1 de maio de 2013

TESTEMUNHO: Deus entrou na minha vida




Nasci, graças a Deus, numa família muito amorosa, trabalhadora e honesta. Sou a 1ª de três filhos. Como em muitos lares brasileiros, fui criada em meio ao sincretismo da Fé católica com a doutrina do espiritismo. Minha mãe é católica, meu pai, espírita kardecista, ambos sempre atuantes em sua religião. Passei a minha infância pendendo para um lado e outro, participando dessas duas realidades. Sempre estudei em colégios católicos, fiz a catequese, 1ª Comunhão, embora frequentasse reuniões espíritas ocasionalmente. Não faltou em nossas infâncias (minha e dos meus irmãos) as novenas, as “barraquinhas”, visitas a asilos e orfanatos, etc. E por iniciativa do meu pai (em obediência a seu pai, meu avô), toda quarta-feira, pontualmente às 21hs, nos sentávamos à mesa, nos reconciliávamos de possíveis “perrengues”, líamos a Bíblia e orávamos.
Na adolescência, embora ainda estudando num colégio salesiano, me decidi por não fazer a Crisma, pois entendia que se a fizesse, estaria “confirmando” minha adesão pela Igreja Católica, coisa que não queria na época. Mesmo sendo muito jovem, me arvorava em opiniões imaturas e sem fundamentos sobre a Igreja, tudo fruto de uma personalidade forte (ainda que em formação), mas superficial, mergulhada em desconhecimento, própria dos adolescentes. Ao invés da Crisma, enveredei pelo espiritismo, estudando seus escritos, participando de suas práticas, tentando promover a caridade ao modo deles, ao lado de meu pai.
Mesmo tendo optado conscientemente por não ser católica, frequentemente ia às Missas com minha mãe, pois me apegava às palavras de Jesus que afirmava: “Fazei isto em memória de mim”. Achava que Jesus merecia minha consideração nesse quesito e, mesmo sem ter a noção completa do grande milagre que é a Eucaristia, percebia que só na Igreja Católica se cumpria o que Jesus pedia nessa sentença. Assim, hoje vejo que a Santa Eucaristia sempre foi aquele elo espiritual que nunca se rompeu e que ligava sempre minha alma batizada à Santa Igreja de Cristo.
Recordo-me que nesse período sentia-me frequentemente muito sozinha, sem amigos verdadeiros (meus únicos amigos eram os livros), passava dias e dias trancada no quarto com perguntas existenciais rodando pela minha cabeça. Questionava-me se a vida era mesmo apenas aquilo: estudar por cerca de 20 anos, casar, trabalhar, conseguir bens para depois morrer? E depois de morrer, o que viria? Eu reencarnaria? Iria para o purgatório, para o céu, ou (Ave Maria!) para o inferno? Sentia um profundo vazio com essas ideias. Não tinha um relacionamento com Deus. Acreditava que Ele existia e que poderia nos proteger se merecêssemos. Tinha medo de possíveis castigos e não queria que Ele se intrometesse muito em minha vida.
Entenda bem, apesar do que descrevi acima, eu sempre me considerei uma pessoa feliz, com uma família que eu amava e que me amava, nunca nada me faltou, e eu sempre procurei ser uma pessoa de bem, obedecer e respeitar meus pais, professores, cumprir com minhas obrigações e tudo o mais. Obviamente não era perfeita, nem sempre acertava e algumas vezes me sentia triste, mas no geral, não tinha por que reclamar de nada. Mas eu queria mais e sentia que a vida poderia ser mais.
Foi então que eu participei, aos 16 anos, do Encontro do Grupo Jovem da minha comunidade, o V Imago Dei, mais por insistência das minhas colegas da escola. Fui com a maior má vontade do mundo e creio mesmo que foi o Espírito que me conduziu, ou melhor, foi me empurrando ladeira acima! Nessa ocasião, sinto que fui, pela primeira vez, apresentada ao Senhor Jesus. Ainda de maneira formal, tive esse 1º encontro com Ele, algo mais ou menos como um aperto de mão. Foi uma porta que se abriu para que eu pegasse o retorno do caminho que estava trilhando e iniciasse uma nova rota, agora na Igreja e de uma maneira nova. E foi por essa porta que eu trouxe de volta para uma maior vivência eclesial minha mãe, novamente, e meus dois irmãos, Marcos e Márcio, mais conhecidos como os “Manolos”. J
Continuei em cima do muro por algum tempo, dentro da Igreja e dentro do centro espírita, mas gradualmente, com as reuniões do Grupo, as formações, os encontros, fui conhecendo o que era verdadeiramente a Igreja Católica. Não era nada do que eu imaginava do alto da minha arrogante ignorância juvenil. Ainda assim, muitas dúvidas brotavam em mim sobre Bíblia, doutrina, dogmas e posicionamentos da Igreja Católica. Foi então que, através de um Congresso de Jovens organizado pela RCC e Comunidade Canção Nova na minha cidade (Sobradinho-DF) em 1998, Ano do Espírito Santo, que tive, de fato, um encontro PESSOAL com Aquele para qual eu já trabalhava, mas que ainda não tinha permitido que adentrasse meu coração: Jesus. Depois disso, de fato, TUDO mudou, e eu nunca mais fui a mesma pessoa. Progressivamente fui percebendo que o caminho que Deus queria para mim estava na Igreja Católica e não em outras experiências e doutrinas. No começo aconteceram alguns embates com meu pai, mas aos poucos fomos aprendendo a aceitar e respeitar a opção de cada um.
Passei a participar do Grupo de Oração São Vicente e, nesse contexto, dentro da Renovação Carismática Católica, tive um contato mais íntimo com a Bíblia, entendi de fato o que é a Santa Eucaristia (ou melhor, QUEM É), aprofundei meu amor por Maria e a minha vida de oração se transformou completamente, tanto a pessoal quanto a comunitária, especialmente pela participação nos Sacramentos. Fiz a experiência de ser curada emocional e espiritualmente de tantas experiências que vivi. Gradualmente, vi o Senhor me usando como um instrumento para a realização de seus desígnios, através do conhecimento da Doutrina da Igreja e do discernimento e uso dos carismas. Foi crescendo em mim um comprometimento muito grande com Jesus, com o anúncio de Seu Reino através de Sua Santa Igreja e todas aquelas dúvidas da juventude foram sendo respondidas uma a uma, através dos estudos que a própria RCC promovia de várias formas.
Foi dentro da Igreja, através da minha Comunidade São Vicente (no Grupo Imago Dei, no Grupo de Oração São Vicente e, posteriormente, como Ministra da Eucaristia), que adquiri os melhores amigos que poderia ter, verdadeiramente uma família, e posso afirmar sem demagogia: nunca mais senti falta de amigos verdadeiros. Na São Vicente formei minha família. Casei-me com um grande amigo de missão, meu marido Juliano, e tenho a plena convicção que nossa união ultrapassa o “estado civil: casados” e vai muito além, pois assumimos nosso casamento como “Vocação” e tudo o que esse termo significa. Tivemos 6 filhos, dois deles já na Glória de Deus e os outros quatro aqui conosco, nos santificando sempre mais e nos dando a dimensão do que é serviço por amor. Em nenhum momento dessa trajetória sentimos a ausência ou omissão de Deus em nenhum segundo sequer da nossa história.
Para finalizar, preciso dizer que, para cada parágrafo desses acima, eu teria pelo menos, no mínimo, mais uns 3 ou 4 testemunhos da presença ou ação de Deus em minha vida, de maneira direta ou por meio dos irmãos! São muitas bênçãos e graças e, de fato, seria preciso uma coletânea inteira de livros para mencionar um a um. Como se pode perceber, a minha história não é, por assim dizer, de grande superação ou dores, tragédias, etc, onde o Senhor tenha que ter feito alguma ação extraordinariamente miraculosa... Eu também nunca fui tão perdida nas trevas, no pecado, para que Deus tivesse que me resgatar de forma dramática, por muito sofrimento e dor! Não. Eu sempre fui uma pessoa, entre aspas: “boa”, que procurava fazer a coisa certa da melhor maneira possível. Minha história é simples, mas com certeza, Deus agiu nela e a transformou! E, se me permitem dizer, creio que tudo isso é só o começo, e que muito mais ainda está por vir! ;)