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3 de maio de 2018

RESPOSTA DE DOSTOIÉVSKI A UMA MÃE


Resposta de Dostoiévski à carta de uma mãe, em 27 de março de 1878:


Posso ver por sua carta que a senhora é uma boa mãe e se aflige com o desenvolvimento de seu filho. (…) A senhora deveria considerar as coisas por uma perspectiva mais simples. Pergunta-me, por exemplo: “O que é bom, e o que não é bom?” A que podem levar tais questões? (…) Seja boa, e faça seu filho perceber que a senhora é boa; deste modo sua obrigação para com ele cumprir-se-á inteiramente, pois assim lhe terá dado a convicção imediata de que as pessoas têm de ser boas. Seu filho então, por toda a vida, estimará a memória materna com grande reverência, e talvez mesmo com uma profunda emoção. E mesmo que a senhora faça algo errado – isto é, algo frívolo, mórbido ou até absurdo – seu filho cedo ou tarde o esquecerá e lembrar-se-á apenas das boas coisas. Tenha certeza: em geral, não há nada além que a senhora possa fazer por seu filho. E isso é de fato mais do que suficiente. A lembrança das boas qualidades de nossos pais – de seu amor à verdade, de sua retidão, da bondade de seu coração, de seu desprendimento da falsa vergonha e de sua constante relutância diante da mentira – tudo isto cedo ou tarde fará de seu filho uma nova criatura: acredite em mim.
Seu filho hoje está com oito anos; mostre-lhe o Evangelho, ensine-o a acreditar em Deus, e isto do modo mais ortodoxo possível. Eis um sine qua non. De outro modo a senhora não conseguirá fazer de seu filho um bom ser humano, mas na melhor das hipóteses um sofredor, e na pior um letárgico e indiferente “bem sucedido”, o que é um destino ainda mais deplorável. A senhora não encontrará em parte alguma algo melhor do que o Salvador, esteja certa.
Suponha que seu filho, aos dezesseis ou dezessete anos (após o contato com colegas de escola corrompidos), dirija-se à senhora ou ao seu esposo com a seguinte questão: “Por que eu devo te amar, e por que me dizes que este é meu dever?” Creia-me, nenhum conhecimento teórico poderá ajudá-la então; a senhora não saberá o que responder. Por isso é que deve tentar agir de modo que jamais ocorra a seu filho fazer-lhe semelhante pergunta. Isto, porém, só será possível se ele for ligado à senhora por um amor tal que impeça esse tipo de pergunta de lhe cruzar a cabeça. É verdade que na escola semelhantes pontos de vista talvez seduzam seu filho, mas a senhora com facilidade conseguirá separar o falso do verdadeiro; e mesmo que venha a deparar-se com a infeliz pergunta, poderá respondê-la com um simples sorriso e seguir tranquilamente fazendo seu melhor.
Se a senhora afligir-se exagerada e superfluamente com o destino de seus filhos, poderá acabar tornando-se um estorvo para eles e afetar seus nervos, e isto mesmo que haja entre vocês um amor imenso; de modo que a senhora deve ser cuidadosa e cultivar moderação em todas as coisas. Em sua carta, há a seguinte colocação: “Se eu viver para eles (isto é, para meu marido e meus filhos), será uma vida egoísta. Posso me dar ao luxo de viver egoisticamente quando ao meu redor há tantas pessoas a quem poderia ajudar?” Que pensamento inútil e descabido! O que a impede de viver para os outros e ser ao mesmo tempo uma boa mãe e esposa? Ao contrário, se a senhora viver também para os outros e dividir com eles seus bens terrenos e as emoções de seu coração, dará a seus filhos um radiante exemplo, e seu marido necessariamente a amará mais do que antes.
Creia-me: é imensamente importante e útil dar um bom exemplo mesmo em uma esfera de atividade limitada, pois deste modo podemos influenciar dúzias e centenas de pessoas. Seu objetivo de jamais desviar-se do caminho da verdade fará com que aqueles ao seu redor reflitam, assim influenciando-os. Isto por si só é um grande feito. Assim se pode fazer muito por todos.

8 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 08


Hoje é Dia das Mães, então o Espírito me inspira a testemunhar como minha mãe Maria do Socorro é modelo da Mãe do Céu para mim. Sempre penso que, se minha mãe, que sei que é mulher "humana", ou seja, tem seus defeitos e qualidades, já me permite perceber a tamanho da bondade de Deus agindo pelo ser humano, imagine Maria Santíssima! Vou ilustrar, para que fique claro.
  1. Tudo o que eu coloco nas mãos da minha mãe Socorro ela me devolve muuuiitoo melhor do que eu entreguei! Por exemplo, há algum tempo atrás o liquidificador da minha mãe deu defeito e ela me pediu o meu emprestado. Na correria que é meu dia a dia, dei uma limpadinha superficial e deixei na casa dela. No dia seguinte ela me mandou o liquidificador de volta e eu até fiquei em dúvida se era mesmo o meu! Ela limpou tão bem "limpado" que o treco ficou até mais branco que quando novo (ele era meio bege originariamente)! Se eu deixo um cobertor lá ele volta mais macio e cheiroso do que quando comprei; se é uma panela de pressão, volta com borracha nova; se é um álbum de fotos, volta organizado com etiquetas; se são as crianças, eles voltam com as unhas cortadas, orelhas limpinhas, perfumados e sempre mais gordinhos! :) Isso me faz entender que, se com minha mãe é assim, também é com Maria Santíssima! Posso colocar o que quer que for em suas mãos, na confiança de que, no momento certo, ela me devolverá muuuuito melhor que eu entreguei! Precisamos aprender a confiar nossas "coisas" à Virgem Maria! Colocar tudo em suas mãos sem temer, ela sabe como providenciar o melhor para nós junto a Jesus! Entregue e se despreocupe: quando ela te devolver, você terá uma grande a agradável surpresa!
  2. Sempre que eu estou passando por alguma dificuldade pessoal, minha Mãe meio que "sente" e mesmo que eu não conte nada ou tente disfarçar, ela descobre. É incrível essa perspicácia e sensibilidade! Realmente tenho que crer que é algo espiritual, como um dom carismático específico da maternidade! É só ela olhar para mim que logo fala: "Você chorou! O que foi?" Ou "Fala logo, o que que tá pegando? Desembucha!" E não adianta falar "nada não, mãe! Eu, heim!?" que não cola. Ela já sacou tudo, já está vendo uma forma de ajudar ou pelo menos de rezar. Assim também é Nossa Senhora conosco. Muitas vezes nem é necessário fazer uma oração formal de súplica clamando sua intercessão que ela já "sacou tudo", já está "passando à frente, abrindo portas e portões", desatando os nós, pisando cabeças de serpentes e fazendo todo o possível para ajudar, intercedendo junto a Jesus, mediando todas as graças e bênção de que precisamos! Nem precisar falar nada, ela sabe.
  3. Em outros casos eu nem chego a ter consciência de que estou precisando de algo e minha mãe já se adiantou e organizou tudo para mim, sem que eu pedisse, de uma maneira muito melhor do que eu jamais teria feito. Por exemplo, numa ocasião nós estávamos muito sem dinheiro para fazer uma festinha de aniversário para meu filho João. Então compramos apenas um bolo, poucos salgados e uns refrigerantes só para não passar em branco. Combinamos apenas com avós e tios de cantar um "Parabéns" e pedi à minha mãe que a reunião fosse na casa dela. Isso aconteceu no mês de junho, num ano de Copa do mundo. Meus pais e irmãos sempre gostam de providenciar "adereços" verdes e amarelos para entrarem no clima do futebol, mas naquele ano o Brasil não foi muito pra frente na competição, de modo que sobrou muita coisa. Resultado: quando chegamos de tardinha, a sala estava toda verde e amarela, com balões, bandeirolas, cornetas, todo tipo de enfeite de futebol, bola, chuteira, etc que tinha sobrado da Copa. João, que já tinha sido avisado que seria só um bolo, quando viu tudo aquilo arregalou os olhos e ficou imensamente feliz pelo que a vovó tinha "aprontado"! E nós também! Foi uma festa pra lá de chique e animada, muito além das nossas expectativas, graças a vovó. Assim também age Nossa Senhora: o povo acha que vai ter uma festinha fajuta com um vinho mais ou menos e não fica sabendo que ele está para acabar! E ela já está reunindo os serviçais, separando as talhas, providenciando a água e "apressando" Jesus para realizar o milagre para nós! E o que esses dois organizam e empreendem é muito, muito superior do que poderia supor nosso alheamento e incapacidade! 
  4. Minha mãe é do tipo superprotetora, leoa com os filhotes. Ai de quem chegar perto de nós! Mas sempre soube nos corrigir para nossa evolução. Nunca nada passa em branco para ela: sempre me advertiu em meus erros, às vezes com firmeza, às vezes com jeitinho, às vezes com indiretas (ela adora essa modalidade! kkkkk), às vezes me deixando colher os frutos dos meus atos. Eu só sei de uma coisa: quando eu não escuto minha mãe, as chances de eu me arrepender são altíssimas! Além de amargar os prejuízos já posso me preparar para os inevitáveis "Mas eu avisei!", "Toma!", "Não ouve a mamãe... Olha aí!" É batata! Além de avisar, de corrigir, de orientar, de ser muitas vezes ignorada ela ainda tem que me colocar no colo depois que a lambança está feita e me consolar! Aí não é mole não, né? Mas eu posso estar tranquila pois ela mesmo assim nunca se omite e nunca me falta, com amor e (muitas vezes) com paciência! :) Da mesma forma acontece com Nossa Senhora, que é Mãe e Mestra. Aquela música tão linda da Irmã Kelly Patrícia canta: "Minha mãe é a Virgem Maria! É ela que agora vai me acolher, me abraçar, me perdoar, me compreender, me aclamar, me ensinar, me educar, me formar, me amar!" E é exatamente assim! Olha, conselho de amiga: não vale a pena descartar os ensinamentos e orientações nem de sua mãe quanto menos de Maria! Ela nos protege sempre mas como Mãe Celeste vai nos corrigir quando for preciso e precisamos estar atentos e ser obedientes! 
  5. Mais um último exemplo que queria destacar de semelhança entre minha mãe e Nossa Senhora para encerrar esta postagem (é preciso finalizar se não passaria uma eternidade aqui meditando nessas similaridades das duas!). Minha mãe sofre calada. Não reclama. Se doa por nós e não cobra nada para ela. De fato ela medita as coisas no coração e reza. Muitas vezes sente nossa falta, quer nossa presença, nossa companhia, mas fica na dela para não incomodar. Vez ou outra dá uma investidazinha, mas não força. Tentamos sempre corresponder, mas nem sempre conseguimos na correria do dia a dia atarefado! Sinto que estou sempre aquém do que ela merece em termos de carinho e de honra. Também com Nossa Senhora é assim: espera por nós, sente nossa falta, sente saudades, mas não força, não reclama, aguarda uma atitude nossa. Nos protege, nos livra, intercede constantemente por nós e sempre nos respeita. Que neste dia das Mães possamos receber do alto uma graça especial: a graça de sermos filhos melhores para nossas mães! Filhos melhores para Maria Santíssima! Que sejamos gratos e saibamos reconhecer os inúmeros sacrifícios que nossas mães fizeram e fazem por nós! Que empenhemos nossa vida e missão em retribuição ao imenso sacrifício de amor que Maria nos concedeu: a oferta de Seu amado Filho na Cruz para a remissão dos nossos pecados. Amém! 


6 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 06


Minha relação com Nossa Senhora, assim como uma boa relação mãe e filha, é de intimidade, familiaridade, cumplicidade, confiança e muita simplicidade. Já viajamos só nós duas, temos nossas "coisinhas", nossos segredinhos, nossos costumes, nossas "piadas internas", nossas tradições particulares... coisas que só quem tem a graça de poder experimentar uma relação mãe e filha equilibrada e amorosa vai entender!  
Uma das particularidades dessa nossa convivência é a oração nos dedos. Já postei aqui nesse Blog a oração dos 5 dedos, muito ensinada pelo Papa Francisco (clique na imagem deste post: http://eutenhodeusedeusmetem.blogspot.com.br/2013/03/oito-dicas-para-ensinar-seus-filhos-ter.html) e nos meus momentos de oração, sozinha ou em família, numerosas vezes me utilizo dessa modalidade. Em várias circunstâncias é bom orar com o corpo, inclusive nos momentos de privacidade com Nossa Senhora! 
Desde pequenininha, como já testemunhei em outras postagens dessa empreitada de testemunhos nesse Mês Mariano, por influência de minha mãe Maria do Socorro, sempre estava muito em contato com Nossa Senhora. Lembro-me de que fazia muitas coisas na rua na companhia de minha mãe, resolvíamos coisas, pagamentos, compras, caminhávamos pra lá e pra cá nesta cidade de Sobradinho! E muitas vezes, ao final de tudo, voltávamos cansadas para casa, de mãos dadas, e minha mãe ia rezando o terço nos meus dedos. Eu amava aquilo! Achava carinhoso e fofo. E crescia a ternura por minha mãe Socorro e também pela minha Mãe do Céu, Maria!... 
Na juventude, conheci meu marido Juliano e a priori ficamos muito amigos. Uma das coisas que amava em nossa amizade era a religiosidade que estávamos descobrindo e construindo juntos! Frequentemente estávamos rezando o terço com os irmãos de caminhada e percebia que Juliano sempre rezava nos dedos. Eu disse para ele que tinha dificuldade de fazer aquilo, que sempre me perdia nas contas pequenas, que correspondem às Ave-Marias. Ele então me contou que tinha desenvolvido uma "técnica" especial para não se confundir: usava as falanges. Começava sempre pela ponta do dedo mindinho, até chegar na base: três Ave-Marias. Em seguida a ponta do anelar, até chegar na base: mais três Ave-Marias. E assim por diante, até chegar na ponta do indicador. Segundo ele, quando a gente formava o sinal de "OK", estava completa a nossa dezena: terceira dezena, "OK"! kkkkkk 
Achei muito engraçado, mas não é que a técnica é boa? Comecei a utilizar já naquela época e até hoje a utilizo, especialmente quando faço minhas caminhadas ou momentos em que não estou com o meu terço. Com ela nunca mais me perdi nas contas pequenas! Acabou se tornando como aqueles momentos da minha infância quando minha mãe Socorro usava meus dedos para rezar, mesmo sendo uma oração individual: estamos ali, eu e Maria, segurando minha mão! E quando eu e Juliano começamos a namorar, qual não foi minha surpresa quando em muitas vezes ele gostava de fazer como minha mãe fazia e também rezar o terço carinhosamente nos meus dedos! Ficou difícil não me apaixonar! 
O tempo foi passando e esse costume "familiar" se ampliou e passou a incluir os dedinhos dos nossos filhos também! Acabou sendo um hábito afetuoso da nossa privacidade com a Virgem Santíssima. É claro que inúmeras vezes nos utilizamos do Terço, cada um tem seu tercinho! Mas também em outras muitas vezes, quando nos unimos em volta de Nossa Senhora para rezar nossos terços, nos damos as mãos, e no aconchego da intimidade, passamos de Ave-Maria por Ave-Maria orando nos dedos uns dos outros. 
A devoção a Maria deve ser uma comunhão fraterna e afetiva. Não é tanto as exterioridades que contam mais, mas a vida escondida, as histórias de amor que vivemos com ela, individualmente ou em família, ou até mesmo em comunidade quando vivenciada com amor! Uma trajetória de devoção junto da Mãe Santíssima não se faz só de grandes milagres, mirabolantes livramentos, excepcionais experiências místicas, mas principalmente de cotidiano e de memórias, de uma verdadeira aproximação de Jesus por meio dela e na convivência com ela, de santificação real e conversão concreta. 
Não é assim que acontece com aqueles com quem vivemos bem de pertinho e que amamos mais?! Talvez 10% da coexistência são ocasiões extraordinárias. Os outros 90%, o que são? A vida, o dia a dia, as experiências ordinárias. Assim deve ser também nossa devoção mariana: talvez mais interior e menos exterior; talvez mais privacidade e menos "ostentação espiritual"; talvez mais profundidade e menos superficialidade; talvez mais orações nos dedos e menos blá blá blá...
Dá-nos a graça da desafetação em nosso relacionamento, Mãezinha do Céu! Dá-nos a bênção da descomplicação! Dá-nos a simplicidade em te amar, em conviver com a Senhora e com seu Santo Filho! Dá-nos uma autêntica relação filial, próxima, íntima, leve, de fato espiritual e familiar! Sejamos diante da Senhora e de Nosso Senhor Jesus como crianças, como filhinhos, pois assim Ele ensinou que deve ser no Reino Dele! Amém!