de ensinamento da fé. Os pais têm a missão de ensinar os filhos a rezar e a descobrir a sua vocação de filhos de Deus. (Catecismo da Igreja Católica, §2225-2226)


Como já temos o costume de fazer, meu marido e eu, preparamos uma catequese doméstica com as crianças sobre os Evangelhos dos Domingos da Quaresma. Sentimos que uma simples ilustração desperta muito mais a atenção e curiosidade delas para o que pretendemos passar e as partilhas ficam riquíssimas! Elas expõe mais as suas dúvidas, pedem exemplos, contam "causos"... enfim, o difícil é finalizar a meditação! Para todos nós, eles e nós dois como pais, cada vez mais essas catequeses são um momento de aprendizado, entrosamento familiar, intimidade! E tudo isso na presença de Jesus e de Maria! Nos disponibilizamos a ensiná-los, mas quem sempre aprende algo somos nós! Deus age em nós enquanto pais quando servimos a Deus no serviço aos nossos filhos: os filhos contribuem para o crescimento dos seus pais na santidade. (CIC § 2227) 
Recomendamos muito, preparem esses momentos com suas crianças! Esforcem-se por catequizá-las com amor! Custa tão pouco, em meia hora organizamos essa apresentação de power point usando imagens do google (acesse nesse álbum da nossa página no Facebook: ) e nos surpreendemos com a interação que vivenciamos com eles. Valeu muito a pena. SEMPRE vale muito a pena! Como diria o meu segundo filho, o José Luiz: "Uma Santa e abençoada Quaresma pra vocês!" :)

16 de fevereiro de 2013

Com licença, vou me retirar: é Quaresma!


Uma dica sempre presente no rol das atividades quaresmais é o "Retiro Popular" de Dom Alberto Taveira Corrêa. Esse ano de 2013, com o título "A quem iremos, Senhor?", o arcebispo de Belém-PA nos convida, nessa experiência que é "a mesma e sempre nova", também nós sendo os mesmos de sempre, que nos abramos à renovação do Espírito para "mudarmos para melhor, com a graça de uma Quaresma bem vivida". 

Baseando-se nos temas da Fé e da Juventude, em consonância com a Igreja que vive o Ano da Fé e que refletirá sobre os Jovens na Campanha da Fraternidade e na Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro no mês de Junho, Dom Taveira propõe a vivência desses 40 dias meditando sobre os textos que ele selecionou mas também intensificando a "prática cotidiana das realidades essenciais do cristianismo", recebidas da Igreja e da família, a qual faz de nós verdadeiros discípulos e missionários: oração pessoal (com destaque à Lectio Divina), jejum, mortificação e caridade.

Penso que participar de um retiro espiritual de um final de semana, por exemplo, é um tempo cujos frutos colhemos para o resto de nossas vidas. Ainda que por vezes seja cansativo e um verdadeiro combate interior por conta do silêncio, da intensidade das vivências espirituais, da nossa falta de hábito com tanta oração, da nossa pouca intimidade com Deus, para a maioria das pessoas que se aventuram em participar desses retiros, para aquelas pessoas que se abrem à ação de Deus, é uma ocasião de graça e bênção. 
A proposta do Retito Popular apresenta-se como um desafio especial, já que é um retiro feito na vida, no dia-a-dia, em casa, no trabalho... Somos chamados e introduzir a Quaresma em nosso cotidiano, a como que espalhar em nossa rotina a beleza das práticas quaresmais! Que belo desafio! Como se diz por aí pelo mundo virtual: "só para os fortes"! 
Nos retiremos, então! E façamos bem-feito, como orienta Dom Taveira! De fato pedindo licença às correrias e urgências que nos demandam sem cessar! Tenhamos a coragem, a atitude de nos recolher por um momento para professarmos nossa Fé, passo a passo, dentro das nossas capacidades e limitações e desse modo vivermos a experiência do discipulado na amizade com o Mestre! Entremos em nossos quartos, nos retirando durante esse tempo litúrgico maravilhoso para que daí possamos sair para a vida, para o mundo em missão, partilhando e testemunhando as maravilhas advindas dessa experiência salutar!  Diga a si mesmo, ao tempo que nunca vai parar de correr, à TV, à internet, às pessoas, aos trabalhos, a tudo, durante esses dias: "Com licença, vou me retirar: é Quaresma!"

14 de fevereiro de 2013

A Última Mensagem para a Quaresma do Papa Bento XVI (2013)




Nesta Quaresma de 2013, na qual teremos além do costumeiro espírito de contrição e sobriedade que lhe é peculiar, uma certa melancolia extra pela renúncia de Sua Santidade, vale a pena examinar com atenção, oração e amor sua última mensagem para esse tempo tão rico. Nela, Bento XVI quis evidenciar a indissolúvel relação entre a Fé e a Caridade. Neste ano da Fé o Pontífice retorna ao seu tema predileto, a Caridade, sobre o qual já se aprofundou em encíclicas e escritos diversos e nos presenteia com mais uma mensagem de sábia profundidade e humilde simplicidade.
O texto não é extenso e a linguagem, como de costume, é elegantemente didática. Com o título “Crer na caridade suscita caridade” e o  fundamento bíblico em 1 Jo 4, 16 (Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele.), o Papa enumera quatro pontos com os quais desenvolve sua mensagem:
1.                 A fé como resposta ao amor de Deus
2.                 A caridade como vida na fé
3.                 O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
4.                 Prioridade da fé, primazia da caridade
Afirma o Sumo Pontífice que a descoberta de Deus pelo encontro místico e pessoal (“Sim, existe um Deus! Existe “O” Deus! Único e verdadeiro! Eu O encontrei!”) tem como consequência outras descobertas (“Sim, esse Deus é amor! Mais que isso: Esse Deus me ama!”) Desse processo que engloba coração e intelecto simultaneamente e que se desdobra continuamente sem se concluir ou se completar em definitivo, brota a fé do cristão como uma RESPOSTA (“Diante de uma amor como esse, como eu poderia ficar indiferente e inerte? Preciso fazer algo! Preciso corresponder!”).
Assim se manifestada uma consciência desse amor divino por nós e também uma compreensão de que o “procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado”.
Ah, como o mundo seria outro se os cristãos assumissem essa condição que os distingue! Assim se diria: “Cristãos? É aquele povo que ama! Que ama por que tem fé! Que tem fé porque ama!” Eis um ponto interessante para meditarmos na Quaresma: “eu me distingo em meu contexto, em meu dia-a-dia, diante dos homens, por ser alguém que tem fé e ama?”

7 de fevereiro de 2013

CARNAVAL DO CATÓLICO É PREPARAÇÃO PARA A QUARESMA



Aproxima-se o Carnaval e a maioria das pessoas trata de se programar para o que quer que pretenda fazer neste que é considerado por muitos o verdadeiro reveillon brasileiro, após o qual o ano realmente se inicia. O brasileiro é um povo de cultura riquíssima e alegria indestrutível e o verão é a estação do ano que geralmente conjuga as férias e o famoso ócio criativo que culminam nas manifestações populares carnavalescas antecipadas, já que na mentalidade tupiniquim, nada justificaria sua limitação aos dias oficiais do evento.
Há quem afirme não gostar de festas, multidões e barulho e aproveita os dias de Carnaval para outras atividades de lazer, descanso, etc, já que independente de ser folião ou não, o país valoriza tanto o evento que dispensa 4 dias “oficialmente” para tal!
O povo brasileiro é igualmente religioso e pipocam nessa época do ano não apenas os blocos de folia, mas também os encontros de espiritualidade. A RCC Brasil enunciou pela internet que o “Brasil é o país dos Retiros de Carnaval” e isso é facilmente constatável em qualquer cidade de nosso país! Só aqui na Arquidiocese de Brasília já contei quatro grandes eventos de espiritualidade e evangelização para o Carnaval 2013!
Não sei se seria possível se manter em estado de graça e simultaneamente se divertir no Carnaval. Seria talvez, mais ou menos comparável à história contada por Jesus envolvendo o rico, um camelo e o fundo de uma agulha. Mais ou menos como tentar reunir todos os confetes jogados para cima ou reenrolar com perfeição a serpentina lançada no ar, sempre ficam as marcas dessa dispersão. Não pretendo aqui julgar as opções das pessoas. Só quero propor uma reflexão para qual já não tenho dúvidas alguma: aquele que optar por essas atividades neste feriado que o faça consciente de que está transitando em território inimigo. 

23 de março de 2012

RECONHECER CRISTO NOS DOENTES E NA DOENÇA


– Jesus fez-se presente nos doentes.
– Santificar a doença. Aceitação. Aprender a ser bons doentes.
– O sacramento da Unção dos Enfermos. Frutos deste sacramento na alma. Preparar os doentes para recebê-lo é uma prova especial de caridade e, às vezes, de justiça.
I. DEPOIS QUE O SOL se pôs, todos os que tinham enfermos de diversas moléstias traziam-nos à sua presença; e Ele, impondo as mãos sobre cada um, curava-os1.
Os doentes eram tão numerosos que toda a cidade se acotovelou à sua porta2. Trazem os doentes depois do pôr-do-sol3. Por que não antes? Certamente porque era sábado. Depois do pôr-do-sol começava um novo dia, em que cessava a obrigação do descanso sabático que os judeus piedosos cumpriam com tanta fidelidade.
O Evangelho de São Lucas anota este detalhe de Cristo: curou-osimpondo as mãos sobre cada um deles. Jesus olha atentamente para cada um dos doentes e dedica-lhes toda a sua atenção, porque cada pessoa, e de modo especial cada pessoa que sofre, é muito importante para Ele. A sua presença caracteriza-se por pregar o Evangelho do Reino e curar todo o mal e toda a enfermidade4;de sorte que o povo estava admirado ante o espetáculo dos mudos que falavam, dos aleijados que ficavam curados, dos coxos que andavam, dos cegos que viam; e todos glorificavam o Deus de Israel5.

27 de fevereiro de 2012

Jejum, esmola e oração – Os exercícios da Quaresma




Na Quaresma, os cristãos se preparam para celebrar a Páscoa, que está no centro de todas as celebrações da Igreja e da fé cristã; com a Páscoa, comemoramos o Mistério Pascal da paixão, morte e ressurreição gloriosa de Jesus Cristo e nossa participação nesse Mistério de Cristo e da Igreja.
Durante a Quaresma somos convidados a rever nossa vida cristã, a fazer uma avaliação sobre como andamos no seguimento de Cristo e no progresso da virtudes cristãs; no final da Quaresma, na noite da Páscoa, faremos a renovação das promessas do nosso Batismo, que são os compromissos de nossa vida cristã. Devemos, pois, preparar-nos para renovar nossa adesão a Cristo, como seus discípulos missionários e amigos.
A Igreja nos indica os seguintes três exercícios quaresmais: a) o jejum - e neste conceito estão incluídas todas as formas de penitência, as escolhas e as necessárias renúncias e sacrifícios para correspondermos aos caminhos de Deus. Não existe vida cristã autêntica, sem seguir os Mandamentos de Deus e sem obedecer ao Evangelho de Cristo; e isso requer uma disciplina na vida e também sacrifícios e “cruzes”. O exercício do jejum deve ser um auxílio para a nossa conversão a Deus.
b) A esmola: com este conceito, entendemos toda forma de caridade e de solidariedade fraterna. Somos reconhecidos como cristãos através do amor a Deus e ao próximo; mas a tentação do egoísmo e do fechamento diante das necessidades do próximo é grande! A Quaresma nos estimula na prática das obras de misericórdia; sobre elas deveremos, um dia, responder diante de Deus: “eu tive fome... tive sede... estava sem roupa, sem casa, na prisão, doente...” (cf Mt 25). A Campanha da Fraternidade, cada ano, nos propõe um aspecto da vivência da caridade e da solidariedade fraterna. Neste ano, é a questão da saúde pública.
c) A oração é o 3º exercício quaresmal e este conceito envolve nossa comunhão e familiaridade com Deus, nas quis devemos crescer e nos aprofundar ao longo da vida. Não existe vida cristã, sem comunhão com Deus e esta se traduz na escuta atenta e assídua da Palavra de Deus, na oração pessoal e comunitária e na vivência da “amizade com Deus”. O cristão não é um estranho a Deus, mas um filho de Deus; bom filho não esquece do pai nem fica longe, sem ligar para ele...
Este é um tempo abençoado, um “tempo favorável”. Comecemos logo os exercícios da Quaresma e nos exercitemos neles cada dia, respondendo ao convite de Jesus, ouvido na Quarta Feira de Cinzas: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Rezemos mais intensamente; acolhamos a Palavra de Deus com atenção; façamos obras de penitência, cujo fruto será a conversão mais profunda a Deus e a alegria pascal.

Publicado no "Povo de Deus", folheto litúrgico da Arquidiocese , no 1º domingo da quaresma
São Paulo, 26.02.2012
Cardeal Odilo Pedro Scherer 
Arcebispo de São Paulo
@DomOdiloScherer

Sete Dicas Espirituais para a Quaresma



Nos mais de 10.000 grupos de oração da RCC cadastrados em todo o Brasil¹, a música “Eu navegarei” é muito conhecida e cantada. Um trecho específico do refrão sempre me toca:

Espírito, Espírito!
Que desce como fogo
Vem como em Pentecostes
E enche-me de novo!

Sempre ressoa dentro de mim: “De novo! Outra vez, Senhor! Mais uma vez! Vem!” É a experiência do “de novo e sempre novo”, que só o Espírito pode realizar no ser humano.
Dom Alberto Taveira inicia maravilhosamente seu Retiro Popular 2012 com uma ideia simples mas inspirada e inspiradora:

A QUARESMA É ANTIGA E NOVA.

Como fundamentação desta moção espiritual, o arcebispo de Belém cita o Evangelho de Mateus, capítulo 13, versículo 52:

Por isso, todo escriba instruído nas coisas do Reino dos céus é comparado
a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.

Eu já citei aqui (http://eutenhodeusedeusmetem.blogspot.com/2011/12/ainda-da-tempo-de-viver-o-advento.html) o nº 185 do YouCat, Catecismo Jovem da Igreja Católica, que explica o porquê da repetição anual da Liturgia, mas vale a pena destacar de novo:

"Tal como anualmente celebramos o dia do nosso nascimento, ou de casamento, também a Liturgia celebra, a um ritmo anual, os mais importantes acontecimentos salvíficos do Cristianismo. Todavia, com uma diferença decisiva: todo tempo é tempo de Deus. Memórias da mensagem e da vida de Jesus são simultaneamente encontros com o Deus vivo. O filósofo dinamarquês Sören Kierkgaard disse uma vez: << Ou somos contemporâneos de Jesus, ou é melhor deixar isso.>> Acompanhar fielmente o Ano Litúrgico faz-nos, efetivamente, contemporâneos de Jesus. Não porque entramos com o nosso pensamento ou até todo nosso ser no Seu tempo e na Sua vida, mas porque Ele, quando lhe dou espaço, entra no meu tempo e na minha vida com a sua presença que cura e perdoa, com a força explosiva da Sua ressurreição."

Jochen Klepper (1903 – 1942, escritor alemão) afirma que a repetição dos acontecimentos do Ano Litúrgico é a maior obra de arte da humanidade e que Deus é favorável a esta experiência antiga e nova, ao ponto de nos conceder tal vivência a cada ano “numa luz sempre nova, como se fosse a primeira vez”.
De fato, a experiência de todos os anos, graças ao Espírito Santo, pode ser totalmente nova! Mesmo as práticas mais tradicionais ganham um dinamismo novo em tempos fortes, pois quando o Espírito de Deus envia o seu sopro, se renova toda a face da terra. (Salmo 103, 30).
Nesta primeira semana da Quaresma, devemos aproveitar a oportunidade que o Senhor nos concede de adentrar o deserto com Ele por 40 dias. Nesta perspectiva, poderemos encarar esse desafio de duas formas, como analisa o Papa Bento XVI na Mensagem do Angelus do 1º Domingo da Quaresma/2012:

O deserto (...) há diversos significados, pode indicar o estado de abandono e de solidão, o “lugar” da fraqueza do homem onde não há apoios e seguranças, onde a tentação se faz mais forte. Mas pode indicar também um lugar de refúgio e abrigo, como foi para o povo de Israel escapar da escravidão egípcia, onde se pode experimentar, de modo particular, a presença de Deus.

Para que nossa experiência quaresmal seja “novidade de vida”, seja esse “refúgio e abrigo” no deserto na presença de Jesus, compartilho aqui 7 ‘dicas espirituais’ para a nossa vivência da Quaresma 2012:

26 de fevereiro de 2012

AS TENTAÇÕES DE JESUS


TEMPO DA QUARESMA. PRIMEIRO DOMINGO



– O Senhor permite que sejamos tentados para que cresçamos nas virtudes.
– As tentações de Jesus. O demônio prova-nos de maneira semelhante.
– O Senhor está sempre ao nosso lado. Armas para vencer.
I. “A QUARESMA COMEMORA os quarenta dias que Jesus passou no deserto, como preparação para esses anos de pregação que culminam na Cruz e na glória da Páscoa. Quarenta dias de oração e de penitência que, ao findarem, desembocam na cena que a liturgia de hoje oferece à nossa consideração no Evangelho da Missa: as tentações de Cristo (cfr. Mt IV, 1-11). É uma cena cheia de mistério, que o homem em vão pretende entender – Deus que se submete à tentação, que deixa agir o Maligno –, mas que pode ser meditada se pedirmos ao Senhor que nos faça compreender a lição que encerra”1.
É a primeira vez que o demônio intervém na vida de Jesus, e fá-lo abertamente. Põe à prova Nosso Senhor; talvez queira averiguar se chegou a hora do Messias. Jesus deixa-o agir para nos dar exemplo de humildade e para nos ensinar a vencer as tentações que sofreremos ao longo da nossa vida: “Como o Senhor fazia todas as coisas para nos ensinar – diz São João Crisóstomo –, quis também ser conduzido ao deserto e ali travar combate com o demônio a fim de que os batizados, se depois do batismo sofrem maiores tentações, não se assustem com isso, como se fosse algo de inesperado”2. Se não contássemos com as tentações que temos de sofrer, abriríamos a porta a um grande inimigo: o desalento e a tristeza.
Jesus quis ensinar-nos com o seu exemplo que ninguém deve considerar-se dispensado de passar por provas. “As tentações de Nosso Senhor – diz Knox – são também as tentações dos seus servidores individualmente. Mas, como é natural, o grau é diferente: o demônio não nos oferecerá a vós e a mim todos os reinos do mundo. Conhece o mercado e, como bom vendedor, oferece exatamente o que calcula que o comprador quererá. Suponho que pensará, com bastante razão, que quase todos nós podemos ser comprados por cinco mil libras por ano, e muitos de nós por muito menos. Também não nos oferece as suas vantagens de modo tão aberto, antes envolve as suas ofertas em toda a espécie de formas plausíveis. Mas se vê a menor oportunidade, não demora muito em mostrar-nos como podemos conseguir aquilo que queremos, se concordamos em ser infiéis a nós mesmos e, muitas vezes, à nossa fé católica”3.

Quaresma: Tempo de trabalhar nosso relacionamento com Deus


Angelus do Papa Bento XVI – 26/02/2012


Queridos irmãos e irmãs!

Neste primeiro domingo de Quaresma, encontramos Jesus que, depois de ter recebido o batismo no Rio Jordão, por meio de João Batista (cfr Mc 1,9), é tentado no deserto (cfr Mc 1,12-13).

A narração de São Marcos é concisa, priva dos detalhes que lemos nos outros dois Evangelhos de Mateus e de Lucas. O deserto do qual fala há diversos significados, pode indicar o estado de abandono e de solidão, o “lugar” da fraqueza do homem onde não há apoios e seguranças, onde a tentação se faz mais forte. Mas isso pode indicar também um lugar de refugio e abrigo, como foi para o povo de Israel escapar da escravidão egípcia, onde se pode experimentar, de modo particular, a presença de Deus. Jesus, no deserto, “esteve quarenta dias, tentado pelo demônio” (Mc 1,13).

São Leão Magno comenta que “o Senhor quis sofrer o ataque do tentador para defender com sua ajuda e ensinar pelo seu exemplo” (Tractatus XXXIX,3 De ieiunio quadragesimae: CCL 138/A, Turnholti 1973, 214-215).

O que pode nos ensinar este episódio? Como lemos no livro Imitação de Cristo, “o homem nunca é totalmente livre da tentação, até o fim da vida... Mas com paciência e verdadeira humildade, se tornará mais forte do que qualquer inimigo” (Liber I, c. XIII Cidade do Vaticano 1982, 37); a paciência e a humildade de seguir todos os dias o Senhor, aprendendo a construir a nossa vida não sem Ele ou como se Ele não existisse, mas Nele e com Ele, porque é a fonte da verdadeira vida.

A tentação de remover Deus, conduzindo as coisas no mundo, contando apenas com suas próprias habilidades, está sempre presente na história do homem.

Jesus proclama que “o tempo se cumpriu e o reino de Deus está próximo” (Mc 1,15), anuncia que Nele acontece algo novo: Deus se fez homem, de modo inesperado, com uma proximidade única e concreta, plena de amor; Deus se encarna e entra no mundo como homem e pega para si o pecado, para vencer o mal e reconduzir o homem ao mundo de deus.

Mas este anúncio é acompanhado por uma exigência: corresponder a esse dom tão grande. Jesus, de fato, acrescenta: “convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15); é o convite a ter fé em Deus e a converter todos os dias nossa vida a Sua vontade, orientando, para o bem, cada ação nossa e cada pensamento.

O tempo da Quaresma é um momento propício para renovar e melhorar o equilíbrio do nosso relacionamento com Deus, por meio da oração cotidiana, os gestos de penitência e as obras de caridade fraterna. 

Supliquemos com fervor a Maria Santíssima para que acompanhe o nosso caminho quaresmal com sua proteção e nos ajude a imprimir em nosso coração e em nossa vida a Palavra de Jesus Cristo, para convertermos a Ele. Confio, por fim, as vossas orações pela semana de exercícios espirituais que iniciarei nesta noite junto aos meus colaboradores da Cúria Roma.

 
 

A LITURGIA NA QUARESMA EXIGE SILÊNCIO E SOBRIEDADE






Uma liturgista da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) destaca que a liturgia na Quaresma deve ser permeada de silêncio e sobridade.

Para celebrar profundamente a Quaresma --que se estende da Quarta-feira de Cinzas até a manhã da Quinta-feira Santa--, Ir. Veronice Fernandes, pddm, faz algumas indicações, em texto difundido via internet pelo projeto «Liturgia em Mutirão», da CNBB.

Ela recorda primeiramente que a oração, o jejum e a solidariedade devem ser intensificados.
Também «o espaço litúrgico seja despojado e sóbrio. Os vazios e as ausências nos ajudam a esvaziar o coração para preenchê-lo com a Palavra, que é luz para nossos passos e que nos converte», afirma.

Ir. Veronice Fernandes destaca ainda que momentos de silêncio, «principalmente entre as leituras e após a homilia, são importantes».

A cor litúrgica para a Quaresma é a roxa – explica a religiosa –, que expressa a dimensão maior de penitência e disposição à conversão.

«Um sinal permanente no espaço litúrgico, como um tecido roxo em forma de faixa na mesa da Palavra ou como detalhe na mesa eucarística», mas sem «tampar» ou «esconder» o altar, «ajudará na experiência quaresmal.»

A religiosa indica também que «a cruz, pela qual fomos marcados no Batismo, deve ser destacada».
«Ela lembra que somos discípulos e discípulas de Jesus, que superou o fracasso humano da cruz com um amor que vence a morte. Nas celebrações do Ofício de vigília, aos sábados, no momento do canto de abertura, pode ser feita a iluminação da cruz. É preciso também valorizá-la nas celebrações dominicais.»
Sobre os cantos e melodias, a religiosa afirma que eles «expressam o sentido próprio do mistério celebrado».

«Por isso, cuide-se para que não apenas deixem de ser cantados o Glória e o Aleluia, mas que, tanto no conteúdo quanto no ritmo e no uso dos instrumentos, eles sejam uma verdadeira expressão da Quaresma», escreve.

Por Alexandre Ribeiro in Site zenit.org

7 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa para Quaresma de 2012




«Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras»
(Heb 10, 24)


Mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2012


Irmãos e irmãs!
A Quaresma oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne da vida cristã: o amor. Com efeito este é um tempo propício para renovarmos, com a ajuda da Palavra de Deus e dos Sacramentos, o nosso caminho pessoal e comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo silêncio e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal.
Desejo, este ano, propor alguns pensamentos inspirados num breve texto bíblico tirado da Carta aos Hebreus: «Prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras» (10, 24). Esta frase aparece inserida numa passagem onde o escritor sagrado exorta a ter confiança em Jesus Cristo como Sumo Sacerdote, que nos obteve o perdão e o acesso a Deus. O fruto do acolhimento de Cristo é uma vida edificada segundo as três virtudes teologais: trata-se de nos aproximarmos do Senhor «com um coração sincero, com a plena segurança da » (v. 22), de conservarmos firmemente «a profissão da nossa esperança» (v. 23), numa solicitude constante por praticar, juntamente com os irmãos, «o amor e as boas obras» (v. 24). Na passagem em questão afirma-se também que é importante, para apoiar esta conduta evangélica, participar nos encontros litúrgicos e na oração da comunidade, com os olhos fixos na meta escatológica: a plena comunhão em Deus (v. 25). Detenho-me no versículo 24, que, em poucas palavras, oferece um ensinamento precioso e sempre atual sobre três aspectos da vida cristã: prestar atenção ao outro, a reciprocidade e a santidade pessoal.
1. «Prestemos atenção»: a responsabilidade pelo irmão.

14 de abril de 2011

Espiritualidade ou Chocolate? Qual é seu compromisso para essa Quaresma?

Compartilho um texto muito coerente de João Paulo Veloso, Seminarista da Arquidiocese de Palmas, Coordenador Nacional do Ministério para Seminaristas da RCC sobre a secularização da maior das festas cristãs: a Páscoa. Ótima reflexão para nossas práticas na vida concreta e um sério chamado para recristianzarmos a Páscoa, em especial evidenciando para nossas crianças e jovens a riqueza e beleza desse que é muito mais que um feriado. É excepicional oportunidade para testemunharmos e convidarmos nossos familiares e amigos ao recolhimento e ao jejum na quinta e na sexta e empolgarmos nossos filhos com a "Missa do Fogo" e todos os seus detalhes no sábado. Enfim, que o Domingo dos domingos não se resuma a ovos de chocolate, mas que a Missa de Páscoa seja o grande momento do dia, quiçá do ano!
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Estamos na época de aproveitar as promoções de ovos de chocolate nos supermercados?

Não! Para nós, cristãos, a maior festa da Igreja não pode ser minimizada a quilos de chocolate e troca de ovos entre os amigos e parentes.

Semelhante ao Natal, não podemos ceder ao apelo comercial, que também ganha destaque nesse tempo de Quaresma.

Páscoa é tempo de renovar nossas esperanças e nos aproximarmos de Jesus, que é nosso único Salvador.

Vamos fazer o possível para que, cada vez mais, a Páscoa retorne a seu sentido real.

Vamos espalhar essa idéia de espiritualidade entre os amigos e também entre as crianças. Essa proposta pode ser aderida também entre os nossos compromissos de Quaresma. VAMOS RECRISTIANIZAR A PÁSCOA! Vamos conversar e mostrar as pessoas que é sim possível viver uma Páscoa mais santa!

Vamos recristianizar a Páscoa!

13 de abril de 2011

Retiro da Boa Morte: só temos o "agora".

Toda Quaresma ou Advento, gosto de fazer a experiência do "Retiro da Boa Morte", ensinado por Dom Bosco aos salesianos. Consiste em ter em mente a possibilidade iminente da morte, ou, nas palavras de uma grande amiga (que Deus a tenha em bom lugar), ter em mente que "para morrer, basta estar vivo".

Já faz algum tempo que tento pensar na morte como fazia São Francisco, como uma irmã. Tento ter em mente que não posso deixar nada mal resolvido, para concluir depois, pois não tenho como ter certeza de estar viva a não ser no 'agora'. O salmista afirma que a vida é como um sopro (Sal 143, 4). Jesus já dizia para aquele que achava que estava seguro para o futuro que o fato de se ter o celeiro cheio não é garantia de nada se à noite viessem pedir conta de sua vida, até o chamou de louco por pensar assim (Lc 12, 19s). De fato, o roqueiro está certo quando afirma que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, por que se pararmos para pensar, na verdade nada nos garante que haverá. Repito: só temos o 'agora'. 

É justamente nisso que consiste o Retiro da Boa Morte, em nos "prepararmos" periodicamente para este momento com esta 'irmã' incompreendida e muitas vezes temida. O fio condutor desta experiência é o questionamento: eu estou preparado para morrer? O intuito desse retiro é, de maneira bem pragmática, como uma grande faxina, deixar tudo pronto para o momento de nosso encontro com Jesus na morte. E esse deixar tudo pronto alcança vários níveis.