21 de janeiro de 2015

Sobre famílias numerosas



PERGUNTA: Há mulheres que, tendo já bastante filhos, não se atrevem a comunicar a chegada de mais um a seus parentes e amigos. Temem as críticas daqueles que sabendo existir a "pílula", pensam que a família numerosa é um atraso. Evidentemente, nas circunstâncias atuais, pode-se tornar difícil manter uma família com muitos filhos. Que nos pode dizer sobre isso?

RESPOSTA: Abençôo os pais que recebendo com alegria a missão que Deus lhes confia, têm muitos filhos. Convido os casais a não estancarem as fontes da vida, a terem senso sobrenatural e coragem para manter uma família numerosa, se Deus a envia.

Quando louvo a família numerosa, não me refiro àquela que é conseqüência de relações meramente fisiológicas, mas à que é fruto do exercício das virtudes cristãs, que tem um alto sentido da dignidade da pessoa e sabe que dar filhos a Deus não consiste só em gerá-los para a vida natural, exigindo também uma longa tarefa educadora: dar-lhes a vida é a primeira coisa, mas não é tudo.

Pode haver casos concretos em que a vontade de Deus — manifestada pelos meios ordinários — esteja precisamente em que uma família seja pequena. Mas são criminosas, anti-cristãs e infra-humanas, as teorias que fazem da limitação da natalidade um ideal ou um dever universal ou simplesmente geral.

Querer apoiar-se num pretenso espírito pós conciliar para ir contra a família numerosa seria adulterar e perverter a doutrina cristã. O Concílio Vaticano II proclamou que "entre os cônjuges, que assim cumprem a missão que lhes foi confiada por Deus, são dignos de menção muito especial os que, de comum acordo e refletidamente, se decidem com magnanimidade a aceitar e a educar dignamente uma prole numerosa" (Const. past. Gaudium et Spes, no 50). E Paulo VI, numa alocução pronunciada em 12 de Fevereiro de 1966, comentava: Que o Concílio Vaticano II, recentemente concluído, difunda entre os e esposos cristãos o espírito de generosidade para dilatarem o novo Povo de Deus... Recordem sempre que essa dilatação d o Reino de Deus e as possibilidades de penetração da Igreja na humanidade para levar a salvação — a eterna e a terrena — estão confiadas também à sua generosidade.

O número, por si só, não é decisivo: ter muitos ou poucos filhos não é suficiente para que uma família seja mais ou menos cristã. O que importa é a retidão com que se vive a vida matrimonial. O verdadeiro amor mútuo transcende a comunidade de marido e mulher e estende-se aos seus frutos naturais, os filhos. O egoísmo, pelo contrário, acaba rebaixando esse amor à simples satisfação do instinto, e destrói a relação que une pais e filhos. Dificilmente haverá quem se sinta bom filho — verdadeiro filho — de seus pais, se puder vir a pensar que veio ao mundo contra a vontade deles: que não nasceu de um amor limpo, mas de uma imprevisão ou de um erro de cálculo.

Dizia eu que, por si só, o número de filhos não é determinante. Contudo, vejo com clareza que os ataques às famílias numerosas provêm da falta de fé; são produto de um ambiente social incapaz de compreender a generosidade, um ambiente que tende a encobrir o egoísmo e certas práticas inconfessáveis com motivos aparentemente altruístas. Dá-se o paradoxo de que os países onde se faz mais propaganda do controle da natalidade — e a partir dos quais se impõe a sua prática a outros países — são precisamente aqueles que atingiram um nível de vida mais elevado. Talvez se pudessem tomar a sério seus argumentos de caráter econômico e social, se esses mesmos argumentos os movessem a renunciar a uma parte dos bens opulentos de que gozam, a favor dessas pessoas necessitadas. Enquanto não o fizerem, torna-se difícil não pensar que, na realidade, o que determina esses argumentos é o hedonismo e uma ambição de domínio político e de neocolonialismo demográfico.

Não ignoro os grandes problemas que afligem a humanidade, nem as dificuldades concretas com que pode deparar uma família determinada. Penso nisto com freqüência e enche-se de piedade meu coração de pai que, como cristão e como sacerdote, tenho obrigação de ter. Mas não é lícito procurar a solução por esses caminhos.


(São Josemaria Escrivá, Questões atuais do cristianismo -´
 A mulher na vida social do mundo e na vida da Igreja, ponto 94.)

23 de dezembro de 2014

CADÊ O NATAL?


Cadê o Natal como celebração do nascimento de Jesus? Cadê o presépio na sala, a leitura bíblica em família, as crianças catequizadas pelo significado da festa? Cadê a Missa do Galo, que inspirou um dos mais belos contos de Machado de Assis?
Serei saudosista? Talvez, sobretudo considerando que a pós-modernidade troca o sólido pelo gasoso, o emblemático pelo mercantil, a irrupção do sentido pela compulsão consumista.
Eis o sistema, com a sua força incontida de banalizar até mesmo a mais bela festa cristã. Na contramão de Jesus, vamos escorraçando o filho de Deus do espaço religioso e introduzindo as mesas dos cambistas que comercializam os produtos do Papai Noel.
O velho barbudo pode ser encantador para as crianças, devido à massificação cultural que as induz a preferir Coca-Cola a leite. Contudo, haverá mais mistério no ancião que desce pela chaminé ou na criança que é a própria presença de Deus entre nós?
Aliás, ao ser inventado, Papai Noel vestia verde. O vermelho foi mercadologicamente imposto pelo mais consumido refrigerante do mundo. Porém, nada tem a ver com a nossa realidade o velhinho que veio do frio.
Somos um país tropical, jamais andamos de trenó e sequer em nossos zoológicos há renas. Mas, como despertar uma nação secularmente colonizada? Como livrar a cabeça do capacete publicitário? Basta conferir o número de lares que trocam a boa e potável água do filtro de barro pela garrafa pet do supermercado, contendo líquido de salubridade duvidosa.
Minha mãe, mestra em culinária, contava que, outrora, as madames cariocas, com a cabeça feita pela Belle Époque, pediam no açougue “lombinho francês”. E muitas acreditavam que aquele naco de carne de porco havia cruzado o Atlântico para agradar o paladar refinado de quem, com certeza, achava uma porcaria o porco daqui...
O grupo de oração de São Paulo, do qual participo, decidiu confraternizar-se com presentes zero. Queremos presenças na celebração. O grupo de Belo Horizonte instituiu o “amigo culto” (e não oculto): sorteada a pessoa, ela recita uma poesia, entoa um canto, narra uma fábula ou conta um “causo” que faça bem à alma.
Meus amigos Cláudia e Jorge decidiram que, neste ano, nada de shopping! Levarão as crianças ao hospital pediátrico, para que brinquem com os pequenos enfermos.
Isto, sim, é encontrar Jesus, como reza o evangelho da festa de Cristo Rei: “Estive enfermo e me visitaste” (Mateus 25, 36).


Isso é muito mais do que cultuar Jesus no presépio, em imagem de gesso. É encontrá-lo vivo naqueles com os quais ele se identificou.
Mas há quem prefira entupir as crianças de Papai Noel, “educá-las” centradas no shopping, incentivá-las a escrever cartinhas com requintados pedidos. Tomara que, mais tarde, não se queixem dos adolescentes consumistas, escravos monoglotas dos celulares, indiferentes ao sofrimento alheio e desprovidos de espiritualidade.

Autor: Frei Betto, escritor e ao que me consta, apesar de petista, ainda dominicano. 

19 de dezembro de 2014

Sugestão para Árvore de Natal Catequética

Esse ano pensei em comprar uma árvore de Natal nova, maior, enfeitar mais bonita. Mas pensei melhor e fiquei imaginando como iria protegê-la da curiosidade do meu caçula! Pensamos até em fazer uma espécie de cerca, meu marido cogitou eletrificá-la com as luzinhas para uma maior eficácia (brincadeira, gente, por favor)... 
Resumindo, refletindo melhor e sempre nessa busca de um Natal mais próximo do mistério da Encarnação naquela gruta em Belém, decidi que melhor mesmo era simplificar tudo. 
Peguei uma antiga mesa um pouco mais alta (para pelo menos dificultar as ações de exploração do bebê), encontrei a árvore velhinha e montei no canto da sala. Ano passado tinha unido aos enfeites tradicionais as fotos do bebê ao longo de seu primeiro aninho e usado na decoração da sua festinha de aniversário (que é em Novembro) e como todo mundo amou acabei deixando até o dia de Santos Reis. Depois me lembrei que tinha doado todos os enfeites de colocar na árvore e me cansei só de pensar em ter que enfrentar as lojas lotadas para comprar novos... 
Então, em meio às caixas de fitas e luzinhas que tinham sobrado encontrei uns adesivos para colocar em embrulhos de presente, do tipo "De:...; Para:..." com desenhos natalinos. Foi aí que veio a inspiração de colá-los em pregadores de roupa e espalhar pela árvore. Ao longo dos dias do Advento, fui trabalhando com as crianças palavras-chave de atitudes e sentimentos que representam o verdadeiro Natal. 





Aproveitamos as Missas do Advento, a presença da Coroa do Advento, o presépio (colocado numa bancada bem alta, a salvo, e que nesse ano fomos montando aos poucos até que esteja completo na noite de Natal), as meditações da Novena de Natal (esse ano usamos a da Canção Nova, muito simples, didática mas profunda) e os acontecimentos do dia-a-dia para ir paulatinamente escrevendo as palavras nos cartõezinhos. As crianças compraram a ideia e estão sempre atentas e sugerindo palavras e meditações para acrescentarmos na árvore de Natal. Por um Natal mais vivencial e menos comercial, esta é a minha sugestão! 

14 de outubro de 2014

Teste: Grau de Tolerância ao Discurso Divergente e Coerência Democrática

"Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo."
 (Citação atribuída a Voltaire)

Numa democracia, teoricamente, todos tem voz, o diálogo é plural. Certo? Nem sempre... Faça o teste abaixo do seu  "Grau de Tolerância ao discurso Divergente e Coerância Democrática" e analise se você tem dois pesos e duas medidas quando se trata de debater suas convicções. 



Se você acha um absurdo que uma pessoa homossexual finja que não é homossexual em seu trabalho, na sua escola, no Congresso ou onde quer que seja, para ser coerente,não pode querer que alguém que se diz cristão igualmente finja que não é cristão em seu trabalho, sua escola, no Congresso ou onde quer que seja! Se você julga que a sexualidade de uma pessoa é algo que não deve ser reprimida ou disfarçada, por que a fé da pessoa deveria ser? Se você acha que a comunidade LGBT tem algo de positivo a manifestar para esse mundo e a sociedade e que tem o direito de se expressar, seja lá sobre o que for, e acha que é injustiça ser discriminada sem que ao menos ouçam o que se tem a dizer, por que condenar a religião, as Igrejas, a comunidade cristã quando se propõe a fazer o mesmo? Por que as minorias LGBT e outras devem ter espaço no debate político e os cristãos podem ser taxados de fundamentalistas e tomar um "cala a boca" sem chance do tal do "diálogo plural"? Por que a sociedade tem que aceitar a maneira de ver o mundo LGBT e "Deus me livre" de pastores e padres na política?! Por que tudo agora cai na categorização de "fobias" e as piadas sobre cristãos fazem parte da liberdade de expressão?  

Eu não entendo essa lógica e não aceito esses critérios. Ou somos uma democracia ou não. Ou temos liberdade de expressão ou não. Se o diálogo é plural todos deveriam poder emitir opinião mas a Igreja e os cristãos devem permanecer no fóro íntimo, não se misturar, não se meter. Vocês vão me desculpar, mas eu sou cristã e isso aqui ainda não é a Venezuela, nem Cuba! Eu vou falar, eu vou denunciar, eu vou anunciar, EU VOU PROFETIZAR! Essa é a essência da minha fé! Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura! Mc 16, 15 Essa é a verdade pela qual somos chamados a dar a vida! CRISTO É A VERDADE!  O Papa Bento XVI explica muito bem em sua Encícllica Caritas in Veritate, § 9: 

"A Igreja não tem soluções técnicas para oferecer e não pretende « de modo algum imiscuir-se na política dos Estados »; mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação. Sem verdade, cai-se numa visão empirista e cética da vida, incapaz de se elevar acima da ação porque não está interessada em identificar os valores — às vezes nem sequer os significados — pelos quais julgá-la e orientá-la. A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. É por isso que a Igreja a procura, anuncia incansavelmente e reconhece em todo o lado onde a mesma se apresente. Para a Igreja, esta missão ao serviço da verdade é irrenunciável. A sua doutrina social é um momento singular deste anúncio: é serviço à verdade que liberta. Aberta à verdade, qualquer que seja o saber donde provenha, a doutrina social da Igreja acolhe-a, compõe numa unidade os fragmentos em que frequentemente a encontra, e serve-lhe de medianeira na vida sempre nova da sociedade dos homens e dos povos."

A Igreja, os cristãos não vão se calar. E nem os outros grupos deveriam! Obviamente dentro dos limites legais, mas se estes forem ultrapassados, pouco importa se a pessoa é homossexual ou cristão, posto que se tornou criminoso (não interessa a sexualidade e a crnça). Mas se você ama a liberdade, respeite a democracia! Seja coerente e exija que todos tenham voz! Ensine as crianças que todos podem ter suas opiniões e que devemos respeitar a liberdade de todos: isso sim é respeito à diversidade! Discorde dos homossexuais, discorde dos cristãos, mas mantenha a classe, mantenha a civilidade, mantenha a coerência, tenha apenas um peso e uma medida. 

30 de setembro de 2014

Aborto e o Grupo de Mães



Trascrevo uma reflexão (com adaptações) que fiz em um desses Grupo de Mães do Facebook, em diálogo sobre a questão do aborto.

O nome desse grupo é MÃES de Brasília. Todas nós celebramos a existência dos nossos filhos a partir do primeiríssimo momento em que soubemos que seríamos mães. Toda a equipe médica se dirigia a nós como mães desde o exame de sangue até a 1ª ecografia. Se houve a concepção, há vida, a mulher não é apenas mulher, mas passou a ser mãe. Nunca vou entender como a compreensão da maternidade pode mudar de acordo com as circunstâncias. Como um coração de mãe pode escolher entre um filho e outro assim? Eu simplesmente não entendo. Eu tenho 4 filhos, NUNCA seria capaz de escolher qual deles eu queria vivo ou morto. Pergunte a algum menino abandonado se ele prefere viver ou se você pode matá-lo para que ele não sofra. Existem os dilemas éticos mas NÃO EXISTE SOLUÇÃO FÁCIL PARA PROBLEMA DIFÍCIL. Discriminalização do aborto não é a solução. Mulheres morrem fazendo aborto ilegal? Triste realidade... Mas a melhor solução que se apresenta é legalizar o que é ilegal para resolver a questão? Por essa lógica então devemos legalizar o tráfico de drogas por que tem matado nossa juventude pelo consumo e pela comercialização ilegal? Não é uma solução inteligente e aceitável. No Brasil a pena de morte é proibida, cláusula pétrea da Constituição. Que eu saiba não há no código penal pena de morte quando seu pai é um estuprador (nem pro pai nem pro filho!). Direito da mulher sobre seu corpo? Não é difícil averiguar a informação de que desde o 1º segundo da concepção o óvulo fecundado tem um DNA absolutamente diferente do da mãe e do pai, é um terceiro indivíduo que sim, depende da mãe para se desenvolver, mas não pode ser classificado como um órgão da mãe ou um tumor. Nós, como mães, sabemos que esse indivíduo continuará em estado de "potência" e dependência por longos e longos anos, mas é um indivíduo, um ser humano, e eu acredito (e me permitam dizer pois graças a Deus vivemos num país laico e democrático), um FILHO DE DEUS, que consigo traz vida e promessas...
Aborto não apaga a maternidade da história da mulher, apenas faz dela a mãe de um filho morto. E só quem é mãe de um filho que morreu conhece essa dor. Quem é a favor do aborto, convido para conhecer comigo o grupo que acompanho de MÃES que abortaram (por variados motivos e aqui ao meu ver não cabe julgamento nosso) e ver com os próprios olhos o que o aborto faz com uma mulher, com sua vida, sua história, sua alma e seu coração... Muitas retiram seus filhos de suas vidas num momento de desespero e falta de apoio (inclusive do Estado!) mas eles jamais saem de suas cabeças, de suas almas, de seus corações... O impedimento desses filhos de se desenvolverem e nascerem, não faz com que eles não tenham existido e esse fato é uma tragédia no ser sensível de uma mulher, ou melhor, de uma mãe! Mata-se um filho e, embora continue a viver, sepulta-se para sempre uma mãe. Como legalizar a possibilidade de tamanha tragédia?
“Ah! Quem não é a favor do aborto que não faça um!” Quanta miséria intelectual, moral e espiritual nesse tipo de pensamento! Quanta superficialidade para tratar de um assunto tão denso e complexo! Como se a descriminalização do aborto fosse uma questão de foro íntimo e não abrangesse a instituição familiar e o tipo de sociedade que pretendemos construir e o próprio entendimento do que é a dignidade humana!
Em nosso país as pessoas não tem o direito de decidir a respeito da vida ou da morte de quem quer que seja, nem mesmo a Justiça pode decidir isso. A Mãe não pode decidir se o filho poderá continuar vivendo ou não por qualquer motivo que ela alegue. Nem mesmo se o feto (ou qualquer pessoa) matasse ou roubasse nem a mãe nem ninguém em nosso país poderia decidir por sua vida ou por sua morte. Ponto. Um feto na barriga de sua mãe já está com vida, embora ainda dependa dela para continuar vivendo.

17 de setembro de 2014

Carta de Jesus para você


Eu escrevo da minha cruz à sua solidão. A você, que tantas vezes olhou para mim sem me ver e me ouviu sem me escutar. A você, que tantas vezes prometeu me seguir de perto e, sem saber por quê, se distanciou das pegadas que lhe deixei no mundo para que você não se perdesse.
 
A você, que nem sempre acredita que estou ao seu lado, que me procura sem me achar e às vezes perde a esperança em me encontrar. A você, que de vez em quando pensa que eu sou apenas uma lembrança e não compreende que estou vivo.
 
Eu sou o começo e o fim; sou o caminho para você não se desviar, a verdade para que você não erre, e a vida para que você não morra. Meu tema favorito é o
amor, que foi minha razão para viver e para morrer.
 
Eu fui livre até o fim; tive um ideal claro e o defendi com o meu sangue para salvar você. Fui mestre e servidor, sou sensível à amizade e há muito tempo espero pela sua.
 
Ninguém como eu conhece sua alma, seus pensamentos, seu proceder, e sei muito bem quão grande é o seu valor. Sei que talvez sua vida pareça pobre aos olhos do mundo, mas sei também que você tem muito para dar, e tenho certeza de que, dentro do seu coração, há um tesouro escondido: conheça-se e então você reservará um lugar para mim.
 
Se você soubesse quanto tempo faz que bato à porta do seu coração e não recebo resposta! Às vezes sofro quando você me ignora e me condena, como Pilatos; também sofro quando você me nega, como Pedro; e quando me trai, como Judas.
 
Hoje, eu lhe peço que se una à minha dor, que carregue sua pequena cruz junto à minha. Peço-lhe paciência com relação aos seus inimigos, amor ao seu cônjuge, responsabilidade com seus filhos, tolerância com os idosos, compreensão com seus irmãos, compaixão pelo que sofre, serviço com todos, assim como eu vivi e lhe ensinei.
 
Eu não gostaria de voltar a vê-lo egoísta, rebelde, inconformado, pessimista. Gostaria que sua vida fosse alegre, sempre jovem e cristã. Cada vez que você desanimar, procure-me e me encontrará; cada vez que você se sentir cansado, converse comigo, conte-me seus problemas.
 
Cada vez que você achar que não serve para nada, não se deprima, não se ache inferior, não se esqueça de que precisarei da sua pequenez para entrar na alma do seu próximo.
 
Cada vez que você se sentir sozinho na estrada, não se esqueça de que estou com você. Não se canse de me pedir, que eu não me cansarei de lhe dar; não se canse de me seguir, que eu não me cansarei de acompanhar você.
 
Nunca o deixarei sozinho.
 
Fonte: Oleada Joven

14 de setembro de 2014

Eu amo a mensagem da Cruz


Na festa da exaltação da Santa Cruz, recordo das palavras sábias do meu pároco na homilia: "A meditação da Cruz de Cristo deve nos remeter à meditação das nossas próprias cruzes". Em dias em que usar a cruz leva pessoas a perderem o emprego ou literalmente a cabeça, as palavras de São Paulo são cada vez mais verdadeiras e atuais: "A linguagem da cruz é LOUCURA para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina." (1 Cor 1, 18) 
Loucura. O mundo considera a Cruz loucura, morte, fracasso, ficção, exagero, desnecessária, dispensável, ofensiva. Ateus e outras denominações religiosas se ofendem em ver uma cruz em local público, não aceitam o que consideram um proselitismo desrespeitoso a laicidade do país. A Cruz é considerada cafona, fanatismo, falta de instrução ou inteligência. O mundo rejeita a Cruz e seu simbolismo com toda hostilidade. 
Bom, nosso país ainda é uma democracia, graças a Deus não é um país ateu (nem por seu povo nem por sua Constituição) e não se pode ignorar que é um país massivamente cristão. Enquanto cidadã brasileira eu tenho o direito de me expressar religiosamente e quero pedir licença: eu me prosto sob a Cruz de Cristo. Eu a uso, eu a tenho em minha casa, eu a quero em locais públicos. Faço questão que minha voz seja ouvida, faço questão de não ser ignorada. É um símbolo de fé, símbolo da religiosidade de milhões de compratiotas, recordação de uma acontecimento histórico relevante mundialmente (isso é inegável!), símbolo do que a falta de uma justiça imparcial pode fazer com os homens. 

4 de setembro de 2014

Oração para pedir a paz na Família

Quando a família está bem, o país está bem; quando o país está bem, a grande comunhão humana vive em paz. (LÜ BU WE, filósofo chinês).