15 de dezembro de 2011

Ainda dá tempo de viver o Advento!

O YouCat, Catecismo Jovem da Igreja Católica, em seu número 185, explica o porquê da repetição anual da Liturgia:

"Tal como anualmente celebramos o dia do nosso nascimento, ou de casamento, também a Liturgia celebra, a um ritmo anual, os mais importantes acontecimentos salvíficos do Cristianismo. Todavia, com uma diferença decisiva: todo tempo é tempo de Deus. Memórias da mensagem e da vida de Jesus são simultaneamente encontros com o Deus vivo. O filósofo dinamarquês Sören Kierkgaard disse uma vez: << Ou somos contemporâneos de Jesus, ou é melhor deixar isso.>> Acompanhar fielmente o Ano Litúrgico faz-nos, efetivamente, contemporâneos de Jesus. Não porque entramos com o nosso pensamento ou até todo nosso ser no Seu tempo e na Sua vida, mas porque Ele, quando lhe dou espaço, entra no meu tempo e na minha vida com a sua presença que cura e perdoa, com a força explosiva da Sua ressurreição."

Estamos no Advento, um tempo que a Igreja nos ensina ser de espera e reflexão

Espera pois, como nos explica Santo Ambrósio (Abade, século XII), Deus vem a nós numa "tríplice vinda": a primeira se refere à Encarnação do Verbo no meio de nós (Jo 1, 14) que celebramos por ocasião do Natal; a última, à sua Vinda nos fim dos tempos, da qual podemos ver inúmeras metáforas nas parábolas evangélicas (cf. Mt 19 - 25) e a intermediária, que segundo o Santo, "é oculta e nela somente os eleitos o vêem em si mesmos e recebem a salvação." Nesta, o Senhor "vem espiritualmente, manifestando o poder de sua graça." E ainda completa: "Para que ninguém pense que é pura invenção o que dissemos sobre esta vinda intermediária, ouvi o próprio Senhor: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele (cf. Jo 14,23). 

Penso que esta vinda intermediária é justamente estes encontros com o Deus vivo, que entra no meu tempo e na minha história de que fala o YouCat, é a contemporaneidade com Jesus que vem a nós todo santo dia, a cada oração, a cada abertura de coração.


Ele veio na plenitude dos tempos, enviado pelo Pai, nascido de uma mulher (cf. Gal 4,4), pisou nosso chão, veio na nossa carne, 100% Deus, 100% homem (exceto no pecado, cf. Fil 2, 6-7 e Heb 4, 15). Ele virá no fim dos tempos, junto aos louvores dos santos e coros dos anjos, sobre as nuvens, com poder e glória (Mt 24, 30). 


Entretanto, o que mais me encanta é que Ele vem todo santo dia ao nosso encontro, a cada abertura de coração, a cada oração, a cada missa que participamos, a cada passo, cada respiro, cada piscar... Ele não cessa de vir a nós por amor e, como analisou Santo Ambrósio, "esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira à última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária, é nosso repouso e consolação."


Vivamos esses dias que antecedem o Santo Natal esperando e refletindo sobre esse movimento eterno de Deus a nós: Ele veio ao encontro da humanidade no Natal, Ele vem a mim sempre, inclusive neste exato momento em que leio essas linhas. Seja Ele louvado pelos séculos dos séculos por tão grande amor por nós...