28 de fevereiro de 2013

O Adeus a Bento XVI: coisa de família


Recentemente li uma interpretação da palavra "ADEUS", na qual se entendia que deveríamos perceber que o vocábulo é formado por duas partes: "A" + "DEUS". E na explicação se seguia que dizer "ADEUS" não significava a priori uma "finalização" como passa a ideia de "despedida", mas antes uma "oferta a Deus daquilo que não podemos mais reter para nós". Não sei até que ponto a etimologia estaria correta, mas gostei dessa concepção. 
Nunca me esquecerei do momento que em que recebi a notícia da Renúncia do Papa Bento XVI. Dia 11 de Fevereiro de 2013, um dia antes do aniversário do meu irmão caçula, estava acompanhando no Acampamento de Carnaval da Comunidade Canção Nova em Cachoeira Paulista um belíssimo testemunho da missionária Eliana Ribeiro. Confesso que estava me controlando para não chorar, e ao mesmo tempo estava adicionando conteúdos no perfil do Facebook e twitter do grupo de oração que participo, em parceria com a Rcc-Brasília, que vivia também um dos mais belos Rebanhões que já fizemos na capital. Estava com minha família descansando e convivendo um pouco no feriado do Carnaval, mas quem é Igreja, não consegue se desligar por completo! De repente o Pe. Roger Araujo anunciou num plantão urgente de notícia: o Papa havia renunciado! Assim como a maioria dos católicos do mundo inteiro, minha surpresa foi tão grande que cheguei a ter uma indisposição física! Meu coração apertou, imaginando qual seria o motivo!... Fiquei confusa, meditava: "Pode isso, Arnaldo? Um Papa renunciar?!"... Meu marido me acompanhou na avalanche de sentimentos: ele com certa inquietação; eu, já sentia mesmo alguma angústia. Aí o controle do choro cedeu. Costumo dizer em tom de brincadeira que "sou espada" e que minha mãe sempre me ensinou a guardar as minhas lágrimas para quando ela morresse (mórbido, mas verdadeiro), porém não aguentei, fui tomada pela tristeza: chorei. Em certo ponto, Pe. Paulo Ricardo acalmou meu coração com sua sabedoria, dizendo ainda no Plantão de Notícias da TV Canção Nova: "É natural que algumas pessoas estejam sentindo alguma angústia por essa notícia e isso é um bom sinal, pois significa que grande amor temos pelo Papa! Mas tenhamos confiança em Deus!" E logo mais à tarde, em seu blog, ele praticamente descreveu meus sentimentos ao escrever:  "Nosso coração, cheio de gratidão pelo ministério de Bento XVI, gostaria que esta notícia não fosse verdade. Mas, se confiamos no Papa até aqui, porque agora negar-lhe a nossa confiança? Como filhos, nos vem a vontade de dizer: "não se vá, não nos deixe, não nos abandone!" Mas não estamos sendo abandonados. A Igreja de Cristo permanecerá eternamente. O que o gesto do Papa então pede de nós, é mais do que confiança. Ele nos pede a fé! Talvez seja este um dos maiores atos de fé aos quais seremos chamados, num ano que, providencialmente, foi dedicado pelo próprio Bento XVI à Fé." (Vale a pena ler o post completo http://migre.me/dsHOV).
De lá para cá, entre polêmicas midiáticas, formações sobre a Doutrina da Igreja para este acontecimento inédito e, é preciso admitir, uma certa melancolia revestida de saudades, chegamos ao dia de hoje, o último dia de Seu Pontificado. Em sua última Audiência Geral, dia 27 de fevereiro de 2013, Sua Santidade afirmou que recebeu muito carinho de todos, grandes e pequenos ao longo do planeta, e que estes últimos, entrando em contato com ele, apresentavam-se "como irmãos e irmãs ou como filhos e filhas, com o sentido de uma ligação familiar muito afetuosa". É exatamente isso! A Igreja é família, quem é Igreja sabe do que estou falando... Quem não é Igreja, não entende esse sentimento, esse amor pelo Papa, por exemplo... Mas isso não se explica apenas pela razão, nem ao menos só pelos sentimentos! Existem uma ação espiritual aí, que nos faz amar o Papa sem o conhecer pessoalmente e sem que ele ao menos imagine a nossa existência, isso desde os tempos apostólicos e em toda a história da Igreja! E não se explica esse amor, apenas se vive... Eu sempre imagino que o sangue de Cristo que comungamos e corre tanto em nossas veias quanto na dele nos une como verdadeira família... Assim compreendo também a Comunhão dos Santos, que une a Igreja militante, a padecente e a triunfante. Aplica-se também aos nossos superiores e todo clero de maneira geral. Verdadeiramente amamos o Papa e esse amor chega sim até ele, a ponto de ele ter afirmado na penúltima Audiência Geral do dia 13 de Fevereiro de 2013 quase poder sentir fisicamente nosso amor e nossas orações (Acesse aqui: http://migre.me/dsMqs) 
Chegou o dia em que Ele subirá ao Tabor do claustro, 28 de fevereiro de 2013, dia único na história da Igreja, na história da família-Igreja, e nosso coração aperta. Então me apego na ideia do começo desse post: não é uma despedida, mas antes uma entrega a Deus dessa pessoa que com certeza mudou o mundo e a história! Um teólogo mais que admirável, mais que brilhante, mais que genial, mas antes de tudo um pai, nosso pai, nosso Papa amado. Só temos a agradecer a Deus e nos comprometer a rezar sempre por Ele, pelo próximo Papa, pela Igreja, por toda nossa família de fé e de sangue, ainda que sangue eucarístico, aliás sobretudo por tal motivo. Quem é Igreja entende e sente! Que não é Igreja, não precisa se preocupar em entender ou aceitar: isso é coisa de família!...