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10 de abril de 2016

PARA TUDO! Você precisa ler a Amoris Laetitia!


Preciso compartilhar com vocês o meu encantamento com a nova Exortação Apóstólica de Francisco, a Amoris Laetitia, “a Alegria do amor”, que título mais fofo, diga-se de passagem! Como de costume, recebi a notícia da sua apresentação pelo Facebook e fui logo compartilhando e acessando. Após os dois Sínodos sobre a Família convocados pelo Papa em 2014 e 2015, ele então organiza e apresenta seus resultados e análises ao Clero, aos esposos cristãos e a todos os fiéis esta pérola de sua produção pontifícia.

Estava eu, no Hospital Brasília, após procedimento cirúrgico de retirada de vesícula, bem tranquilamente perfurada no abdômen e feliz com todos os analgésicos administrados pela competente equipe hospitalar, quando, após a “dieta branda” gentilmente liberada pelo meu eficiente e especialmente bem humorado na ocasião cirurgião Dr. Orlando Farias, vendo meu celular me recordei da recente apresentação do documento. Em meio a várias postagens de Whatsapp dizendo que tudo tinha corrido bem na cirurgia para família e amigos, resolvi trocar o Globo Repórter, um programa que sou fã, pela leitura de um artigo da Rádio Vaticano que exibia de maneira geral o conteúdo do documento papal.

O artigo em questão informava que a Exortação tinha nove capítulos e trazia um pequeno resumo do conteúdo de cada um. Logo fiquei mais interessada ainda, posto que, antes de mais nada, família é um assunto que sempre me seduziu. Em segundo lugar, apreciei muito a maneira como foi organizado o texto, os pontos elegidos para cada capítulo e a abordagem do Papa sobre cada um. E por último, uma foto do Papa Francisco rindo até se virar um pouco para trás diante de um casal de noivos já me enterneceu e me atraiu para o pensamento: como eu amo esse Papa! Tenho que ler logo essa carta para não correr o risco de me atrapalhar na imensidão das outras leituras que preciso fazer!


Enfim, caí no sono. Mas por volta das 23hs, um pouco mais um pouco menos, veio me despertar a técnica de enfermagem com a medição dos sinais vitais e administração de mais abençoados medicamentos. Resultado: perdi o sono. Pedi então ao meu amado acompanhante, meu marido Juliano, que pegasse para mim meu computador para que eu pudesse, sei lá, dar uma olhadinha sem compromisso na Amoris Laetitia, até que o sono voltasse. Para resumir: a leitura foi tão maravilhosa que não consegui parar de ler até que o dia amanhecesse e eu tivesse concluído! Não obstante o Papa tenha recomendado logo no início da carta que, por causa da sua extensão, que fosse lida aos poucos, foi mal, Francisco: não deu!

A cada parágrafo o Espírito ia me recordando situações muito íntimas, do meu próprio casamento e da criação dos meus filhos. Também ia pensando nos inúmeros casais que me procuram com dificuldades e crises familiares e matrimoniais e sonhando: “preciso dar essa encíclica para fulano; preciso ler isso com beltrano, isso tem tudo a ver com o que ela está passando”, etc... Fiquei almejando um clube do livro com essa exortação com meus amigos casados, planejando e já me frustrando com a provável falta de adesão da parte deles (nunca temos tempo para nada na correria que vivemos!)... Mas, de fato, fiquei tão animada com o conteúdo que já me pus a planejar alguma maneira de divulgar esse tesouro que é a Amoris Laetitia!

E a primeira maneira, mais simples, é exatamente essa: uma postagem no Blog para passar a todos que, por acaso ou por Providência leem essas linhas, toda a minha empolgação com essa Exortação Apostólica Pós-Sinodal ! Gente, LEIAM! Impressionante o quanto é prática, concreta, pastoral, quase uma receita para refletir e agir da parte de Deus, por meio do Papa, para a Igreja de hoje e penso que não só para a Igreja, mas para toda e qualquer família, de qualquer lugar e qualquer tempo, em especial na parte em que se dirige aos cônjuges e aos filhos. Se você for solteiro(a): LEIA. Se for casado: LEIA. Se tiver filhos: LEIA. Se for filho: LEIA. Se for católico(a): LEIA. Se for só cristão: LEIA. Se for ateu, espírita, budista, esotérico ou tudo junto e misturado: VALE A PENA LER.

Com certeza não vou desistir de propor o clube do livro, ainda que não saia nada. Pelo menos meu marido vai ler, ahhh se vai! rs rs rs... Já tenho algumas pessoas a quem vou comprar e dar de presente e, se mesmo assim eles não fizerem a leitura, aí já é problema deles: eu fiz minha parte! Sinto, do fundo do coração, que as palavras dessa Exortação não podem passar despercebidas: elas precisam chegar aos seus destinatários! Nenhuma palavra daquela pode cair por terra! Essas reflexões e orientações precisam chegar em seu destino: nossos corações, nossos casamentos, nossas casas, nossa comunidades! Façamos algo nesse sentido: empenhemo-nos em ler, estudar, divulgar, compartilhar essa riqueza espiritual da Amoris Laetitia!

"Pai de Misericórdia, neste ano jubilar, que Teu Espírito de sabedoria conduza seus filhos, os casais, as famílias, o clero, as comunidades para a leitura e vivência da Amoris Laetitia! Que Tua Vontade para as família nos dias de hoje seja conhecida, seja compartilhada, seja anunciada, seja divulgada e chegue aos corações das pessoas! Isto eu te peço pelo nome santo e poderoso de Seu Filho e Nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da intercessão da Santa família de Nazaré, Nossa Senhora e São José, amém!" 

Link para acessar a Exortação Amoris Laetitia: http://w2.vatican.va/content/dam/francesco/pdf/apost_exhortations/documents/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia_po.pdf 

11 de julho de 2014

Que seja pra sempre



Existe um rock nacional que canta: "Eu sei que é pra sempre / Enquanto durar / Eu peço somente / O que eu puder dar"... Vemos no refrão a paráfrase do verso famoso do Soneto da Fidelidade de Vinícius de Morais: "Eu possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure."


A doutrina da Igreja Católica afirma que o verdadeiro amor é exclusivo e o vínculo matrimonial é indissolúvel (CIC 1638), e isso exclui o exercício da poligamia, infidelidade, adultério. Isto por que a união do casal foi sonhada por Deus para ser uma expressão do amor de Deus ao homem, da aliança que o Senhor fez com a humanidade desde Abraão, de maneira irrevogável na Encarnação e no fim dos tempos, com a Igreja. O livro do profeta Oséias expressa esse amor apaixonado de Deus pelo povo infiel, o Cântico dos Cânticos evidencia esse amor esponsal e nas Epístolas do Novo Testamento, São Paulo compara o amor de Cristo a Igreja ao amor conjugal. 

Então quando analisamos o lirismo da ideia "enquanto durar", como cristãos, devemos ter em mente que num relacionamento sacramental, isso se remete à morte, e não até quando quisermos, até quando acharmos conveniente. Enquanto durar: tradução cristã = enquanto estivermos sobre essa terra, pois no sacrameto do matrimônio nos comprometemos livre e conscientemente num "amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para o com o outro até a morte"! (CIC 2361) 

Ensina o Catecismo no parágrafo 2381:

O ADULTÉRIO É UMA INJUSTIÇA. Quem o comete falta com seus compromissos. Fere o sinal da Aliança que é o vínculo matrimonial, lesa o direito do outro cônjuge e prejudica a instituição do casamento, violando o contrato que o fundamenta. Compromete o bem da geração humana e dos filhos, que têm necessidade da união estável dos pais. 

E Jesus explicou claramente, sem rodeio nenhum, aos fariseus em Mt 19, 3-9: 

Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?  Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne?” Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la? Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério. 

Não falta JAMAIS a ajuda do alto para que os vocacionados ao matrimônio sejam fiéis e felizes em sua opção de fidelidade (antes a Deus e depois um ao outro). 

Em seu estado de vida e função, (os esposos cristãos) têm um dom especial dentro do povo de Deus." Esta graça própria do sacramento do Matrimônio se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Por esta graça eles se ajudam mutuamente a santificar-se na vida conjugal, como também na aceitação e educação dos filhos.
CRISTO É A FONTE DESSA GRAÇA! Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimônio. Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo uns dos outros, "submeter-se uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5,21) e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro. (CIC 1641-42) 

Mas ainda assim, mesmo com toda o amor que os levou um dia a se unirem em matrimônio, mesmo com toda a graça divina que não para NUNCA de jorrar, os esposos se vêem tentados em sua fidelidade e correm o risco de se apaixonarem por outras pessoas. Embora o mundo venha se esforçando em relativizar o vínculo matrimonial, afirmando que o importante é "ser feliz", que "vale tudo para viver uma grande paixão", que as crianças superam pois "serão felizes na medida que os pais estejam felizes", deformando a essência da verdadeira felicidade, nós cristão verdadeiros GRITAMOS contra o mundo nosso testemunho de AMAR DE VERDADE não é desistir do outro, e sim se sacrificar. Não é buscar seu bem estar e prazer, mas antes ter mais alegria em dar que em receber. Não é trocar por outro(a) melhor, mas reconhecer e agradecer todos os esforços do outro e aceitá-lo(a) com seus defeitos e qualidades... 

Não é fácil! Jesus dizia: permaneçam comigo pois sem mim, nada podeis fazer! (Jo 15,5) Sem Jesus o casal seca como um galho arrancado de uma árvore e aí cai mesmo, peca, rompe sua ligação com Deus e com o seu companheiro(a) e consequentemente começa a se deteriorar num nível pessoal. Não podemos vacilar! Não podemos achar que nunca acontecerá conosco! Ninguém está livre de trair e também de ser traído. É uma via de mão dupla: tanto nossos comportamentos e atitudes quanto os dos nossos cônjuges podem fazer com que venhamos a trair ou sermos traídos. Precisamos orar e vigiar para não cairmos em tentação, pois o espírito pode até estar pronto (e nem sempre está!), mas a carne sempr será fraca. (Mt 26, 41). 

A expressão "orar e vigiar" nos remete a duas esferas: a sobrenatural e a natural. A busca espiritual do casal é imprescindível. Já que buscaram o sacramento do Matrimônio, isso implica uma adesão a Cristo e a Igreja, pelo menos em tese. Se assim não fosse, qual o sentido de ir até a Igreja para pedir a bênção divina em sua união? Se foi apenas pela tradição, ainda assim, nunca cessa o convite amoroso do Pai, em Cristo, pelo Espírito, para que o busquem de coração sincero e recebam a força necessária para serem bons e consequentemente felizes nesta vida. É imprescindível buscar a Deus, servir a Deus, orar, participar da comunidade JUNTOS. Só assim teremos forças para não cairmos em tentação. E vigiar! Vigiar, não somente o cônjuge! Mas antes de tudo, a nós mesmos, nos conhecermos, saber quais são nossos limites, nossos pontos fracos, o que fazemos que pode provocar no outro algum sentimento que o deixe vunerável a ponto de cogitar estar com outra pessoa... A música citada no início dsse texto tem uma frase para fazer pensar: "Eu quero somente o que eu puder dar". Como tem sido nossas cobranças e exigências diante do que temos oferecido à pessoa que um dia escolhemos para nos tornar uma só carne, um só espírito, um só coração? Como vai nosso diálogo? Outra canção afirma: "Meu melhor amigo é o meu amor!" Seu esposo(a) tem ocupado o cargo de seu melhor amigo(a)? Você tem sido esse melhor amigo(a) na relação de vocês? 

Para finalizar essa reflexão, quero partilhar dois artigos que podem colaborar para analisarmos nossas atitudes e os sinais de que algo em nosso agir possa estar facilitando as quedas (nossas e de quem amamos). 

Por que uma esposa se apaixona por outro homem?: http://familia.com.br/por-que-uma-esposa-se-apaixona-por-outro-homem 





E que Deus nos dê a graça de os nossos relacionamentos serem eternos, felizes,  mais do efêmeras chamas, mas verdadeiramente imortais, fortes como a morte, e que as águas e torrentes jamais possam apagar (Ct 8, 6-7)! Que sejam testemunhos dignos do amor irrevogável, incondicional, que ultrapassa todos os sacrifícios e até mesmo a morte que Deus tem para com o homem! Com a força do Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, isto é possível. Que Maria e José protejam nossos casamentos! Que assim seja! Amém! 




14 de setembro de 2013

O diálogo no casamento


Escrevo hoje aos casais e a minha motivação é a grande quantidade de pessoas que tem me pedido oração por seus casamentos. E o interessante é que, pelo menos nesses casos em que as pessoas me procuram e relatam um pouco das suas dificuldades, 100% das crises tem uma causa comum: a falta de diálogo. Meu marido e eu, em 14 anos de relacionamento (um ano de namoro, um ano de noivado e 12 anos de casados), aprendemos (não sem muita labuta) que se relacionar sem dialogar é contra-producente, para dizer o mínimo. Graças a Deus, na caminhada de Igreja, o Senhor providencia sempre encontros para casais nos quais sempre é possível aprender a ser verdadeiros “ministros do sacramento do Matrimônio” através da oração, do carinho, da solicitude, mas especialmente, através do DIÁLOGO.

Nós já tivemos a oportunidade de viver por diversas vezes esses encontros um com o outro e os dois com Deus e podemos testemunhar como fez toda a diferença na nossa história. Como sempre, Deus em sua misericórdia, nos fazia lembrar os motivos que nos levaram a nos unirmos em uma só carne e nos conduzia a recordarmos tudo aquilo que nos levou a nos interessarmos um pelo outro. E mais, o Senhor nos ajudou a constatar que tudo isso ainda estava em nós! Melhor ainda, perceber que Ele já havia trabalhado muita coisa e que poderia acrescentar muito mais!

Hoje em dia, um pouco mais experimentados, nós aprendemos que a vida de casado não é apenas flores e arco-íris em nuvens cor-de-rosa, mas traz consigo os seus desafios, afinal, trata-se de unir duas histórias de vida distintas para forjar uma nova história, que não é nem a de um, nem a do outro as quais estávamos tão acostumados. Esse processo pode, às vezes, destacar mais os espinhos das flores e os ocasionais raios e trovoadas das nuvens cinzas... Isso aconteceu conosco e pudemos perceber que a principal causa dos desgastes, desentendimentos e mágoas residiam nos desvios do plano original, ou seja, ao invés de uma nova história, tentávamos juntos, cada um, escrever a sua. E sem contar pro outro! Aliás, o grande trunfo do exercício do DIÁLOGO para nós está centralizado justamente nessa expressão: “contar pro outro”. E contar com o outro!

É claro que isso tudo só é possível pela graça de Deus, pela consciência de que somos filhos de Deus e que Ele nos fez por amor e para o amor, mesmo nas dificuldades, principalmente quando vivemos em um tempo marcado pelo individualismo e egoísmo, no qual tudo, até as pessoas, são descartáveis. Sabemos que, como afirma a Palavra de Deus, a origem do amor é Deus (1 Jo 4, 7). E, se estamos casados, ainda mais essa vocação para o amor se evidencia em nosso dia-a-dia, pois o matrimônio é mais que uma mera escola de amor, está mais para um curso intensivo de como amar 24hs por dia, de segunda a domingo, sem pausas para folgas!

12 de junho de 2013

Dez conselhos práticos para se viver um Namoro Santo



10. Ouvir os mais experientes. Ouve os conselhos, aceita a instrução: tu serás sábio para o futuro (Pr 19, 20). Claro que vocês não podem dar ouvidos para todos que quiserem dar ‘pitacos’ no relacionamento de vocês, mas com certeza o Senhor mostrará aquelas pessoas sábias, de caminhada, enviados por Ele mesmo para ajuda-los com unção e discernimento. Não é bom não ter ninguém de confiança para ensinar com os critérios bíblicos! Sejamos humildes e dóceis para ouvir as críticas e instruções e buscar sempre melhorar como casal de Deus!

9.    Fugir das tentações. Foge às ocasiões de pecado (Eclo 17, 20). Quanto mais tempo o casal vai convivendo e se conhecendo mutuamente, mais tem condições de perceber o que se torna uma oportunidade de a carne falar mais alto. Pode ser os dois ficarem sozinhos, pode ser um decote mais ousado, talvez algum tipo de dança, ou quem sabe até mesmo certas carícias. Ao detectar o que possa ser pedra de tropeço, retirá-la do caminho de vocês com toda responsabilidade e radicalidade.

8. Trocar a “DR” pelo “DO”. Quem responde antes de ouvir, passa por tolo e se cobre de confusão (Pr 18, 13). Ao invés de Discutir a Relação, Dialogue em Oração. Se algo incomoda, não pode ser omitido. Numa relação de Deus, os sentimentos obrigatoriamente viram palavras, tanto os bons quanto os não tão bons assim. Assim como a mentira pode destruir qualquer relação, o diálogo pode salvá-la. Esmerem-se na arte de ouvir e falar, sem segredos, com total franqueza e carinho, colocando-se sempre no lugar do outro. Não é fácil, é um processo que evolui com a intimidade e a cumplicidade ao mesmo tempo em que solidifica a união para o presente e também para o futuro. Por isso deve ser sempre colocado em prática em clima de oração.

7. Valorizar seu namorado/ sua namorada como a si mesmo. Amarás o teu próximo como a ti mesmo (Mc 12, 31). Não abandone sua família, as amizades ou negligencie nenhuma área da vida por causa do namoro. Não se isole, ao invés disso, insira seu(a) namorado(a) em sua vida. Não perca sua identidade nem anule sua personalidade para agradar. Saiba que o parâmetro da reciprocidade no relacionamento do namoro é o amor próprio, de modo que aquele que se anula por causa do outro está garantindo uma relação unilateral na qual seus sonhos, planos e desejos estarão num patamar inferior. Não se trata de um amor de si exacerbado, mas apenas consciente da própria grandiosidade: Deus me considera seu (a) filho (a) e me ama (1 Jo 3,1)! Sou valioso assim como o outro também é, pois a ele Deus também ama. E é na medida dessa verdade que eu posso me amar também, e transbordar esse amor para o outro.

6. Ser Igreja, de preferência juntos. Não relaxeis o vosso zelo. Sede fervorosos de espírito. Servi ao Senhor (Rm 12, 11). Este item poderia ser redundante em se tratando de uma proposta cristã de relacionamento, entretanto vários casais de Deus conforme vão avançando em seus relacionamentos, seus estudos, carreiras profissionais, tendem a assumir cada vez mais compromissos e, na agitação da vida madura, acabam por ficar sobrecarregados. E, em grande parte das vezes, qual o primeiro item da lista do ativismo que é riscado? Exato: a pastoral, o ministério, a Igreja. E quando nos afastamos da comunidade, é como se fôssemos amputados do corpo ao qual pertencemos, secamos como o ramo arrancado da videira, e consequentemente estaríamos deformando nosso relacionamento que se iniciou fundamentado na rocha. Faz parte do namoro santo incentivar sempre o outro a perseverar na obra de Deus e buscar caminhar juntos no caminho de Deus, já em vistas a uma vida futura em conjunto.

5. Pedir a intercessão de São José. José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa (Mt 1, 24). Para quem busca um namoro santo, São José é o modelo perfeito para o rapaz! Cada detalhe que podemos ver nas entrelinhas do pouco que se fala dele no Evangelho serve de receita precisa de como ser um namorado santo: justo, respeitador, puro, casto, protetor, acolhedor, corajoso, homem de iniciativa, sensível às coisas sobrenaturais, conhecedor da Lei e obediente a Deus. O rapaz deve imitar-lhe as características e ambos devem contar e rogar por sua intercessão.

4. Ter Maria como Mãe. Disse ao discípulo: Eis aí tua mãe (Jo 19, 27). Quem busca um namoro santo não pode prescindir de ter Maria por Mãe de maneira especial, imitando suas virtudes, contando com sua intercessão, orando a ela constantemente. O casal de namorados que reza junto o Rosário coloca como que uma ‘cerca elétrica espiritual’ em seu relacionamento, verdadeiramente protegendo-o de todas as investidas de Satanás. O Diabo investe furiosamente nos casais que buscam um namoro santo, pois destes nascerão famílias santas! Mas Maria é aquela que pisa a cabeça da serpente, e na luta contra o Dragão ela sempre leva a melhor, pela graça de Deus! Ela é canal especial da graça da castidade, da pureza, da humildade, da paz no relacionamento! Ter Maria e José como parâmetro respectivamente para a namorada e para o namorado faz gerar Cristo para os amigos, os familiares, a comunidade, a sociedade, a Igreja.

3. Confissão: pedir perdão e perdoar.  Deus que, em Cristo, reconciliava consigo o mundo, não levando mais em conta os pecados dos homens, pôs em nossos lábios a mensagem da reconciliação. Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus! (2 Cor 5, 19a.20b) Somos todos seres humanos, suscetíveis ao erro, e o remédio para isso é a reconciliação. A Confissão frequente é como uma vacina que age fortalecendo o organismo contra os males externos e as fraquezas internas. Não existe namoro santo sem o Sacramento da Confissão! A Misericórdia do Pai é inesgotável nele e nos provoca, nos desafia a sermos tolerantes também com nosso próximo. A Confissão é escola de perdão para o casal. A falta de perdão entre namorados é uma rachadura que vai se cristalizando em mágoa e termina por trincar e quebrar a relação. Namorar santamente é ter vida de reconciliado, primeiramente com o Senhor, e depois entre si.

2. Eucaristia: se alimentar do Senhor para se transformar Nele. Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e me abrir a porta, entrarei em sua casa e cearemos, eu com ele e ele comigo. (Apo 3, 20) Nada há mais sagrado nesta terra que a Sagrada Comunhão, pela qual Jesus cumpre a promessa de estar conosco todos os dias. A Eucaristia é o alimento dos santos! Precisamos desejar estar na Ceia do Senhor adequadamente, com as vestes próprias (Mt 22, 11-14), ou seja, em estado de graça. Quanto mais o casal estiver na presença do Corpo e Sangue do Senhor, comungando-O, adorando-O, mais estará ajustado a Ele! Quanto mais nutridos pelo Pão da Vida o casal estiver, mas Cristo viverá em cada um! Assim o namoro vai se configurando mais e mais ao Evangelho.

1. Buscar a santidade independente do namoro! Vós vos santificareis e sereis santos, porque Eu sou santo (Lv 11, 44). Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito (Mt 5, 48). Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação (1 Ts 4, 3).  Assuma isso para a sua vida: eu sou batizado(a), sou templo do Espírito Santo, eu quero ser santo(a)! Almeje a santidade por si mesmo(a), antes por causa da Palavra do que por qualquer outra coisa. Queira ser santo para agradar ao Pai, para imitar ao Filho, para obedecer ao Espírito Santo que quer conduzir nosso agir. Assim sendo, seu namoro só poderia ser um namoro santo! Não tenha vergonha dessa expressão, não tenha medo de dizer para seu namorado ou namorada: eu quero que a gente tenha um namoro santo! Pois a santidade é a nossa meta de vida individualmente e, óbvio, também junto a pessoa que nós amamos.