Fonte :http://blogs.rbc1.com.br/
Blog Católico. Relatos em forma de partilha de uma caminhada espiritual no seio da Santa Mãe Igreja.
19 de agosto de 2014
11 de julho de 2014
Que seja pra sempre
Existe um rock nacional que canta: "Eu sei que é pra sempre /
Enquanto durar / Eu peço somente / O que eu puder dar"... Vemos no refrão a
paráfrase do verso famoso do Soneto da Fidelidade de Vinícius de Morais: "Eu
possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama /
Mas que seja infinito enquanto dure."
A doutrina da Igreja Católica afirma que o verdadeiro amor é
exclusivo e o vínculo matrimonial é indissolúvel (CIC 1638), e isso exclui o
exercício da poligamia, infidelidade, adultério. Isto por que a união do casal
foi sonhada por Deus para ser uma expressão do amor de Deus ao homem, da
aliança que o Senhor fez com a humanidade desde Abraão, de maneira irrevogável
na Encarnação e no fim dos tempos, com a Igreja. O livro do profeta Oséias expressa
esse amor apaixonado de Deus pelo povo infiel, o Cântico dos Cânticos evidencia
esse amor esponsal e nas Epístolas do Novo Testamento, São Paulo compara o amor
de Cristo a Igreja ao amor conjugal.
Então quando analisamos o lirismo da ideia "enquanto durar", como cristãos, devemos ter em mente que num relacionamento sacramental, isso se remete à morte, e não até quando quisermos, até quando acharmos conveniente. Enquanto durar: tradução cristã = enquanto estivermos sobre essa terra, pois no sacrameto do matrimônio nos comprometemos livre e conscientemente num "amor com o qual homem e mulher se empenham totalmente um para o com o outro até a morte"! (CIC 2361)
Ensina o Catecismo no parágrafo 2381:
O ADULTÉRIO É UMA INJUSTIÇA. Quem o comete falta com seus compromissos. Fere o sinal da Aliança que é o vínculo matrimonial, lesa o direito do outro cônjuge e prejudica a instituição do casamento, violando o contrato que o fundamenta. Compromete o bem da geração humana e dos filhos, que têm necessidade da união estável dos pais.
E Jesus explicou claramente, sem rodeio nenhum, aos fariseus em Mt 19, 3-9:
Os fariseus vieram perguntar-lhe para pô-lo à prova: É
permitido a um homem rejeitar sua mulher por um motivo qualquer? Respondeu-lhes Jesus: Não lestes que o
Criador, no começo, fez o homem e a mulher e disse: “Por isso, o homem deixará
seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher; e os dois formarão uma só carne?” Assim,
já não são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus
uniu. Disseram-lhe eles: Por que, então, Moisés ordenou dar um documento de
divórcio à mulher, ao rejeitá-la? Jesus respondeu-lhes: É por causa da dureza
de vosso coração que Moisés havia tolerado o repúdio das mulheres; mas no
começo não foi assim. Ora, eu vos declaro que todo aquele que rejeita sua
mulher, exceto no caso de matrimônio falso, e desposa uma outra, comete
adultério. E aquele que desposa uma mulher rejeitada, comete também adultério.
Não falta JAMAIS a ajuda do alto para que os vocacionados ao matrimônio sejam fiéis e felizes em sua opção de fidelidade (antes a Deus e depois um ao outro).
CRISTO É A FONTE DESSA GRAÇA! Como outrora Deus tomou a iniciativa do pacto de amor e fidelidade com seu povo, assim agora o Salvador dos homens, Esposo da Igreja, vem ao encontro dos cônjuges cristãos pelo sacramento do Matrimônio. Permanece com eles, concede-lhes a força de segui-lo levando sua cruz e de levantar-se depois da queda, perdoar-se mutuamente, carregar o fardo uns dos outros, "submeter-se uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5,21) e amar-se com um amor sobrenatural, delicado e fecundo. Nas alegrias de seu amor e de sua vida familiar, Ele lhes dá, aqui na terra, um antegozo do festim de núpcias do Cordeiro. (CIC 1641-42)
Mas ainda assim, mesmo com toda o amor que os levou um dia a se unirem em matrimônio, mesmo com toda a graça divina que não para NUNCA de jorrar, os esposos se vêem tentados em sua fidelidade e correm o risco de se apaixonarem por outras pessoas. Embora o mundo venha se esforçando em relativizar o vínculo matrimonial, afirmando que o importante é "ser feliz", que "vale tudo para viver uma grande paixão", que as crianças superam pois "serão felizes na medida que os pais estejam felizes", deformando a essência da verdadeira felicidade, nós cristão verdadeiros GRITAMOS contra o mundo nosso testemunho de AMAR DE VERDADE não é desistir do outro, e sim se sacrificar. Não é buscar seu bem estar e prazer, mas antes ter mais alegria em dar que em receber. Não é trocar por outro(a) melhor, mas reconhecer e agradecer todos os esforços do outro e aceitá-lo(a) com seus defeitos e qualidades...
Não é fácil! Jesus dizia: permaneçam comigo pois sem mim, nada podeis fazer! (Jo 15,5) Sem Jesus o casal seca como um galho arrancado de uma árvore e aí cai mesmo, peca, rompe sua ligação com Deus e com o seu companheiro(a) e consequentemente começa a se deteriorar num nível pessoal. Não podemos vacilar! Não podemos achar que nunca acontecerá conosco! Ninguém está livre de trair e também de ser traído. É uma via de mão dupla: tanto nossos comportamentos e atitudes quanto os dos nossos cônjuges podem fazer com que venhamos a trair ou sermos traídos. Precisamos orar e vigiar para não cairmos em tentação, pois o espírito pode até estar pronto (e nem sempre está!), mas a carne sempr será fraca. (Mt 26, 41).
A expressão "orar e vigiar" nos remete a duas esferas: a sobrenatural e a natural. A busca espiritual do casal é imprescindível. Já que buscaram o sacramento do Matrimônio, isso implica uma adesão a Cristo e a Igreja, pelo menos em tese. Se assim não fosse, qual o sentido de ir até a Igreja para pedir a bênção divina em sua união? Se foi apenas pela tradição, ainda assim, nunca cessa o convite amoroso do Pai, em Cristo, pelo Espírito, para que o busquem de coração sincero e recebam a força necessária para serem bons e consequentemente felizes nesta vida. É imprescindível buscar a Deus, servir a Deus, orar, participar da comunidade JUNTOS. Só assim teremos forças para não cairmos em tentação. E vigiar! Vigiar, não somente o cônjuge! Mas antes de tudo, a nós mesmos, nos conhecermos, saber quais são nossos limites, nossos pontos fracos, o que fazemos que pode provocar no outro algum sentimento que o deixe vunerável a ponto de cogitar estar com outra pessoa... A música citada no início dsse texto tem uma frase para fazer pensar: "Eu quero somente o que eu puder dar". Como tem sido nossas cobranças e exigências diante do que temos oferecido à pessoa que um dia escolhemos para nos tornar uma só carne, um só espírito, um só coração? Como vai nosso diálogo? Outra canção afirma: "Meu melhor amigo é o meu amor!" Seu esposo(a) tem ocupado o cargo de seu melhor amigo(a)? Você tem sido esse melhor amigo(a) na relação de vocês?
Para finalizar essa reflexão, quero partilhar dois artigos que podem colaborar para analisarmos nossas atitudes e os sinais de que algo em nosso agir possa estar facilitando as quedas (nossas e de quem amamos).
Por que uma esposa se apaixona por outro homem?: http://familia.com.br/por-que-uma-esposa-se-apaixona-por-outro-homem
Por que um marido se apaixona por outra mulher? http://familia.com.br/por-que-um-marido-se-apaixona-por-outra-mulher-cuide-para-que-isso-nao-aconteca-com-voce
E que Deus nos dê a graça de os nossos relacionamentos serem eternos, felizes, mais do efêmeras chamas, mas verdadeiramente imortais, fortes como a morte, e que as águas e torrentes jamais possam apagar (Ct 8, 6-7)! Que sejam testemunhos dignos do amor irrevogável, incondicional, que ultrapassa todos os sacrifícios e até mesmo a morte que Deus tem para com o homem! Com a força do Espírito Santo, amor do Pai e do Filho, isto é possível. Que Maria e José protejam nossos casamentos! Que assim seja! Amém!
15 de maio de 2014
"A VITÓRIA É NOSSA!"
Muitas vezes nos vemos em verdadeiras guerras em nossa vida. São perseguições, doenças, brigas, problemas na justiça, problemas financeiros, problemas na família, problemas, problemas, problemas para todos os lados! Sentimo-nos batalhando, lutando, nos cansamos, nos abatemos e nossa fé se abala. Tememos a derrota, o fracasso, nos sentimos fracos... Não podemos perder de vista que nossa guerra não é contra homem nenhum, nem contra carne, nem contra o sangue, pelo contrário, a Palavra de Deus não deixa dúvidas sobre contra quem estamos batalhando em Efésios 6, 12: contra os principados e potestades, contra os príncipes
deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos
ares. Essa guerra já foi ganha!!! Quem é o vencedor do mundo senão aquele que crê que Jesus é
o Filho de Deus? (1Jo 5,5) Estamos do lado vencedor se estamos no exército de
Cristo! Não podemos ter dúvidas quanto a isso! Somos mais que vencedores pela virtude
de Cristo! (Rm 8, 37) Ora, Aquele que venceu o pecado, que venceu Satanás, que venceu até
a morte, vai perder mais o quê? Vai fracassar em quê? Creia! Confie! Ele tem lutado suas batalhas e o SEU AMOR VENCERÁ! Busque a Deus e combata na ORAÇÃO!
TERÇO DA BATALHA
Creio/ Pai-Nosso/ 3 Ave Marias
CONTAS GRANDES: Deus do céu, me dê forças. Jesus Cristo me
dê coragem para esta luta eu hei de vencer. Sem morrer, sem enlouquecer, sem
muito me abater. Deus pode, Deus quer. Esta batalha eu hei de vencer.
CONTAS PEQUENAS: Eu hei de vencer, Jesus Cristo me ama e me
resgata com seu poder.
FINAL: (repetir 3X com a mão batendo com confiança sobre o
peito): A vitória é nossa pelo sangue de Jesus!
SALVE RAINHA.
26 de março de 2014
Salmo 34
(Poema didático que reúne, em sequência alfabética, uma série de breves sentenças sobre a proteção divina. O salmista utiliza o canto individual de ação de graças para formular a experiência espiritual de quem vive sob a proteção divina e se empenha na prática do bem.)*
1. De Davi. Lutai, Senhor, contra
os que me atacam; combatei meus adversários.
2. Empunhai o broquel e o escudo,
e erguei-vos em meu socorro.
3. Brandi a lança e sustai meus
perseguidores. Dizei à minha alma: Eu sou a tua salvação.
4. Sejam confundidos e
envergonhados os que odeiam a minha vida, recuem humilhados os que tramam minha
desgraça.
5. Sejam como a palha levada pelo
vento, quando o anjo do Senhor vier acossá-los.
6. Torne-se tenebroso e
escorregadio o seu caminho, quando o anjo do Senhor vier persegui-los,
7. porquanto sem razão me armaram
laços; para me perder, cavaram um fosso sem motivo.
8. Venha sobre eles de improviso
a ruína; apanhe-os a rede por eles mesmos preparada, caiam eles próprios na
cova que abriram.
9. Então a minha alma exultará no
Senhor, e se alegrará pelo seu auxílio.
10. Todas as minhas potências
dirão: Senhor, quem é semelhante a vós? Vós que livrais o desvalido do
opressor, o mísero e o pobre de quem os despoja.
11. Surgiram apaixonadas
testemunhas, interrogaram-me sobre faltas que ignoro,
12. pagaram-me o bem com o mal.
Oh, desolação para a minha alma!
13. Contudo, quando eles
adoeciam, eu me revestia de saco, extenuava-me em jejuns e rezava.
14. Andava triste, como se
tivesse perdido um amigo, um irmão; abatido, me vergava como quem chora por sua
mãe.
15. Quando tropecei, eles se
reuniram para se alegrar; eles me dilaceraram sem parar.
16. Puseram-me à prova,
escarneceram de mim, rangeram os dentes contra mim.
17. Senhor, até quando
assistireis impassível a este espetáculo? Arrancai desses leões a minha vida,
livrai-me a alma de seus rugidos.
18. Vou render-vos graças
publicamente, eu vos louvarei na presença da multidão.
19. Não se regozijem de mim meus
pérfidos inimigos, nem tramem com os olhos os que me odeiam sem motivo,
20. pois nunca têm palavras de
paz: e armam ciladas contra a gente tranqüila da terra,
21. escancaram para mim a boca,
dizendo: Ah! Ah! Com os nossos olhos, nós o vimos!
22. Vós também, Senhor, vistes!
Não guardeis silêncio. Senhor, não vos aparteis de mim.
23. Acordai e levantai-vos para
me defender, ó meu Deus e Senhor meu, em prol de minha causa!
24. Julgai-me, Senhor, segundo
vossa justiça. Ó meu Deus, que não se regozijem à minha custa!
25. Não pensem em seus corações:
Ah, tivemos sorte! Não digam: Nós o devoramos!
26. Sejam confundidos todos
juntos e se envergonhem os que se alegram com meus males, cubram-se de pejo e
ignomínia os que se levantam orgulhosamente contra mim.
27. Mas exultem e se alegrem os
favoráveis à minha causa e digam sem cessar: Glorificado seja o Senhor, que
quis a salvação de seu servo!
28. E a minha língua proclamará
vossa justiça, dando-vos perpétuos louvores.
*Comentários da Bíblia Sagrada, Ed. Vozes
12 de fevereiro de 2014
O Caminho
É impossível caminhar por
mais de um caminho ao mesmo tempo. A partir do momento em que escolhemos dar um
passo, um único passo em alguma direção, mesmo que estejamos inseguros, já fizemos
nossa opção de caminho.
A vida é maravilhosa!
Quantas vias se apresentam diante de nós! Quantas possibilidades! Às vezes é
difícil discernir o que queremos para nós! Para aqueles que refletem, que
analisam, que são guiados por valores morais e espirituais e de solidariedade,
muitos caminhos são descartados: caminho de trevas, de vícios, de traições, de
desonestidades, por exemplo... e muitos outros! Pois tudo me é permitido, mas nem tudo me convém (1 Cor 6, 12).
Mas, descartando-se essas vias
não tão boas assim, ainda nos sobram muitas opções. Como escolher?
O ideal era escolher um
caminho, descartar todos os outros (já que é impossível manter os dois pés
caminhando em caminhos diferentes!), e seguir decididamente por ele, um pé
atrás do outro, um passo de cada vez, assumindo os ganhos e prejuízos de nossas escolhas e nos dirigindo à meta de modo gradual e com convicção.
Mas há pessoas que ficam demoradamente
no ponto de partida, olhando todos os caminhos à sua frente, sem conseguir definir que
trajeto trilhar. Arriscam um passo numa via, se arrependem e voltam; caminham
por alguma outra estrada sem olhar para frente, com saudades de outra opção de
itinerário, pulam de trilha em trilha, receosos de terem escolhido errado...
Existem aquelas pessoas que “travam”
e se negam a dar qualquer passo em qualquer caminho que seja. Ou por sentirem
que estão muito bem no ponto em que se encontram, ou por que a incapacidade de
fazer uma escolha as paralisam. Conheço algumas pessoas que se sentam numa
cadeira de rodas existencial e são levadas por outras, por caminhos que foram
escolhas de terceiros, perdem sua autonomia, seu poder de decisão, e consequentemente,
perdem o controle de suas próprias vidas, tornam-se objeto que outros
empurram...
E existem também aquelas
pessoas que escolhem um caminho, passam dias e noite dando passos e mais
passos, na ilusão de estarem caminhando, de estarem se dirigindo para algum
lugar, mas estão andando em círculos. Se prendem em sua teimosia, são escravos
de suas próprias convicções, empreendem esforços espetaculares e ficam cegos
para o horizonte verdadeiro, enganando-se nas curvas de seu trajeto. Pensam que
estão chegando, mas na verdade se encontram num deserto tentando alcançar a
miragem de um oásis que nunca chega.
Com tudo isso, o tempo passa
e o que acontece na verdade é que não se alcança a meta, pois não existe
caminho sem ponto de partida e ponto de chegada.
O propósito de caminhar é
chegar, ou não é? Por isso nunca me dei bem com esteiras ergométricas...
Obviamente que, enquanto caminhamos, contemplamos paisagens, encontramos
pessoas, vivemos experiências e tudo isso enriquece nosso ser. Mas se não
quiséssemos chegar a algum lugar, para que caminhar? Se não tivéssemos que
chegar em nenhum lugar, poderíamos ficar parados, onde estamos... Mas
aparentemente fomos feitos para ir!
E você? Em que situação se
encontra? Está caminhando no caminho que escolheu livremente? Está parado em
algum ponto da estrada? Está sendo levado pelas escolhas de outras pessoas? Ou
ainda está parado, pés fincados no chão, sem dar passos, sem optar por uma via,
sem vislumbrar sua meta?
Não fomos feitos para
ficarmos parados, como plantas ou pedras. Fomos feitos para ir. E não como um
cachorro vai, ou um pássaro voa, ou um rebanho é conduzido: fomos feitos para
ir por nossa vontade, no uso de nossa liberdade, sob análise de nossas aspirações
e consciência. Fomos feitos para ir, sozinhos ou em grupo, mas a escolha do
caminho é pessoal e intrasferível, as consequências chegam em particular e cada
passo é individual, irremediavelmente individual...
Pense, reflita, e se decida.
Escolha um caminho. Dê passos. Não tenha medo. Ore. Sempre há a chance de
voltar e recomeçar, mas não fique mais estacionado. A vida está passando! Você
não foi abençoado com o dom de existir, de viver, para ficar cristalizado num
ponto. Viva, mexa-se, VÁ! Vá mesmo inseguro, vá mesmo sem certezas, vá mesmo
cansado ou machucado, mas não se detenha mais. A vida está passando e essa é a única vida que você terá para viver! Existe um caminho de Verdade e de
plenificação esperando seus pés tocarem nele. Existe uma Meta que espera ardentemente ser alcançada (até mais do que você deseja alcançá-la)...
Faça a opção que fizer,
sendo profissionalmente, na vida afetiva ou familiar, em termos de saúde ou na
vida financeira, a via que escolher será a correta se o Caminho for Jesus. A Meta,
não importa suas escolhas ou convicções, é o Pai. Então coloque um bom calçado
nos pés e dê passos, caminhe.
Como podemos conhecer o
caminho? Jesus lhe respondeu: Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem
ao Pai senão por mim. João 14, 5b-6
30 de dezembro de 2013
Examine qual é o centro da sua oração
1) EU - Oração totalmente centrada no "eu", só o "eu" importa. Não é oração, pois não há lugar para Deus.
Exemplo: a oração do fariseu.
O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. (Lc 18, 11)
2) EU E DEUS - Oração centrada no "eu" - nas minhas necessidades, na minha vida, nos meus pecados, nos meus sofrimentos, nas minhas vitórias -, embora Deus faça parte da oração.
Exemplo: a oração do publicano.
O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! (Lc 18, 13)
3) DEUS E EU - Oração centrada em Deus - no Seu louvor, na sua honra, no Seu poder -, embora o "eu" faça parte da oração.
Exemplo: a oração de Daniel
Ah! Senhor, Deus grande e temível, que sois fiel à aliança e que conservais vossa misericórdia àqueles que vos amam e guardam vossos mandamentos: nós pecamos, prevaricamos, cometemos maldade, fomos recalcitrantes, desviamo-nos de vossos mandamentos e de vossas leis. Não escutamos vossos servos, os profetas, que falaram em vosso nome a nossos reis, a nossos chefes, a nossos antepassados e a todo o povo da terra. (Dn 9, 4b-6)
4) DEUS - O "eu" desaparece, e só Deus importa: o que Ele fala, o que Ele deseja, o que Ele é. Só importa louvá-Lo, adorá-Lo, amá-Lo, exaltá-Lo e estar imerso no Seu amor.
Exemplo: a oração de São Paulo
Ó abismo de riqueza, de sabedoria e de ciência em Deus! Quão impenetráveis são os seus juízos e inexploráveis os seus caminhos! Quem pode compreender o pensamento do Senhor? Quem jamais foi o seu conselheiro? Quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído? Dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele a glória por toda a eternidade! Amém. (Rm 11, 33-36)
Extraído do livro "Perseverai no amor de Deus, de Maïsa Castro, Ed. Raboni.
26 de dezembro de 2013
A experiência de ser salvo
Quando eu tinha 13 anos morava em Recife-Pe com a minha família. Numa ocasião, banhando no mar de Boa Viagem com meus irmãos me senti sendo carregada para trás pelo movimentar das ondas. Normal! Mas quando aguardava a próxima onda me empurrar em direção à areia de novo, aconteceu o inverso: o mar continuava a me sugar para mais longe da terra. Comecei a me assustar e tentei voltar andando para fora. De repente sentir faltar o chão debaixo dos pés, porém não me preocupei muito, comecei a nadar para voltar a conseguir pisar em algo. Nada! Nem saía do lugar, muito pelo contrário, vi meus irmão e outra criança como que "escorrendo" por uma espécie de "ralo" que tinha se formado pela lacuna dos arrecifes justamente no lugar que escolhemos para curtir a água quente daquele final de tarde. Quando vi os meninos passando rapidamente para trás de mim, comecei a ficar aflita. Tentei voltar para pegá-los mas tinha ficado muito fundo para mim e o movimentar das águas não dava trégua! Eram três crianças e eu e comecei a cogitar que estava me afogando, pois não estava mais conseguindo respirar em meio às brumas das ondas! De repente senti um puxão forte no meu maiô e cabelos simultaneamente e sentir voltar o fôlego. Depois de alguns instantes pude ver (embora com os olhos ardendo pela água salgada) uma espécie de gigante com um menino literalmente embaixo da axila (como quem leva uma pasta ou jornal), outros dois pequenos bracinhos presos fortemente por uma única e enorme mão (isso mesmo, dois meninos numa mão só) enquanto ele me levava pelas madeixas para a praia como aquela icônica figura do homem das cavernas que leva sua companheira para a sua gruta: era o salva-vidas!
Chegando na praia ele jogou os quatro de uma vez na areia fofa e quente. Pegou rapidamente o rosto de cada um, verificou as bocas e narinas, deu um tapinha nas costas do menorzinho que tossia (que nem era meu irmão, mas um coleguinha recém conhecido no passeio) e depois, com toda autoridade, começou a dar uma enorme bronca, furioso conosco, esbravejando que a gente quase morreu, perguntando onde estavam nossos pais, se a gente era doido de entrar sozinhos na água aquela hora de descida de maré e blá blá, blá blá blá, blá blá...
Eu estava tão agradecida e atônita que só sabia olhar para ele e dizer: "desculpa, obrigada! Desculpa, obrigada! Desculpa, obrigada!"
Só quem passou pela experiência de ser salvo, especialmente de ser salvo por uma imprudência/burrice/erro seu, sabe a contrição e a gratidão que isso provoca! Só quem passou por essa experiência vai saber do que estou falando...
Mesmo sendo uma comparação rude, transferi o sentimento dessa memória para a espiritualidade do que fez Jesus por mim, por toda humanidade, por cada um de nós!
O povo que andava nas trevas estava destinado a se perder definitivamente, por sua própria culpa, por sua própria imprudência/burrice/erro, *pecado*. O ser humano estava destinado à perdição, morte, fim. Mas Deus jamais permitiria que isso acontecesse! Chegou ao cúmulo da humilhação por amor (porque o amor tem isso: quando verdadeiro, não se importa em se humilhar) e veio à terra vestindo nossa carne. "E o Verbo se fez carne e habitou entre nós!" (Jo 1, 14) Ele não se apegou à sua condição divina (OBS.: DI-VI-NA!!), mas se esvaziou dela, diz a Palavra: "A-NI-QUI-LOU-SE", assumiu condição de escravo e se assemelhou a nós, por amor. (Fil 2, 7-8) Aceitou ser embrião, feto, bebê, totalmente dependente, vulnerável, pequeno... porque amou tanto o ser humano que quis vir a nós (porque o amor tem isso: quando verdadeiro, vai ao encontro do ser amado) para nos salvar! Para que todo que Nele cresse não perecesse, mas alcancesse a vida eterna! (Jo 3, 16)
Muitos de nós temos brincado nos mares dessa vida alheios aos perigos que nos cercam. Como eu nos meus 13 anos na Praia de Boa Viagem naquele Domingo, vamos curtindo os prazeres da vida sem imaginar que estamos prestes a ser tragados pelo Mal, pelos pecados, pelas nossas imprudências/burrices/erros, orgulhos, mágoas, arrogâncias, omissões, falta de perdão, implicâncias, individualismos, esfriamento da fé, indiferença e até mesmo hostilidade à Deus... Mas Jesus nasceu em meio a nós não para nos condenar, mas para nos SALVAR! Para ser em nossa vida como aquele brigadista gigante e nos suspender pelos cabelos se for preciso e não deixar que nós pereçamos! E nós? Como ficamos diante dessa verdade?
Minha experiência na Missa de Natal desse ano, ao me deparar com essas reflexões, foi a de deixar mesmo o rímel escorrer pela face no meio das lágrimas e repetir diante dos pezinhos do Santo Menino no momento da Comunhão: "desculpe e obrigada! Desculpe por tudo, e obrigada! Perdão! E obrigada, Senhor!"
1 de dezembro de 2013
COROA DE ADVENTO
Significado
e uso da Coroa de Advento
Consiste
numa coroa feita com ramos verdes e flores, na qual se inserem 4 velas, que
significam as 4 semanas de preparação para o Natal, ou seja, o Advento.
Trata-se
de um suporte, normalmente redondo, com um aro de arame ou madeira, revestido
de ramos vegetais ou de musgo: ou seja, uma coroa entrançada com uma verdura
que se conserva, como os fetos. Sem flores. Sobre ela colocam-se quatro velas
novas, de cor uniforme ou variada, como se prefira. A coroa coloca-se sobre uma
mesa, ou sobre um tronco de árvore, ou pendura-se elegantemente do tecto.
As
4 velas são acesas à medida que os 4 domingos de Advento se vão
cumprindo. No início da primeira semana de Advento acende-se uma vela. No
segundo Domingo, duas. E assim sucessivamente até que, nas vésperas do Natal e
no quarto Domingo, já estão acesas em todas as celebrações (dominicais e
diárias) as quatro velas. Umas, naturalmente, gastaram-se mais que outras.
[Também pode colocar-se uma quinta vela, branca no centro, na Noite de Natal:
para expressar que o Advento foi tempo de preparação e é mais importante o
Natal, com as suas duas grandes semanas. Pode-se juntar também uma imagem do
Menino, dentro da própria coroa de Advento.]
História
É
de origem germânica. No Inverno, acendiam-se algumas velas que
representavam o “fogo do deus sol”, com a esperança de que a sua luz e o seu
calor voltasse. Os primeiros missionários aproveitaram esta tradição para
evangelizar, relacionando-a com Jesus Cristo.
No
séc. XVI torna-se símbolo do Advento nas casas dos cristãos. Este uso
difunde-se rapidamente e implanta-se também na América.
No
séc. XIX começou a colocar-se a coroa de Advento nas igrejas.
Existe
uma tradição que sugere o nome das quatro velas: vela da Profecia, vela de
Belém, vela dos Pastores, vela dos Anjos.
Uso da Coroa do Avento
O
seu uso tem-se difundido cada vez mais entre nós. Ajuda a aprofundar a espera e
a intensificar, em cada semana, a preparação para a vinda do Senhor. A coroa
está formada por uma grande quantidade de símbolos.
Com
este símbolo da coroa, simples e dinâmico, trata-se de ir criando uma atitude
de espera, com o seu jogo numérico, com o simbolismo da luz do verde, e com uma
aproximação gradual que convida à preparação da vinda de Cristo Jesus, Luz e
Vida para todos. No meio de um mundo secularizado, que tende a celebrar o Natal
com slogans meramente comerciais, a coroa pode ser um pequeno símbolo dos
valores que nós, os cristãos, vivemos nestes dias.
Natal
é a festa da luz: “O povo que andava nas trevas, viu uma grande luz”. Cristo é
a Luz do mundo. É Ele quem, com a Sua vinda, nos ilumina e nos conduziu à
esperança.
A
coroa de Advento aponta para o crescendo da Luz de Cristo, que dissipa as
trevas deste mundo. Ao acender semana após semana os quatro círios da coroa,
significamos os nossos passos de aproximação à luz que vem sobre nós e é Cristo
Jesus.
29 de novembro de 2013
Feliz Ano Novo Litúrgico!
O fim do ano litúrgico se
aproxima. Tempo de refletir sobre como foi nossa participação na Igreja neste
ano que passou! Será que em meio a tantas realizações em minha vida, houve
tempo para me dedicar à evangelização, ao serviço do altar, às obras de
caridade, formação dos fiéis, à manutenção do Templo... alguma coisa?!?
Sempre gosto de fazer um
balanço no fim do ano, meditar sobre os acontecimentos bons, as vitórias, as
conquistas; mas também sobre as perdas, as falhas, as promessas não cumpridas.
Em meio a memórias e louvores, pus em cheque minha contribuição para a Igreja
esse ano: fui o melhor que pude no meu serviço? Servi da melhor maneira que
podia? Superei o ano passado? Pelo menos mantive minha fidelidade o máximo que
poderia? Participei de alguma pastoral? Contribui com o Dízimo? Ajudei alguma
pessoa além de mim mesmo e da minha família? Fui em direção do próximo levando
uma palavra de fé, de consolo, de alegria?
Vamos refletir. Deus é bom,
nos providencia tudo, nos protege constantemente de tantas coisas, nos oferece
seu amor cada dia do ano! E Ele conta conosco para alcançar muitos de seus
filhos, irmãos nossos, que vivem em grande miséria seja material, seja, como
sempre diz o Papa Francisco, existencial. Deus conta comigo! Deus conta
contigo! A Igreja está sempre de portas abertas para quem quer colaborar com
humildade, compromisso, com fé! A Igreja precisa de você, batizado! A Igreja é
sua Mãe, e precisa e conta com você, com seu talento: não o enterre!
Jesus está voltando, irmão,
irmã! Colabore com o anúncio de seu Reino não por medo, mas em retribuição a
tudo o que Ele te dá, à sua saúde, à sua vida! Trabalhe em alguma coisa na
Igreja POR AMOR! Por amor a Ele, por amor aos filhos Dele, nossos irmãos que
necessitam tanto de alguém para levar amor onde só há ódio; que saibam perdoar
nesse mundo onde impera o rancor; que seja instrumento de paz onde as pessoas
tem se especializado na arte da briga; que sejam acolhedores e solidários nesse
cotidiano de rejeições... Deus conta comigo e com você para semear esperança
onde “tudo seja triste simplesmente por não saber de Cristo”...
Reflita sobre tudo o que
você poderia ter feito mas não fez por preguiça, por soberba, por não priorizar
a Deus... por tantos outros motivos, tantas outras justificativas, tantas
outras desculpas... Deus tudo vê e a Ele não podemos “enrolar” com explicações:
Ele nos conhece por dentro e por fora, o que fazemos conscientes e
inconscientemente e está sempre pronto a nos perdoar, a nos acolher de novo, a
nos aceitar, compreender. Ele perdoa nossa ausência mas nos quer! Quer cada um
de nós junto Dele, na família Dele que é a Igreja! Trabalhando, servindo, sendo
curado, liberto, restaurado por Sua graça e O ajudando a curar os outros,
libertá-los e restaurá-los sempre nos submentendo à sua unção! Volta! Volta
para Deus e para a Igreja, sem medo! Ele nos espera e conta conosco! Ele quer
precisar de nós!
Deus nos dá quantas e
quantas chances precisarmos, nos dá 365 dias de “novas oportunidades”, mas não
percamos mais tempo: vamos fazer mais por Ele, pela Mãe Igreja, pelos outros e,
consequentemente, por nós mesmos...
Volte para Igreja! Volte
para Deus!
Como nos faz bem voltar para Ele, quando
nos perdemos! Insisto uma vez mais: Deus nunca Se cansa de perdoar, somos nós
que nos cansamos de pedir a sua misericórdia. Aquele que nos convidou a perdoar
«setenta vezes sete» (Mt 18, 22) dá-nos o exemplo: Ele perdoa setenta vezes
sete. Volta uma vez e outra a carregar-nos aos seus ombros. Ninguém nos pode
tirar a dignidade que este amor infinito e inabalável nos confere. Ele
permite-nos levantar a cabeça e recomeçar, com uma ternura que nunca nos
defrauda e sempre nos pode restituir a alegria. Não fujamos da ressurreição de
Jesus; nunca nos demos por mortos, suceda o que suceder. Que nada possa mais do
que a sua vida que nos impele para diante! (Papa Francisco, in Evangelii
Gaudium)
Desejo a você boas e
sinceras reflexões em espírito de oração! Que o Espírito Santo possa revelar a você
onde é preciso melhorar, o que é preciso modificar neste ano que se inicia no
próximo 1º Domingo do Advento para ser mais de Deus, mais da Igreja. Que nas meditações
do ano que vem possamos estar mais engajados, mais comprometidos, sendo mais fiéis
a Ele em Sua Igreja amada! Feliz Ano Novo Litúrgico!
20 de novembro de 2013
Treinamento de Perdão
Então Pedro se aproximou dele e
disse: Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão, quando ele pecar contra
mim? Até sete vezes? (Mateus 18, 21)
Na mesma quantidade de vezes que
Deus nos perdoa nossas imperfeições, deslizes e fraquezas, devemos perdoar as
pessoas que Ele colocou na nossa vida. Simples assim. É fácil? Obviamente não.
Como é difícil passar o dia inteiro perdoando um filho que só apronta, a semana
inteira perdoando a agressividade das pessoas no trânsito, o mês inteiro
perdoando o patrão exigente, o ano inteiro perdoando os alunos bagunceiros, a
vida toda perdoando uma esposa “reclamona”!...
Precisamos aproveitar pequenos
desentendimentos e irritações cotidianas como um treinamento de perdão pois
virão ocasiões que teremos que liberar grandes perdões e aí, como faremos? Se
não conseguimos perdoar o pouco, como perdoaremos o muito? E Deus espera isso
de nós, já que Ele vive nos perdoando nossos "poucos" diariamente, e
aqueles "muitos" com os quais já o ofendemos e entristecemos tanto em
certas ocasiões em nossas vidas.
Não devemos superestimar os
desgostos que temos na convivência com os outros, mas sim perceber que,
quando somos contrariados em nossas opiniões e vontades, quando nos sentimos desrespeitados
ou mesmo feridos, é uma ocasião que Deus nos dá para nos superarmos em
paciência e caridade, uma ocasião para sermos “superiores”! Não superiores no
sentido de “estar por cima da carne seca”, muito pelo contrário. No Reino de
Jesus estar por cima, muitas vezes significa estar por baixo: “Os humilhados
serão exaltados” (Lucas 18, 14).
Esforcemo-nos para perdoar
diariamente, de coração, sem guardar rancor, sem achar que que somos bons
demais para sermos ofendidos, que é algum crime hediondo discordar da nossa
sublime opinião, que é inadmissível que as coisas não aconteçam estritamente
segundo nossos planos e vontades! Esforcemo-nos para nos auto-conhecer com
humildade e verdade e assim, nos conscientizarmos que nós não somos “essa
coca-cola toda”, nem somos assim “uma Brastemp”, que definitivamente não somos “o
último biscoito do pacote”! Somos todos feitos da mesma farofa! Somos tão
imperfeitos quantos os outros! Também precisamos da paciência dos outros, também magoamos, também falhamos... Também estamos na dependência
do perdão do próximo e de Deus!
Se dizemos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se reconhecemos os
nossos pecados, Deus aí está fiel e justo para nos perdoar os pecados e para
nos purificar de toda iniqüidade. (João 1, 8-9)
Amemos e perdoemos, simplesmente
por que precisamos ser amados e perdoados. Encaremos o perdão como um treinamento intensivo de amor! Permitamos que o Senhor seja esse personal "perdoador" para nós: ouçamos suas súplicas em nossos corações nos incentivando a compreender, a relevar, a esquecer, a "deixar quieto"... Que o sopro do Seu Espírito nos fortaleça a aguentar firme o tranco dos irmãos quando eles não estiverem no seu melhor... Que o exemplo de Maria nos inspire seu sábio silêncio, a viver as injustiças na paz da presença de Deus, a guardar os acontecimentos no coração meditando-os, sem raiva, mas com amor...
Exercitemos o perdão como quem vai para a academia: várias vezes, várias séries, sempre aumentando a velocidade, a intensidade, a carga, para então com o tempo, podermos ver os resultados dos nossos esforços em nosso caráter, em nossa personalidade! Todo treinamento visa a melhora, a superação, o ir além. O Catecismo da Igreja Católica (§2843) considera que o perdão é o amor que ama até o extremo do amor! Não se trata de simplesmente aceitar tudo sem diálogo, sem correção fraterna, mas em encarar tudo com mais amor e menos razão! Não se trata também de engolir sapo mas ficar remoendo por dentro, mas em mudar a ferida em compaixão e purificar a memória, transformando a ofensa em intercessão" (CIC, §2843). Isso só vira realidade se 'treinarmos', se exercitarmos, se fizermos na prática, 70 vezes 7 vezes...
E quando ficar difícil, quando os pequenos perdões se tornarem grandes perdões que a vida nos exigir, nunca nos esqueçamos que esta não é uma atitude que precisamos realizar sozinhos! Clamemos a graça e a ajuda de Deus SEMPRE, na oração!
“Ajuda-me a amar e perdoar, Senhor, na mesma medida da minha própria
necessidade de ser amada e perdoada! Ajuda-me a me conhecer para que eu
não me ache a dona da razão, para que eu perceba o quanto as pessoas também
precisam ser pacientes comigo! Que pela sua graça, tudo aquilo que as pessoas
me fazem de mal não tenha tanto impacto sobre mim, mas que seja maior o impacto
da Sua graça no meu coração me ajudando a compreender mais, aceitar mais,
aguentar mais, por amor! Que a pretensão de estar sempre certa não supere o
carinho que tenho pelas pessoas; que a mania de controlar tudo nunca supere a
ternura nas minhas relações; que a cegueira da irritação momentânea não
comprometa o amor que me liga aos que o Senhor colocou no meu caminho... Por
Jesus, em Maria, amém!”
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