7 de abril de 2015

Semana Santa com as Crianças


Aqui em casa tentamos catequizar as crianças para o Ano Litúrgico vivendo-o no dia-a-dia. Eles já sabem quando estamos no Advento pois enfeitamos a casa com luzes, presépio, a Coroa do Advento, anjos e a Árvore de Natal e mais importante do que isso, por que os levamos todo final de semana às Missas. Eles percebem que está perto do Natal por causa da novena que fazemos especialmente adaptada a eles.

Sabem que está começando a Quaresma pois vamos sempre todos juntos à Missa de Quarta-feira de Cinzas. Eles são crianças, mas já sabem que vamos fazer juntos algum gesto concreto na Quaresma, que vamos rezar a Via Sacra nas sextas-feiras, que vamos participar de mais Missas nesse período e que vamos rezar mais terços, e ler mais a Bíblia, etc. Ficam atentos para aprender e costumam gostar das músicas da Campanha da Fraternidade! Eles sabem que a Semana Santa está chegando pois vamos sempre na Missa de Domingo de Ramos, participando da procissão, de preferência.

E enquanto nós mesmos, os pais, vamos vivendo a ciclicidade dos Tempos Litúrgicos e das festas religiosas, vamos comentando, explicando, passando um filme, um vídeo, lendo um livro, fazendo uma ou outra atividade de artes ou devoção relacionada à época em questão. Ora, o que é fundamental para os pais é passado espontaneamente para os filhos. Não são só valores teóricos, crianças não absorvem nem assimilam discursos, e sim hábitos e comportamentos reais. 

Ultimamente os mais velhos tem podido também se aprofundar na catequese paroquial, na evangelização infantil no Ministério para as Crianças no Grupo de Oração, ajudando no serviço da Liturgia (fazendo leituras, preces, segurando a cestinha no ofertório, entregando os folhetos da Missa e, eventualmente, ajudando no altar como coroinha), participando conosco em retiros, encontros e formações.

Assim, quando chega a Semana Maior da nossa fé, eles já estão “no clima” da vivência. Fazemos de tudo para não viajarmos nesse período mas mesmo quando viajamos, vivemos integralmente as celebrações onde quer que estejamos.

São pequenas coisas, detalhes sutis que evidenciam a diferença do tempo que estamos vivendo. Ovo de Páscoa e coelhos? Passam longe daqui de casa. Nada contra, nem a favor, muito pelo contrário: indiferença. Estamos normalmente muito ocupados com a vivência da riqueza que é a nossa fé para perder tempo com tradições comerciais que pouco agregam nesse quesito.

Na Quinta-feira Santa, na medida do possível, já colocamos mais músicas religiosas ao invés de outras, rádios católicas, TVs católicas ao invés dos programas habituais (mesmo os infantis). Fazemos sempre um esforço para levá-los todos à Missa do Lava Pés e após ela, já iniciamos a custosa tarefa de silenciarmos mais a casa.

Na Sexta-Feira Santa, tentamos levá-los (pelo menos os mais velhos) para a meditação da Via Sacra com a comunidade. Esse ano participamos da encenação do Grupo da nossa comunidade sempre explicando todas as dúvidas e perguntas que surgiam, em clima de oração e com muita piedade. Impressionante o efeito do teatro nas crianças! O visual tem muito impacto nelas e eu me comovi com a emoção que foi brotando delas com o passar das estações.

A TV, o rádio e a internet são desligados. Não tem passeios, não tem lazer, não tem sobremesa, não tem carne e nem pratos elaborados com fartura de peixes e frutos do mar. O cardápio quase sempre é o clássico e bom arroz-feijão-e-ovo, no máximo uma salada ou sardinha. Sim, meus filhos fazem jejum e mortificações, e por que não? E não há tantas crianças que o fazem cotidianamente em sua pobreza? Sempre mencionamos e rezamos por tantas crianças que vivem assim sem confortos ou luxos diariamente, oramos por elas e ajudamos concretamente sempre que possível e os estimulamos a serem agradecidos por tudo o que tem.

Vamos sempre todos juntos à Celebração da Paixão, nos recolhemos, assistimos a um filme da história de Jesus e insistimos nos motivos de todas essas nossas práticas. Tentamos ao máximo responder as dúvidas deles (e como eles tem perguntas!). Rezamos o Terço, vamos dormir cedo, muita calma, muito silêncio... realmente tenho a impressão que o Espírito Santo desce sobre nossa casa, normalmente tão ruidosa e festiva e tudo fica sereno. Ou melhor, não tenho impressão: eu creio nisso!

Sábado continuamos em clima de oração. Já ligamos a TV, rádio, internet mas em coisas religiosas. Evitamos atividades que possam nos fazer sair do clima de oração ao máximo e participamos juntos da Vigília Pascal. É verdade que é uma Missa longuíssima e super difícil para participar com crianças, mas mesmo assim, participamos sempre juntos. Eu e meu marido amamos muito a Vigília Pascal e sempre falamos com empolgação sobre ela, buscamos assim motivá-los a perceberem como tudo nela é lindo. Conforme vamos vivendo a Celebração, vamos explicando e mostrando para eles os detalhes da fogueira, do Círio Pascal, a beleza da Igreja iluminada pelas velas, o “Super Glória” e o “Super Aleluia”, o altar sendo enfeitado, as músicas, os sinos... A família que se encontra na Igreja (avós, tios, primos), os amigos, os irmãos de comunidade... Com muito diálogo, paciência, sempre dá certo e eles voltam pra casa cantando o glória ou o aleluia ou algum refrão dos muitos salmos que eles mais tenham gostado.

Domingo de Páscoa nunca foi um dia em que nos preocupássemos com chocolate ou falsas pegadas de coelho espalhadas pela casa. Também não é um dia para passarmos a manhã toda na cozinha preparando banquetes. Nos reunimos e fazemos um almoço de domingo com a família sim, mas tudo simples, sem muito estresse. Meus filhos comem ovos de páscoa? Sim, eles normalmente ganham de presente de amigos e familiares sempre com a melhor das intenções e aos quais agradecemos sempre tanto carinho, mas jamais isso será o foco para nós assim como os presentes debaixo da árvore não são e nunca serão o foco dos nossos Natais.

Nosso centro é Jesus, nosso foco é a Fé, nosso destaque é a vida religiosa na comunidade da Igreja! Para os pais passarem isso para os filhos precisam antes crer e viver. Felizmente tenho um marido que crê e vive essas Verdades Eternas comigo e sempre que é preciso, um anima e conduz o outro nessa caminhada. Não é algo de fora pra dentro, mas de dentro pra fora. Ou melhor, é algo de cima para dentro, de Deus com Sua graça para nossos corações! É apenas um continuar do que vivemos em nosso cotidiano, mas nesses momentos fortes da nossa fé católica, com mais intensidade, atenção, consciência, piedade, ainda mais amor. Assim as crianças são contagiadas: aprendem pelo exemplo, se habituam a valorizar o sagrado posto que é simplesmente a vida que se vive corriqueiramente, ano após ano, e ainda assim, de maneira sempre nova.