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23 de maio de 2015

Pregar com amor


Deus sempre fala por Amor, Jesus pregou por amor. E seus discípulos, como devem pregar? Estas palavras nos levam a questionar: o que deve motivar o evangelizador a pregar e o que significa, em que consiste, pessoalmente, anunciar a Boa Nova com amor. Afinal, é preciso, antes de tudo, fazer a reflexão: por que eu me disponho a anunciar a Boa Nova? Por que é que eu estou nessa?
O que deve motivar o pregador a pregar, na minha opinião, é a experiência de amor que fez em sua vida, primeiro com Deus e depois com os irmãos. Deus me amou tanto, me perdoou, me curou, libertou... isso é maravilhoso! Uma vida nova, plena de amor, repleta de sentido... Todos deveriam poder experimentar isso!
            Sentimos então o chamado a anunciar essas verdades que são as únicas que podem fazer as pessoas verdadeiramente felizes. Anunciar essas verdades com amor significa me colocar no lugar das pessoas que estão recebendo esse meu anúncio, me lembrar que um dia já estive na situação de ouvinte, de ovelha perdida, com minhas dúvidas, medos, pecados e que um dia, por meio de alguém que pregava, me encontrei com esse Senhor que veio para nos dar vida em abundância, um sentido novo para viver.
            Por isso devemos anunciar a Boa Nova, este é o motivo: Deus nos amou primeiro, fomos capacitados a retribuir esse amor, essa experiência mudou nossas perspectivas para sempre, e todos deveriam poder vivenciar isso. Que o Espírito Santo possa nos usar sempre para tal, afinal, o Espírito é amor que une o Pai e o Filho e que se derrama sobre nós. Que nunca nos coloquemos a anunciar, pregar a Palavra levados por outro sentimento diferente do amor.
            Isso não quer dizer que, por conta de um sentimento de afeto, devamos cultivar o respeito humano e mitigar a força da verdade da Palavra de Deus, ou seja: por medo de ferir os sentimentos das pessoas ou desagradar certos grupos, lançar mão de “um discurso politicamente correto feito pra adocicar o Evangelho e ao contrário do que se pretende, prestar um desfavor a fé”, nas palavras de um sacerdote amigo meu, Pe. Luciano Carvalho. O Papa Bento XVI em sua Encíclica Caritas in Veritate afirma que “a verdade há-de ser procurada, encontrada e expressa na ‘economia’ da caridade, mas esta por sua vez há de ser compreendida, avaliada e praticada sob a luz da verdade. (...) Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo.” Não é no sentimentalismo que Deus age com profundidade, mas no poder da Verdade iluminada pelo Amor.
Grande desafio equilibrar esses dois pratos da balança, a verdade e o amor no exercício da evangelização, no momento do anúncio da Palavra! Só conduzidos pelo Espírito conseguiremos, assim como Jesus conseguiu conciliar perfeitamente em sua missão. Nesta balança, o amor tem prioridade, pois é o caminho mais excelente de todos; o maior dos dons é a caridade (1Cor 12, 31. 13, 13), mas a verdade não pode ser mitigada! 
Aprendi com o ministério de intercessão da RCC que a oração mais eficaz pelo outro é aquela que é feita de uma pessoa que ama para outra que é amada, em Espírito e em verdade. Da mesma forma, a pregação eficaz é aquela movida pelo amor, justificada no amor (a Deus e aos ouvintes) e executada com amor, igualmente em Espírito e em verdade. Como está escrito em 1 Cor 13 que mesmo que nós falássemos as línguas dos homens e dos anjos, sem amor, nossas palavras seriam como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine, que nossa pregação não valeria nada, seria inútil... Mas quando pregamos a verdade com amor, nossa pregação se torna útil não só para quem ouve, mas antes e muito mais para nós mesmos que pregamos, pois o ouvido mais próximo da nossa boca é o nosso. Eu tenho feito a experiência de pregar me vendo na multidão, pregar primeiro pra mim mesma e tenho colhido muitos frutos dessa prática.

            Ainda assim muitos obstáculos aparecem nessa caminhada do apostolado, nessa missão de anunciar, com amor, a Verdade que emana da Palavra de Deus para a salvação dos irmãos. Muitas vezes nos falta esse amor no ministério da pregação, em nossa missão em geral! Anunciamos a Palavra para tantas pessoas sofridas, oprimidas de todos os lados, pressionadas pelas exigências cotidianas! Nossa pregação deve ser totalmente imbuída da Verdade da Revelação, mas principalmente, deve ser expressada com respeito, com benignidade, compaixão, com ardor vinda do próprio Espírito de Amor! Como evangelizadores, precisamos transbordar amor e não ser mais um peso no coração de nossos irmãos e não ser um martelo na cabeça deles de acusação, julgamento e condenação. Verdade dita com Amor toca, converte, transforma, liberta! 
Novamente o Papa Emérito Bento XVI vem nos dizer que o amor pode nos ser exigido pois antes nos é dado. São João esclarece: o amor vem de Deus! (1 Jo 4, 7) É tarefa de toda a vida para os cristãos, especialmente para os que são chamados a pregação, ao anúncio, ao apostolado, amar não apenas com palavras e com a língua, mas antes de mais nada por atos e em verdade (1 Jo 3,18). Que Deus nos faça evangelizadores, pregadores, apóstolos do amor, por amor e com amor. Não de sentimentalismos e do respeito humano, mas com o amor verdadeiro que deseja o bem do outro ainda que isso contrarie suas vontades e questione seu proceder. Em nome de Jesus, amém!

22 de abril de 2015

A ESPIRITUALIDADE MISSIONÁRIA



A atividade missionária exige uma espiritualidade específica, que diz respeito de modo particular, a quantos Deus chamou a serem missionários.

Deixar-se conduzir pelo Espírito

Tal espiritualidade exprime-se, antes de mais, no viver em plena docilidade ao Espírito, e em deixar-se plasmar interiormente por Ele, para se tornar cada vez mais semelhante a Cristo. Não se pode testemunhar Cristo sem espelhar a Sua imagem, que é gravada em nós por obra e graça do Espírito. A docilidade ao Espírito permitirá acolher os dons da fortaleza e do discernimento, que são traços essenciais da espiritualidade missionária.

Paradigmático é o caso dos Apóstolos, que durante a vida pública do Mestre, apesar do seu amor por Ele e da generosidade da resposta ao Seu chamamento, se mostram incapazes de compreender as Suas palavras, e renitentes em segui-Lo pelo caminho do sofrimento e da humilhação. O Espírito transformá-los-á em testemunhas corajosas de Cristo e anunciadores esclarecidos da Sua Palavra: será o Espírito que os conduzirá pelos caminhos árduos e novos da missão.


Hoje a missão continua a ser difícil e complexa, como no passado, e requer igualmente a coragem e a luz do Espírito: vivemos tantas vezes o drama da primitiva comunidade cristã, que via forças descrentes e hostis “coligarem-se contra o Senhor e contra o seu Cristo” (At 4, 26). Como então, hoje é necessário rezar para que Deus nos conceda o entusiasmo para proclamar o Evangelho. Temos de perscrutar os caminhos misteriosos do Espírito e, por Ele, nos deixarmos conduzir para a verdade total (cf. Jo 16, 13).

Fonte: Carta Encíclica Redemptoris Missio, de São João Paulo II, § 87. 

20 de abril de 2015

Desculpa tomar seu tempo, mas precisava te falar!

O Papa Bento XVI um dia se desculpou numa entrevista em que os organizadores tinham destinado a ele tão pouco tempo para falar naquela ocasião que ele iria optar por falar das coisas "que são" em detrimento das coisas "que não são". Então já inicio esse texto me desculpando:



Precisava te falar sobre o bem, sobre fé, sobre o que realmente importa! Optemos sempre por falar das coisas "que são": verdade, vida, caminho, amor, Jesus, Jesus, Jesus!... Seja num vídeo, seja num twitter, seja no face ou no blog. Seja na escola, na balada, no esporte/academia, no supermercado, no almoço da família...

São Paulo afirmava aos Coríntios: Eu cri, por isto falei (2 Cor 4, 13). Nós cremos? Jesus faz parte da nossa vida? Nós acreditamos, concordamos com o que Ele propõe nos Evangelhos? Nós temos fé de que Ele não está morto mas vive e voltará? Temos confiança de que Ele nos ama, cuida de nós e quer que todos se salvem? Nossa vida está permeada do Evangelho? Então devemos falar, oportuna e inoportunamente (2 Tim 4, 2), sempre com educação e paciência, simplesmente por que isso faz parte de nossa vida, por que isso é essencial para nós.

Muitas vezes, por respeito humano nos calamos, nos omitimos ou até disfarçamos nossas convicções traindo a nós mesmos e também Aquele que cremos. O livro do Eclesiástico nos traz muitos versículos preciosos sobre esse tema, dos quais destaco os seguintes:

“Meu filho, aproveita-te do tempo, evita o mal; para o bem de tua alma, não te envergonhes de dizer a verdade, pois há uma vergonha que conduz ao pecado, e uma vergonha que atrai glória e graça. Em teu próprio prejuízo não te mostres parcial, não mintas em prejuízo de tua alma. Não tenhas complacência com as fragilidade do próximo, não retenhas uma palavra que pode ser salutar, não escondas tua sabedoria pela tua vaidade. Pois a sabedoria faz-se distinguir pela língua; o bom senso, o saber e a doutrina, pela palavra do sábio; e a firmeza, pelos atos de justiça. Não contradigas de nenhum modo a verdade.” (Eclo 4, 23-30)

Precisamos assumir que, pelo Batismo, temos o dever de anunciar e denunciar. Não é fácil ser profeta, mas se não falarmos as pedras hão de falar! (Lc 19, 49). Sabemos que o mundo e os que são do mundo não vão gostar, mas felizmente temos liberdade religiosa e de expressão em nosso país e temos que aproveitar! As trevas nos odiarão por falarmos de luz, mas não podemos calar. Uma amiga uma vez me disse e disso eu nunca me esqueci: “o mundo não vai calar o pecado, não vai calar a violência, não vai calar a promiscuidade... e nós é que temos que silenciar?” De jeito nenhum. Me desculpa, mas eu precisava te falar de fé!

Não podemos calar e temos que nos preparar para as consequências desse falar. O discípulo não é maior o que o Senhor e se perseguiram Jesus, se o hostilizaram, se o recriminaram, prenderam e mataram, precisamos saber o que nos espera. “Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior do que o seu senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir” (João 15, 19-20). “Sereis entregues aos tormentos, matar-vos-ão e sereis por minha causa objeto de ódio para todas as nações. Muitos sucumbirão, trair-se-ão mutuamente e mutuamente se odiarão. Levantar-se-ão muitos falsos profetas e seduzirão a muitos. E, ante o progresso crescente da iniqüidade, a caridade de muitos esfriará. Entretanto, aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24, 9-13). Seremos considerados chatos, inconvenientes, caretas, carolas, fanáticos, fundamentalistas, mas precisamos falar, precisamos anunciar, precisamos postar, comentar, precisamos denunciar e anunciar! Me desculpa, mas precisava te falar do que meu coração transborda (Mt 12, 34)!

No livro do profeta Jeremias, capítulo 20, versículo 7, há uma poesia que, descontextualizada, parece apenas uma grande declaração de amor ao Senhor: “Seduziste-me, Senhor; e eu me deixei seduzir! Dominastes-me e obtiveste triunfo.” Que lindo! A relação tão íntima do profeta com Deus! Mas se contextualizarmos esses versículos, perceberemos que se trata antes de um lamento, de uma queixa cheia de dor do profeta. Nos versículos seguintes, ele continua: “Cada vez que falo é para proclamar a aproximação da violência e devastação. E dia a dia a palavra do Senhor converte-se para mim em insultos e escárnios. E, a mim mesmo, eu disse: Não mais o mencionarei e nem falarei em seu nome.” (Jr 20, 8-9a)

Muitas vezes exercer o múnus de profeta é desgastante. Nadar contra a corrente pode ser desanimador. Se lermos a história de Jeremias, por exemplo, vemos que seu próprio povo, seus consanguíneos, seus amigos se irritaram com ele, o insultaram, o prenderam, açoitaram, jogaram-no numa cisterna e ele sofreu muito, inclusive prefigurando Jesus. Muitas vezes eu e você nos vemos nessa situação de sermos excluídos em nossa própria família, sermos insultados na vizinhança, zombados entre os amigos, perseguidos no trabalho. Gradativamente sofremos o martírio! O martírio da ridicularização de que tanto falava Bento XVI. E, para alguns irmãos, até mesmo o martírio vermelho mais cruel e violento como temos acompanhado na África e Oriente Médio.

Mesmo assim, vou insistir: Desculpa, precisava te falar de Deus! Que outra opção tenho? Que outra opção temos a não ser insistir nesse “assunto”? Pois conhecemos a Verdade! Conhecemos o Caminho! Conhecemos a Vida! Conhecemos a Luz! Nós vimos o Senhor! Somos suas testemunhas! Sabemos que Ele é poder, que Ele é misericórdia, que Ele é a única salvação! O Senhor vive em nós, queima em nós, nos movimenta, nos incomoda, nos inspira, nos exorta: como não falar? E o profeta Jeremias expressa isso muito bem: “Mas em meu seio havia um fogo devorador que se me encerrara nos ossos. Esgotei-me em refreá-lo, e não o consegui.” (Jr 20, 9b)

Por isso, meu irmão e minha irmã, eu te incito: FALA. Aproveite as oportunidades que Deus te dá e FALA. Aproveite os tempos e espaços que te são concedidos e leve o Evangelho, leve a Palavra de Deus. Se for o whatsapp, aproveite. Se for o twitter, então tuíte Deus mais que todo o resto! Se for a fila da padaria, na viagem de ônibus, no post do facebook, com o microfone do seu grupo de oração, no terço em família... FALA! ANUNCIA! Fale de Jesus, fale da Bíblia, fale da fé que você vive!

Obviamente é condição sine qua non para o anúncio a busca sincera em viver a Palavra, a intimidade com a Sagrada Escritura, a vida de oração pessoal, o serviço na comunidade, o testemunho de vida! O Santo Papa Francisco tuitou recentemente: “Podemos levar o Evangelho aos outros, se ele permear profundamente a nossa vida.” Se sua caminhada é instável, pelo amor de Deus: se cale. Procure primeiro viver antes de querer falar qualquer coisa. Como afirma o mainstream e com toda razão “as palavras convencem mas o testemunho arrasta”. São Francisco dizia: “Pregue sempre o Evangelho, e quando for necessário, use palavras.” Com que moral pretendemos ser profetas, alardeando os ciscos nos olhos dos outros e ignorando as traves dos nossos? (Mt 7, 5) 

Não se trata de sermos perfeitos, disso não seremos capazes nessa terra. São João afirma que aquele que acha que não tem pecado se ilude e é mentiroso (1 Jo 1, 8), mas se trata antes de lutar para não cair. Na oração do Pai Nosso, Jesus não nos ensinou a pedir “Pai, que não haja tentações na minha vida”, mas sim para que nós não caíssemos em tentação. Há uma luta dentro de nós entre o espírito e a carne e por causa disso não fazemos o bem que queremos mas sim o mal que não queremos (Rm 7, 19). Mesmo pecadores, devemos lutar para sermos dignos de anunciar a Palavra! Devemos desejar e buscar sermos perfeitos como o Pai Celeste é perfeito (Mt 5, 48). Devemos sempre nos arrepender, reconhecer nossos pecados na certeza de que “Deus é fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniquidade” (1 Jo 1, 9). Sim, eu sei, sou cheia de defeitos, luto muito contra minhas más tendências e caio frequentemente, mas desculpa: eu vou te falar de Céu, vou de falar de conversão, vou te falar de PHN (por hoje não vou pecar)!

Nossa fraqueza não pode ser desculpa para que nos omitamos da nossa obrigação de falar, de denunciar as obras das trevas e anunciar a bondade de Deus. As pessoas necessitam da Palavra! É como diz a música: “Tantas vidas a salvar, se não for por mim, por quem será?”! Precisamos sim, fazer de tudo para que sejamos “irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde devemos brilhar como luzeiros no mundo, a ostentar a Palavra da vida” (Fl 2, 15-16), tendo consciência da nossa miséria e confiando que Deus age em nossa fraqueza em favor de seus filhos dispersos e perdidos. Mas “como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue” (Rm 10, 14)? É preciso superar a timidez, o medo, as falsas humildades e assumir com coragem o anúncio daquilo que cremos e falar, escrever, teclar.

Pago um preço alto por ser fiel aos meus princípios e não me omitir. Dói a rejeição e a hostilidade, mas durmo em paz à noite. Eu sinto muitas vezes o temor de polemizar, de desagradar, mas tento fazer um filtro (pensando em utilidade e conveniência) e mesmo temendo ofender quem eu amo para ser autêntica e coerente, falo assim mesmo muitas coisas. Eu amo muitas pessoas das quais discordo e entendo que elas também tem o direito de discordar de mim e de manifestar essa discordância como quiserem, seja cara a cara, seja virtualmente. Não me ofendo e apenas espero reciprocidade... Vou pedindo desculpas, vou pedindo licença e vou falando, agradando ou desagradando, não posso me calar: ...“precisava te falar uma coisa!”...

Analiso constantemente minha conduta, meu testemunho e realmente me vejo em meio a grandes dilemas encarando minhas misérias e o quanto ainda sou indigna da Palavra que muitas vezes me vejo a anunciar, mas simplesmente não posso me calar e nem desistir, pois dentro de mim existe aquele fogo devorador de que “reclamava” Jeremias, vivo, incômodo que não me deixa em paz! Existe no meu coração uma Voz que não se cala e que me provoca quando vejo mentiras, injustiças, leviandades. Existe na minha mente uma Luz que não se conforma em assistir pessoas se destruindo no pecado, se desviando do Caminho que as fará verdadeiramente felizes e indo em direção às trevas.

E no mais, é nosso dever e salvação dá glórias e Deus e ser mensageiro de Sua Vontade e não das minhas fugazes opiniões: “Anunciar o Evangelho não é glória para mim; é uma obrigação que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho! Se o fizesse de minha iniciativa, mereceria recompensa. Se o faço independentemente de minha vontade, é uma missão que me foi imposta (1 Cor 9, 16-17).

As coisas que vivi com o Senhor me “obrigam” a anunciá-Lo. É uma obrigação de amor, de gratidão, de consideração. Como não anunciar depois de tudo o que vivemos juntos, depois de tudo o que Ele já fez em minha vida e na vida de minha família? Como não anunciar a Palavra depois de tudo o que já vi o Senhor realizar no meio do seu povo? Então eu falo, me desculpa, mas eu vou falar. Perdoem-me os ouvintes, leitores, pessoas que convivem comigo. Preciso viver minha fé, e preciso falar de Deus. Eu O amo! Eu sou Dele e Ele é meu. Preciso falar e falarei. 

1 de fevereiro de 2015

Sobre caniços rachados e chamas fumegantes


Isaías 42, 1-3: "Eis meu Servo que eu amparo, meu eleito ao qual dou toda a minha afeição, faço repousar sobre ele meu espírito, para que leve às nações a verdadeira religião. Ele não grita, nunca eleva a voz, não clama nas ruas. Não quebrará o caniço rachado, não extinguirá a mecha que ainda fumega. Anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião; não desanimará, nem desfalecerá, até que tenha estabelecido a verdadeira religião sobre a terra, e até que as ilhas desejem seus ensinamentos." Esta é a passagem de Isaías que se intitula o Servo, e que  a cerca de 700 anos antes de Cristo, já O anunciava. Expressa a missão do Messias, o Ungido pelo Espírito de Deus: levar às nações a verdadeira religião.
Descreve o jeito de ser de Jesus e a maneira como Ele agirá, a maneira como ele levará a termo essa missão que assumiu: com simplicidade, mansidão, gradativamente, e com uma persistência digna de nota. O objetivo Dele é levar a verdadeira religião a todo mundo, mas como, de que maneira Ele optou por fazer isso? Resposta: sem gritar, sem elevar a voz, sem clamar nas ruas. Ou seja, como se anuncia alguma coisa sem se exaltar? Sendo! Jesus foi o mensageiro, mas mais do que isso, Ele era a própria mensagem. Sua vida, seu testemunho, seu ser... Ele era a Verdadeira Religião. ELE É A VERDADEIRA RELIGIÃO.
Quando diz: não quebrará o caniço rachado, ora... imagine um caniço rachado! Um caniço é um pedaço de cana, mas fininho. Imagine uma varetinha, pequena, fina, frágil, e além de tudo, rachada. Para que serve um caniço rachado? Numa visão superficial e pragmática, diríamos logo: “não serve para nada! Quebra logo e joga fora!” Pois bem, "o Servo" descrito por Isaías, Jesus nosso Salvador, não quebrará o caniço rachado.
Imagine uma chama, bem fraquinha, quase morrendo... só fumengando, só soltando aquela tênue fumacinha, quase apagando mas ainda acesa. Pois bem, "o Servo", Jesus, não extinguirá essa chama, ele não apagará essa pequena chaminha que já solta fumaça e tende a apagar, mas não se extingue. Nosso Senhor não foi e não é do tipo que quebra, extingue as coisas ainda que muito frágeis e quase acabando, não é do tipo que aniquila nada, mas restaura, reconstrói, ajeita. Seu Inimigo sim, veio para matar, roubar e destruir (Jo 10,10), mas o Senhor é construtor! Mais que isso: ele é a pedra angular! (Mt 21, 42; Atos 4, 11)
Quando diz que anunciará com toda a franqueza a verdadeira religião, supomos que não iludirá o caniço sobre sua condição “rachada” e nem disfarçará para a chama sua vulnerabilidade, mas seguirá anunciando a verdade que liberta pois Ele mesmo É A VERDADE (Jo 14, 6). A condição dos caniços e chamas não fará com que Ele desanime, nem desfaleça, até que tenha cumprido seu objetivo. Nossa humanidade tende a desistência. Facilmente taxamos as pessoas de “pau que nasce torto”; as situações de “não tem mais jeito” mas o Senhor não. Ele não desanimará nem desfalecerá enquanto não tiver “religado” todos e cada um a sua origem e seu fim (posto que religião etimologicamente significa religar).

Para isso Cristo veio, para religar-nos ao Pai, nosso Criador: ninguém vai ao Pai senão por meio Dele (Jo 14, 6). Com Sua Paixão, Morte e Ressurreição estabeleu a verdadeira religião sobre essa terra e encarregou todos que Nele creem de anunciar até os confins da terra, dando testemunho de sua fé, sob a ação do mesmo Espírito que o ungiu (Atos 1,8). Com isso precisamos nos comprometer e ter essa fé de que nós mesmos temos jeito sim! Mesmo se nos sentirmos como caniços rachados e chamas fumegantes, Ele jamais desanima e desfalece: ELE NÃO DESISTIRÁ DE NÓS. E nós não devemos desistir de nós mesmos, das pessoas que amamos, do nosso casamento, da nossa família, da comunidade, da evangelização. Temos que ser imitadores desse “Servo” descrito em Isaías, temos que ser imitadores de Cristo (Ef 5,1), não apenas como servos, mas como filhos muito amados de Deus, como amigos pessoais Dele (Jo 15, 15), temos que imitar sua maneira de agir e sua persistência para alcançarmos esse que deve ser o nosso objetivo nº 1 de vida: estabelecer a verdadeira religião sobre a terra e vivâ-la dignamente até que alcancemos a Jerusalém Celeste na volta do Senhor.