14 de setembro de 2014

Eu amo a mensagem da Cruz


Na festa da exaltação da Santa Cruz, recordo das palavras sábias do meu pároco na homilia: "A meditação da Cruz de Cristo deve nos remeter à meditação das nossas próprias cruzes". Em dias em que usar a cruz leva pessoas a perderem o emprego ou literalmente a cabeça, as palavras de São Paulo são cada vez mais verdadeiras e atuais: "A linguagem da cruz é LOUCURA para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina." (1 Cor 1, 18) 
Loucura. O mundo considera a Cruz loucura, morte, fracasso, ficção, exagero, desnecessária, dispensável, ofensiva. Ateus e outras denominações religiosas se ofendem em ver uma cruz em local público, não aceitam o que consideram um proselitismo desrespeitoso a laicidade do país. A Cruz é considerada cafona, fanatismo, falta de instrução ou inteligência. O mundo rejeita a Cruz e seu simbolismo com toda hostilidade. 
Bom, nosso país ainda é uma democracia, graças a Deus não é um país ateu (nem por seu povo nem por sua Constituição) e não se pode ignorar que é um país massivamente cristão. Enquanto cidadã brasileira eu tenho o direito de me expressar religiosamente e quero pedir licença: eu me prosto sob a Cruz de Cristo. Eu a uso, eu a tenho em minha casa, eu a quero em locais públicos. Faço questão que minha voz seja ouvida, faço questão de não ser ignorada. É um símbolo de fé, símbolo da religiosidade de milhões de compratiotas, recordação de uma acontecimento histórico relevante mundialmente (isso é inegável!), símbolo do que a falta de uma justiça imparcial pode fazer com os homens. 

4 de setembro de 2014

Oração para pedir a paz na Família

Quando a família está bem, o país está bem; quando o país está bem, a grande comunhão humana vive em paz. (LÜ BU WE, filósofo chinês).

11 de julho de 2014

Que seja pra sempre



Existe um rock nacional que canta: "Eu sei que é pra sempre / Enquanto durar / Eu peço somente / O que eu puder dar"... Vemos no refrão a paráfrase do verso famoso do Soneto da Fidelidade de Vinícius de Morais: "Eu possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure."


A doutrina da Igreja Católica afirma que o verdadeiro amor é exclusivo e o vínculo matrimonial é indissolúvel (CIC 1638), e isso exclui o exercício da poligamia, infidelidade, adultério. Isto por que a união do casal foi sonhada por Deus para ser uma expressão do amor de Deus ao homem, da aliança que o Senhor fez com a humanidade desde Abraão, de maneira irrevogável na Encarnação e no fim dos tempos, com a Igreja. O livro do profeta Oséias expressa esse amor apaixonado de Deus pelo povo infiel, o Cântico dos Cânticos evidencia esse amor esponsal e nas Epístolas do Novo Testamento, São Paulo compara o amor de Cristo a Igreja ao amor conjugal. 

Então quando analisamos o lirismo da ideia "enquanto durar", como cristãos, devemos ter em mente que num relacionamento sacramental, isso se remete à morte, e não até quando quisermos, até quando acharmos conveniente. Enquanto durar: tradução cristã = enquanto estivermos sobre essa terra, pois no sacrameto do matrimônio nos comprometemos livre e conscientemente num "amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para o com o outro até a morte"! (CIC 2361) 

Ensina o Catecismo no parágrafo 2381:

O ADULTÉRIO É UMA INJUSTIÇA. Quem o comete falta com seus compromissos. Fere o sinal da Aliança que é o vínculo matrimonial, lesa o direito do outro cônjuge e prejudica a instituição do casamento, violando o contrato que o fundamenta. Compromete o bem da geração humana e dos filhos, que têm necessidade da união estável dos pais. 

E Jesus explicou claramente, sem rodeio nenhum, aos fariseus em Mt 19, 3-9: 

Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer?  Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne?” Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus uniu. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de divórcio à mulher, ao rejeitá-la? Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no começo não foi assim. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério. 

Não falta JAMAIS a ajuda do alto para que os vocacionados ao matrimônio sejam fiéis e felizes em sua opção de fidelidade (antes a Deus e depois um ao outro). 

Em seu estado de vida e função, (os esposos cristãos) têm um dom especial dentro do povo de Deus." Esta graça própria do sacramento do Matrimônio se destina a aperfeiçoar o amor dos cônjuges, a fortificar sua unidade indissolúvel. Por esta graça eles se ajudam mutuamente a santificar-se na vida conjugal, como também na aceitação e educação dos filhos.
CRISTO É A FONTE DESSA GRAÇA! Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimônio. Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo uns dos outros, "submeter-se uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5,21) e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro. (CIC 1641-42) 

Mas ainda assim, mesmo com toda o amor que os levou um dia a se unirem em matrimônio, mesmo com toda a graça divina que não para NUNCA de jorrar, os esposos se vêem tentados em sua fidelidade e correm o risco de se apaixonarem por outras pessoas. Embora o mundo venha se esforçando em relativizar o vínculo matrimonial, afirmando que o importante é "ser feliz", que "vale tudo para viver uma grande paixão", que as crianças superam pois "serão felizes na medida que os pais estejam felizes", deformando a essência da verdadeira felicidade, nós cristão verdadeiros GRITAMOS contra o mundo nosso testemunho de AMAR DE VERDADE não é desistir do outro, e sim se sacrificar. Não é buscar seu bem estar e prazer, mas antes ter mais alegria em dar que em receber. Não é trocar por outro(a) melhor, mas reconhecer e agradecer todos os esforços do outro e aceitá-lo(a) com seus defeitos e qualidades... 

Não é fácil! Jesus dizia: permaneçam comigo pois sem mim, nada podeis fazer! (Jo 15,5) Sem Jesus o casal seca como um galho arrancado de uma árvore e aí cai mesmo, peca, rompe sua ligação com Deus e com o seu companheiro(a) e consequentemente começa a se deteriorar num nível pessoal. Não podemos vacilar! Não podemos achar que nunca acontecerá conosco! Ninguém está livre de trair e também de ser traído. É uma via de mão dupla: tanto nossos comportamentos e atitudes quanto os dos nossos cônjuges podem fazer com que venhamos a trair ou sermos traídos. Precisamos orar e vigiar para não cairmos em tentação, pois o espírito pode até estar pronto (e nem sempre está!), mas a carne sempr será fraca. (Mt 26, 41). 

A expressão "orar e vigiar" nos remete a duas esferas: a sobrenatural e a natural. A busca espiritual do casal é imprescindível. Já que buscaram o sacramento do Matrimônio, isso implica uma adesão a Cristo e a Igreja, pelo menos em tese. Se assim não fosse, qual o sentido de ir até a Igreja para pedir a bênção divina em sua união? Se foi apenas pela tradição, ainda assim, nunca cessa o convite amoroso do Pai, em Cristo, pelo Espírito, para que o busquem de coração sincero e recebam a força necessária para serem bons e consequentemente felizes nesta vida. É imprescindível buscar a Deus, servir a Deus, orar, participar da comunidade JUNTOS. Só assim teremos forças para não cairmos em tentação. E vigiar! Vigiar, não somente o cônjuge! Mas antes de tudo, a nós mesmos, nos conhecermos, saber quais são nossos limites, nossos pontos fracos, o que fazemos que pode provocar no outro algum sentimento que o deixe vunerável a ponto de cogitar estar com outra pessoa... A música citada no início dsse texto tem uma frase para fazer pensar: "Eu quero somente o que eu puder dar". Como tem sido nossas cobranças e exigências diante do que temos oferecido à pessoa que um dia escolhemos para nos tornar uma só carne, um só espírito, um só coração? Como vai nosso diálogo? Outra canção afirma: "Meu melhor amigo é o meu amor!" Seu esposo(a) tem ocupado o cargo de seu melhor amigo(a)? Você tem sido esse melhor amigo(a) na relação de vocês? 

Para finalizar essa reflexão, quero partilhar dois artigos que podem colaborar para analisarmos nossas atitudes e os sinais de que algo em nosso agir possa estar facilitando as quedas (nossas e de quem amamos). 

Por que uma esposa se apaixona por outro homem?: http://familia.com.br/por-que-uma-esposa-se-apaixona-por-outro-homem 





E que Deus nos dê a graça de os nossos relacionamentos serem eternos, felizes,  mais do efêmeras chamas, mas verdadeiramente imortais, fortes como a morte, e que as águas e torrentes jamais possam apagar (Ct 8, 6-7)! Que sejam testemunhos dignos do amor irrevogável, incondicional, que ultrapassa todos os sacrifícios e até mesmo a morte que Deus tem para com o homem! Com a força do Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, isto é possível. Que Maria e José protejam nossos casamentos! Que assim seja! Amém! 




15 de maio de 2014

"A VITÓRIA É NOSSA!"



Muitas vezes nos vemos em verdadeiras guerras em nossa vida. São perseguições, doenças, brigas, problemas na justiça, problemas financeiros, problemas na família, problemas, problemas, problemas para todos os lados! Sentimo-nos batalhando, lutando, nos cansamos, nos abatemos e nossa fé se abala. Tememos a derrota, o fracasso, nos sentimos fracos... Não podemos perder de vista que nossa guerra não é contra homem nenhum, nem contra carne, nem contra o sangue, pelo contrário, a Palavra de Deus não deixa dúvidas sobre contra quem estamos batalhando em Efésios 6, 12: contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares. Essa guerra já foi ganha!!! Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus? (1Jo 5,5) Estamos do lado vencedor se estamos no exército de Cristo! Não podemos ter dúvidas quanto a isso! Somos mais que vencedores pela virtude de Cristo! (Rm 8, 37) Ora, Aquele que venceu o pecado, que venceu Satanás, que venceu até a morte, vai perder mais o quê? Vai fracassar em quê? Creia! Confie! Ele tem lutado suas batalhas e o SEU AMOR VENCERÁ! Busque a Deus e combata na ORAÇÃO! 

TERÇO DA BATALHA
Creio/ Pai-Nosso/ 3 Ave Marias
CONTAS GRANDES: Deus do céu, me dê forças. Jesus Cristo me dê coragem para esta luta eu hei de vencer. Sem morrer, sem enlouquecer, sem muito me abater. Deus pode, Deus quer. Esta batalha eu hei de vencer.

CONTAS PEQUENAS: Eu hei de vencer, Jesus Cristo me ama e me resgata com seu poder.

FINAL: (repetir 3X com a mão batendo com confiança sobre o peito): A vitória é nossa pelo sangue de Jesus!


SALVE RAINHA.

26 de março de 2014

Salmo 34


(Poema didático que reúne, em sequência alfabética, uma série de breves sentenças sobre a proteção divina. O salmista utiliza o canto individual de ação de graças para formular a experiência espiritual de quem vive sob a proteção divina e se empenha na prática do bem.)* 

1. De Davi. Lutai, Senhor, contra os que me atacam; combatei meus adversários.
2. Empunhai o broquel e o escudo, e erguei-vos em meu socorro.
3. Brandi a lança e sustai meus perseguidores. Dizei à minha alma: Eu sou a tua salvação.
4. Sejam confundidos e envergonhados os que odeiam a minha vida, recuem humilhados os que tramam minha desgraça.
5. Sejam como a palha levada pelo vento, quando o anjo do Senhor vier acossá-los.
6. Torne-se tenebroso e escorregadio o seu caminho, quando o anjo do Senhor vier persegui-los,
7. porquanto sem razão me armaram laços; para me perder, cavaram um fosso sem motivo.
8. Venha sobre eles de improviso a ruína; apanhe-os a rede por eles mesmos preparada, caiam eles próprios na cova que abriram.
9. Então a minha alma exultará no Senhor, e se alegrará pelo seu auxílio.
10. Todas as minhas potências dirão: Senhor, quem é semelhante a vós? Vós que livrais o desvalido do opressor, o mísero e o pobre de quem os despoja.
11. Surgiram apaixonadas testemunhas, interrogaram-me sobre faltas que ignoro,
12. pagaram-me o bem com o mal. Oh, desolação para a minha alma!
13. Contudo, quando eles adoeciam, eu me revestia de saco, extenuava-me em jejuns e rezava.
14. Andava triste, como se tivesse perdido um amigo, um irmão; abatido, me vergava como quem chora por sua mãe.
15. Quando tropecei, eles se reuniram para se alegrar; eles me dilaceraram sem parar.
16. Puseram-me à prova, escarneceram de mim, rangeram os dentes contra mim.
17. Senhor, até quando assistireis impassível a este espetáculo? Arrancai desses leões a minha vida, livrai-me a alma de seus rugidos.
18. Vou render-vos graças publicamente, eu vos louvarei na presença da multidão.
19. Não se regozijem de mim meus pérfidos inimigos, nem tramem com os olhos os que me odeiam sem motivo,
20. pois nunca têm palavras de paz: e armam ciladas contra a gente tranqüila da terra,
21. escancaram para mim a boca, dizendo: Ah! Ah! Com os nossos olhos, nós o vimos!
22. Vós também, Senhor, vistes! Não guardeis silêncio. Senhor, não vos aparteis de mim.
23. Acordai e levantai-vos para me defender, ó meu Deus e Senhor meu, em prol de minha causa!
24. Julgai-me, Senhor, segundo vossa justiça. Ó meu Deus, que não se regozijem à minha custa!
25. Não pensem em seus corações: Ah, tivemos sorte! Não digam: Nós o devoramos!
26. Sejam confundidos todos juntos e se envergonhem os que se alegram com meus males, cubram-se de pejo e ignomínia os que se levantam orgulhosamente contra mim.
27. Mas exultem e se alegrem os favoráveis à minha causa e digam sem cessar: Glorificado seja o Senhor, que quis a salvação de seu servo!

28. E a minha língua proclamará vossa justiça, dando-vos perpétuos louvores.
*Comentários da Bíblia Sagrada, Ed. Vozes

12 de fevereiro de 2014

O Caminho



É impossível caminhar por mais de um caminho ao mesmo tempo. A partir do momento em que escolhemos dar um passo, um único passo em alguma direção, mesmo que estejamos inseguros, já fizemos nossa opção de caminho.

A vida é maravilhosa! Quantas vias se apresentam diante de nós! Quantas possibilidades! Às vezes é difícil discernir o que queremos para nós! Para aqueles que refletem, que analisam, que são guiados por valores morais e espirituais e de solidariedade, muitos caminhos são descartados: caminho de trevas, de vícios, de traições, de desonestidades, por exemplo... e muitos outros! Pois tudo me é permitido, mas nem tudo me convém (1 Cor 6, 12).

Mas, descartando-se essas vias não tão boas assim, ainda nos sobram muitas opções. Como escolher?

O ideal era escolher um caminho, descartar todos os outros (já que é impossível manter os dois pés caminhando em caminhos diferentes!), e seguir decididamente por ele, um pé atrás do outro, um passo de cada vez, assumindo os ganhos e prejuízos de nossas escolhas e nos dirigindo à meta de modo gradual e com convicção.

Mas há pessoas que ficam demoradamente no ponto de partida, olhando todos os caminhos à sua frente, sem conseguir definir que trajeto trilhar. Arriscam um passo numa via, se arrependem e voltam; caminham por alguma outra estrada sem olhar para frente, com saudades de outra opção de itinerário, pulam de trilha em trilha, receosos de terem escolhido errado...

Existem aquelas pessoas que “travam” e se negam a dar qualquer passo em qualquer caminho que seja. Ou por sentirem que estão muito bem no ponto em que se encontram, ou por que a incapacidade de fazer uma escolha as paralisam. Conheço algumas pessoas que se sentam numa cadeira de rodas existencial e são levadas por outras, por caminhos que foram escolhas de terceiros, perdem sua autonomia, seu poder de decisão, e consequentemente, perdem o controle de suas próprias vidas, tornam-se objeto que outros empurram...

E existem também aquelas pessoas que escolhem um caminho, passam dias e noite dando passos e mais passos, na ilusão de estarem caminhando, de estarem se dirigindo para algum lugar, mas estão andando em círculos. Se prendem em sua teimosia, são escravos de suas próprias convicções, empreendem esforços espetaculares e ficam cegos para o horizonte verdadeiro, enganando-se nas curvas de seu trajeto. Pensam que estão chegando, mas na verdade se encontram num deserto tentando alcançar a miragem de um oásis que nunca chega.

Com tudo isso, o tempo passa e o que acontece na verdade é que não se alcança a meta, pois não existe caminho sem ponto de partida e ponto de chegada.

O propósito de caminhar é chegar, ou não é? Por isso nunca me dei bem com esteiras ergométricas... Obviamente que, enquanto caminhamos, contemplamos paisagens, encontramos pessoas, vivemos experiências e tudo isso enriquece nosso ser. Mas se não quiséssemos chegar a algum lugar, para que caminhar? Se não tivéssemos que chegar em nenhum lugar, poderíamos ficar parados, onde estamos... Mas aparentemente fomos feitos para ir!

E você? Em que situação se encontra? Está caminhando no caminho que escolheu livremente? Está parado em algum ponto da estrada? Está sendo levado pelas escolhas de outras pessoas? Ou ainda está parado, pés fincados no chão, sem dar passos, sem optar por uma via, sem vislumbrar sua meta?

Não fomos feitos para ficarmos parados, como plantas ou pedras. Fomos feitos para ir. E não como um cachorro vai, ou um pássaro voa, ou um rebanho é conduzido: fomos feitos para ir por nossa vontade, no uso de nossa liberdade, sob análise de nossas aspirações e consciência. Fomos feitos para ir, sozinhos ou em grupo, mas a escolha do caminho é pessoal e intrasferível, as consequências chegam em particular e cada passo é individual, irremediavelmente individual...

Pense, reflita, e se decida. Escolha um caminho. Dê passos. Não tenha medo. Ore. Sempre há a chance de voltar e recomeçar, mas não fique mais estacionado. A vida está passando! Você não foi abençoado com o dom de existir, de viver, para ficar cristalizado num ponto. Viva, mexa-se, VÁ! Vá mesmo inseguro, vá mesmo sem certezas, vá mesmo cansado ou machucado, mas não se detenha mais. A vida está passando e essa é a única vida que você terá para viver! Existe um caminho de Verdade e de plenificação esperando seus pés tocarem nele. Existe uma Meta que espera ardentemente ser alcançada (até mais do que você deseja alcançá-la)...

Faça a opção que fizer, sendo profissionalmente, na vida afetiva ou familiar, em termos de saúde ou na vida financeira, a via que escolher será a correta se o Caminho for Jesus. A Meta, não importa suas escolhas ou convicções, é o Pai. Então coloque um bom calçado nos pés e dê passos, caminhe. 

Como podemos conhecer o caminho? Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. João 14, 5b-6

30 de dezembro de 2013

Examine qual é o centro da sua oração



1) EU - Oração totalmente centrada no "eu", só o "eu" importa. Não é oração, pois não há lugar para Deus.
Exemplo: a oração do fariseu.
O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. (Lc 18, 11)

2) EU E DEUS - Oração centrada no "eu" - nas minhas necessidades, na minha vida, nos meus pecados, nos meus sofrimentos, nas minhas vitórias -, embora Deus faça parte da oração. 
Exemplo: a oração do publicano.
O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! (Lc 18, 13)

3) DEUS E EU - Oração centrada em Deus - no Seu louvor, na sua honra, no Seu poder -, embora o "eu" faça parte da oração. 
Exemplo: a oração de Daniel
Ah! Senhor, Deus grande e temível, que sois fiel à aliança e que conservais vossa misericórdia àqueles que vos amam e guardam vossos mandamentos: nós pecamos, prevaricamos, cometemos maldade, fomos recalcitrantes, desviamo-nos de vossos mandamentos e de vossas leis. Não escutamos vossos servos, os profetas, que falaram em vosso nome a nossos reis, a nossos chefes, a nossos antepassados e a todo o povo da terra. (Dn 9, 4b-6)

4) DEUS - O "eu" desaparece, e só Deus importa: o que Ele fala, o que Ele deseja, o que Ele é. Só importa louvá-Lo, adorá-Lo, amá-Lo, exaltá-Lo e estar imerso no Seu amor.
Exemplo: a oração de São Paulo
Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém. (Rm 11, 33-36)

Extraído do livro "Perseverai no amor de Deus, de Maïsa Castro, Ed. Raboni. 




26 de dezembro de 2013

A experiência de ser salvo


Quando eu tinha 13 anos morava em Recife-Pe com a minha família. Numa ocasião, banhando no mar de Boa Viagem com meus irmãos me senti sendo carregada para trás pelo movimentar das ondas. Normal! Mas quando aguardava a próxima onda me empurrar em direção à areia de novo, aconteceu o inverso: o mar continuava a me sugar para mais longe da terra. Comecei a me assustar e tentei voltar andando para fora. De repente sentir faltar o chão debaixo dos pés, porém não me preocupei muito, comecei a nadar para voltar a conseguir pisar em algo. Nada! Nem saía do lugar, muito pelo contrário, vi meus irmão e outra criança como que "escorrendo" por uma espécie de "ralo" que tinha se formado pela lacuna dos arrecifes justamente no lugar que escolhemos para curtir a água quente daquele final de tarde. Quando vi os meninos passando rapidamente para trás de mim, comecei a ficar aflita. Tentei voltar para pegá-los mas tinha ficado muito fundo para mim e o movimentar das águas não dava trégua! Eram três crianças e eu e comecei a cogitar que estava me afogando, pois não estava mais conseguindo respirar em meio às brumas das ondas! De repente senti um puxão forte no meu maiô e cabelos simultaneamente e sentir voltar o fôlego. Depois de alguns instantes pude ver (embora com os olhos ardendo pela água salgada) uma espécie de gigante com um menino literalmente embaixo da axila (como quem leva uma pasta ou jornal), outros dois pequenos bracinhos presos fortemente por uma única e enorme mão (isso mesmo, dois meninos numa mão só) enquanto ele me levava pelas madeixas para a praia como aquela icônica figura do homem das cavernas que leva sua companheira para a sua gruta: era o salva-vidas! 
Chegando na praia ele jogou os quatro de uma vez na areia fofa e quente. Pegou rapidamente o rosto de cada um, verificou as bocas e narinas, deu um tapinha nas costas do menorzinho que tossia (que nem era meu irmão, mas um coleguinha recém conhecido no passeio) e depois, com toda autoridade, começou a dar uma enorme bronca, furioso conosco, esbravejando que a gente quase morreu, perguntando onde estavam nossos pais, se a gente era doido de entrar sozinhos na água aquela hora de descida de maré e blá blá, blá blá blá, blá blá... 
Eu estava tão agradecida e atônita que só sabia olhar para ele e dizer: "desculpa, obrigada! Desculpa, obrigada! Desculpa, obrigada!" 
Só quem passou pela experiência de ser salvo, especialmente de ser salvo por uma imprudência/burrice/erro seu, sabe a contrição e a gratidão que isso provoca! Só quem passou por essa experiência vai saber do que estou falando... 
Mesmo sendo uma comparação rude, transferi o sentimento dessa memória para a espiritualidade do que fez Jesus por mim, por toda humanidade, por cada um de nós!
O povo que andava nas trevas estava destinado a se perder definitivamente, por sua própria culpa, por sua própria imprudência/burrice/erro, *pecado*. O ser humano estava destinado à perdição, morte, fim. Mas Deus jamais permitiria que isso acontecesse! Chegou ao cúmulo da humilhação por amor (porque o amor tem isso: quando verdadeiro, não se importa em se humilhar) e veio à terra vestindo nossa carne. "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!" (Jo 1, 14) Ele não se apegou à sua condição divina (OBS.: DI-VI-NA!!), mas se esvaziou dela, diz a Palavra: "A-NI-QUI-LOU-SE", assumiu condição de escravo e se assemelhou a nós, por amor. (Fil 2, 7-8) Aceitou ser embrião, feto, bebê, totalmente dependente, vulnerável, pequeno... porque amou tanto o ser humano que quis vir a nós (porque o amor tem isso: quando verdadeiro, vai ao encontro do ser amado) para nos salvar! Para que todo que Nele cresse não perecesse, mas alcancesse a vida eterna! (Jo 3, 16) 
Muitos de nós temos brincado nos mares dessa vida alheios aos perigos que nos cercam. Como eu nos meus 13 anos na Praia de Boa Viagem naquele Domingo, vamos curtindo os prazeres da vida sem imaginar que estamos prestes a ser tragados pelo Mal, pelos pecados, pelas nossas imprudências/burrices/erros, orgulhos, mágoas, arrogâncias, omissões, falta de perdão, implicâncias, individualismos, esfriamento da fé, indiferença e até mesmo hostilidade à Deus... Mas Jesus nasceu em meio a nós não para nos condenar, mas para nos SALVAR! Para ser em nossa vida como aquele brigadista gigante e nos suspender pelos cabelos se for preciso e não deixar que nós pereçamos! E nós? Como ficamos diante dessa verdade? 
Minha experiência na Missa de Natal desse ano, ao me deparar com essas reflexões, foi a de deixar mesmo o rímel escorrer pela face no meio das lágrimas e repetir diante dos pezinhos do Santo Menino no momento da Comunhão: "desculpe e obrigada! Desculpe por tudo, e obrigada! Perdão! E obrigada, Senhor!" 

1 de dezembro de 2013

COROA DE ADVENTO

Significado e uso da Coroa de Advento


Descrição
Consiste numa coroa feita com ramos verdes e flores, na qual se inserem 4 velas, que significam as 4 semanas de preparação para o Natal, ou seja, o Advento.
Trata-se de um suporte, normalmente redondo, com um aro de arame ou madeira, revestido de ramos vegetais ou de musgo: ou seja, uma coroa entrançada com uma verdura que se conserva, como os fetos. Sem flores. Sobre ela colocam-se quatro velas novas, de cor uniforme ou variada, como se prefira. A coroa coloca-se sobre uma mesa, ou sobre um tronco de árvore, ou pendura-se elegantemente do tecto.
As 4 velas são acesas à medida que  os 4 domingos de Advento se vão cumprindo. No início da primeira semana de Advento acende-se uma vela. No segundo Domingo, duas. E assim sucessivamente até que, nas vésperas do Natal e no quarto Domingo, já estão acesas em todas as celebrações (dominicais e diárias) as quatro velas. Umas, naturalmente, gastaram-se mais que outras. [Também pode colocar-se uma quinta vela, branca no centro, na Noite de Natal: para expressar que o Advento foi tempo de preparação e é mais importante o Natal, com as suas duas grandes semanas. Pode-se juntar também uma imagem do Menino, dentro da própria coroa de Advento.]

História
É de origem germânica.  No Inverno, acendiam-se algumas velas que representavam o “fogo do deus sol”, com a esperança de que a sua luz e o seu calor voltasse. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para evangelizar, relacionando-a com Jesus Cristo.
No séc. XVI torna-se símbolo do Advento nas casas dos cristãos. Este uso difunde-se rapidamente e implanta-se também na América.
No séc. XIX começou a colocar-se a coroa de Advento nas igrejas.
Existe uma tradição que sugere o nome das quatro velas: vela da Profecia, vela de Belém, vela dos Pastores, vela dos Anjos.

Uso da Coroa do Avento
O seu uso tem-se difundido cada vez mais entre nós. Ajuda a aprofundar a espera e a intensificar, em cada semana, a preparação para a vinda do Senhor. A coroa está formada por uma grande quantidade de símbolos.
Com este símbolo da coroa, simples e dinâmico, trata-se de ir criando uma atitude de espera, com o seu jogo numérico, com o simbolismo da luz do verde, e com uma aproximação gradual que convida à preparação da vinda de Cristo Jesus, Luz e Vida para todos. No meio de um mundo secularizado, que tende a celebrar o Natal com slogans meramente comerciais, a coroa pode ser um pequeno símbolo dos valores que nós, os cristãos, vivemos nestes dias.
Natal é a festa da luz: “O povo que andava nas trevas, viu uma grande luz”. Cristo é a Luz do mundo. É Ele quem, com a Sua vinda, nos ilumina e nos conduziu à esperança.
A coroa de Advento aponta para o crescendo da Luz de Cristo, que dissipa as trevas deste mundo. Ao acender semana após semana os quatro círios da coroa, significamos os nossos passos de aproximação à luz que vem sobre nós e é Cristo Jesus.