6 de abril de 2011

Sentido e valor do jejum para o cristão nos dias de hoje

No site da minha paróquia (www.bomjesusdosmigrantes.com.br) existe uma seção chamada "O Padre responde". Partilho uma resposta muito esclarecedora e útil do nosso pároco Pe. Cláudio para esses dias de Quaresma.


Pe. Cláudio, tempo de Quaresma é tempo de Jejum. Qual o sentido e o valor do jejum para um cristão no dia de hoje?

Resposta: O antigo testamento nos apresenta Moisés jejuando antes de receber as tábuas da lei (ex.34,28), Elias fazendo o mesmo antes de encontrar o Senhor no monte Oreb (1º Reis 19, 8), os habitantes de Nínive que, sensíveis ao apelo de Jonas, proclamam um jejum (Jonas 3,9), e vários outros casos.
O evangelho nos lembra que “o Espírito conduziu Jesus ao deserto a fim de ser tentado pelo demônio. Jejuou durante 40 dias e quarenta noites” (Mt. 4, 1-2).
Estas simples citações nos lembram como a prática do jejum é profundamente bíblica e, portanto, um exercício útil ao crescimento espiritual do cristão. Mas o leitor deseja conhecer o sentido, o valor desta prática cristã. Vou lembrar três importantes elementos.

1. O próprio Jesus dá o sentido mais profundo, respondendo a Satanás, no final dos 40 dias: “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt. 4,4). O verdadeiro jejum finaliza-se, portanto, a comer o verdadeiro alimento que é fazer a vontade do Pai. Portanto se Adão desobedeceu ao mandamento do Senhor de não comer o fruto da árvore da ciência do bem e do mal, com o jejum, o fiel cristão deseja submeter-se humildemente a Deus, dispondo-se a ouvir e a por em prática a palavra de Deus.

2. Privar-se voluntariamente do prazer dos alimentos ajuda o discípulo de Cristo a controlar os apetites da natureza fragilizada pela culpa, cujos efeitos negativos atingem toda a personalidade humana. Quem é capaz de fazer uma renúncia no campo da alimentação, está treinando a própria personalidade a dizer não também às tentações do Maligno, e a fazer de si mesmo um dom total a Deus.

3. Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre. Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Já as primeiras comunidades cristãs eram convidadas a dar aos pobres quanto, graças ao jejum, tinham poupado.