26 de maio de 2013

Memórias Bíblicas - a história de uma amizade entre uma mulher e O Livro



Sobre as minhas primeiras memórias bíblicas não tenho como precisar uma data, pois desde antes de eu nascer, meus pais, por ordem do meu avô, se uniam toda quarta-feira, sempre às 21hs, para um momento de oração familiar. Sentavam-se à mesa, liam a Bíblia, algum outro livro espiritual e faziam orações espontâneas. O mais interessante era que nem meu avô, nem meu pai eram católicos (só minha mãe), mas assim era feito na nossa casa antes de eu nascer, na gravidez da minha mãe, quando eu era bebê, quando vieram meus irmãos e continua a ser feito até os dias de hoje! Passamos nossa infância (eu e meus irmãos) toda com essa vivência: a Bíblia era lida, toda quarta-feira, às 21hs, em nossa casa. Meu pai tinha também adquirido uma "Bíblia Ilustrada" que amávamos folhear, pois os desenhos eram mesmo lindos!
Quando eu tinha cerca de 10 anos, lembro-me que minha mãe passou a participar mais da Igreja, passamos a estudar em colégio católico e ela comprou então uma Bíblia grande, capa preta, por conta de uma novena de Natal em nossa rua. Ela ficava sempre em um local de destaque na sala e passamos a lê-la nas nossas reuniões de quartas. Também na escola havia muitos momentos de orações, terços, além das aulas de religião, das quais eu gostava muito. Até hoje, mais de 20 anos depois, eu tenho comigo guardados os meus cadernos de religião daquela época com artes sobre a Criação, a Páscoa, o Natal, etc. Eram informações bíblicas que me eram passadas por meio das práticas piedosas da minha mãe, dos professores e das irmãs do colégio.
Com 11 anos fiz minha catequese e 1ª Comunhão. Nessa ocasião ganhei minha primeira Bíblia (também a tenho comigo até hoje) e vez por outra lia. Na adolescência me afastei da Igreja, voltando só com 16 anos, por um encontro de Grupo Jovem. Nesse grupo fiz um grande amigo que, apesar de jovem, lia e sabia muito sobre a Bíblia. Sempre gostava de tirar minhas dúvidas com ele e uma vez ele me presenteou com uma Bíblia nova, pois a minha estava meio velhinha (ainda era aquela, da minha catequese!): como fiquei feliz! Na capa dessa Bíblia ele, numa dedicatória, escreveu: “Querida Manu, que tu possas sempre ser guiada pelo Espírito Santo de Deus e seresse lindo reflexo da luz de Deus entre nós.” E ainda acrescentou a citação do Salmo 119, 9-10: “Como poderá o jovem manter a sua conduta irrepreensível? Cumprindo tua Palavra, procurando-te de todo coração: ‘Não deixes que me desvie de teus mandamentos’.” Foi assim que esse meu amigo conquistou meu coração, foi um de seus atos mais românticos e, com certeza, um dos melhores presentes que ele me deu. Somos os melhores amigos um do outro até hoje, pois nossa amizade foi fundada na rocha viva da Palavra de Deus e nesse ano de 2013, eu e ele completamos 12 anos de casados (meu marido Juliano).
Quando eu fiz 18 anos, ingressando na RCC eu meio que me "viciei" na Palavra! A partir da experiência do Batismo no Espírito Santo eu passei a ler a Bíblia sem conseguir parar: em casa, no trabalho, na faculdade, no ônibus... Não sentia vergonha de puxar a Bíblia que havia ganhado em lugar e ocasião nenhuma! Tinha fome e sede da Palavra. Lembro-me que, numa das minhas aulas da faculdade, uma professora gostava de implicar comigo pois me identificava como cristã (estava sempre com as minhas camisetas do Grupo Jovem, de eventos da RCC e da Arquidiocese, além da Bíblia na carteira) e, sabe-se se lá por que, ela se mostrava muito hostil à religião. Uma vez, na frente de todos, ela me provocou com um versículo bíblico. Perguntei a ela: “Mas, professora, o que a senhora sabe sobre Bíblia?” Ela então me inquiriu: “Você já leu a Bíblia toda”? Respondi que ainda não havia lido a Bíblia inteira, mas que a lia sempre. Ela me disse então: “Pois eu já li sim, a Biblia todinha, do Gênesis ao Apocalipse!” Fiquei sem palavras e não descansei enquanto não fiz o mesmo. Ora, vejam só: minha professora ateia foi a grande incentivadora para que eu lesse a Bíblia inteira pela primeira vez!  (Valeu, professora!)
Caminhando com a RCC, fui aprendendo a manusear a Palavra, conhecê-la, usá-la, proclamá-la e buscar a cada dia vivê-la e anunciá-la. Foi no trabalho pastoral, pelas demandas dele, que a meditação da Palavra foi se tornando um hábito em minha vida. Foi no aprofundamento da minha relação com o Senhor Jesus que a minha Bíblia foi promovida de “livro de cabeceira” a uma “amiga espiritual”. Minhas Bíblias (hoje tenho algumas) são mesmo uma categoria de objeto diferente para mim, eu as acaricio, carrego para cima e para baixo, beijo, cheiro, abraço, marco, grifo, faço anotações... Elas vivem tão presentes no dia-a-dia que muitas vezes precisei salvá-las dos meus filhos pequenos! Eles tanto sabem que aquele é um livro diferente que, sempre que trazem algum trabalhinho ou desenho especial para a mamãe da escola ou da Igreja, logo falam: “Coloca dentro da sua Bíblia, mamãe!” Faço de tudo para estar com seu conteúdo em minha mente, minha alma, meu coração, minha boca para anunciar, dentro da minha casa para educar meus pequenos, na ponta dos meus dedos para transmiti-la pela palavra escrita, digitada, pela internet...   Eu tenho sido aquela “chata” que toca no assunto de Bíblia, oportuna e inoportunamente ( 2 Tm 4, 2) para a minha comunidade, meus amigos, minha família, não por mérito meu, mas por graça e misericórdia do Senhor que me conduz...

E eu quero incentivar, você que agora lê essas linhas: leia a Sagrada Escritura! Você já leu a Bíblia toda? Quanto tempo faz que você não ouve a voz suave do Senhor nessas linhas? Faça da leitura da Bíblia um hábito! Permita que o Espírito Santo “ative” em você essa fome e essa sede da Palavra Dele! Quantas respostas que você espera da vida estão nessas páginas! Quanto força, quanto consolo! Não perca mais tempo! Não espere não ter nada para estudar! Não priorize a televisão ou a internet! Não dependa de nenhum método, atenha-se a dois passos, os únicos necessários: 1. Comece! 2. Não pare. Apenas pegue sua Bíblia, abra e leia, meditando, orando, hoje, amanhã e a cada dia, um pouquinho de cada vez. Não complique e nem procure desculpas: simplesmente faça. Coragem! Atitude! Fidelidade! O Senhor te espera em cada uma daquelas folhas...