25 de outubro de 2012

Ser de Cristo é ultrapassar nossos limites (Mesmo!) para levar a Fé e a Verdade aos eleitos



Na Carta de São Paulo a Tito, capítulo 1, versículo 1, o grande santo afirma: “Paulo, servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo para levar aos eleitos de Deus a fé e o profundo conhecimento da verdade que conduz à piedade”...
Eu cá da minha miséria, também me atrevo a repetir: “Manuela, mísera serva de Deus, microscópica apóstola de Jesus Cristo, para levar aos eleitos de Deus espalhados pela minha vida e meu modesto apostolado, a FÉ, e todo o conhecimento que tenho buscado a respeito da VERDADE na Palavra e no Magistério que conduz a vivência da piedade inspirada na moção do Espírito”... Num dado momento da minha vida, precisei assumir isso de verdade e não mais voltar atrás!
Estamos aqui justamente para isso: para levar essa FÉ e esse CONHECIMENTO DA VERDADE para os eleitos de Deus, ou seja, para nossa família, nossos amigos, nossa comunidade... Um dia adentramos pela Porta da Fé que o próprio Cristo abriu para nós em determinado momento de nossas vidas; entramos em contato com Aquele que é o DOADOR da FÉ, Aquele que é a própria VERDADE, e por causa dessa experiência somos impulsionados a transmitir esse conteúdo, essa vivência, esse Nome, essa proposta. Romanos 10, 14 expressa: “Como invocarão Aquele em quem não têm fé? E como crerão Naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão falar, se não houver quem pregue?” E podemos ir além: como serão convencidos se não houver quem viva de fato tudo isso? E como serão contagiados se não estiverem em contato com servos motivados, entusiasmados por essa causa?
Ora, esse saber, sentir, acreditar, confiar, é dom, é presente! Claro que sempre implica em uma atitude nossa, mas nunca é mérito nosso, é Deus quem dá! Como eu sempre digo, não se trata de algum esforço mental do tipo: “Agora eu vou aqui me concentrar, me esforçar, me focar e fazer força... para ter fé!” Não, absolutamente não. Meu papel é me abrir, estar vivendo em estado de graça, e o Espírito divino infunde essa Fé em mim, GARATUITAMENTE. Cabe a mim abraçar, nutrir, viver, fazer crescer, tornar atuante. Conforme o Catecismo da Igreja Católica § 153:

Quando São Pedro confessa que Jesus é o Cristo, Filho do Deus vivo, Jesus lhe declara que esta revelação não lhe veio "da carne e do sangue, mas de meu Pai que está nos céus". A fé é um dom de Deus, uma virtude sobrenatural infundida por Ele. "Para que se preste esta fé, exigem-se a graça prévia e adjuvante de Deus e os auxílios internos do Espírito Santo, que move o coração e o converte a Deus, abre os olhos da mente e dá a todos suavidade no consentir e crer na verdade.
Esse saber implica em alguns questionamentos: “Eu creio! Em que?” Muitos afirmam ter fé, mas diante dessa pergunta simples ficam sem resposta: Você sabe responder? Você crê em quê? São Pedro afirma que todos nós temos que estar sempre prontos para responder a todo aquele que nos pedir quais são as razões da nossa fé (1 Ped 3, 15). E ainda complementando mais um pouco a ideia de Romanos 10, 14 acima exposta: como se pode saber no se crê se nem mesmo lê a Bíblia, que nos traz o conhecimento básico de todo o depósito da nossa Fé? 2 Tim 3, 15-17 afirma: “As Sagradas Escrituras tem o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.” Mas se nem mesmo a Bíblia lemos, fica difícil chegar ao PROFUNDO CONHECIMENTO DA VERDADE de que falava Paulo na primeira perícope dessa pregação, carta a Tito 1, 1.
Em matéria de Fé, em matéria de Cristo e seu Reino, não há como ficar acomodado, o básico é simplesmente complexo. A própria compreensão do que seja FÉ já implica em um ir além, um ultrapassar sérios limites. Mas para o ser humano, ir além faz parte de sua essência. O homem é um ser transcendente: Deus nos fez para sempre irmos além, para sempre ultrapassarmos os limites do natural, do biológico, do visível, do tangível... Ter fé é justamente isso: a certeza a respeito do que não se vê! (Heb 11, 1)
Não se vê, não se pode tocar, muitas vezes nem todos conseguem sentir e nem muito menos compreender! E nem por isso se torna algo impossível, absurdo: É REAL! E por que?

O Papa Bento XVI afirma que “é importante aquilo que cremos, mas mais importante ainda é Aquele em que cremos!” Por causa Dele, todo esse paradoxo se torna possível! Por causa Deste em quem cremos, a Fé é uma REALIDADE possível, atuante, que influencia o ser humano há milênios (em várias áreas geográficas e culturas completamente distintas), que marca profundamente a história da humanidade e ainda o mundo de hoje. Por causa Dele a vida tem sentido, as dores tem sentido, as alegrias tem sentido, até a morte tem sentido! E se trata de um “fazer sentido” que vai além da compreensão cognitiva, além do sentimentalismo devocional, além de qualquer experiência mística, mas abarca a porção do ser humano que não pode ser definida por nenhuma epistemologia  nem interpretada por nenhum hermenêutica humana.
Bem falou sobre isso o Papa Bento XVI no Ângelus do dia 26 de Agosto de 2012, ao analisar o trecho do Evangelho de João, capítulo 6, tratando justamente da debandada de seus seguidores por conta do enigmático discurso do Pão da Vida. Assim observa o Papa:
“(...) O evangelista João (...) refere que “a partir de então muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com Ele” (Jo 6, 66). Por quê? Porque não acreditaram nas palavras de Jesus, que dizia: Eu sou o pão vivo que desceu do céu, quem comer a minha carne e beber o meu sangue viverá eternamente (cf. Jo 6, 51.54); deveras palavras que neste momento dificilmente são aceitas, compreensíveis. Esta revelação (...) era para eles INCOMPREENSÍVEL, porque a entendiam em sentido material (...) Ao ver que muitos dos seus discípulos se iam embora, Jesus dirigiu-se aos Apóstolos dizendo: “Também vós quereis retirar-vos?” (Jo 6, 67). Como noutras situações, é Pedro quem responde em nome dos Doze: “Senhor, para quem havemos nós de ir? Tu tens palavras de vida eterna e nós ACREDITAMOS E SABEMOS que és o Santo de Deus” (Jo 6, 68-69). Temos sobre este trecho um bonito comentário de Santo Agostinho, que diz: <<Vede como Pedro, por graça de Deus, por inspiração do Espírito Santo, COMPREENDEU? POR QUE COMPREENDEU? PORQUE ACREDITOU. (...)  E nós ACREDITAMOS E CONHECEMOS. Não diz: conhecemos e depois acreditamos, mas acreditamos e depois conhecemos. ACREDITAMOS PARA PODER CONHECER; de fato, se tivéssemos querido conhecer antes de crer, não teríamos conseguido nem conhecer nem crer. >>
Aqueles que precisam racionalizar tudo, nunca poderão crer, por mais que leiam a Bíblia, por mais que estudem o Catecismo, por mais que participem da Igreja, que sejam fiéis ao Grupo de Oração, que até se formem em Teologia, etc... Também aqueles que se apoiam unicamente na piedade, nas orações, das devoções, nos êxtases espirituais sem procurar crescer no conhecimento da sua Fé, também não poderão crer com aquela Fé madura que nos mantém firmes quando tudo começa a falhar... É preciso as dimensões do crer e do conhecer para se ter FÉ, mas aquela fé ATUANTE, VIVA, TRANSFORMADORA do interior (conversão, busca da santidade, etc) e do exterior (“a fé com obras”)...
Se alguém me pedir oração pela cura, eu creio que a cura possa acontecer, pelo Nome de Jesus? Se alguém me trair, serei capaz de perdoar? Se eu tiver uma doença incurável, perder tudo, tal como Jó, ainda estarei aos pés do Senhor? Eu creio na palavra de Jesus quando afirma “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas” (Jo 14, 12)?
 Sem Fé, tudo isso não passa de fábula...
Ele nos diz hoje que com o Espírito Santo, com a graça Dele e também com a nossa pequena fé, nada nos será impossível (Mt 17, 20). Ainda que demore, ainda que não seja exatamente do nosso jeito, a justiça virá, a vitória virá, a mudança virá, conseguiremos superar: ELE AGIRÁ! Mas cremos? No Evangelho de Lucas 18, 7-8, Jesus questiona: “Por acaso não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que estão clamando por ele dia e noite? Porventura tardará em socorrê-los? Digo-vos que em breve lhes fará justiça. Mas, quando vier o Filho do Homem, acaso achará fé sobre a terra?”
Nesse mesmo pronunciamento do Papa que citei antes, Ele recorda que muito permanecem ao lado de Jesus, mesmo não se abrindo ao dom da Fé, por variados motivos:
Por fim, Jesus sabia que também entre os doze Apóstolos havia um que não acreditava: Judas. Também Judas teria podido ir-se embora, como fizeram muitos discípulos; aliás, talvez devesse ir-se embora, se tivesse sido honesto. Ao contrário, ficou com Jesus. Não ficou por fé, nem por amor, mas com o propósito secreto de se vingar do Mestre. Por quê? Porque Judas se sentia traído por Jesus, e decidiu que por sua vez o teria traído. Judas era um zelote, e queria um Messias vencedor, que guiasse uma revolta contra os Romanos. Jesus desiludiu estas expectativas. O problema é que Judas não se foi embora, e a sua culpa mais grave foi a falsidade, que é a marca do diabo.
O Papa considera desonesto ficar com Jesus sem a Fé! Como isso é sério! Ele considera falsidade permanecer nessa situação! Alguém poderia acusa-lo: “Poxa! Isto é ser muito duro! E se a pessoa fizer tudo o que puder para ter fé e não conseguir?” Aí voltamos ao que disse antes, sobre a fé ser dom, não ser algo que nós trabalhamos em nós! Não ser mérito ou esforço individual, mas ser algo que RECEBEMOS SE ACEITARMOS!... É questão de se aceitar ou não, assim como Pedro! Quem pode nos obrigar a aceitar uma caixa de presente se não quisermos? Mesmo que joguem o presente em nós, se não quisermos, não o aceitaremos. Assim também o dom da Fé, depende de uma decisão, de uma adesão nossa.
Eu sempre admiro pessoas autênticas, de modo que prefiro alguém que olha na minha cara e diz com franqueza: "Eu não quero saber de Jesus!" do que alguém que finge ser de Cristo na teoria mas na prática não é, nem tenta ser, não se abre à graça!... O primeiro tem meu respeito: não quer Cristo, não quer, tudo bem, as pessoas são livres... (mesmo que eu possa frisar que Cristo estará sempre chamando, querendo, amando, aceitando de volta a qualquer momento, basta querer, pois o dom nunca cessará de ser oferecido a nós!). Mas ser autêntico, honesto, franco, verdadeiro é sempre mais digno! Não quer Cristo e toda a sua proposta? Assuma! Com todas as "vantagens" e consequências!... Nada mais desprezível que hipocrisia e aí sim, precisamos concordar com o Papa: é desonesto, é falsidade, é diabólico...
E o que faremos então? Nos conformar e desistir? JAMAIS!! Pois o que nos espera, o que está preparado para nós é tão imenso, tão superior que precisamos perseverar na Fé, na luta, no anúncio! Deus escolheu a mim e você para entrar por essa Porta da Fé, para viver essa experiência de transcender limites e alcançar toda a plenitude que Ele nos destina, nesta vida e na próxima, por amor a Ele com FÉ! Não queremos aqui dizer que será fácil, mas que com Deus é possível, é real! Como diz a música: “É preciso ter força, é preciso raça, é preciso ter gana, sempre!” Viver a fé é para os fortes! Para os motivados, para os perseverantes! Jesus afirma: “Desde a época de João Batista até o presente, o Reino dos céus é arrebatado à força e são os violentos que o conquistam” (Mt 11, 12) e um irmão meu sempre me diz: “Tem que ser ‘bruto’!”.
Imagine sua vida aqui como aquelas provas de programa de Televisão, na qual o apresentador explica para o competidor que, para ganhar o super-hiper-mega prêmio ele terá que fazer algo bem simples:
“Você terá que passar por esse rio de correnteza pulando de pedra em pedra até a outra margem, subir por aquela torre e tocar o sino! Então o prêmio será seu!”
Aí você pensa: “Nossa! Será que eu consigo? É difícil, mas não é impossível...”
Então o apresentador acrescenta: “Mas, cuidado! O rio é infestado de jacarés que não se alimentam há um mês e algumas pedras são falsas! Cuidado para não cair!”
E você: “Ave, Maria! Ok! Vamos lá!”
O apresentador: “Tome aqui essa mochila com 20kg de peso! E tem mais, no trajeto você precisa ir cantando, SEM ERRAR, o Hino da Bandeira enquanto tocamos o último sucesso do “Latino” ao fundo! E se prepare, pois quando você chegar à torre teremos outras instruções!”
Parece engraçado, mas o caminho da Fé pode ser assim para alguns, ou em algumas fases de nossas vidas...
E Deus conta comigo e com você para viver isso SOB A SUA GRAÇA e ultrapassar todo e qualquer desafio que a vida possa te trazer NA COMPANHIA DELE! Ele nunca estará ausente e poderemos contar sempre com a sua proteção! EU CREIO QUE A VIDA DE FÉ SEJA ISSO!  
 E digo mais! Deus quer que nós vivenciemos isso não só para ficar para nós mesmos, mas para que passemos essa vivência para os nossos, para CONTAGIAR o mundo com a nossa Fé! E assim assumir DEFINITIVAMENTE a palavra de Tito 1, 1: Eu (seu nome), servo de Deus, apóstolo de Jesus Cristo para LEVAR aos eleitos de Deus a fé e o profundo conhecimento da verdade que conduz à piedade!...
AMÉM!