Blog Católico. Relatos em forma de partilha de uma caminhada espiritual no seio da Santa Mãe Igreja.
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17 de setembro de 2014
Carta de Jesus para você
Eu escrevo da minha cruz à sua solidão. A você, que tantas vezes olhou para mim sem me ver e me ouviu sem me escutar. A você, que tantas vezes prometeu me seguir de perto e, sem saber por quê, se distanciou das pegadas que lhe deixei no mundo para que você não se perdesse.
A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me procura sem me achar e às vezes perde a esperança em me encontrar. A você, que de vez em quando pensa que eu sou apenas uma lembrança e não compreende que estou vivo.
Eu sou o começo e o fim; sou o caminho para você não se desviar, a verdade para que você não erre, e a vida para que você não morra. Meu tema favorito é o
amor, que foi minha razão para viver e para morrer.
Eu fui livre até o fim; tive um ideal claro e o defendi com o meu sangue para salvar você. Fui mestre e servidor, sou sensível à amizade e há muito tempo espero pela sua.
Ninguém como eu conhece sua alma, seus pensamentos, seu proceder, e sei muito bem quão grande é o seu valor. Sei que talvez sua vida pareça pobre aos olhos do mundo, mas sei também que você tem muito para dar, e tenho certeza de que, dentro do seu coração, há um tesouro escondido: conheça-se e então você reservará um lugar para mim.
Se você soubesse quanto tempo faz que bato à porta do seu coração e não recebo resposta! Às vezes sofro quando você me ignora e me condena, como Pilatos; também sofro quando você me nega, como Pedro; e quando me trai, como Judas.
Hoje, eu lhe peço que se una à minha dor, que carregue sua pequena cruz junto à minha. Peço-lhe paciência com relação aos seus inimigos, amor ao seu cônjuge, responsabilidade com seus filhos, tolerância com os idosos, compreensão com seus irmãos, compaixão pelo que sofre, serviço com todos, assim como eu vivi e lhe ensinei.
Eu não gostaria de voltar a vê-lo egoísta, rebelde, inconformado, pessimista. Gostaria que sua vida fosse alegre, sempre jovem e cristã. Cada vez que você desanimar, procure-me e me encontrará; cada vez que você se sentir cansado, converse comigo, conte-me seus problemas.
Cada vez que você achar que não serve para nada, não se deprima, não se ache inferior, não se esqueça de que precisarei da sua pequenez para entrar na alma do seu próximo.
Cada vez que você se sentir sozinho na estrada, não se esqueça de que estou com você. Não se canse de me pedir, que eu não me cansarei de lhe dar; não se canse de me seguir, que eu não me cansarei de acompanhar você.
Nunca o deixarei sozinho.
Fonte: Oleada Joven
14 de setembro de 2014
Eu amo a mensagem da Cruz
Na festa da exaltação da Santa Cruz, recordo das palavras sábias do meu pároco na homilia: "A meditação da Cruz de Cristo deve nos remeter à meditação das nossas próprias cruzes". Em dias em que usar a cruz leva pessoas a perderem o emprego ou literalmente a cabeça, as palavras de São Paulo são cada vez mais verdadeiras e atuais: "A linguagem da cruz é LOUCURA para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina." (1 Cor 1, 18)
Loucura. O mundo considera a Cruz loucura, morte, fracasso, ficção, exagero, desnecessária, dispensável, ofensiva. Ateus e outras denominações religiosas se ofendem em ver uma cruz em local público, não aceitam o que consideram um proselitismo desrespeitoso a laicidade do país. A Cruz é considerada cafona, fanatismo, falta de instrução ou inteligência. O mundo rejeita a Cruz e seu simbolismo com toda hostilidade.
Bom, nosso país ainda é uma democracia, graças a Deus não é um país ateu (nem por seu povo nem por sua Constituição) e não se pode ignorar que é um país massivamente cristão. Enquanto cidadã brasileira eu tenho o direito de me expressar religiosamente e quero pedir licença: eu me prosto sob a Cruz de Cristo. Eu a uso, eu a tenho em minha casa, eu a quero em locais públicos. Faço questão que minha voz seja ouvida, faço questão de não ser ignorada. É um símbolo de fé, símbolo da religiosidade de milhões de compratiotas, recordação de uma acontecimento histórico relevante mundialmente (isso é inegável!), símbolo do que a falta de uma justiça imparcial pode fazer com os homens.
16 de abril de 2013
Vós sempre resististes ao Espírito Santo!
“Homens de cabeça dura,
insensíveis e incircuncisos de coração e ouvido! Vós sempre resististes ao
Espírito Santo!” (Atos 7, 51) Assim dizia Santo Estêvão, instantes antes de
morrer por sua Fé em Cristo.
Sobre essa perícope, o
Missal cotidiano da Assembleia Cristã (Ed. Paulus, pg. 383-384) ensina que o
Proto-mártir evidencia em suas palavras toda a recusa e rejeição do povo que,
em sua trágica aventura ao longo da história da salvação diz “não” a Deus. O
ápice dessa negação é a Cruz para Cristo. Explica o Missal que “Estêvão não
morre apenas por Cristo, morre como Cristo e com Ele”.
Jesus numa ocasião perguntou
aos discípulos: “Para vocês, quem eu sou?” Foi Pedro, que também foi capaz de
morrer por Cristo, como Cristo e com Cristo, que respondeu corretamente: “Tu és
o Cristo!”. Diante dessa resposta, Jesus afirmou: “É necessário que o Filho do
Homem padeça muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos
sacerdotes e pelos escribas. É necessário que seja levado à morte e que
ressuscite ao terceiro dia. Se alguém quer vir após mim, renegue-se a si mesmo,
tome cada dia a sua cruz e siga-me. Porque, quem quiser salvar a sua vida,
perdê-la-á; mas quem sacrificar a sua vida por amor de mim, salvá-la-á” (Lc 9,
22-24).
Que proposta complicada!
Jesus nos manda renunciarmos a nós mesmos; o mundo manda que valorizemos a nós
em primeiríssimo lugar, sempre mais e mais. Ele nos manda tomarmos a nossa
cruz, Satanás quer nos influenciar o tempo inteiro para que lancemos fora
nossas Cruzes e gozemos livremente dos prazeres dessa vida. O Mestre
convida-nos a segui-Lo, mas nossa carne com suas concupiscências muitas vezes
quer trilhar outros caminhos, e não O Caminho que é Ele mesmo: Jesus!
Por nós mesmos, jamais
conseguiremos cumprir essa proposta de Jesus! Por nossos méritos, nunca
conseguiremos nos renegar, tomar cruz nenhuma e nem seguir o Mestre! Somos
fracos, medrosos, vaidosos demais, preocupados apenas com nosso bem-estar... Somos,
como acusou Estêvão, de fato cabeças-dura, insensíveis e “incircuncisos de
coração e ouvido”! Resistimos a Deus, resistimos a Cristo, resistimos ao
Espírito Santo, recusamos a proposta que nos traz a Palavra de Deus! Como renunciar a mim mesmo? Nossa carne canta como o antigo rock nacional:
“Eu me amo, eu me amo, não posso mais viver sem mim!” Como tomar cruz? CRUZ?
Sacrifício causa-nos horror! Tudo o que buscamos nessa vida é não ter dores,
não sofrer! Seguir Jesus?
Bom, somos cristãos... Daí,
infere-se, queremos seguir Jesus. Ele mesmo explicita: SE ALGUÉM ME QUISER
SEGUIR, só se quiser... Mas queremos segui-Lo bem tranquilos, com muito amor,
muita luz, estrelinhas, numa rede tomando coca-cola, daqui do alto das nossas
teorias, indo para a Igreja uma vez por semana, suportando uma homilia de no
máximo 15 minutos, não perdoado mesmo quando nós também precisamos de perdão...
Como estamos próximos do
Sinédrio e distantes de Estêvão!!!
Mas como poderemos nos
assemelhar a sua heróica adesão a Cristo, chegando ao ponto do martírio? Como
seria possível a nós, pobres mortais, pecadores, com nossas vidas tão corridas,
sempre ocupados conosco mesmos? Essa questão parece um túnel sem a luz no fim
do túnel!
A resposta é simples:
estando cheios do Espírito Santo. Sem Ele, nada pode ser feito. Com Ele, o
impossível se torna possível. Se assim não fosse, não nos teríamos garantido
Jesus quando exclamou que maiores obras nós faríamos se tivéssemos fé, e que
Ele nos enviaria o Espírito Paráclito, o Espírito da Verdade, que ficaria
conosco eternamente, que permaneceria conosco e, mais do que isso, EM nós! (Jo
14, 12.16-17)
Em Atos capítulo 6,
versículos 8, 10 e 15, e capítulo 7, versículo 55, podemos perceber como
Estêvão estava cheio do Espírito Santo!
Estêvão,
cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo.
Não
podiam, porém, resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava.
Fixando
nele os olhos, todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante
ao de um anjo.
Mas,
cheio do Espírito Santo, Estêvão fitou o céu e viu a glória de Deus e Jesus de
pé à direita de Deus.
E nós?
Papa Francisco em mais uma
de suas profundas homilias na Capela da Casa de Santa Marta (16/04/2013) no Vaticano,
falando sobre esse trecho do Atos, afirmou: “Ao que parece, hoje o Espírito
Santo nos incomoda, porque nos incentiva, empurra a Igreja para que vá adiante.
E nós queremos que ele adormeça, queremos domesticá-lo, e isto não é bom porque
Ele é Deus e é a força que nos consola, a força para prosseguirmos. Mas seguir
avante dificulta... a comodidade é melhor!”
Com certeza não é assim que
queremos evoluir na vida, não é assim que nos contentaremos em seguir a Cristo!
Precisamos desestacionar! O Espírito quer nos mover, por que teimar em ficar paralisado,
endurecidos, centrados em nós mesmos, focados nas nossas quedas? Levantemos,
irmãos! Saiamos de nossas comodidades! Circuncidemos nossos corações e nossos ouvidos
e, a partir de agora, paremos de uma vez por todas de resistir ao movimento do
Espírito em nossas vidas! Renunciemos a toda imobilidade, espiritual ou humana
em geral, tomemos nossas cruzes e sigamos o Mestre! Seguir implica em sair do
lugar: avante! Obedeçamosas advertências do nosso Papa Francisco nessa mesma
homilia citada acima: “Não oponhamos resistência ao Espírito. É Ele que nos
liberta. Caminhemos na estrada da docilidade do Espírito Santo, no caminho da
santidade da Igreja!”
É difícil? Claro! Se fosse
fácil, o Reino de Deus já estaria implantado plenamente, mas não, não é
fácil... É impossível? Com o Espírito, eu creio com toda fé: nada é impossível!
Então repito as palavras de Moisés Azevedo, fundador da Comunidade Shalom: “Sim,
Pai, não é fácil! Mas EU DESEJO, EU QUERO, EU VOU!”
25 de março de 2013
Cruz: A vitória sobre a Morte e o Inferno
Celebramos a festa da
cruz; por ela as trevas são repelidas e volta a luz. Celebramos a festa da cruz
e junto com o Crucificado somos levados para o alto a fim de que, abandonando a
terra com o pecado, obtenhamos os céus. A posse da cruz é tão grande e de tão
imenso valor que seu possuidor possui um tesouro. Chamo, com razão, tesouro
aquilo que há de mais belo entre todos os bens pelo conteúdo e pela fama. Nele,
por ele e para ele reside toda a nossa salvação, e é restituída ao seu estado
original.
Se não houvesse a
cruz, Cristo não seria crucificado. Se não houvesse a cruz, a vida não seria
pregada ao lenho com cravos. Se a vida não tivesse sido cravada, não brotariam
do lado as fontes da imortalidade, o sangue e a água, que lavam o mundo. Não
teria sido rasgado o documento do pecado, não teríamos sido declarados livres,
não teríamos provado da árvore da vida, não se teria aberto o paraíso. Se não
houvesse a cruz, a morte não teria sido vencida e não teria sido derrotado o
inferno.
É, portanto, grande e
preciosa a cruz. Grande, sim, porque por ela grandes bens se tornaram
realidade; e tanto maiores quanto – pelos milagres e sofrimentos de Cristo –
tanto mais excelentes quinhões serão distribuídos. Preciosa também porque a
cruz é paixão e vitória de Deus: paixão, pela morte voluntária nesta mesma
paixão e vitória porque o diabo é ferido e com ele a morte é vencida. Assim,
arrebentadas as prisões dos infernos, a cruz também se tornou a comum salvação
de todo o mundo.
É chamada ainda de
glória de Cristo, e dita a exaltação de Cristo. Vemo-la como cálice desejável e
o termo dos sofrimentos que Cristo suportou por nós. Que a cruz seja a glória
de Cristo, escuta-O a dizer: Agora, o Filho do homem é glorificado e nele Deus
é glorificado e logo o glorificará (Jo 13,31-32). E de novo: Glorifica-me tu,
Pai, com a glória que tinha junto de ti antes que o mundo existisse (Jo 17,5).
E repete: Pai, glorifica teu nome. Desceu então do céu uma voz: Glorifiquei-o e
tornarei a glorificar (Jo 12,28), indicando aquela glória que então alcançou na
cruz.
Que ainda a cruz seja
a exaltação de Cristo, escuta o que Ele próprio diz: Quando eu for exaltado,
atrairei então todos a mim (cf. Jo 12,32). Bem vês que a cruz é a glória e a
exaltação de Cristo.
Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo. Fonte: www.divinooleiro.com.br
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