14 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 14


Esta é a Virgen Ama de Casa ou Nossa Senhora Dona de Casa, uma devoção que surgiu na Arquidiocese de Assunção, no Paraguai. Algumas fiéis que recomendavam seus trabalhos domésticos à Nossa Senhora tiveram essa inspiração e o Arcebispo Dom Edmundo Valenzuela aprovou a devoção e a imagem. Segundo o site ACI Digital "esta Virgem carrega o Menino Jesus em um braço e no outro uma bolsa que contém diversos frutos paraguaios. Aos seus pés, tem um cântaro e está vestida com uma túnica, enfeitada com 'ñandutí', renda paraguaia feita à mão, a qual simboliza as donas de casa" (Mais neste link: http://www.acidigital.com/noticias/nossa-senhora-das-donas-de-casa-ela-existe-e-trabalha-para-voce-49353/ ).
Eu sempre fui criada pelos meus pais para estudar e trabalhar. Desde cedo minha mãe (que é artesã de profissão, mas sempre dona de casa em primeiro turno) me ensinava o trabalho doméstico: cozinhar, lavar, passar, limpar, até costurar um pouco. Porém nunca me cobrava que eu o fizesse! A prioridade eram sempre os estudos, as leituras, os trabalhos, as pesquisas... no máximo me exigia um quarto limpo e organizado. Meu pai, do seu lado, sempre trabalhou muito para poder sempre termos uma ajudante em casa e assim, nos dedicarmos ao que ele chamava "o nosso trabalho": estudar e ir muito bem na escola. 
Assim fui crescendo e sempre me dedicando muito aos estudos, com vistas a ter boa qualificação profissional no futuro. Sem falsa modéstia, sempre fui aluna nota 10, mas sempre fui muuuuiito dedicada: minhas tardes eram sempre estudando e meu único hobby era a dança (com a qual gastava diariamente 2hs de segunda à sexta). Passei no vestibular para a UnB de primeira e já antes disso, ao 17 anos, comecei a trabalhar dando aulas de Balé em escolas. Desde sempre estudei e trabalhei simultaneamente e houve épocas que eram 2 (e até 3!) empregos, aulas, cursos, estágios, faculdade.
Comecei a namorar com meu hoje esposo Juliano e ele tinha o mesmo pensamento: que eu devia estar sempre estudando, me qualificando e buscando sempre uma melhor posição no mercado de trabalho. Quando me formei, já casados, me incentivou e apoiou a fazer uma especialização na minha área, montamos uma pequena escola de Balé nas salas da catequese de nossa Paróquia (com permissão do pároco, obviamente) e estava continuamente me inscrevendo em concursos públicos. Os dois melhores em que passei dentro da minha área (sou licenciada em Educação Física, especialista em Esporte Educacional), para a Secretaria de Educação do DF e para o Hospital Sarah Kubistschek, foram por insistência e suporte dele. 
Enfim, eu seguia nessa linha que me parecia óbvia e única para mim, dada a minha criação, ao senso comum que me cercava, a evolução que ia se desencadeando em minha vida. Mas eis que a vontade de Deus nem sempre é óbvia! Lembro-me que numa ocasião, antes de ter filhos, em oração no estacionamento do trabalho do Juliano, enquanto esperava sua saída, eu orava. Nesta oração, o Senhor me convidava a uma vida "escondida de tudo e de todos", apenas na companhia Dele, de Maria Santíssima e de José, a vida que Ele mesmo tinha levado em 30 anos de sua peregrinação nesta terra. Apesar de não ter entendido a dimensão daquele convite, aceitei de coração sincero. Apenas perguntava "como isso se dará?" e a resposta vinha em meu coração "Eu te conduzirei no momento certo". Naquele momento senti forte a presença de Jesus e de Maria naquele Chevette 77! Fiquei em paz e fui seguindo a vida. 
Mas eis que esse momento chegou quando eu menos esperava. Tinha tomado posse na Secretaria de Educação do DF como professora de Educação Física e trabalhava numa escola em Mestre D'armas em Planaltina. As condições não eram as melhores, mas eu já sabia disso, pois já havia trabalhado de contrato temporário na Secretaria e sabia como era a realidade da escola pública. Apesar disso, trabalhava da melhor maneira que podia e estava satisfeita, aguardando uma possibilidade de vir a ser transferida para Sobradinho e ficar mais perto de casa. Já tinha ficado grávida a 1º vez do Antônio, que perdi por um aborto espontâneo no 3º para o 4º mês de gestação. Em seguida veio a Clara, que tinha sido gerada com todo amor e teve uma gravidez sem problema nenhum, nascendo bela e fofa para a nossa consolação. Enquanto eu trabalhava, a Clarinha ficava aos cuidados da vovó Socorro, minha mãe.
Estava tudo mais ou menos esquematizado e as coisas corriam bem, conforme nossos planos humanos. E foi justamente nesse momento que o chamado do Senhor por aquela vida escondida se repetia no meu coração. Ainda não tinha a noção do que podia ser isto, mas aos poucos tudo foi se delineando com clareza: era um chamado para estar em casa, cuidando do meu lar, da minha filha, do meu esposo. Eu resistia àquilo e achava que era algo humano, talvez saudades da Clarinha (que eu tinha muito quando estava no trabalho), mas com certeza muito medo de me entregar à Providência Divina no quesito dinheiro, pois teria que abrir mão do meu salário que era muito bom. 
Fiquei vários meses em oração por aquilo e nem tinha coragem de conversar com meu esposo Juliano, pois imaginava que ele seria terminantemente contra, especialmente por causa da grana. Enfim, aconteceu que fiquei grávida novamente, desta vez da Catarina, minha doce Catarina. A gravidez corria bem até o 3º mês, quando comecei a ter sangramentos initerruptos. Consegui uma licensa no trabalho para ficar de repouso completo mas, infelizmente, do 4º pro 5º mês, perdemos nossa bebê por conta de uma toxoplasmose. Foi um baque muito forte para nós, entrei em depressão. 
Tenho ainda outro testemunho da presença de Maria neste momento que vou deixar para um próximo post, mas adianto que ela esteve comigo o tempo todo, o tempo todo, o tempo todo... Minha família e amigos próximos me apoiaram 100%, mas mesmo assim foi muito duro. Nesse momento eu e o Juliano nos aproximamos como nunca e eu tive coragem de partilhar coisas com ele e dialogar como nunca tinha tido. Foi numa dessas conversas que expus esse chamado que sentia há algum tempo à essa vida do lar, cuidando dele, da Clara, da casa. Para a minha surpresa, em nenhum momento ele se opôs! Apenas me questionou: "mas isso não tem muito a sua cara, você sempre foi de estudar e trabalhar!". Eu concordei, mas disse que, mesmo me sentindo insegura (especialmente com relação ao dinheiro), realmente sentia isto como um chamado divino, algo que Jesus me encaminhava e que Maria abençoava. Sentia especialmente a bênção de Nossa Senhora, realmente como um magnetismo para essa experiência que não tenho como explicar... Ele disse então que "OK!", que ele estava de acordo e que só queria uma coisa para a vida dele e para minha: a Vontade de Deus e a bênção da Virgem Maria! 
Ainda demorei alguns meses para tomar coragem. Queria apenas ter certeza de que era uma condução espiritual e não um efeito da depressão ou outra coisa qualquer. Por fim, respirei fundo, comuniquei na escola e pedi minha exoneração. Muitas e muitas pessoas me questionaram, me chamavam de louca, repreendiam Juliano. Poucas pessoas nos entenderam e acolheram. Nem mesmo pessoas de caminhada na Igreja, que pregavam sobre confiança e entrega a Deus, foram favoráveis a esta decisão e colocavam em cheque nosso discernimento e sabedoria, mas meu coração estava em paz. Estava pacificada como nunca estive antes em toda a minha vida! Aquela antiga música se tornou meu lema e finalmente fazia todo sentido para mim: "Essa paz que eu sinto em minha'alma... Não é por que tudo me vai bem... Essa paz que eu sinto em minha'alma... É por que eu sigo ao meu Senhor!... Não olho as circunstâncias: olho o seu amor!... Não me guio por vistas: alegre estou!... E ainda que a terra não floresça ou que a vide não dê os seus frutos... Ainda que os montes se lancem ao mar, ou que a terra trema, EU HEI DE CONFIAR!"... 
Entendi que foi exatamente isso que Maria fez: aceitou os planos de Outro, disse "sim", se entregou, se abandonou. E ora, ora, quem diria... eu também estava vivendo a experiência de Maria! Tendo meu esposo como protetor e guardião, justamente como São José! 
Não quero com isso afirmar que é somente esta a via que agrada a Deus e à Mãe Celeste. Entendo que TODA MULHER é mãe, esposa e dona de casa, mesmo as que trabalham fora (e encaram jornada dupla e tripla de trabalho em suas profissões e quando chegam em casa!), mesmo as que tem funcionárias e babás, pois nestes postos, ainda que em gerência, são insubstituíveis. Entendo que a muitas mulheres Jesus chama para missões estritamente espirituais mesmo quando as constituem médicas, professoras, pesquisadoras, políticas ou qualquer que seja a ocupação profissional, pois é como sal da terra e luz do mundo que as envia aos seus trabalhos! 
Apenas partilho que, para mim, o Senhor destinou a vida escondida nos moldes da Sagrada Família de Nazaré, com primazia absoluta da vocação ao Matrimônio e à Maternidade, não me excluindo outras missões, mas destacando essas vocações citadas para meu serviço, sacrifício, dedicação, com amor, com esmero, sem salário, sem promoções, sem férias nem tapinhas nas costas. 
Já vivo nesta moção há mais de 10 anos e testemunho: nunca nada nos faltou de material! Esse era meu grande medo e a fonte das recriminações das pessoas sobre nossa decisão. Depois da Clara tivemos mais 3 filhos, são 4 no total e Jesus, nosso Pastor, nunca deixou nada faltar das coisas que realmente importam. Não temos luxos, mas vivemos com relativo conforto, nossa vida é marcada pela Providência nos pequenos acontecimentos e nas grandes necessidades. O Senhor é fiel, quando chama, Ele sabe o "porquê" e o "como", e também o "até quando". Foi assim com Nossa Senhora e São José, e creio que será assim com Manuela e Juliano e com tantos outros que dizem "sim" aos planos pouco ortodoxos aos olhos do mundo da parte do Senhor. 
Assim me tornei dona de casa, como Maria! Confesso que tento, tento muito mesmo, mas sou ainda aprendiz nessa arte! Lembrem-se que não foi essa a minha formação! rsrsrs... Fui adquirindo experiência aos poucos, sempre ouvindo os conselhos da minha mãe (a maior expert da área que conheço!), aprendendo com os erros, pesquisando ideias em livros, na internet, contando com a ajuda eventual de ajudantes diaristas... e constantemente correndo atrás. As crianças, no dia a dia, tem a preferência suprema das atenções: deveres de casa, estudos, leituras, consultas, atividades e todas as outras mil coisas que se desencadeiam dessas. Aqui em casa os principais ensinamentos são, de fato, a vivência religiosa, a educação antes das outras atividades e o trabalho em equipe para tudo para todos, sem exceção, da mais velha ao pequeninho de 3 anos. 
E não posso me esquecer do maridão, pobrezinho, sempre na luta comigo no tal do "trabalho em equipe", na colaboração constante com as crianças e firme em seus estudos e trabalho, realizando tudo com a maior seriedade e profissionalismo possível, se desdobrando em mil para atender todas as demandas tanto quanto eu dentro de casa. Da mesma forma que ele me ajuda estendendo uma roupa, eu o ajudo preparando com ele seus planos de aula ou sua agenda de compromissos: somos um time! E temos aprendido a cada vez mais a termos nosso espaço e tempo para sermos um casal com amizade, intimidade, romantismo, espiritualidade (com e sem as crianças, na medida da Providência Divina!).
Quando vejo a vida que temos, tenho absoluta certeza da graça especialíssima da intercessão de Maria Santíssima por nós por nosso atendimento ao chamado de Deus para nossa família! Quando constato as Providências e Misericórdias em nossa vida financeira, não tenho dúvidas de fidelidade de Jesus que chama e sustenta, e transforma água em vinho bom por pedido de sua Mãe... Quando percebo as pequenas vitórias no "escondido da vida doméstica", certifico-me da presença de Nossa Senhora a me ensinar como Mãe e Mestra. 
Minha Mãe Celeste, minha única platéia, sempre me encorajando e motivando, orientado e incentivando! Nossa Senhora Dona de Casa, nunca imaginei que seria sua parceira de ocupação, mas o Espírito foi me conduzindo para essa nobre e desvalorizada missão para a qual nunca me preparei e na qual já estou há mais de uma década! Eu louvo a Deus: minha alma também glorifica ao Senhor e meu espírito também exulta de alegria pela vida que eu levo! Reconheço que jamais pensei que poderia ser feliz e realizada vivendo assim, mas eu sou! Nossa Senhora Dona de Casa, intercede por mim, para que sempre e cada vez mais eu possa me dedicar a esse ofício com saúde, força, disposição, organização, criatividade, sabedoria, serenidade, servindo minha família como também a Senhora serviu à sua! Dá-me sua bênção, companheira de missão! E obrigada por sua ajuda todos esses anos! Amém! 

13 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 13


Tivemos a oportunidade de morar em Portugal por quase um ano, em 2008 e 2009, por ocasião de um mestrado que Juliano, meu esposo, conseguiu ser selecionado para cursar em Lisboa. Tudo isso se deu de uma forma um pouco conturbada, pois foi justamente num momento em que íamos começar a mexer com a construção de nossa casa em Sobradinho-DF, um sonho meu desde a infância. 
Então entramos em um impasse! Por um lado estava acordado entre nós que finalmente, depois de 7 anos de casados, iríamos dar início a este sonho de ter a casa dos sonhos para criar nossos filhos. Casa simples, modesta, mas com espaço e conforto para que eles pudessem crescer, receber os amiguinhos, na qual pudéssemos ter nossos momentos de oração e confraternização com familiares e amigos, enfim... Desde a infância, por não ter podido nunca ter tido isso com meus pais, sonhava em ter então com meu marido e filhos. Por outro lado essa oportunidade da viagem era tudo o que Juliano sempre sonhou: um mestrado, com suporte financeiro de uma licença capacitação no trabalho, morando fora do país. Resultado: como normalmente acontece, a mulher sacrifica seus anseios em prol da família, do esposo e dos filhos. Foi o que eu fiz, mas não sem um bom bocado de mágoa e uma condição: não venderíamos nosso lote aqui no Brasil. Ele aceitou e então fomos. 
A reação da família e amigos foi variada. Alguns achavam loucura, recriminavam; outros davam apoio e prometiam que ia ser uma experiência maravilhosa para todos nós. Minha mãe Socorro se melindrou e magoou conosco, ficando sem falar direito com a gente por todo o período, o que dificultou ainda mais para mim, devido a nossa proximidade. Mas não me faltou colo de mãe, pois Maria esteve sempre comigo, em todos os momentos, em cada dificuldade que tive que superar, desde antes da viagem em si, quanto durante e depois, no colhimento dos frutos. Toda a burocracia e papelada com vistos, passaporte, documentos de trabalho e os acadêmicos do Juliano, cada etapa desta foi muito marcada pela sobrenatural providência divina, abrindo portas e destruindo obstáculos, fato que me dizia que a Vontade de Deus estava à favor desta viagem. Assim, mesmo não querendo, fui aceitando por força de um discernimento espiritual de que Deus e Nossa Senhora estavam conduzindo todo o processo. 
A despedida foi difícil, mas como em tudo em minha vida, fui colocando nas mãos de Maria e pedindo a consolação do meu coração. Admito que minha relação com Juliano ficou abalada, e entregava continuamente nosso matrimônio à Maria e José, a quem havia consagrado nosso relacionamento. Eu tinha aceitado a viagem por obediência à condução que entendia que o Espírito Santa estava dando à nossa vida e por amor ao meu esposo, mas meu coração estava ferido por achar que ele tinha "rompido" um combinado nosso com relação à construção da nossa casa. 
Na viagem de ida, dentro do avião, na agonia em cuidar dos dois filhos que tínhamos na época inquietos com o aperto da poltrona e no fato de terem que ficar quietinhos e "presos", lembro-me de que Juliano me recordou um plano que tínhamos feito ainda nos tempos de noivado: o de que em nosso aniversário de 10 anos de casamento faríamos uma viagem comemorativa a Fátima! Disse ele: "Nossa Senhora adiantou nosso sonho em 3 anos, pois a primeira coisa que faremos em Portugal depois de nos acomodarmos no Hotel é ir à Fátima, já programei tudo!" Aquilo aliviou enormemente meu coração pois via o dedinho de Maria a me acariciar e reconfortar e os esforços de meu marido para compensar o sacrifício que ele percebia que eu estava fazendo. 
De fato, tão logo chegamos, nos instalamos rapidamente no Hotel e com um carro alugado e um GPS fomos direto à Fátima. Era um dia quente de verão, o sol estava azulzíssimo, sem nenhuma nuvem e fazia calor. No mesmo instante minha má vontade se dissipou e fui começando a me abrir àquela experiência. Fátima é solo eucarístico. Pisar ali é um acontecimento extraordinário, de um jeito que palavras não conseguem descrever. Me lembrei na hora do pediatra das crianças, Dr. Avelino Ramos, que é português de nascimento, nos dizendo quando contamos para ele que iríamos nos mudar por um tempo: "Vocês tem que ir logo em Fátima, vocês vão amar Fátima!! Ali é especial!" Ele estava certo...


Durante todo o tempo que passamos lá fomos várias vezes a Fátima e todas elas foram incríveis momentos de reavivamento de nossa fé. Nos sentíamos em casa lá e pudemos constatar a fé do povo português em Jesus e Nossa Senhora. De fato há um ditado popular lusitano que afirma que Portugal pode ser resumido em 3 "fs": Fado, futebol e Fátima! Eu, por minha conta, incluiria mais um "F", de Fernando Pessoa, mas isso é cá comigo... Voltando ao assunto em questão, ir à Fátima era como voltar um pouquinho para a São Vicente, nossa comunidade em Sobradinho, nos sentíamos em casa. A casa da Canção Nova em Fátima também ajudou muito para essa sensação de estar em família. Pudemos participar um pouquinho de alguns encontros lá com a comunidade em algumas ocasiões.
Lá em Portugal, o grande dia de celebração em Fátima é dia 13 de Outubro, o dia do grande milagre do sol, presenciado não só pelos 3 pastorinhos mas também por cerca de 70 mil presentes e outras tantas pessoas que não estavam no local no momento. Neste dia é feriado em Portugal e tivemos a oportunidade de irmos à Fátima mais uma vez e experimentar uma grande comunhão com as inúmeras pessoas que ali estavam! Foi inesquecível, um verdadeiro Pentecostes onde o Espírito se derramava abundantemente e, embora a Sagrada Liturgia se desenvolvesse em várias línguas (português, espanhol, inglês, grego, italiano), todos nós os ouvíamos no mesmo idioma do amor. Idosos, famílias, crianças, todos comungavam do mesmo sentimento de unidade, com piedade e devoção a Nossa Senhora: uma coisa linda de se ver e de viver! Milhares de lencinhos brancos com a figura da Mãezinha de Fátima agitados ao vento, os olhares cheios de fé, as lágrimas de emoção também em nossos olhos... todos esses detalhes fizeram deste momento uma recordação para nunca mais esquecermos! 


Assim, com a ajuda de Nossa Senhora de Fátima, fui aceitando mais a experiência de morar em Lisboa nestes meses. Fui me abrindo gradativamente, aproveitando, gostando e hoje tenho consciência de que realmente foi Vontade de Deus nossa ida para lá. Hoje afirmo sem medo de errar, que foi uma das melhores experiências da minha vida! Ainda que em alguns momentos eu tenha vivido em solidão, insegurança, sentimentos embaralhados no coração, não tenho dúvidas: uma das melhores experiências da minha vida, pois creio que quando estamos plantados na Vontade de Deus para nós e sob a proteção da Virgem Maria, somos felizes, genuinamente felizes, embora todas as vicissitudes que possamos passar! Eu creio nisso e atesto, não da boca pra fora, mas confirmo como quem viveu e vive assim! 
Por isso desde essa vivência temos sido ainda mais devotos da Mãe de Deus e nossa Mãe, sob o título de Nossa Senhora de Fátima! As aparições aos três pastorinhos muitas vezes foram (e são) excelentes materiais para a catequese familiar com as crianças sobre santidade na infância, vida de oração, oração do Terço, amor à Mãezinha do Céu e muitos outros temas. Invocamos sempre sua intercessão e contamos sempre com seus cuidados. No dia de hoje, 13 de Maio, dia em que no Brasil celebramos o grande presente do Céu que foi o episódio de Fátima, proclamamos com Lucas 1, 48-49: nós somos dessa geração que proclama Maria de Bem-Aventurada, pois sabemos que foi Ele que fez nela todas essas maravilhas! Nossa Senhora de Fátima, nós te amamos, ROGAI POR NÓS! Roga por Portugal, e roga também pelo Brasil, roga pela paz no mundo inteiro! Amém! 

12 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 12


Como já disse em outras postagens, a convivência íntima e familiar com Nossa Senhora produziu algumas tradições nossas. Uma dessas tradições é a oferta, a consagração do ano letivo dos nossos filhos sob seus cuidados, sob o título de Nossa Senhora Auxiliadora. Todo começo de ano, no Domingo antes da volta às aulas, nós participamos na Missa no Santuário Dom Bosco aqui em Brasília. Explico o porquê.

"O grande apóstolo da juventude, Dom Bosco, adotou esta invocação para sua Congregação Salesiana ("Auxiliadora dos cristãos") porque ele viveu numa época de luta entre o poder civil e o eclesiástico. A fundação de sua família religiosa, que difunde pelo mundo o amor a Nossa Senhora Auxiliadora, deu-se sob o ministério do Conde Cavour, no auge dos ódios políticos e religiosos que culminaram na queda de Roma e destruição do poder temporal da Igreja. Nossa Senhora foi colocada à frente da obra educacional de Dom Bosco para defendê-la em todas as dificuldades. (...) Dom Bosco ensinou aos membros da família Salesiana a amarem Nossa Senhora, invocando-a com o título de AUXILIADORA. Pode-se afirmar que a invocação de Maria como título de Auxiliadora teve um impulso enorme com Dom Bosco. Ficou tão conhecido o amor do Santo pela Virgem Auxiliadora a ponto de Ela ser conhecida também como a “Virgem de Dom Bosco”. (leia mais neste link: http://noticias.cancaonova.com/conheca-a-historia-de-devocao-a-nossa-senhora-auxiliadora/)

Estudei na minha adolescência em Recife, numa escola salesiana muito boa (Salesiano Sagrado Coração, no Bairro da Boa Vista). Apesar de nesta época estar afastada da Igreja Católica, sempre tive admiração por Dom Bosco. Gostava da história de vida dele e achava sempre que aqueles grandes olhos de seus retratos pendurados em todos os cantos do colégio me seguiam onde quer que eu fosse. Aprendi como Dom Bosco contava com Nossa Senhora na lida com aquelas crianças e jovens e como realmente ela era sua Auxiliadora.

Por isso me acostumei a entregar também a vida escolar das crianças nas mãos de Maria. A começar por essa consagração anual. Participamos da Santa Missa no Santuário Dom Bosco no domingo anterior ao início das aulas, como disse acima. Após essa Missa, nos dirigimos à imagem de Nossa Senhora Auxiliadora e rezamos. Eu peço nesta intenção específica dos estudos das crianças (pela aprendizagem, a convivência com os colegas, relação com os professores e funcionários, pela escola em si, entrego tudo) para em seguida convidá-los a orar também. Rezamos uma Ave Maria "bem bonita pra Mamãe do Céu”, as crianças tocam nos pés da imagem, jogam beijinhos...

Além disso, toda manhã, como já mencionei em outro post, vamos à escola rezando no carro, consagrando a manhã de aula à Maria Santíssima. E eu, em meio aos meus afazeres, passo a manhã em oração de intercessão por eles. Cada prova, trabalho, apresentação, passeio... os professores, os colegas... as salas de aula, quadras, parquinhos, piscinas... tudo é assunto para estar conversando com Maria e entregando, pelas mãos dela, a Jesus. Somos abençoados por poder ter nossos filhos numa escola católica (Instituto São José) e nessa empreitada, também seu amado esposo se coloca como nosso auxiliador! Sem contar que frequentemente também lá temos momentos especiais de oração. A Coroação de Nossa Senhora neste mês de Maio é sempre especial e eles sempre participam, para o meu deleite!

Clamo à Virgem Santíssima a graça de podermos manter nossa tradição anual da consagração do ano letivo aos cuidados dela! É um momento gostoso de fé e familiaridade nossa, realmente tradição familiar: a nossa família e a Sagrada família com São José e Dom Bosco. Posso testemunhar que temos sido abençoados pois a vida escolar das crianças sempre foi e tem sido calma, sem grandes problemas, e eles tem conseguido êxito em seus estudos. Peço, até acima dos resultados nas avaliações, que ela sempre esteja ao lado dos meus filhos onde quer que estejam, mas de modo especial na escola, onde eles passam grande parte do dia. Que ela possa estar sempre abençoando, protegendo e intercedendo por eles junto a seu filho Jesus! Que o manto dela esteja sobre eles cada manhã no ambiente escolar e que ela seja um canal especial de graças para cada um: a graça da inteligência, da sabedoria, da disciplina, do respeito com todos! Que ela seja, enfim, de fato nossa Auxiliadora neste processo que vai se estender por anos nas vidas deles, para que sejam bem-sucedidos e, mais que tudo, para que sejam felizes! Dom Bosco, rogai por nós! São José, rogai por nós! Nossa Senhora Auxiliadora, rogai por nós! Assim seja, amém! 








Oração pelos filhos na Escola



Senhor, meu Deus, eu entro diante da tua presença neste momento para lhe pedir pelo dia de aula de meus filhos. Sei que o Senhor está com eles desde o momento em que chegam à escola até o momento que vem embora, aliás, em todos os segundos de sua vida! E eu te peço para que o Senhor os guarde e os proteja, dando sabedoria para entender o que é passado pela professora. Eu uso a autoridade do nome Santo do Senhor e me levanto contra todo mal, contra toda má influência, preguiça, acidente e qualquer problema que possa atingir meus filhos na escola, EM NOME DE JESUS! 
E ordeno que se afastem deles agora todo principado, potestade, espíritos de trevas deste mundo tenebroso, toda força espiritual do mal, pelo poder do nome de JESUS, ao qual todo joelho se dobra nos céus, na terra e nos infernos! E PROCLAMO COM TODA A MINHA FÉ QUE JESUS É O SENHOR DA VIDA DOS MEUS FILHOS! 
E imploro, por este mesmo nome poderoso, nome acima de todo nome, que eles tenham um dia abençoado na escola, um dia feliz. Que saibam agir com sabedoria, respeito, seriedade, em todos os momentos, com professores, funcionários e colegas, por uma abundante graça derramada por Seu Espírito Santo sobre eles, EM NOME DE JESUS, por intercessão da Virgem Maria! Que seus anjos da guarda os inspire bondade, coleguismo, atenção, obediência para com todos os superiores, funcionários, professores e colegas!

Senhor meu Deus, coloco também sob tua Santa e poderosa proteção a escola dos meus filhos. 
Senhor, meus filhos passam boa parte do tempo dentro daquele local e por isso sei que eles precisam da tua proteção enquanto estão lá. Santifica e proteja aquele espaço para que seja espaço de sadia convivência, aprendizado, crescimento e alegria. Creio e clamo que o Senhor os guarde e a todos que lá convivem com eles em todos os seus passos e onde eles estiverem. Abençoa os professores, que eles venham a ter amor pelo que fazem e paciência para lidarem com as crianças enquanto elas estão embaixo de seus cuidados; abençoa os funcionários que ali trabalham e os diretores e todos que de maneira direita ou indireta ali ficam. 
Não permita que ninguém mal intencionado adentre aquele lugar, PEÇO EM NOME DE JESUS! Abençoe todos os ambientes, objetos, protege cada criança que ali está, livra-os de todo e qualquer mal que queira se levantar contra eles e que eles estejam em segurança e proteção. Abençoa Senhor a escola, os alunos e os funcionários, EM NOME DE JESUS CRISTO, NOSSO SENHOR, PELO PODER DO ESPÍRITO SANTO, NA INTERCESSÃO DA VIRGEM SANTÍSSIMA! Amém! 

11 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 11


Desde antes de ficarmos "grávidos" pela 1ª vez já sabíamos o nome do bebê se fosse menina: Clara. Sempre fomos devotos de Santa Clara, admiramos sua história e sempre clamamos por sua intercessão. Existia até uma "profecia" de um frei baiano, Frei Hilton, numa visita que fizemos ao Convento de São Francisco de Caiuru, sul da Bahia, que me adiantou que em um ano daquela data eu estaria com uma “linda bebê gorda, loira e de olhos verdes nos braços” e que seu nome seria Clara. Essas foram precisamente suas palavras. Bingo! Certíssimo o Frei, foi exatamente assim!
Fiquei grávida, a gestação corria super bem, estávamos muitíssimos felizes arrumando o quartinho, o enxoval, em oração e louvor por essa bênção em nossas vidas. Todas as noites colocávamos um Cd de músicas instrumentais com várias versões da famosa "Ave Maria" para que nossa menininha fosse abençoada com a presença de Maria por aquelas belíssimas melodias.
Muitos nos questionavam sobre a possibilidade de colocarmos o nome dela de "Maria Clara", mas meu esposo achava muito comum. Além disso, queria ser fiel à moção do nome Clara das nossas orações pessoais e da profecia de Frei Hilton. Mas tinha também outro detalhezinho. Assim como eu fui, Juliano era um pouco “cético” com relação a Nossa Senhora. Respeitava mas definitivamente não era um devoto, então colocar o nome “Maria” em nossa filha tinha pouco significado para ele. Ele se sentia meio constrangido sobre esses sentimentos de indiferença e rejeição a Maria (que tinham sido plantados nele por influência protestante de alguns familiares), pois já tinha conhecimento sobre Mariologia. A razão ele já tinha, a fé no que ensina a Igreja ele já tinha... faltava aquele afeto por Maria Santíssima.
Mas uma bela manhã, estávamos participando do que hoje a RCC chama de "Cenáculo de Oração", que é uma reunião de toda a RCC local. Naquela época se chamava "Reunião do 1º Domingo" aqui na Arquidiocese de Brasília. Eu estava mais ou menos no 6º mês de gestação da Clarinha. Chegamos no momento final da Oração do Terço e nos colocamos de pé com os outros irmãos, voltados para a imagem de Nossa Senhora das Graças conforme condução da serva responsável. Antes de finalizar, a moça fez uma pequena partilha sobre uma inspiração que ela tinha tido quando estava se preparando para conduzir aquele momento. Ela disse que o Espírito revelou a ela que algumas pessoas precisavam ainda quebrar algumas barreiras com relação a Maria e para tal, que ela deveria comprar algumas rosas e entregar às pessoas que Ele indicasse no momento final do Terço. As rosas não eram para todos, mas só para essas pessoas que o Espírito Santo mostrasse, as quais deveriam abrir seus corações para a Mãe e aceitar seu amor, sua proteção, seus cuidados. A serva afirmava que o recebimento daquela rosa era a oficialização da quebra das barreiras com Maria e, a partir daquele momento, novos devotos surgiriam para Maria, mais do que isso: novos filhos!
Estávamos atrás de todos, por último, pois tínhamos chegado um pouco tarde. Enquanto o ministério de música tocava uma canção mariana, aquela moça saiu de lá de frente e foi passando entre os servos, como que procurando a quem dar aquela primeira rosa. Nós não a conhecíamos, mas ela se deteve diante do Juliano e lhe ofereceu a 1ª rosa. Deu um grande abraço nele e prosseguiu entregando outras rosas para as pessoas que o Espírito Santo estava indicando a ela. Foi muito emocionante! Ele chorou, eu chorei, nós nos abraçamos e, por fim, ele me disse: “O nome de nossa menininha será Clara Maria”!
Nossa filha hoje tem 12 anos, é uma mocinha linda, generosa, solícita, estudiosa e muito piedosa. Ama Nossa Senhora, é fiel na Oração do Terço, na catequese, ama o Grupo de Oração e Vigília então... é com ela mesmo! Maria é muito presente em sua vida em tantos momentos!... E meu esposo? A partir dessa experiência posso testemunhar que se tornou devoto e filho de Maria, homem de oração frequente do Terço, sempre recordando de Nossa Senhora em todos os momentos (os difíceis e os alegres), sempre contando com sua intercessão, sempre colocando suas necessidades nas mãos dela. Obrigada, Mãe, por estar sempre em nossas vidas! 

10 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 10


Ensina tradição piedosa e antiquíssima da Igreja que cada Ave Maria que rezamos com fé é como uma rosa que entregamos com amor e reverência a Nossa Senhora. Não é à toa que chama-se Rosário a oração completa da contemplação dos mistérios do nascimento, vida, Paixão e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo: ofertamos um verdadeiro buquê de rosas à Mãe Celeste quando o rezamos! 
Na minha juventude aprendi o costume das 5 pedrinhas como vivência de oração (Palavra, Eucaristia, Confissão, Jejum e Rosário) e fazia todo o possível para estar em dia com esses compromissos assumidos diante de Jesus e de Maria. Além disso, fazia faculdade e tinha 2 empregos. Além disso, participava de grupo jovem, ministério de dança, grupo de oração, catequese de adultos (fiz a Crisma tardiamente), Escola de formação Paulo Apóstolo (da RCC) e liturgia da minha comunidade. 
Ou seja, vivia em constante ativismo, saindo de casa antes das 6hs da manhã e muitas vezes só voltando próximo da meia noite durante a semana. Nos fins de semana na maioria das vezes era até mais corrido com encontros, apresentações do ministério de dança (ou ensaios e reuniões de oração), Missas, reuniões das equipes do grupo jovem, retiros, encontros da catequese, formações, missões, trabalhos e provas da faculdade... sem contar que tinha que marcar presença na família para não ter reclamações (justas reclamações) de tanta ausência. 
Para resumir a história, o que começou a ser prejudicado nessa confusão foi a vida de oração. As 5 pedrinhas viraram pó de areia! De todas as prescrições, a que mais doía não conseguir fazer era a oração do Terço! Sentia falta mesmo, me entristecia e me sentia meio traindo Nossa Senhora, pois era um combinado nosso, nosso momento juntas. 
Como fazia a Catequese de adultos na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima decidi procurar o pároco, Pe. Jeová Elias, e ter uma espécie de direção espiritual com ele, reclamando da loucura que estava minha vida e de como eu estava abandonando as práticas de oração por causa da falta de tempo. Ele me ouviu com toda paciência sem intervir. Quando falei da parte de Nossa Senhora, aí que me "larguei" mesmo no desabafo. Disse que eu era uma pessoa de Rosário diário, às vezes até a devoção das Mil Ave Marias! Agora nem um Terço estava conseguindo rezar! 
Neste momento ele riu e me interrompeu, com aquela calma cearense que lhe é peculiar: "Minha filha! Se você rezasse uma única Ave Maria com amor, olhando nos olhos de Maria, já teria feito o suficiente e a teria deixado feliz! Mas por querer fazer tudo isso que nem Jesus nem Maria nunca te exigiram, querendo dar tudo a eles, acaba não dando nada."
Aquilo me marcou para sempre! Quantas e quantas vezes rezamos o terço como verdadeiras metralhadoras de rosas na face de Maria, apenas para cumprir uma "obrigação" de rezar o Terço ou Rosário, quando muitas vezes, uma única Ave Maria com amor, olhando nos olhos de Maria teria sido muito mais digno, profundo, genuíno e fiel. 
O Padre me aconselhou veementemente a cessar o ativismo. Dispensar muitos compromissos, aprender a dizer "não", filtrar as tarefas que surgissem e focar no essencial. E disse ainda que eu suplicasse ajuda a Maria, que ela ia me ajudar. E assim aconteceu. Fiz uma "limpa" na minha vida, fiquei só com o essencial e aprendi que os filhos e filhas de Maria vivem pacificados. É verdade que às vezes a vida nos impõe um ritmo acelerado, mas é preciso buscar com todas as forças peneirar tudo e preservar não o que é urgente, e sim o que é primordial. 
Este é um desafio diário, até os dias de hoje para mim, mas essa consciência nunca mais me faltou. Meu lema atual é "um terço por dia", pelo menos! Mas quando isso não é possível, uma Ave Maria com amor, uma rosa, apenas uma rosa com doçura, confiança e carinho: eis meu oferecimento a Mãe Celeste. E tenho plena certeza de que ela acolhe com amor e compreensão! 

9 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 09


Assim como eu tive durante toda a minha infância o exemplo de minha mãe constantemente rezando o Terço em diferentes situações, também quis que meus filhos tivessem em mim esse modelo e essas memórias de nossos momentos de oração na infância deles.
Desde o ventre, cada uma das crianças provavelmente já estava habituada com a doce melodia das Ave-Marias, pois já há algum tempo a oração do terço é um compromisso meu com Nossa Senhora. "Um terço por dia", pelo menos, esse é meu lema. 
Na minha juventude, quando tinha mais tempo disponível, rezava o Rosário diariamente, mas com as exigências da criação dos filhos e a vida cada vez mai atarefada (são 4 irmãos) se tornou difícil, embora ainda possível de vez em quando. 
Assim, mesmo com essa dificuldade, naturalmente fui incluindo as crianças nesse propósito da oração do Terço. Muitas e muitas vezes é necessário alguns estratagemas, especialmente quando eles eram menores, mas ainda hoje também, para que eles "entrem na onda" da oração. Por exemplo, por várias vezes permiti que rezassem brincando. Eu ia rezando em voz alta enquanto eles, aos meus pés, rezavam de sua maneira, em meio a carrinhos, bonecas e lápis nas mãos. 
Outras vezes, para tentar variar um pouco e instigar-lhes o interesse, colocava um CD com a Oração do Terço, ou rezávamos com as Rádios ou TVs Católicas. Em outras ocasiões, procurava vídeos no YouTube com as contemplações dos mistérios onde eles podiam "assistir" também as imagens, o que ajuda bastante a entender o sentido da contemplação e prender a atenção deles. 
Rezar o Terço nas caminhadas, ou nos trajetos de carro, ou levá-los para ajudar nas vezes que rezamos em comunidade, ter uma capelinha em casa com velas e uma Cruz, ou imagem de Nossa Senhora... Tudo isso os atrai à oração.
Mas o que mais os motiva é, sem dúvida, o fato da oração do Terço ser uma rotina em família. Cada um tem seu tercinho e frequentemente, ganhar um terço novo e bonitinho, com as contas em formato de estrelas, corações, rosas, coloridos, etc, é a recompensa por algum bom comportamento, fato sempre desejado e festejado. 
Atualmente infelizmente não consigo rezar todos os dias o Terço com eles, mas separo alguns momentos do ano para fazer essa empreitada por um período de dias seguidos, como no Advento, Quaresma, ou no mês de Maio. E pelo menos frequentemente, alguns dias por semana, na medida do possível, estamos reunidos rezando o Terço. Os maiores já decoraram os mistérios, os pequenos são celebrados quando rezam direitinho. 
Enfim, meus filhos são educados para a oração, pois tudo nessa vida é aprendizado. Desde o ventre incutimos a devoção mariana na vida deles simplesmente por que não dá para escapar disso morando com a gente, vivendo aqui em casa. 
Rogo a Deus, nosso Senhor, que eles possam crescer neste costume, assimilando os ensinamentos que ele oferece, crescendo em estatura, sabedoria e graça, sob a proteção do manto sagrado da Mãe Celeste! É o que eu peço hoje, pelo nome santo de Jesus, por meio da intercessão da Imaculada Mãe e de seus anjinhos da guarda, amém! 

8 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 08


Hoje é Dia das Mães, então o Espírito me inspira a testemunhar como minha mãe Maria do Socorro é modelo da Mãe do Céu para mim. Sempre penso que, se minha mãe, que sei que é mulher "humana", ou seja, tem seus defeitos e qualidades, já me permite perceber a tamanho da bondade de Deus agindo pelo ser humano, imagine Maria Santíssima! Vou ilustrar, para que fique claro.
  1. Tudo o que eu coloco nas mãos da minha mãe Socorro ela me devolve muuuiitoo melhor do que eu entreguei! Por exemplo, há algum tempo atrás o liquidificador da minha mãe deu defeito e ela me pediu o meu emprestado. Na correria que é meu dia a dia, dei uma limpadinha superficial e deixei na casa dela. No dia seguinte ela me mandou o liquidificador de volta e eu até fiquei em dúvida se era mesmo o meu! Ela limpou tão bem "limpado" que o treco ficou até mais branco que quando novo (ele era meio bege originariamente)! Se eu deixo um cobertor lá ele volta mais macio e cheiroso do que quando comprei; se é uma panela de pressão, volta com borracha nova; se é um álbum de fotos, volta organizado com etiquetas; se são as crianças, eles voltam com as unhas cortadas, orelhas limpinhas, perfumados e sempre mais gordinhos! :) Isso me faz entender que, se com minha mãe é assim, também é com Maria Santíssima! Posso colocar o que quer que for em suas mãos, na confiança de que, no momento certo, ela me devolverá muuuuito melhor que eu entreguei! Precisamos aprender a confiar nossas "coisas" à Virgem Maria! Colocar tudo em suas mãos sem temer, ela sabe como providenciar o melhor para nós junto a Jesus! Entregue e se despreocupe: quando ela te devolver, você terá uma grande a agradável surpresa!
  2. Sempre que eu estou passando por alguma dificuldade pessoal, minha Mãe meio que "sente" e mesmo que eu não conte nada ou tente disfarçar, ela descobre. É incrível essa perspicácia e sensibilidade! Realmente tenho que crer que é algo espiritual, como um dom carismático específico da maternidade! É só ela olhar para mim que logo fala: "Você chorou! O que foi?" Ou "Fala logo, o que que tá pegando? Desembucha!" E não adianta falar "nada não, mãe! Eu, heim!?" que não cola. Ela já sacou tudo, já está vendo uma forma de ajudar ou pelo menos de rezar. Assim também é Nossa Senhora conosco. Muitas vezes nem é necessário fazer uma oração formal de súplica clamando sua intercessão que ela já "sacou tudo", já está "passando à frente, abrindo portas e portões", desatando os nós, pisando cabeças de serpentes e fazendo todo o possível para ajudar, intercedendo junto a Jesus, mediando todas as graças e bênção de que precisamos! Nem precisar falar nada, ela sabe.
  3. Em outros casos eu nem chego a ter consciência de que estou precisando de algo e minha mãe já se adiantou e organizou tudo para mim, sem que eu pedisse, de uma maneira muito melhor do que eu jamais teria feito. Por exemplo, numa ocasião nós estávamos muito sem dinheiro para fazer uma festinha de aniversário para meu filho João. Então compramos apenas um bolo, poucos salgados e uns refrigerantes só para não passar em branco. Combinamos apenas com avós e tios de cantar um "Parabéns" e pedi à minha mãe que a reunião fosse na casa dela. Isso aconteceu no mês de junho, num ano de Copa do mundo. Meus pais e irmãos sempre gostam de providenciar "adereços" verdes e amarelos para entrarem no clima do futebol, mas naquele ano o Brasil não foi muito pra frente na competição, de modo que sobrou muita coisa. Resultado: quando chegamos de tardinha, a sala estava toda verde e amarela, com balões, bandeirolas, cornetas, todo tipo de enfeite de futebol, bola, chuteira, etc que tinha sobrado da Copa. João, que já tinha sido avisado que seria só um bolo, quando viu tudo aquilo arregalou os olhos e ficou imensamente feliz pelo que a vovó tinha "aprontado"! E nós também! Foi uma festa pra lá de chique e animada, muito além das nossas expectativas, graças a vovó. Assim também age Nossa Senhora: o povo acha que vai ter uma festinha fajuta com um vinho mais ou menos e não fica sabendo que ele está para acabar! E ela já está reunindo os serviçais, separando as talhas, providenciando a água e "apressando" Jesus para realizar o milagre para nós! E o que esses dois organizam e empreendem é muito, muito superior do que poderia supor nosso alheamento e incapacidade! 
  4. Minha mãe é do tipo superprotetora, leoa com os filhotes. Ai de quem chegar perto de nós! Mas sempre soube nos corrigir para nossa evolução. Nunca nada passa em branco para ela: sempre me advertiu em meus erros, às vezes com firmeza, às vezes com jeitinho, às vezes com indiretas (ela adora essa modalidade! kkkkk), às vezes me deixando colher os frutos dos meus atos. Eu só sei de uma coisa: quando eu não escuto minha mãe, as chances de eu me arrepender são altíssimas! Além de amargar os prejuízos já posso me preparar para os inevitáveis "Mas eu avisei!", "Toma!", "Não ouve a mamãe... Olha aí!" É batata! Além de avisar, de corrigir, de orientar, de ser muitas vezes ignorada ela ainda tem que me colocar no colo depois que a lambança está feita e me consolar! Aí não é mole não, né? Mas eu posso estar tranquila pois ela mesmo assim nunca se omite e nunca me falta, com amor e (muitas vezes) com paciência! :) Da mesma forma acontece com Nossa Senhora, que é Mãe e Mestra. Aquela música tão linda da Irmã Kelly Patrícia canta: "Minha mãe é a Virgem Maria! É ela que agora vai me acolher, me abraçar, me perdoar, me compreender, me aclamar, me ensinar, me educar, me formar, me amar!" E é exatamente assim! Olha, conselho de amiga: não vale a pena descartar os ensinamentos e orientações nem de sua mãe quanto menos de Maria! Ela nos protege sempre mas como Mãe Celeste vai nos corrigir quando for preciso e precisamos estar atentos e ser obedientes! 
  5. Mais um último exemplo que queria destacar de semelhança entre minha mãe e Nossa Senhora para encerrar esta postagem (é preciso finalizar se não passaria uma eternidade aqui meditando nessas similaridades das duas!). Minha mãe sofre calada. Não reclama. Se doa por nós e não cobra nada para ela. De fato ela medita as coisas no coração e reza. Muitas vezes sente nossa falta, quer nossa presença, nossa companhia, mas fica na dela para não incomodar. Vez ou outra dá uma investidazinha, mas não força. Tentamos sempre corresponder, mas nem sempre conseguimos na correria do dia a dia atarefado! Sinto que estou sempre aquém do que ela merece em termos de carinho e de honra. Também com Nossa Senhora é assim: espera por nós, sente nossa falta, sente saudades, mas não força, não reclama, aguarda uma atitude nossa. Nos protege, nos livra, intercede constantemente por nós e sempre nos respeita. Que neste dia das Mães possamos receber do alto uma graça especial: a graça de sermos filhos melhores para nossas mães! Filhos melhores para Maria Santíssima! Que sejamos gratos e saibamos reconhecer os inúmeros sacrifícios que nossas mães fizeram e fazem por nós! Que empenhemos nossa vida e missão em retribuição ao imenso sacrifício de amor que Maria nos concedeu: a oferta de Seu amado Filho na Cruz para a remissão dos nossos pecados. Amém! 


7 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 07


Padre Paulo Ricardo, ancorado nos ensinamentos de São Luís de Monfort, afirmou com muita unção a frase da imagem acima: "Mas que sentido tem uma pessoa achar que a Lua vai tirar a glória do Sol? Do mesmo jeito... Que sentido tem uma pessoa achar que Maria vai tirar a glória de Deus? Toda luz que há na Lua vem do Sol! Toda Luz que há em Maria vem de Deus!"
Desde que me converti ao catolicismo na minha juventude, fui me formando e educando na Igreja sobre o que seria a verdadeira devoção à Maria  e passei a entender que todo preconceito e rejeição que se pode ter à pessoa da Virgem Santíssima vem da desinformação sobre a teologia e a doutrina acerca do culto que se deve a ela. As pessoas, assim como eu na época em que me desviei da Igreja para me aprofundar no espiritismo (história que conto neste post: http://eutenhodeusedeusmetem.blogspot.com.br/2016/05/no-mes-de-maria-um-testemunho-por-dia-n_4.html) têm medo de ofender Jesus amando e honrando tanto assim a Maria. 
É verdade que existem muitos abusos e exageros mas, repito, é por ignorância doutrinal e não por equívoco da Igreja. A Igreja jamais quis ofuscar a adoração a Deus, a Jesus com a veneração a Maria, isto é ponto inequívoco! Apenas quem não se aprofunda na formação do depósito da fé ignora esses conceitos! 
Mas felizmente eu tive a oportunidade de ouvir o que propõe da Igreja da "boca da Igreja", e não de quem não conhece nada de Magistério e ainda assim emite juízo de valor sobre matéria que desconhece. Com a caminhada na comunidade fui ouvindo pregações, palestras, participando de formações, lendo livros, documentos da Igreja e pelo aprendizado fui me descontaminando de discriminações plantadas na minha mente sobre Maria. 
Uma dessa fontes que muito me esclareceram foi o livro "Tratado da Verdadeira Devoção a Santíssima Virgem" de São Luís Maria Grignion de Monfort. Por indicação de uma serva muito especial da RCC, que aliás tinha sido minha professora na antiga 4ª série do fundamental, Maria Auxiliadora Dias Barbosa, eu conheci esse manual especialíssimo, pelo qual muitas dúvidas que tinha foram sendo esclarecidas e, de uma vez por todas, entendi não só a possibilidade da devoção mariana, mas a necessidade dela!
Este livro me marcou profundamente e desde a sua leitura e o seu estudo fiquei com essa noção de Maria como sendo essa Lua descrita pelo Pe. Paulo Ricardo. Linda Lua! Amada Lua! Sempre refletindo a luz, a grandeza, a bondade do Sol em sua energia e calor sem nunca pretender substituí-lo, antes gravitando ao seu redor submissa, a serviço, docemente. 
Desde que tive esse entendimento nunca mais olhei para a Lua da mesma maneira! Recordo-me que a nossa "Lua de Mel" (que também o Senhor providenciou para nós pois ganhamos a hospedagem no Hotel, um carro emprestado, o dinheiro da gasolina e de nos manter por lá, tudo!) eu meu marido Juliano já havíamos consagrado a Nossa Senhora e a vivemos como viagem plenamente espiritual e não apenas romântica.
Casamos com a Lua em quarto crescente e entendi isso como um sinal para nosso relacionamento que, santificado pela graça sacramental, ia a partir de então também crescer, amadurecer, dar frutos. Rezávamos o Rosário inteiro, diariamente e em especial em todos os dias de nossa viagem. Quando chegamos ao nosso destino (2 dias de viagem), encontramos por cenário uma linda praia com uma imensa Lua cheia, realmente enorme, amarela, sobre o mar e formando uma pintura maravilhosa entre os coqueiros da janela do nosso quarto toda noite, iluminando de maneira sobrenatural esse momento tão especial em nossas vidas! 
Entendemos como um símbolo extraordinário de mensagem divina: Jesus mais uma vez nos abençoava com Sua presença e a de Sua Mãe em nossa trajetória de amor. De dia o Sol brilhava forte e quente para nosso deleite, de noite essa Lua impressionante nos cativava e inspirava. Tivemos a certeza: nosso matrimônio se iniciava na Providência, iluminado pelo Sol e pela Lua! 


As imagens, sinais, símbolos são formas importantes para a comunicação não só humana, mas também espiritual. Aprendemos a estar atentos a esses detalhes em nossa vivência de fé para permitir que nutram nossa vida de oração, de espiritualidade, de adoração a Jesus e devoção a Maria. 
Seja sempre para nós, querida Mãe, essa mulher vestida de sol (Apo 12, 1) a iluminar as noites de nossa existência! Mulher que gera em nossas vidas o Filho e faz o Dragão se deter diante de si (Apo 12, 4-5).  Essa mulher que surge como a aurora, bela como a Lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha (Cânticos 6, 10), que combate conosco nossos combates sob o comando do Filho! Amém! 

6 de maio de 2016

No mês de Maria, um testemunho por dia: nº 06


Minha relação com Nossa Senhora, assim como uma boa relação mãe e filha, é de intimidade, familiaridade, cumplicidade, confiança e muita simplicidade. Já viajamos só nós duas, temos nossas "coisinhas", nossos segredinhos, nossos costumes, nossas "piadas internas", nossas tradições particulares... coisas que só quem tem a graça de poder experimentar uma relação mãe e filha equilibrada e amorosa vai entender!  
Uma das particularidades dessa nossa convivência é a oração nos dedos. Já postei aqui nesse Blog a oração dos 5 dedos, muito ensinada pelo Papa Francisco (clique na imagem deste post: http://eutenhodeusedeusmetem.blogspot.com.br/2013/03/oito-dicas-para-ensinar-seus-filhos-ter.html) e nos meus momentos de oração, sozinha ou em família, numerosas vezes me utilizo dessa modalidade. Em várias circunstâncias é bom orar com o corpo, inclusive nos momentos de privacidade com Nossa Senhora! 
Desde pequenininha, como já testemunhei em outras postagens dessa empreitada de testemunhos nesse Mês Mariano, por influência de minha mãe Maria do Socorro, sempre estava muito em contato com Nossa Senhora. Lembro-me de que fazia muitas coisas na rua na companhia de minha mãe, resolvíamos coisas, pagamentos, compras, caminhávamos pra lá e pra cá nesta cidade de Sobradinho! E muitas vezes, ao final de tudo, voltávamos cansadas para casa, de mãos dadas, e minha mãe ia rezando o terço nos meus dedos. Eu amava aquilo! Achava carinhoso e fofo. E crescia a ternura por minha mãe Socorro e também pela minha Mãe do Céu, Maria!... 
Na juventude, conheci meu marido Juliano e a priori ficamos muito amigos. Uma das coisas que amava em nossa amizade era a religiosidade que estávamos descobrindo e construindo juntos! Frequentemente estávamos rezando o terço com os irmãos de caminhada e percebia que Juliano sempre rezava nos dedos. Eu disse para ele que tinha dificuldade de fazer aquilo, que sempre me perdia nas contas pequenas, que correspondem às Ave-Marias. Ele então me contou que tinha desenvolvido uma "técnica" especial para não se confundir: usava as falanges. Começava sempre pela ponta do dedo mindinho, até chegar na base: três Ave-Marias. Em seguida a ponta do anelar, até chegar na base: mais três Ave-Marias. E assim por diante, até chegar na ponta do indicador. Segundo ele, quando a gente formava o sinal de "OK", estava completa a nossa dezena: terceira dezena, "OK"! kkkkkk 
Achei muito engraçado, mas não é que a técnica é boa? Comecei a utilizar já naquela época e até hoje a utilizo, especialmente quando faço minhas caminhadas ou momentos em que não estou com o meu terço. Com ela nunca mais me perdi nas contas pequenas! Acabou se tornando como aqueles momentos da minha infância quando minha mãe Socorro usava meus dedos para rezar, mesmo sendo uma oração individual: estamos ali, eu e Maria, segurando minha mão! E quando eu e Juliano começamos a namorar, qual não foi minha surpresa quando em muitas vezes ele gostava de fazer como minha mãe fazia e também rezar o terço carinhosamente nos meus dedos! Ficou difícil não me apaixonar! 
O tempo foi passando e esse costume "familiar" se ampliou e passou a incluir os dedinhos dos nossos filhos também! Acabou sendo um hábito afetuoso da nossa privacidade com a Virgem Santíssima. É claro que inúmeras vezes nos utilizamos do Terço, cada um tem seu tercinho! Mas também em outras muitas vezes, quando nos unimos em volta de Nossa Senhora para rezar nossos terços, nos damos as mãos, e no aconchego da intimidade, passamos de Ave-Maria por Ave-Maria orando nos dedos uns dos outros. 
A devoção a Maria deve ser uma comunhão fraterna e afetiva. Não é tanto as exterioridades que contam mais, mas a vida escondida, as histórias de amor que vivemos com ela, individualmente ou em família, ou até mesmo em comunidade quando vivenciada com amor! Uma trajetória de devoção junto da Mãe Santíssima não se faz só de grandes milagres, mirabolantes livramentos, excepcionais experiências místicas, mas principalmente de cotidiano e de memórias, de uma verdadeira aproximação de Jesus por meio dela e na convivência com ela, de santificação real e conversão concreta. 
Não é assim que acontece com aqueles com quem vivemos bem de pertinho e que amamos mais?! Talvez 10% da coexistência são ocasiões extraordinárias. Os outros 90%, o que são? A vida, o dia a dia, as experiências ordinárias. Assim deve ser também nossa devoção mariana: talvez mais interior e menos exterior; talvez mais privacidade e menos "ostentação espiritual"; talvez mais profundidade e menos superficialidade; talvez mais orações nos dedos e menos blá blá blá...
Dá-nos a graça da desafetação em nosso relacionamento, Mãezinha do Céu! Dá-nos a bênção da descomplicação! Dá-nos a simplicidade em te amar, em conviver com a Senhora e com seu Santo Filho! Dá-nos uma autêntica relação filial, próxima, íntima, leve, de fato espiritual e familiar! Sejamos diante da Senhora e de Nosso Senhor Jesus como crianças, como filhinhos, pois assim Ele ensinou que deve ser no Reino Dele! Amém!